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quarta-feira, 9 de março de 2016

Aptidão

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Minha sobrinha Beatriz está tendo aulas de violão e está muito animada. É tão bom quando os pais investem na Educação dos filhos e apoiam seus interesses e incentivam seus talentos e aptidões.
Lembro de uma professora do Ensino Médio que nos disse certa vez: "Aptidão é algo que gostamos de fazer e fazemos bem".
Ela disse ainda que se não exercermos nossas aptidões e não botarmos em prática aquilo que gostamos, que fazemos bem e aquilo que queremos ser, morreremos em vida. Tudo morre dentro nós, inclusive nós mesmos.
Lembro do desenho pedagógico que ela fez na lousa, um bonequinho de pé e caminhando em direção aos seus sonhos, mas por nunca ter uma chance ou incentivos, acabou morrendo.
Sempre gostei de música, arte, cultura, literatura e todas as formas de expressão artística humana. Acho lindo quem sabe tocar um instrumento, pintar quadros, dançar e várias outras formas de arte. Admiro muito.
Lembro da flauta doce que foi nos oferecida na escola, levaríamos para casa para nossos pais verem e no dia seguinte traríamos o dinheiro ou a flauta de volta.
Eu queria tanto aquela flauta! E por que era chamada de flauta doce? Era doce mesmo? 
Mas como sempre, ouvi os ubíquos "para o mês, um dia, quando der, agora não..." Fiquei triste.
Já falei aqui e repito, tenho trauma de promessas não cumpridas, de adiamentos, quebras de compromisso e de palavra, detesto desculpas e mentiras.
Eu também gostava de dançar e queria muito que mamãe comprasse um vestido de bailarina para mim, mas não dava.
Ia para o quarto, fechava a porta e dançava, ou tentava, dançar igual às chacretes dos Chacrinha, mas um dia papai me viu dançando e fui motivo de piadas e gozações por um bom tempo.
Sempre as piadas sem graça, as gozações humilhantes, o adiar perverso. Sempre.
Lembro também do programa infantil TV Globinho, que mostrava aulas de violão duas vezes por semana. As cordas do violão, as notas musicais, o tempo da música... Já que não deu para comprar a flauta doce, talvez agora dê para comprar um violão. Agora não.
Sigo amando a arte, a música, a literatura... Só não sei dançar, nem tocar instrumento musical nenhum.
A aptidão morreu.
É isso.


                                           Resultado de imagem para tocando violão

terça-feira, 1 de março de 2016

Feliz

                                   Resultado de imagem para caminhando na praia


Há tempos estava com vontade de ver o mar e há tempos vinha tendo o mesmo sonho:eu com muita vontade de entrar no mar ali tão perto, mas sempre acontecia algo que me impedia. 
Por que será? Por que nunca consigo entrar no mar mesmo estando tão perto dele? Por que as pessoas e as situações no sonho me impedem de me aproximar do mar? Eu tenho tanta vontade, mas não posso, não consigo.
Viajamos para Ilha Comprida no Carnaval; fiquei tão feliz, finalmente vou ver o mar!
Mas acontece que eu não consigo andar com minhas próprias pernas, preciso de andador e cadeira de rodas. Decepção, desapontamento, revolta.
Mas acontece que mesmo com toda dificuldade, entrei no rio com cadeira de rodas e seja lá o que Deus quiser.
O rio chamou o mar, que veio ao meu encontro, e brincamos naquelas águas tão lindas e tão queridas.
Não tive mais os sonhos impossíveis e entendi que por enquanto não posso entrar no rio ou no mar com a liberdade que outrora tive, dependo da ajuda de pessoas e equipamentos. Era isso o que os sonhos queriam me dizer.
Sempre sonho andando, caminhando, livre e feliz. Indo à escola, na sala de aula com os alunos, feliz. Dirigindo, feliz. Cozinhando guloseimas, feliz. Cuidando das plantas, feliz.
Permita Deus que esses sonhos bons queiram me dizer que um dia se realizarão e eu voltarei a andar, a ser livre e feliz.
É isso.



                                           Resultado de imagem para encontro de mar e rio ilha comprida

terça-feira, 31 de março de 2015

Refletir

                                Resultado de imagem para tristeza bela


Sonhos bons e tristes.
Ouço música antes de dormir, às vezes. Espero os vizinhos tagarelas calarem a boca e enquanto isso ouço música com fone de ouvido, claro.
O bom e velho Rock 'n' Roll e a boa, velha e atualmente judiada MPB.
Enquanto a música tocava eu viajava nos meus pensamentos e alguns deles me deixaram alegres; outros tristes.
Dou risada sozinha quando lembro das nossa história, da nossa vida, agruras, problemas, coisas boas e outras nem tanto.
Lembrei de algumas pérolas do meu irmão caçula: "Café tem muita cafetina. Não como carne de porco, só pernil".
Lembrei do malfadado exame de próstata de papai: "Sou pernambucano, palmeirense e macho e ninguém vai enfiar o dedo..."
Lembrei das descobertas da minha sobrinha, que hoje, aos poucos, perde a inocência: "Sabe o quê eu descobri? Que faço aniversário no dia que eu nasci! Olha, meu coração está batendo!".
Lembrando e rindo sozinha com essas peripécias da família maluquetes que tenho.
Comecei a pensar na Teoria do Caos e a analisar, comparar e refletir sobre o tema e situações da vida. A Teoria do Caos é meio a Viúva Porcina na novela Roque Santeiro: a que foi sem nunca ter sido.
É o que estava escrito nas estrelas, destinado por Deus, determinado pelo Destino etc...
Se estava, por que não se concretizou, não aconteceu, não foi? Por quê?
Então essa Teoria do Caos é mais atuante, ativa e poderosa que o Destino ou até mesmo Deus? Será?
Sonhos bons, bonitos e muito tristes. Beleza com tristeza, combina?
Tenho sentido muita sede, fome e vontade de urinar durante a madrugada. Mesmo tendo jantado sempre acordo lá pelas quatro da manhã sentido tudo junto: fome, sede e vontade de ir ao banheiro.
Estou cansada, frustrada, revoltada, com certa raiva e certa tristeza.
Vai passar.
É isso.



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sexta-feira, 13 de março de 2015

Gatinhos no céu

                                  Resultado de imagem para gatinhos no ceu


Estava exausta e dormi bem essa noite. Aleluia!
Acordei exatamente na mesma posição em que me deitei e dormi; isso é muito difícil de acontecer. Me mexo muito, viro de lado a cada pouco e fico nesse balé esquisito até finalmente adormecer.
Corpo cansado e cabeça acelerada, mas essa noite ambos chegaram a um acordo e desligaram juntos. Amem.
Levantei cedo e ao som da passarinhada barulhenta. Barulho bom e agradável.
Tive sonhos estranhos, mas como sempre, cheios de significados que aos poucos vou entendendo.
Sonhei com mamãe e uma amiga nossa; estávamos sentadas à mesa e nos preparávamos para tomar chá. De repente aparece um gatinho correndo e subindo na mesa para para pegar algo para comer, estava faminto. Tiro o gatinho da mesa e o reconheço: era o gatinho que morreu dois dias depois de ter nascido.
Eu tentei aquece-lo e alimentá-lo, mas ele não resistiu e morreu. Fiz uma oração e o entreguei a Deus. O filhote era preto e branco.
Mas no sonho esse gatinho tinha um machucado no pescoço e estava maior que quando havia morrido. Eu estranhava aquela situação: como aquele gato morto estava agora vivo, maior, faminto e machucado?
Não tive tempo de ouvir a resposta; acordei com o toque da campainha e o grito delicado do entregador: "Mariaaaaaaaaaaa, olha a entrega!... Jáaaaaaaaaaa vai!"
Atendi ao simpático gritão, recebi a entrega, me sentei no sofá e fui cercada pela gataiada que sempre percebe e sente meu espírito.  Muito dengo, carinho, afago e broncas também.
Ainda não fiz café hoje, mas estou com vontade.
Ontem tive fortes dores na barriga e ânsia de vômito.
Acho que vou de chazinho.
É isso.



                                  Resultado de imagem para carinho e proteção




                                        

sábado, 31 de janeiro de 2015

Caixa de Papelão

                                  


Três noites seguidas com o mesmo sonho/pesadelo: moleques aterrorizando a rua, a casa, geral.
Lembrei dos meliantes "de menor" do meu sonho e do que disseram: "Você está com medo?... Vou chegar entre as nove e as onze horas".
No dia seguinte vou à perícia médica e passo mal, era quase dez horas.
Passei mal e coisa e tal...
Madrugada de ontem, sexta-feira, para hoje, sábado. Duas horas da manhã e o Funk rolando. Não adianta chamar a polícia, alegam que o baile Funk é cultura e nada pode-se fazer. Tá.
Mas a cultura dos funkeiros tiram nosso sono, literalmente. Está certo isso?
E se eu tocar meu Rock 'n' Roll às duas da manhã? É cultura? E se os vizinhos chamarem a polícia, eu posso alegar que estava expressando minha cultura?!
Funk rolando, funkeiros e periguetes andando pela rua, falando alto, rindo... Carros e motos acelerando e freando bruscamente... Muita cultura!
Ouço vozes sorridentes no meu portão e depois dois toques na campainha: ai meu Jesus Cristinho.
As vozes vão embora e ouço um miado desesperado. Essa cambada jogou um gato na garagem?!
Levantei, olhei pela portinhola e vi orelhinhas levantadas, desconfiadas e assustadas. Um filhote siamês, muito pequenininho, estava com fome, medo e frio. O chamei e ele entrou meio desconfiado.
Fiz uma caminha para ele, ainda não sei se é macho ou fêmea, mas o bichano não quis. Foi até o quarto e miou desesperadamente: O que é isso? Pra que esse escândalo todo?!
Tem comida, água e uma cama quentinha, o que mais você quer?
Muito pequenino e muito frágil, sentia falta da mãe.
Peguei uma caixa de papelão, gatos adoram caixas de papelão, coloquei uma toalha velha e felpuda e o bichano aquietou. Queria algo à sua volta, algo que o envolvesse e o fizesse sentir protegido e aquecido.
Nós, bicho gente, também gostamos e queremos isso.
Vou colocar um aviso no meu portão para jogarem dinheiro e um pacote de ração junto com os gatos que jogam aqui.
Sempre ouço as mesmíssimas e velhíssimas desculpas: "Não posso ficar com ele. Não tem espaço lá em casa. Não tenho condições..." E por aí vai.
Ainda vai demorar um tempo enorme para que as pessoas aprendam a respeitar os animais.
Bom...
Dormi pouco e mal. Pretendia lavar roupa, mas vou deixar para amanhã.
Meu cunhado e minha sobrinha Beatriz fizeram uma visita relâmpago e ela trouxe pirulitos para mim; tão linda.
Estou cansada e vou me deitar e aproveitar o silêncio do dia. Mais tarde tem fluxo. Ou seria cultura?
É isso.


                                    

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Aos Ventos

                                



Não li muito durante essa semana que passou; as dores de cabeça não me permitiram.
Ainda tentei ler, mas logo os olhos lacrimejam e o borbulhar cerebral se manifesta.
Têm livros, jornais e revistas para serem lidos e têm muitos na fila de espera que eu mesma criei mas que nunca sigo à risca. Coloquei Erico Verissimo no topo da lista, o movi para depois e dei seu lugar a Graciliano Ramos e mudei de novo!
Quero os livros do escritor coveiro, o "Seu Tico", um senhor simples, inteligente e muito articulado. Vi entrevista dele a Fernando Gabeira na Globo News. Concordei quando ele disse que há uma forte psiquiatrização da sociedade e a todos são receitados remédios para combater os males da vida moderna. Todo mundo tem alguma síndrome de alguma coisa!
Quero ler o livro da ex primeira dama da República, Rosane Malta, ex senhora Collor.
Quero ler muito.
Bom...
Com esse dorme e acorda, tenho tido sonhos estranhos, assustadores e alguns simples e bonitos. Gosto de me apegar a coisas boas.
Sonhei sorrindo e rindo em lugar que ventava muito. Meus cabelos aos ventos, minhas roupas brancas que balançavam ao sabor desses ventos brincalhões e eu sorria. Apenas sorria.
Um sonho bom, meu Deus.
É isso.



                                    

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Eu, hein!

                               


Sonhei esses dias que estava deitada em uma cama de hospital e um médico barbudo media minha pressão e perguntava se eu estava tomando um determinado remédio. Eu dizia que a cardiologista havia mudado algumas medicações e aumentado a dosagem de outras. OK.
Só que o médico era o Renato Russo!
Acordo com o barulho chato e incômodo do motor de caminhões e percebo que estou deitada na mesma posição que estava na cama do hospital do sonho. Eu, hein!
Medi a pressão e estava alta, pra variar.
Tomei os remédios, me levantei a pulso e fui trabalhar.
Voltei para casa e arriei no sofá; estava brutalmente cansada e adormeci. Acordei ao som de Raul Gil, o maluco beleza. Os vizinhos adoram música.
Ontem fui para a cama mais cedo, mas como sempre, demorei a pegar no sono. Como é que se pega no sono?
Perto do dia amanhecer dou uma cochilada e sonho agora com o ator Alexandre Nero, lindão com aquela cabeleira grisalha. No sonho maluco ele era um primo meu que eu não via há muitos anos. Eu, hein!
Recentemente sonhei com Slash, o ex guitarrista da banda Guns n Roses. Eu, hein!
Quem será o próximo famoso a aparecer nos meus sonhos?
Será que a Acromegalia está me deixando maluca? Mais ainda? Eu, hein!
É isso.



                                    

sábado, 26 de julho de 2014

Meus Irmãos

                             



Tenho tido dias, noites, semanas difíceis.
Pressão sempre alta, dores articulares que dificultam o caminhar e uma sinusite chata.
Stress, preocupações, receios, esperança...
Sonhos simbólicos e nada agradáveis, alguns deles. Em outros, pessoas que estão sempre presentes e sempre amigas, carinhosas, cúmplices, boas...
Dizem os entendidos que sonhar com alimentos não é bom, principalmente legumes e carnes.
Dizem os entendidos que sonhar com ovos é sinal de fofoca, parece que sim.
Sonhei essa noite com mamãe, sempre mamãe, preparando comida em uma cozinha grande para muitas pessoas; era uma espécie de restaurante.
Mamãe sempre ocupada e apressada e eu começava a ajudá-la, mas quando ia pegar os legumes e ovos percebia que estavam estragados. Os tomates estavam molengas, rachados e escorria o líquido com as sementes. As cebolas estavam murchas, escuras...
Dizem o entendidos que legumes estragados são sinal de doença grave em alguém próximo e logo pensei em meus irmãos: um obeso mórbido e o outro que também está acima do peso. Ambos são hipertensos e diabéticos, mas dão pouca importância ao problema e acham bobagem quando tentamos alertá-los.
As pessoas têm essa mania boba de fazer tolices achando que assim nos afetará, mas na verdade os afetados e prejudicados são eles mesmos!
Meus irmãos comem como se o mundo fosse acabar e o caçula se entope de Coca Cola, e, como se não bastasse, já viciou a filha pequena nessa porcaria!
Peço sempre a Deus que olhe minha família, que tenhamos saúde, que tenhamos sempre o de comer sobre nossas mesas, um teto sobre nossas cabeças e que sejamos felizes.
Amem, minha Nossa Senhora das Candeias.
E que possamos trilhar nossos caminhos em paz.
É isso.



                                     

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Anjos

                                


Estava exausta; muitas noites sem dormir direito.
Insônia, dores e barulho dos vizinhos mal educados.
Dormi apenas duas horas na noite de terça para ontem e fui para o trabalho me sentindo um caco. Para ajudar, tem que empurrar o portão do estacionamento para abrir e fechar e isso me custa.
Estou cansada, frustrada e desanimada com as situações, as pessoas, o país...
Nada funciona, nada dá certo e tudo precisa de assinatura, documentação, carimbo, boa vontade (difícil)...
Saí do trabalho e precisei ir ao banco e depois ao supermercado, minhas frutas tinham acabado. 
Voltei para casa, guardei as coisas e arriei no sofá. Estava exausta a extremo e dolorida; empurrar o carrinho de compras era o mesmo que empurrar um carro de verdade.
Tomei os remédios para controle da pressão alta que mantem-se altíssima há muito tempo. A cardiologista mudou a dosagem e acrescentou outra medicação, mas a pressão continua nas alturas.
A hipertensão é agravada pela Acromegalia.
Tomei banho e fui para a cama mais cedo.
Tive sonhos estranhos e simbólicos, como sempre.
Sonhei com mamãe e meus irmãos. Uma porta se abria e eu me encontrava deitada em uma mesa cirúrgica cercada por pessoas vestidas de branco. Me examinavam, conversavam em uma língua que eu não conhecia, mas entendia o significado. 
Sou colocada de pé, uma porta se abre, essas pessoas falam com mamãe e lhe entregam uma radiografia da minha coluna; tem uma formação óssea estranha, como se fossem asas.
Meus irmãos estão do outro lado da porta e eu aguardo mamãe terminar de conversar com essas pessoas. Podemos ir e vejo que essas pessoas vestidas de branco têm asas!
Anjos?!
Mas me pareceram sérios demais, "secos" demais, compenetrados demais e não tinham nada daquela imagem doce e meiga dos anjos barrocos gorduchinhos e com cabelos loiros e encaracolados.
Meu joelho e coluna têm doído bastante. Meu ombro direito e mãos também. É a tal da osteoartrite sistêmica que afeta todas as articulações.
Está frio hoje. Ontem fez um dia belíssimo.
Comprei uma baby rose vermelha exuberante. Vou comprar mais terra para cuidar das plantinhas.
Comprei ração molhada sabor frango, estava em oferta, mas Alice, Branca e Loretta não gostam de frango. Puxaram a mim.
Vou fazer um bolo, estou com vontade.
É isso.



                                     

terça-feira, 1 de julho de 2014

Framboesa

                              



Um dos meus maiores sonhos, se não o maior, é o de ter um espaço grande que desse para construir uma casa simples, porém confortável, um quintal grande para plantar flores, frutas e outras plantas e uma parte para abrigar animais desamparados.
Simples assim. 
Não sonho nem desejo "buniteza", realeza, magreza, ostentação e futilidades afins. Todos meus sonhos e desejos têm a ver com saúde, paz, bem estar, sossego e as coisas que eu mais gosto nesse mundo de meu Deus: animais, plantas e livros.
Simples, creio eu.
Queria poder caminhar entre canteiros de flores coloridas, flores do campo frescas e bonitas. Colher grandes ramalhetes e espalhá-los pela casa em vasos bonitos.
Melancolia besta.

                                

Canteiros - Fagner                      




Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem
Me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração


                                                                    

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Reconfortante

                                


Melhorei um pouco da gripe mas a pressão alta teima em se manter altíssima!
Ainda tenho tosse e uma dorzinha chata nos ossos da face e crânio. Não é a dor de cabeça típica, essa mais parece com a dor de quando os parafusos foram tirados da minha cabeça após a Radiocirurgia.
Tenho tido sonhos significativos, alguns me deixam preocupada e outros me confortam.
Mamãe e minha avó Mãevelha ao meu lado e a sensação de carinho, amor e proteção é tão boa, tão grande, tão reconfortante.
Homens da roça, trabalhadores, gente simples e honesta. Estavam em uma plantação de banana e cortavam os cachos com muita rapidez e habilidade. Eu perguntava como sabiam quando era o momento certo de tirar as bananas e eles me explicavam gentilmente.
Entrava em uma antiga casa de fazenda; fogo de lenha em fogão de barro, senhoras negras trabalhando na cozinha, muita agitação. Estão sempre trabalhando. Observo tudo em um canto e uma delas me diz, enquanto lava a massa branquinha da mandioca (aipim, macaxeira): "Minha filha, tu tá perto dos cinquenta anos, num tá? Então se cuide, viu?"
Mas o sonho mais estranho, maluco e sem sentido foi o de naves espaciais invadindo o planeta e atirando contra tudo e contra todos. Eu, hein!
Nos filmes os marcianos sempre invadem os Estados Unidos, por que invadiriam um cortiço em um bairro simples de São Paulo?!
Eu corria, me escondia dentro de uma casa simples e via o raio de luz da nave a me procurar. Oxe!
Deve ser efeito dos remédios, da gripe e da pressão alta combinados.
Acordo com duas coisas fofas, uma atrás de mim com a patinha no meu pescoço e a outra encostada no meu peito e com os bracinhos esticados e tocando meu rosto.
Eram Branca e Bellatrix. Depois vieram Aldebarã, Ébano Nêgo Lindo, Pétala, Clara Blue, Morena Rosa...
Alice sobe em mim, me olha bem e mia: "Estou como fome".
Levantei, os alimentei, fiz meu café e liguei a TV e me deitei no sofá; era ainda seis horas da manhã. 
Uma manhã cinza e gélida em São Paulo.
É isso.



                                     

domingo, 11 de agosto de 2013

Felicidade

                                   



Está cada vez mais difícil. 
Estou cada vez mais dolorida e entrevada e isso me chateia, revolta, entristece.
Durmo apenas três horas por noite e sempre acordo com as dores no joelho, ombro e coluna. As mãos e os pés também doem. Artrose e Acromegalia. Que dupla!
A cirurgia de artrodese foi feita em 2009, apenas quatro anos atrás. 
Em pessoas "normais" a duração dessa cirurgia varia de 10 a 15 anos e algumas vezes talvez nem precise mexer no que foi feito, mas no meu caso é diferente.
Anos de esforços físicos pesados para uma criança somados aos efeitos do excesso de GH (hormônio do crescimento) na fase adulta prejudicaram e deformaram minha coluna. Acromegalia.
Dores, peso nas pernas, entrevamento, mobilidade reduzida. Parece que estou enferrujada; sinto-me como uma múmia. Está difícil.
Trabalhar é outro problema. Saio da escola sempre amparada por alguém que me acompanha até o carro.
Os alunos ajudam, professores, funcionários da escola também.
Li um artigo sobre Freud que defende a tese de que não estamos preparados para a felicidade e quando alcançamos algo que tanto queremos e que nos faz feliz, adoecemos. Será?
Se pararmos para pensar, faz certo sentido. Não concordo nem discordo totalmente da tese. Há controvérsias.
Senti também que as pessoas são culpadas por estarem ou serem doentes. Estranho.
Já falei aqui sobre a "culpa" atribuída a pacientes com câncer; li artigos em importantes jornais. 
Culpar alguém por ser doente é perverso. Há exceções, claro.
Mas por que não estaríamos preparados para a felicidade? Ser infeliz é mais interessante? Gente infeliz é mais saudável que gente feliz? Se sim, por que, então?
Sempre sabemos, por vários meios, sobre casos de pessoas que estavam se preparando para um novo projeto, que mudariam de emprego, de vida, que se casariam, que comprariam seu primeiro carro, sua primeira casa, que teriam encontrado o grande amor de suas vidas, que aguardariam ansiosamente pelo primeiro filho e, de repente, se veem doentes. Por quê?
Não estariam essas pessoas preparadas para a felicidade?
Então isso quer dizer que as pessoas auto sabotariam suas próprias vidas, saúde e felicidade?
Como alguém tão feliz por ter realizado um sonho, atingido um objetivo escolheria ficar doente quando o normal e o esperado seria ficar muito contente e aproveitar aquilo que alcançou?!
Se a pessoa não está preparada para ser feliz e "decidiria" adoecer, que doença ela escolheria? Ou seria a doença que a escolheria?
Felicidade e doença são irmãs gêmeas xifópagas (siamesas)?
Não sei se entendo bem essa teoria e acho muito estranho alguém querer ficar doente quando finalmente encontra-se tão próximo da felicidade e da realização de um sonho.
Esse "querer ficar doente" é inconsciente, naturalmente. Tem gente hipocondríaca ( que adora ficar doente), mas pessoas sadias tanto física quanto emocionalmente nem pensariam em doença.
Não sei não. 
É tudo tão complexo, estranho.
São tantas teorias.
Sempre quis tanto ser professora e consegui, com muita dificuldade trabalhei por um ano e os outros anos passei mais tempo entre hospitais, internações e cirurgias do que na escola.
Volto a trabalhar após bom tempo afastada, mas está muito difícil. 
Dores, dificuldade de locomoção, entrevamento, revolta, tristeza, dores...
Não dá pra ser feliz...
Preciso ver o mar.



                                         




quinta-feira, 28 de março de 2013

Vila

                               



Todos nós sonhamos, embora às vezes não nos lembremos do que sonhamos.
Eu tenho sonhos pesados, intensos, tensos e acontecem quando estou em um estágio de sono "meio dormindo e meio acordada".
É como se estivesse ao mesmo tempo do lado de dentro do sonho e do lado de fora. Sei lá.
Sonhei que estava em um vila de rua bem comprida e com várias casas simples. Em cada casa moravam pessoas diferentes; tinha casais, famílias maiores, pessoas sós etc...
As pessoas eram bem simpáticas e acolhedoras e eu conversava com elas do lado de fora, não queria entrar em suas casas.
De repente vejo um grupo vindo em minha direção e, ao se aproximar, sinto um certo desconforto. Eram médicos/as e enfermeiros/as.
Tento fugir deles e sou convidada por um casal a entrar em sua casa, mas assim que entro, tento voltar. Tive a impressão que aquilo era uma armadilha para me pegar e aquela casa que por fora parecia tão pequena e simples, era na verdade cheia de portas e corredores que levavam à uma espécie de hospital.
Corro pelos corredores e encontro mamãe que tenta me convencer a ficar e a acompanhar o grupo de médicos e enfermeiros, seria para meu bem, diz ela.
Mas eu não queria, eu tinha medo. Eu pensava nos meus gatos e perguntava se aquela internação forçada demoraria muito. Quanto tempo eu ficaria ali? O que fariam comigo?
Entro em uma sala onde há uma enfermeira preparando medicação e reparo na mesa de trabalho. Era uma mesa improvisada feita com gravetos, pedaços de madeira e coberta com um pano ou papel branco. Como um hospital pode trabalhar desse jeito? Essa mesa improvisada e estranha estaria limpa? Essa enfermeira higienizou as mãos e o material para aplicar o medicamento?
Que estranho.
Observo a tudo sentada enquanto a enfermeira, que está sempre de costas para mim, continua a manipular a medicação. 
Mamãe e um grande número de médicos e enfermeiros ficam à porta para assegurar que eu não fuja e para me convencer que preciso ficar ali sob os cuidados deles.
A enfermeira finalmente termina e se aproxima de mim com a injeção pronta para aplicar; entro em desespero, pois sinto que aquilo vai me fazer dormir.
O que farão comigo quando eu dormir? Para onde me levarão? Será que sairei daquele hospital estranho? E minha casa? Meus gatos? Minhas coisas? Como ficam?
Vejo mamãe e minha irmã Rosi e peço-lhes que digam à minha irmã caçula, Renata, que cuide dos meus gatos.
Sinto que não sairei dali tão cedo mas ao mesmo tempo sei que mamãe está ao meu lado e nunca deixaria que me fizessem mal.
Mas e se algo der errado e eu não puder voltar? Ficarei ali naquele hospital estranho? Naquela vila agradável de moradores sorridentes e simpáticos?
Quero não. Ainda não é hora não. 
Oxe, vôte! Como diria minha avó Mãevelha.
Entre os anos de 2009 e 2012 foram dezenas de internações e sete cirurgias, somando um total doloroso, física e emocionalmente doloroso.
A última cirurgia foi realizada em fevereiro de 2012, há pouco mais de um ano, e de lá pra cá tive apenas alguns episódios de pressão alta, além de tratar a artrose galopante nos ossos, principalmente no joelho direito.
Está bom assim, meu Deus.
Sem internações, sem hospitais, sem agulhas enfiadas por minhas veias, sem dor, sem desespero, sem uma vontade louca de sair dali e voltar para casa o mais rápido possível.
Tenho vários exames para fazer e faço aos poucos. Até daria para fazer muitos em um dia só, mas é muito doloroso e desgastante. E perigoso também, uma vez que vou quase sempre só ao laboratório e volto meio lesa, mais ainda.
Tenho receio que esse tumor volte a crescer e exija nova cirurgia. Quero não.
Deve haver outros métodos e os usarei, mas cirurgia não.
Sei lá, Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Que eu tenha saúde. Que eu obtenha a cura. Que eu tenha paz.
Amém.