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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Frutas, Arroz e Feijão

                              

Acordei melhor e com vontade de comer arroz com feijão e frutas. Não necessariamente nessa ordem.
Fui ao banco do bairro e precisaria ir ao banco em outro bairro, mas eu estava cansada e resolvi deixar para ir amanhã.
Ainda passei no posto de saúde e na papelaria para comprar cartucho novo para a impressora. Na volta passo em frente à uma barraca de frutas e comprei algumas: caqui, atemoia, mexerica, goiaba, mamão, maçã, pera e uva. Só.
Voltei para casa e ainda lavei a garagem; a gataida da vizinhança vem fazer caquinha bem aqui. Bacana isso.
Ainda coloquei roupas na máquina, estendi outras e depois fui cozinhar o feijão. Adoro feijão clarinho com caldo grosso e arroz branquinho e feito na hora.
Tomei banho depois disso tudo e cá estou e escrever. Sinto-me bem.
É isso.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Rua e Cidade



Antigamente dizíamos que quando alguém saía, tinha ido à cidade. Ou se fosse a algum lugar pelo bairro mesmo dizíamos que tinha ido à rua.
Ir à cidade significava ir ao centro ou aos bairros próximos que eram mais desenvolvidos, tinham bancos, agência de correios, lojas e outras melhorias que nosso bairro simples não tinha.
Ir à rua significava ir ao açougue, padaria ou mercadinho do bairro mesmo.
Hoje não usamos mais esses termos, dizemos que vamos ao banco, ao Carrefour, ao Extra, ao Correio, quando vamos para um pouco mais longe. Quando vamos aos locais do bairro, dizemos que vamos à padaria, ao açougue ou farmácia próximas.
Mas no interior dos Estados do Nordeste esse hábito ainda persiste.
É muito interessante como nossa língua varia de lugar para lugar.
É isso.

domingo, 11 de março de 2012

Chácaras

                                            


O bairro onde é moro é tomado por caminhões e transportadoras, mas antigamente eram poucos os caminhões e muitas as chácaras e casas simples.
A maioria das ruas era de terra e só as avenidas principais eram asfaltadas.
O bairro era dividido em três partes: o morro e as ruas depois da avenida, onde ficavam as casas bonitas e onde moravam os ricos. São Francisco, pequena vila dentro do bairro onde fica a Paróquia de Santa Rita de Cássia, onde se concentrava a maioria das chácaras e da malandragem da região naquela época (hoje tem por toda a parte), e as outras ruas.
Morávamos nas "outras ruas".
Papai e mamãe não queriam que fossemos sozinhos a São Francisco por ser perigoso, então só ficávamos na nossa rota: escola, casa, mercadinho.
Na hora da saída da escola ficávamos observando os colegas e o caminho que faziam; se fossem em direção às ruas próximas à nossa ou à vila de São Francisco eram pobres pé rapado igual a gente, mas se fossem em direção ao morro ou se atravessassem a avenida, então eram os riquinhos da escola.
Gostávamos de andar pelo bairro e observar as casas bonitas dos ricos. Adorávamos casas grandes, com quintais grandes, janelas grandes, jardins e com campainha. Tocávamos e saíamos correndo. Ótimo exercício físico.
Cada um de nós escolhia "sua" casa favorita e fazíamos planos sonhando acordados. Sempre moramos em casas simples e olhar casas bonitas era uma diversão para nós.
Hoje a divisão do bairro não existe mais com tanta força como era antigamente; as casas grandes e bonitas do morro ainda existem mas as ruas de lá já estão invadidas com caminhões e transportadoras. A vila de São Francisco continua com ares bucólicos e também foi tomada por caminhões. As ruas depois da avenida perderam a graça e foram invadidas por construções horrendas e por habitações populares de programas do governo. 
O bairro que outrora fora tão bucólico e verde hoje está frenético e cinza.
Os novos invasores da vez são os prédios de apartamento e eu fico pensando como será o trânsito quando mais moradores se mudarem para suas novas moradias.
Em uma das ruas onde moramos havia muitas casas térreas com quintais grandes e floridos e eu adorava caminhar pelas ruas só para apreciar a beleza das flores. Tinha uma flor peluda e aveludada chamada de crista de galo e eu parava em frente ao portão só para observá-la de perto. 
Eram margaridas, flores roxas, cristas de galo, coloridas flores do campo, cravos, cravinas, crótons, pitangueiras, amoreiras, pés de cana, sempre-vivas, dálias e uma infinidade de árvores, flores e plantam que deixavam o bairro ainda mais verde.
Hoje temos caminhões, prédios, cimento e cinza.


                                               



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Paradoxo

                                                       


É o oposto do que alguém acredita ser a verdade.
Moro num bairro invadido/tomado por caminhões e transportadoras e é fácil imaginar a dificuldade que temos para estacionar, manobrar e dirigir pelas ruas.
Alguns anos atrás as transportadoras se concentravam em determinadas ruas e locais do bairro, mas agora espalharam-se geral.
Além da ocupação das ruas, barulho e poluição, os caminhões pesados abalam as estruturas das casas quando passam em alta velocidade. A casa treme, literalmente. Dias desses comentei com a vizinha e ela me disse o mesmo. Então não sou a única a sentir a vibração. Uhu!
Até mesmo na região nobre do bairro há transportadoras com prédios minúsculos onde são enfiadas carretas gigantes. Os motoristas desses veículos mereciam um prêmio!
Não sou contra os caminhões e transportadoras; tenho até muito respeito por eles, mas acho que deveria haver um local onde concentrasse todos. Tem o terminal de cargas Fernão Dias, mas já está lotado e por isso as empresas de transportes espalham-se pelos bairros adjacentes.
Outro problema é a crescente verticalização da cidade. A região onde moro era um local de chácaras e casinhas simples na parte baixa e de casonas bonitas na parte alta. Hoje há cada vez menos casas que são derrubadas para dar lugar a prédios e/ou transportadoras.
Meu bairro permite fácil acesso às marginais e principais rodovias e esses são motivos atraentes para empresas de transporte de mercadoria e serviços.
Paradoxalmente, com tantas empresas, falta ao bairro outros tipos de comércio; faltam lojas de calçados, roupas, restaurantes, lojas de "um real" e outras. Temos muitas padarias e lojas de material de construção, mas falta ainda muita coisa.
Acredito que com o crescente número de prédios de apartamentos haverá uma melhoria no bairro e isso atrairá lojistas e comerciantes. Fico imaginando também o fluxo de carros que aumentará bastante quando esses prédios receberem seus moradores. Serão carros dos próprios moradores e dos visitantes. 
Como dizia Mãevelha: "Dou por vista. Dou por derradeiro". 
E voltando a falar dos caminhões e caminhoneiros...Deveria, na minha opinião, concentrar as transportadoras em um único local para facilitar a vida desses trabalhadores. Um lugar com infraestrutura, que oferecesse banheiros limpos, cozinhas, área de lazer e facilidades que melhorassem a vida dessas pessoas.
Mas o consumismo desenfreado somado à ganância e à cegueira de consciência não permitem nada que atrapalhe o ganhar, o fazer dinheiro. 
A vida, ou a qualidade desta, fica relegada a segundo plano.
Paradoxal.