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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sabiá

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Muita chuva e frio.
Dor de cabeça chata, só do lado esquerdo do rosto. Pressão no olho esquerdo.
Gatos encolhidos pelos cantos; fico com dó dos cachorrinhos da vizinha amarga, os pobrezinhos latem de fome e frio a noite toda e ela não toma providência alguma.
Daqui a pouco o sabiá inicia sua cantoria; acho tão lindo, mas tem gente que reclama. Final de inverno e o canto anuncia novas vidas que chegarão com a primavera.
Fumaça de cigarro que entra pelo nariz e incomoda muito. Os vizinhos fumam e bebem no quintal e toda a fumaceira vem pra cá; detesto! Piora a dor de cabeça.
Fiz arroz branco e comi com o refogado de abobrinha e mandioquinha que sobrou de ontem; bem gostosinho, embora não dê muita "sustança".
Estou "viciada" nessas bolachas integrais Nesfit e Belvita e nos cookies de chocolate da Bauducco. Deliciosos.
Tenho levantado cedo esses dias; quero fazer muitas coisas, tantas coisas, mas esqueço e lembro da minha condição.
Que vontade de largar o andador pra lá e sair pela casa fazendo o que tem que ser feito! 
Dúvidas, receios, possibilidades, incertezas e tantas outras coisas passando por minha cabeça que dói há alguns dias.
Que dor de cabeça chata!
Vou me deitar.
É isso.



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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Saudades e Vontades

                                 




Muito frio.
Domingo fez trinta graus e na segunda-feira o tempo mudou radicalmente.
Dormi bem. Acho que meu corpinho estava com saudades da cama, do colchão e da companhia dos gatos.
Levantei às seis da manhã para tomar o primeiro remédio, como é praxe no hospital, e voltei para a cama.
Muito frio e cinza.
Alice cismou de dormir no meu travesseiro e eu tive que encontrar um jeito de convencê-la a se afastar mais um pouco: meu roupão fofinho.
Abro o roupão ao lado do travesseiro e Alice deita-se, massageia como se sovasse massa de pão. É interessante.
Levantei, fiz café e tapioca, arrumei algumas poucas coisas pela casa.
Cansei e me bateu um sono pesado; deitei-me com Ébano Nêgo Lindo envolto em meus braços e adormecemos juntos. Lindo.
Acordei com Boreal me chamando e percebi um volume estranho no peito dela; estranhei e me preocupei.
Aquele volume nunca estivera lá antes. O que aconteceu enquanto estive fora? Será que ela caiu? Correu na rua? Fugiu de algo ou alguém?
Passei os dedos por cima do inchaço, mas ela não demonstrou sentir dor.
Ainda bem.
Ligarei amanhã para o veterinário e agendarei uma consulta para Boreal e aproveitarei também para agendar sua castração. Devo também perguntar sobre a alimentação dos gatinhos que já estão com vinte dias.
O problema são as escadas do consultório veterinário.
Aqui em São Paulo parece que tornou-se um padrão: tudo tem escada, tudo fica nos altos.
Os funcionários da clínica sempre me ajudam a levar a gaiolinha com os gatos, mas o problema mesmo é subir e descer aqueles intermináveis degraus. Me cansa bastante.
Bom, vou fazer um chá e tomá-lo com bolachinhas de polvilho que derretem na boca e com algumas bolachinhas "cremi cráqui". Adoro.
Estou com vontade de comer carne de panela com legumes e muitas frutas também.
Adoro frutas.
É isso.


                                     


                               


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Pilha

                                     

Minha avó Mãevelha adorava seu inseparável rádio de pilha e quando chegava a hora de trocar as pilhas, as quais chamava de elemento, pedia para algum dos "primos" que moravam em nossa casa fazer o serviço.
Mãevelha não confiava em nossa capacidade e habilidade manual para trocar umas simples pilhas, ela achava que o rádio não funcionaria.
Dizíamos que bastava colocar as pilhas nos pólos certos, negativo e positivo, e pronto, o rádio funcionaria e ela poderia ouvir os programas do Zé Betio, Eli Correa, Barros de Alencar e outros.
Mas não adiantava, Mãevelha não confiava em nós e ficava o dia inteirinho sem ligar seu amado rádio esperando até a hora em que os "primos" voltassem do trabalho. Era muita teimosia e "inguinórança".
Mas nos vingávamos dela roubando suas bolachas para serem devoradas com café ou chá quentinhos. Quem manda duvidar de nóis?
Mamãe ainda tentava convencer Mãevelha: "Mamãe, deixe de teimosia, esses meninos vivem na escola e foram nascidos ou criados em São Paulo e sabem de muitas coisas". 
Nosso pais e nossa avó achavam que o fato se sermos nascidos ou vindos bem cedo para São Paulo nos fazia mais espertos. Sei não, há controvérsia.
Os ditos "primos" chegavam e Mãevelha pedia: "Meu filho, bote os elementos no meu ráido, tu bota?"
Papai, mamãe e Mãevelha falavam um português diferente do que aprendíamos na escola e só quando comecei a estudar é que percebi a diferença e fiquei em dúvida sobre quem falava certo ou errado. Eles falavam "táuba, ráido, Káita, sangre, vinargue...".
Já falei sobre isso aqui e parte disso se deve à variação linguística e a outra ao fato de sermos pobres e falarmos como pobres mesmo.
Bom...
Os elementos/pilhas eram trocados e o bendito rádio era ligado e Mãevelha ficava feliz até o nova troca dos elementos.
É isso.

                               

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As sacolinhas e as bolachas de Mãevelha

                                           


Minha avó Mãevelha sentava-se em sua cama cercada de lãs, agulhas de crochê, de costura e de muitas sacolinhas plásticas cheias de bugigangas, botões, remédios e bolachas.
As sacolinhas com bolachas eram cuidadosamente surrupiadas por nós quando Mãevelha dormia. O problema era que nossa avó tinha o sono muito leve e nos dava um trabalhão danado praticar o doce furto.
Procurávamos fazer o mínimo de barulho, mas o som das sacolinhas plásticas sendo mexidas acordava Mãevelha e dizíamos para ela que estávamos só tirando os gatos de sua cama que era para ela dormir melhor.
Ela dizia: "Sim, tô sabendo".
Mãevelha sentava-se na cama com um leve cobertor em suas pernas, pegava suas linhas e agulhas para fazer crochê e os gatos corriam a brincar com o novelo. Ela ficava brava com os gatos e dizia: "Vem cá menino. Vem pegar minha linha, vem. Mas será Deus impussivi? Esses gatos não estão vendo que eu estou usando a linha? Mas que gatos mais ateimoso!"
Papai ria com as reclamações de Mãevelha e dizia: "Mas Bastião, tu quer que os gatos tenham saber?"
Papai chamava Mãevelha de Bastião. Não sei explicar o porquê; são coisas da minha família maluquetes.
Passado algum tempo, os gatos e Mãevelha faziam as pazes e todos dormiam cercados por linhas, lãs e as sacolinhas plásticas. 
Tinha de tudo nessas sacolinhas; de botão e agulhas a remédios, de fotografias a bolachas. E bolacha era o que mais nos interessava.
Muitas vezes, após o jantar, batia aquela vontade de tomar um chazinho com bolacha, mas nós não queríamos as bolachas que estavam guardadas nas latas de mantimentos em cima do armário da cozinha; queríamos as bolachas que estavam nas sacolinhas de Mãevelha. Eram muito mais gostosas!
Esperávamos Mãevelha adormecer para atacar suas sacolas. O chá já estava pronto.
Arquitetávamos cuidadosamente nosso plano de ataque: Rogério e eu vigiávamos o sono de Mãevelha e quando ela finalmente adormecia, Rose e Naldão entravam em ação. Eles sabiam onde procurar.
Quando ela percebia o movimento e resmungava alguma coisa, dizíamos: "É o gato, Mãevelha. Sai daí, gato danado!".
Mamãe nos dava bronca e dizia para pegar as bolachas da lata de mantimentos e não as de nossa avó.
Mas as bolachas de Mãevelha eram mais gostosas.