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sábado, 13 de junho de 2015

Anunciação

                            Resultado de imagem para menina montada em cavalo branco


Percebi que quanto mais trabalho e faço as coisas pela casa, melhor de ânimo e humor eu fico; pena que meu corpinho acromegálico não sinta o mesmo.
Se fico muito tempo parada, sentada ou deitada, o meu humor fica ruim, o corpo entrevado e as dores mais intensas.
Levantei e fiz algumas coisas pela casa. O movimentar-se aquece, anima, ajuda, acredito eu. Difícil e complicado é fazer as coisas com o andador.
Não está tudo perfeito, mas eu faço o que posso e dentro das minhas possibilidades físicas. Não sou perfeita e não tenho nenhuma pretensão em ser.
Bom...
Liguei o rádio, coisa que não fazia há muito tempo, e trabalhei pela casa ao som de boa música. É bom.
Estava, na boa, de saco cheio de ter que ouvir sempre as mesmíssimas músicas dos vizinhos: música religiosa, infantil, esse tal de sertanejo universitário... Deus é mais!
Ouvi Caetano, Titãs, Alceu Valença, Seu Jorge, Skank e o bom e velho Rock 'n' Roll. Metallica, Led Zeppelin, Ramones, Motörhead, The Smiths... e esse povo todo.
A tarde começa a esfriar...
Ouvia "Anunciação", de Alceu Valença, que me trouxe boas lembranças. Eu imaginava uma menina chegando ao meu quintal montada em um cavalo e essa menina seria Mariana, a filha que sempre quis ter, mas não tive. Eu a colocaria para dormir e cantaria essa música para ela... 
Gosto desse nome, Mariana, nome da minha avó paterna.
É...
Vontade de comer doce de abóbora, gnocchi, essas comidas italianas, pudim de leite condensado, petit gateau... Vontade de ir ao restaurante nordestino que ficou famosinho e bem carinho.
Tantas vontades...
Eu vou ficar boa e irei.
Tarde nostálgica. O frio deixa tudo mais triste, saudoso, melancólico, solitário. Gosto do frio.
É isso.


                                  Resultado de imagem para menina montada em cavalo branco





                               



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Dia Produtivo

                                 Resultado de imagem para aparelho de jantar com paisagem inglesa



Estou cansada hoje também. Trabalhei bastante e ajudei à diarista, do meu jeito, claro.
Ela ficou limpando a casa e lavei roupas. Deixei acumular para poder lavar tudo junto e assim contribuir para com a economia da água. Outro motivo é que tenho dificuldade para estender as roupas no varal e quase sempre caio.
A diarista consertou os varais quebrados, trocou a lâmpada do banheiro e me ajudou a estender as roupas. O dia foi produtivo.
Ela fez coisas bobas e simples que antes eu fazia sem problemas. 
Pedi para ela esvaziar o armário da cozinha e limpá-lo; junta tanta poeira e tanto prato. Para quê uma pessoa precisa de tanto prato?!
E nem são os que eu gosto; quero muito ter o aparelho de jantar "paisagem inglesa", pintados na cor azul. Lindos.
Preciso também de uma forma de pudim, aquela com furo no meio, a que tenho está toda ferradinha.
Ainda plantei a folhagem vermelha que ganhei de aniversário de um amigo da família. Um rapaz meigo e delicado; muito bacana. Podei outras plantas, reguei todas.
A diarista terminou o serviço e foi embora e eu resolvi tomar um banho quente para aliviar o inchaço das pernas e pés; abusei do meu corpinho acromegálico que se cansa muito facilmente.
Depois do banho senti muito sono e dei uma cochilada no sofá. Assistia à reprise do Mais Você, e, como sempre, adormeci ao som da voz monótona da Ana Maria Braga.
Acordei meia hora depois e estava com fome; comi arroz e feijão, a combinação perfeita. Ovo frito e farofa. Adoro comida simples e com sustança.
Fiz mousse de morango e amanhã vou levantar mais cedo para decidir o que vou fazer para o almoço de Páscoa na casa da minha irmã.
Tudo dá trabalho e a mobilidade reduzida atrapalha mais ainda. Me canso fácil, as dores vêm com tudo, mas mesmo assim eu não me entrego.
É chato ficar "de cara pra cima", como dizia mamãe. Quero tanto voltar ao normal; no sentido físico, porque normal normal mesmo eu nunca fui. Graças a Deus.
É isso.



                                      Resultado de imagem para planta de folhagem vermelha


                                    

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Manjericão

                              


Levantei para aproveitar enquanto temos água e coloquei roupas na máquina.
Dormir por aqui é meio complicado: insônia, as dores na coluna e pernas, um maluco beleza que puxa uma carroça de madrugada e falava sozinho e os vizinhos da casa ao lado, que conversam até as duas horas da manhã. O povo mora junto e conversa o dia todo! E a noite também. Que tanto assunto é esse?!
Bom... Fiz café e tapioca, alimentei a gataiada e fui estender as roupas no varal; caí.
As pernas fracas não aguentaram e caí com o edredom sobre meu campo de manjericão. Atingi também uma bonita touceira de quebra-pedra.
O sol, a chuva e o tempo juntos desgastam os varais e os gatos também contribuem para com esse desgaste natural.
Agradeci ao manjericão pelo apoio fofo de suas folhas e me desculpei por ter-lhe amassado e machucado; me desculpei com o quebra pedra também.
Levantei com as pernas trêmulas e o coração acelerado. Agora essa.
Deixei as tarefas domésticas para descansar um pouco e até que os batimentos cardíacos desacelerassem.
Estou melhor e vou fazendo as coisas no meu ritmo lento; daqui a pouco a água acaba mesmo.
Estava meio triste e arretada ontem; ouvi Rock 'n' Roll. Hoje estou mais disposta, apesar de o corpinho acromegálico não cooperar muito. Ouvi canções de ninar africanas, belíssimas.
Tem tanto o que fazer... Casa grande, pouca água, pouca saúde...
Mas estamos na luta. 
Desistir nunca, retroceder jamais! Ou é ao contrário?
Sei lá.
É isso.


                                      

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Gavetas

                                  



Faz muito frio. A temperatura caiu pela metade; haja saúde.
Arrumei as gavetas, joguei papeis velhos fora e enchi três sacos grandes com jornais, revistas e papeis; os tiozinhos das carroças piram.
Trabalhar é melhor que ficar de cara pra cima, diria mamãe.
Trabalhar afasta os demônios da solidão, da melancolia e outros.
Ainda tem muito pra fazer, mas vou aos poucos e até onde o corpinho acromegálico me permite.
Não está fácil não. 
Cada dia mais dolorida e entrevada; cada dia mais difícil o caminhar.
Mas eu me senti melhor após essa pequena arrumação. 
São tantos problemas, dinheiro curto, contas atrasadas, problemas, problemas, problemas...
Não gosto de portas e gavetas entreabertas e quase todas as manhãs encontro os armários da secretaria com várias gavetas assim; detesto.
Não sei porque, mas portas e gavetas entreabertas me incomodam, me assustam de certa forma. Ou abre ou fecha de vez, pela metade não!
Deve ser mais um dos traumas inexplicáveis de infância assim como medo de palhaços, de pessoas com máscaras e/ou com o rosto pintado. Gosto disso não, me incomodam e me assustam.
Faz muito frio. 
É isso.


                                      

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Agradecer

                           


Bati os quatro cantos do mundo, como diria mamãe. Mas, na verdade, bati só uns dois cantos e amanhã baterei mais.
Não está fácil dirigir e limito-me em ir à escola, à casa da minha irmã Rosi e a cumprir as obrigações de quem vive em Sociedade e é responsável por seus atos, seu sustento, sua vida: aluguel, supermercado, carro, gatos...
É o nem tão bom e velho joelho direito.
É a coluna "bichada", parafusada, fraca, dolorida.
Bom...
Dirigindo por uma São Paulo caótica, apressada, séria e às vezes cinzenta, vejo verde, rosa, amarelo, branco e outras cores.
Paineiras com suas flores róseas, jacarandás e ipês...
E, o que me chamou a atenção foi um dupla bela e harmoniosa lutando para sobreviver e sobressair em meio ao asfalto e cimento paulistano: um girassol e um pé de milho. Lindos!
Passo todos os dias pelo mesmo caminho só para vê-los viçosos, fortes e lindos. 
Flores vermelhas que os ventos trazem e as depositam sobre meu possante estacionado. Agradeço sempre.
Flores róseas que os ventos trazem e as depositam sobre meu possante parado no trânsito. Agradeço sempre.
É isso. Meu corpinho acromegálico está em uma queda de braço com minha mente saudável, viva, ativa. 
Ainda verei muito verde, vermelho, róseo... todas as cores.
É isso.



                                       

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sapo

                                 


Fui à perícia médica na Avenida Olavo Fontoura, Casa Verde, em frente ao Sambódromo.
Fui de táxi, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) fechou o acesso a algumas ruas em volta devido ao Carnaval.
Vi alguns dos carros alegóricos e são muito mais bonitos de perto do que pela TV.
Cheguei cedo, como é solicitado na via de marcação de perícia e levei exames que nunca são olhados pelos médicos peritos. Por que pedem então?
Fui logo atendida e a primeira pergunta do médico foi: "Mas você não pode trabalhar?!"
"Eu estou trabalhando! Só não fui hoje porque, obviamente, estou aqui na perícia. Esse laudo refere-se ao mês de novembro/2013, quando fui internada para exames investigativos. As aulas iniciaram em 27 de janeiro desse ano e desde então eu tenho trabalhado"
Se o doutor lesse o laudo antes de me julgar, criticar e fazer perguntas tolas, tudo ficaria mais fácil, tanto para mim quanto para os outros periciados. Pensei comigo. A gente tem que engolir muito sapo e fazer cara de paisagem para não ser prejudicada mais ainda. É a vida em Sociedade.
Acho que esses peritos têm preguiça de ler o laudo do colega, ligam o "achomêtro" no automático e nos julgam a partir daí. Errado isso.
O doutor então acessou meus dados no computador e de lá viu todo meu histórico médico. Aleluia!
Fez perguntas mais cabíveis e até demonstrou certa simpatia.
Mediu minhas pernas, que têm circunferências diferentes; olhou meus joelhos fofos, gorduchos e inchados; mediu minha pressão, que está sempre alta e mesmo com as mudanças de remédios que a cardiologista fez. Só Jesus na causa.
Depois de tudo isso o doutor perguntou se eu ainda não solicitara a aposentadoria e eu disse que vou trabalhar até onde o corpinho acromegálico me permitir. Quero ir até os cinquenta, faltam só três anos, e se me sentir bem, vou ainda mais longe. Irei.
Claro que tenho dores, que o joelho entreva e dobra e já caí várias vezes aqui em casa, que a coluna incomoda, que estou sempre com a pressão nas alturas mas isso é o que me faz mais forte e me dá mais gana para viver e trabalhar.
Ficar se lamuriando e bancando a vítima não vai trazer a cura e, além do mais, não dá para viver de brisa e luz.
Algumas pessoas acham que eu deveria me aposentar, mas eu me sinto jovem para isso.
No caminho de volta para casa fiquei analisando as duas perguntas contraditórias do perito: primeiro ele me julga sem conhecer meu histórico médico e, depois de o conhecer, muda de opinião e sugere uma aposentadoria.
Como dizem os velhos ditados: "Não julgue um livro pela capa... As aparências enganam".
É isso.


                                         




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Esforço Físico

                                        


As poucas horas de sono não foram suficientes para descansar meu corpinho acromegálico, principalmente os joelhos fofos, gorduchos e inchados pela osteoartrite.
Andei bastante ontem e isso me deixou bem cansada. Não foi um percurso longo ou uma longa caminhada, como as que eu fazia antes da Acromegalia e das cirurgias, mas...
Fomos a pés à casa da minha sobrinha Rafaela e depois voltamos para pegar o carro e irmos ao supermercado, e andei por lá também. Esse pequeno esforço físico foi o suficiente para me deixar mole hoje; somando-se o calor infernal e a pressão alta.
Mas no geral estou bem; só estou meio molenga, cansada e dolorida. Vou fazer um café para reanimar.
É isso.


                                         


                                     

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

De volta para casa

                                     



Estou de volta pro meu aconchego...
Foram só alguns poucos dias, graças a Deus.
Voltei hoje e devo retornar segunda-feira próxima para consulta e para saber o resultado dos exames que fiz durante a internação.
Não havia necessidade de eu ficar internada por mais tempo e, além do mais, eu tiraria a vaga de quem precisaria mais do que eu.
Tudo pelo social.
Fiquei em um quarto com uma jovem senhora bastante simpática, apesar de seu gosto duvidoso por programas de TV.
Andei pelo corredor frio e sombrio, encontrei outros pacientes, vi suas famílias, ouvi suas histórias.
Estranhei um grande quarto com seis leitos e pensei comigo mesma: "Será que dá certo tanta gente junto? E na hora de assistir TV?"
Assistir TV é o grande problema quando se divide um mesmo quarto com outro paciente. Cada um tem seu próprio gosto e é aí que está o problema; ou não.
Bom...
Fiquei feliz em voltar para casa, para minhas coisas, meus gatos, meus amores.
Amanhã vou arrumar as coisas por aqui, cozinhar meu arroz e feijão e temperá-los bem. Comida sem sal, sem tempero, sem gosto; comida de hospital é de lascar. Até o pão é sem sal. Dá não.
Reclamamos do excesso de leite e a funcionária da cozinha veio virada no Jiraya. Temos o direito de não gostarmos de leite e perguntarmos se há outras opções.
Era leite com uma gota de café de manhã, leite à tarde, à noite... Tudo exageradamente doce.
Nem leite, nem doce demais, nem sal de menos.
Os problemas continuam e agora partiremos para novas soluções.
Espero que haja cura ou ao menos um bom tratamento para a Acromegalia e seus malefícios que invadem, se espalham e prejudicam meu corpinho acromegálico.
Mas eu vou ficar bem.
Tudo vai ficar bem.
É isso.
Boa noite a todos.