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sexta-feira, 21 de março de 2014

Maria das Águas

                             



A manhã fluiu bem e a hora passou bem rapidamente. O calor continuou, mesmo com o céu parcialmente nublado e as chuvas.
A noite está mais fresca e até dá para se cobrir com um edredom ou um cobertor leve, fininho, macio, fofinho e aconchegante, do jeito que os gatos gostam.
Vou tomar meu banho antes de ir para a cama; transpiro muito e isso atrai os malditos pernilongos. Devo ter o sangue doce para esses bichos chatos!
Tive um sonho estranho: chovia, penduradas no varal, toalhas velhas de banho cortadas em pedaços para servirem como pano de chão; observo a chuva e percebo que o quintal está sem as minhas plantas!
Acordo com o barulho da chuva.
Levanto e vou ao quintal, minhas lindas plantas estão lá: minha bonina, meu maracujá, flor de maio, mandacaru... Todos lindos, verdinhos, fresquinhos e viçosos. Todos cobertos por gotículas de água que fazem lembrar pequenos brilhantes, assim como os pés de feijão com mamãe.
Mamãe deve estar por perto, daqui a pouco será meu aniversário de quarenta e sete anos e posso ouvi-la e vê-la sorrir ao contar pela quadragésima sétima vez a história do meu nascimento.
Amanhã também é dia das águas e eu amo as águas. Sou a Maria das Águas.
É isso.


                               

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Cadeira

                                       



Dia quente e abafado e pressão nas alturas.
Há alguns dias que estou assim, com a pressão teimosa que insiste em ficar alta. Acabei de tomar mais uma dose do anti hipertensivo e depois irei para a cama. 
Deveria ter saído para comprar ração, café, terra e novas plantas para substituir as que foram pisoteadas, mordidas e arrancadas por Clara Blue e seus irmãozinhos terríveis, mas eu não estava bem e não iria dirigir por aí me sentindo mal e com a pressão alta.
Fiquei em casa e zapeava pelos canais da TV quando de repente ficou sem sinal, isso às três da tarde. Liguei para a NET e supostamente o sinal voltaria às vinte horas, não voltou. Voltou às vinte e três e trinta.
Sem TV, sem telefone, sem Internet.
Sentei-me na cadeira que fica lá fora, ao lado da máquina de lavar roupa, e apreciei a bela tarde, a gataiada espalhada pelo quintal tentando refrescar o calorão que fez. Detesto calor.
Li o jornal e revistas.
Ontem choveu muito e houve alagamentos em algumas regiões.
Os pequenos dormem e eu vou para a cama; os efeitos do anti hipertensivo começam a se manifestar: sonolência.
Amanhã estarei melhor. 
Boa noite a todos.


                                                 

domingo, 7 de julho de 2013

Trovejar

                                      


Assistia à previsão do tempo no telejornal e me lembrei de como reagíamos ao chover, trovejar e relampear.
Os raios rasgavam os céus, os trovões estrondavam e nos deixavam com muito medo e nossa avó Mâevelha andava apressada pela casa a nos dar ordens, a cobrir as imagens dos santos, a virar quadros e espelhos, a nos proibir de pegar ou chegar perto de objetos de metal, a nos mandar ficar quietos para que os raios e trovões passassem logo.
Segundo ela, quanto mais barulho e movimento fizéssemos,  mais fortes e barulhentos seriam os raios e trovões. Era melhor ficar todo mundo quietinho e caladinho, preferencialmente debaixo da mesa.
Nosso avô Paipreto balançava a cabeça e sorria.
A chuva passou, os raios e trovões se acalmaram e nossa avó abria cuidadosamente a parte de cima da porta para espiar lá fora. Estaria seguro? Será que choveria mais? Será que os raios e trovões voltariam?
Olhávamos e esperávamos ansiosos pelas respostas a perguntas não feitas, apenas pensadas e sentidas.
Nossa avó chamava mamãe e dizia: "Pode desvirar os quadros, descobrir os santos, o céu quilariô (clareou). Os meninos já podem ir para o terreiro (quintal) brincar".
Íamos, mas a qualquer sinal de chuva, raio ou trovão, corríamos para dentro de casa e nos escondíamos debaixo da mesa; estaríamos mais seguros lá.
Coisas nossas.
Às vezes dá sôdade (saudade).
É isso.

                
                                     


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ilha Comprida - Gatos

Ilha Comprida
                                                    

Sempre falo e não me canso de repetir: "Ninguém é obrigado a amar animais, mas tem que respeitá-los".
Minha mais recente aquisição foi Cássio Antônio, e para falar a verdade, foi ele que me adquiriu.
Cássio chegou com algumas marcas de abuso, tem marcas de queimadura de cigarro em seu pelo. Só queria cinco minutos com o cabra safado que fez isso antes de entregá-lo para a Polícia.
Tem um gatão invocado na vizinhança que tem a cara de pau de pular a grade do portão e tocar o terror na minha gataiada e obviamente eles miam e fazem barulho. O simpático vizinho disse que queria abrir a janela e "dar um jeito" neles, pois o distinto não gosta da "zuada" que os felinos fazem.
Bom, nem eu nem ninguém podemos controlar o instinto animal, mas se eles pudessem ler, eu colocaria uma placa dizendo: "Queridos gatos, por favor, brinquem ou briguem em silêncio. Obrigada, a Direção".
Cássio Antônio é muito carente e está ainda muito inseguro e tem pouca confiança. Me segue por toda parte, pede carinho, mia desesperado quando sente-se sozinho e adora um chamego. É muito ativo, brincalhão, destruidor de plantas inocentes e muito carinhoso.
Não sei que mal uma criatura pequena e inocente dessa pode fazer!
Não sei o que leva uma pessoa a fazer tamanha crueldade com criaturas inocentes. Será que acham engraçado?
Quem é o animal aqui?
Fui convidada para passar o Réveillon em Ilha Comprida mas precisei declinar; não sinto-me segura deixando seis gatos adultos e um filhote sozinhos em casa e além do mais, tenho receio de ficar fora por muito tempo devido às chuvas fortes que geralmente alagam minha humilde residência.
Há outros motivos também, mas esses são os mais fortes. Talvez sejam.
Bom, acredito que não faltarão novas oportunidades. Acredito.
É isso.


                               

                        

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Muriçocas

O aquecimento global, o buraco na camada de ozônio, desmatamentos, poluição...Tudo afeta a Natureza de forma negativa e altera o curso das chuvas, das floradas, da própria vida.
Isso explica a presença voadora, sugadora e barulhenta de muriçocas (pernilongos) nas noites frias do outono/inverno paulistano. 
Antes elas apareciam só nos dias quentes de verão, mas agora aprenderam a driblar as estações e atacam em todas. 
É a evolução das espécies.


                                                 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ventos

                                       

No livro de Língua Portuguesa da quarta série havia um texto sobre os ventos.
O título do texto era "Vento Minuano" e me encantou a história e as ilustrações. Era um cavalo correndo em meio aos ventos e a imagem era muito bonita.
Era um desenho simples, apenas rabiscado em lápis cor caramelo.
Era linda a crina do cavalo esvoaçando sob os caprichos do Vento Minuano.
Era linda a liberdade expressada pelos ventos e pelo cavalo.
Têm certas coisas, certas imagens, certos momentos que nos marcam para sempre e o texto sobre o Vento Minuano foi um deles.
Os ventos anunciam as chuvas, a mudança de tempo.
Os ventos brincam com as folhas das plantas.
Os ventos trazem lembranças.
Os ventos bagunceiros que deixavam bisavó braba e a falar com eles como se fossem crianças arteiras. Bisavô Francisco perguntava: "Oxe, Gina, tu tá falando sozinha, é?". E ela respondia: "Tô não, Francisco. São esses ventos que fazem tanta arte que só tu vendo, visse?Ave Maria!". E bisavó prosseguia falando com os ventos e tentando arrumar a bagunça que eles deixavam pelo caminho. Eram ventos brincalhões.
Os ventos levavam as roupas do varal para longe, os ventos derrubavam as plantas, os ventos levantavam poeira, os ventos batiam as portas e janelas, os ventos anunciavam a tão esperada chuva no meu Sertão.
Adoro os ventos.