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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Frutas, Arroz e Feijão

                              

Acordei melhor e com vontade de comer arroz com feijão e frutas. Não necessariamente nessa ordem.
Fui ao banco do bairro e precisaria ir ao banco em outro bairro, mas eu estava cansada e resolvi deixar para ir amanhã.
Ainda passei no posto de saúde e na papelaria para comprar cartucho novo para a impressora. Na volta passo em frente à uma barraca de frutas e comprei algumas: caqui, atemoia, mexerica, goiaba, mamão, maçã, pera e uva. Só.
Voltei para casa e ainda lavei a garagem; a gataida da vizinhança vem fazer caquinha bem aqui. Bacana isso.
Ainda coloquei roupas na máquina, estendi outras e depois fui cozinhar o feijão. Adoro feijão clarinho com caldo grosso e arroz branquinho e feito na hora.
Tomei banho depois disso tudo e cá estou e escrever. Sinto-me bem.
É isso.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Corte

                              


Levantei cedo para por o lixo fora; o caminhão do lixeiro passa entre sete e sete e meia da manhã.
Carrego o saco pesado e de repente sinto uma picada no dedo, deixei pra lá, achei que foi apenas o saco de lixo que encostou no meu pé.
Fecho o portão e volto para dentro e percebo um caminho de pegadas sanguinolentas. Havia cortado o dedinho do pé esquerdo e nem senti!
Tenho pouca sensibilidade nos pés e tenho dificuldade em sentir o pelo fofo de meus gatos quando os toco com os pés.
Tinha sangue do quintal dos fundos até a garagem e era bastante. Como um corte no dedinho do pé pode sangrar tanto?!
Limpei o chão de depois tomei banho para lavar o ferimento que ainda sangrava muito. Fui depois à farmácia do Pedro, nosso velho conhecido, e ele fez um curativo com uma pomada "boa", segundo disse. 
Se tiver algum problema nessas vinte e quatro horas, devo ir ao Posto de Saúde para tomar injeção antitetânica. Tomara Deus que nenhum problema surja nas próximas horas nem nas seguintes.
Acho que fui desatenta, pois sabia que havia vidro quebrado no lixo e mesmo o embrulhando tão bem para não machucar o lixeiro.
Acho que a desatenção foi fruto da preocupação e problemas porque passo; não está fácil não.
Mas eu vou sair dessa!
Sou Leão do Norte e já comi toucinho com mais cabelo!
É isso.

                   
                                

domingo, 22 de julho de 2012

Pela cabeça dos outros

                                        


Mamãe dizia que quem vai pela cabeça dos outros é piolho e que caranguejo por causa de amigo perdeu a cabeça.
Quando pequenos tínhamos o hábito de tomar gemada. Nossa avó, minha Mãevelha, batia as gemas com açúcar e nos dava,
Estávamos em mais uma época difícil: seca, desemprego, fome...
Meu avô Paipreto era velhinho e doente; estava bem fraquinho e os alimentos eram racionados para poder render mais e dar de comer a todos. Nessas épocas difíceis a parentada se reunia e um dividia com o outro o pouco que tinha.
Não tínhamos tomado nossa gemada naquela manhã e minha prima Lúcia estava com vontade. Ela é mais velha que eu dois anos.
Tinha apenas um ovo na cozinha e que foi reservado para Paipreto; os outros poderiam aguentar a fome por mais tempo, eram mais fortes e resistentes.
Minha prima me convence a pegar o ovo na cozinha e levá-lo até ela, estávamos escondidas em um dos quartos. Depois ela me manda pegar uma caneca, uma colher e o pote de açúcar. Eu fui.
Ela fez a gemada. Tomamos.
Fomos brincar pelo quintal grande da casa e adorávamos pegar mamonas maduras e abrir para ver as sementes.
Dali a pouco Mãevelha nos chama e pergunta se vimos o bendito do ovo e eu fiquei sem saber o que dizer e lancei o olhar para minha prima; a filha da mãe diz: "Foi Rejane que pegou, vozinha. Ela queria a gemada e eu fiz pra ela".
Apanhei e nem tive oportunidade de explicar a minha versão da história. Mifu.
Algumas horas depois mamãe voltou de Recife com a ajuda do Tio José e eu contei-lhe a verdade. Fiquei com raiva da prima.
Estávamos agora em São Paulo e minha irmã Rosi era bebê. Naqueles tempos o posto de saúde entregava seis latas de leite em pó mensalmente para as mães que levavam os filhos para pesar, medir e vacinar.
Estava no quintal cuidando e brincando com minha irmã e a vizinha adolescente chega. Ela tinha um nome bem primaveril: Florinda!
Eu estava com nossas bonecas e brincava de fazer comidinha com as plantas do jardim de Mãevelha e com areia. Florinda diz: "Sabia que não pode dar comidinha de mentira para a boneca? Tem que ser leite de verdade, se não ela fica doente!".
"Mas boneca não  é gente", retruquei.
"A minha prima não quis dar leite pra boneca dela e a bonecar ficou doente e morreu".
Bom, fui até a cozinha e trouxe a lata de leite Ninho para fazermos o leite da boneca, mas a esperta da Florinda fez um copão de leite e botou goela abaixo!
Mãevelha veio ver o que estava acontecendo e vê a lata de leite em meio aos nossos brinquedos. Vixe! 
"Tu não sabe que o leite é pra tua irmã e pro teu irmão? Tu perdesse o juízo? Quem no mundo viu dar leite pra boneca?"
Falei que foi ideia da Florinda e Mãevelha botou a menina pra correr: "Vá simbora! Tu tá muito grande pra modi brincar de boneca. Vá pra sua casa! Vá procurar o que fazer!"
Apanhei com uma sandália de borracha grossa e pesada de papai.
Passei a evitar a Florinda.