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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Vento frio

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Como era de se esperar, levantei mais cansada e moída hoje. É sempre assim, um dia bem e animada e no dia seguinte fico um caco. 
Mas abusar é preciso; fazer as coisas é preciso.
Vou só fazer o básico: cuidar dos gatos, fazer meu café e depois bater o feijão no liquidificador; fica tão bom. Vou fazer um purê de mandioca, já que estou sem batatas, para acompanhar o caldinho grosso de feião.
Mamãe picava cebola, tomate, pimentão, cebolinha verde e coentro e adicionava ao caldo de feijão; estive lembrando esses dias. Depois ela fazia bolinhos de feijão com farinha e molhávamos nesse caldo; era tão bom.
Quando estou cansada e dolorida, tanto de corpo como de alma, me vêm essas lembranças e memórias e depois tudo começa a ficar bem.
O tempo vai mudar, não está tão quente e ensolarado como ontem. Um vento frio anuncia a mudança.
Estou melhor, mas ainda tenho aquele gosto ruim na boca e uma tosse chata.
Vou fazer meu café e talvez um mingau de aveia; é gostosinho e dá sustança.
É isso.



                                  Resultado de imagem para caldo de feijão

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Calar

                                  



Sempre fui meio calada, muito na minha, meio bicho do mato.
Sempre fui de observar, tentar entender e aprender como funcionam as coisas.
Sempre fui de ler muito, de me dedicar aos livros e aos animais. Me entendo melhor com eles.
Sempre fui criticada por isso, por ser "estranha", mas o que é ser normal?
Gosto de falar sobre livros, cultura, conhecimentos gerais, música e outros assuntos com pessoas que considero inteligentes e por quem tenho grande consideração, mas tenho percebido que falo ao vento.
Tenho percebido que as pessoas fingem ouvir, fingem concordar e, quando outra pessoa fala exatamente sobre o que eu tinha dito ou acabado de dizer, essas pessoas agem como se estivem ouvido aquilo pela primeira vez! Muito chato e até humilhante isso.
Por que o que eu falo é ignorado e quando outros falam são ouvidos? 
É mais um dos meus cansaços.
Cansei e vou ficar na minha.
É chato e humilhante a gente querer falar, comentar, abordar um tema ou assunto e as pessoas fingirem que nos ouvem.
Os típicos "hum hum, hã hã, sim, é, pois é" e afins só mostram que nossos interlocutores fingem nos ouvir.
Chato mesmo.
Bom...
Choveu bastante e está um lindo dia cinzento. 
Vou fazer mingau de aveia, gosto muito, e depois vou fazer as tarefas rotineiras da casa: separar o lixo para amanhã, dobrar a roupa lavada, encher os potes dos gatos, trocar a água deles e fazer mais um café. E ler.
Amo ler, amo meus livros.
Amo meus gatos, que sempre me ouvem e me olham como se eu fosse maluca.
Mas eles me ouvem de verdade.
É isso.


                                      


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hibisco

                                




Tarde belíssima.
Sempre gostei da tarde e há um que de solidão, saudade e melancolia, mesmo que seja ensolarada, dourada e bela, como a de hoje.
Sinto como se tivesse outras pessoas sentindo e percebendo o mesmo. Outros seres solitários e melancólicos em outras dimensões e espaço-tempo apreciando tardes bonitas...
Reguei as plantas, varri as folhas secas e observei as cores do meu jardim: rosinha, amarelo, lilás, vermelho, verde... Muito verde.
Meu hibisco está cheio de botões a se abrir e a se transformar em uma exuberante flor vermelha, mas os gatos tiram os botões e os fazem de bola, brincando e os jogando para todos os lados.
Gatos danadinhos.
Deitei agora a pouco no sofá e Ébano Nêgo Lindo deitou comigo. Ele adora se aconchegar em mim e apoiar sua patinha fofa e peluda em minhas mãos.
Dormi mal a noite, para variar. Joelho direito dói muito. 
Ando meio cansada e sem muito ânimo.
Molecada barulhenta, falante, mal educada... A vizinha botou o bebê para dormir e mandou a molecada calar a boca! Taí, gostei; um pouco de um bem vindo sossego nessas paragens tão barulhentas.
Vontade de tomar um mingau de aveia ou amaranto com leite de coco.
Começa a esfriar...
É isso.



                                 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Universo

                                



Dores, como sempre.
Em maior ou menor intensidade, mas sempre dores.
Osteoartrite na coluna, joelhos, pés, ombros, punhos, mãos. Se tem junta (articulações), tem dor. 
Acromegalia.
Meus punhos estão doloridos e sinto pontadas de dor nos dedos das mãos.
A coluna dói e sinto uma pontada "elétrica"; é como se fosse um choque junto com dor. Estranho, mas dói e incomoda.
Daria um doce para ter e ver a cura da Acromegalia e de todos os males, sejam eles do corpo e da alma.
Acho que já falei sobre isso aqui, mas, segundo os místicos, quando desejamos muito algo o Universo conspira a nosso favor. Então, querido Universo, comece a conspirar a meu favor! Obrigada.
Acabei de fazer mingau de amaranto e trouxe-me lembranças de minha avó Mãevelha com seus mingaus docinhos feitos com de leite de coco com farinha de mandioca; ficava tão bom. 
Mãevelha fazia tudo bonitinho e separadinho para mim e meu avô Paipreto; era tudo tão simples, mas para mim era um banquete dos deuses.
Fiz meu café forte também e comi (tomei?) o mingau com Clara Blue. Bellatrix adora mamão papaya e meu negão lindo adora ovo frito e presunto. Compro uns cem gramas só para ele.
Alice afofou seu cobertor favorito mas deitou-se ao meu lado, bem encostadinha em mim. Sente-se mais aquecida, creio eu.
Vou fazer uma das coisas que mais gosto: arrumar alguns dos livros derrubados por Aldebarã, meu fofinho, peludinho e bonitinho da mamãe.
As dores amenizaram, só estou entrevada, como se arrastasse bolas e correntes de ferro presas à minhas pernas.
Mas tudo vai ficar bem. Acredito.
"Não será Deus impussivi", diria papai.
É isso.



                                   
Aldebarã, minha estrela maior

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mingau, Margaridas e Brincadeiras

                               



Molecada jogando bola na rua.
Caminhões pesados e barulhentos.
Vizinhos que falam alto, que tocam música em alto volume e ainda cantam junto. É bizarro.
Alimentei a gataiada, tomei os remédios, fiz papa (mingau) de aveia. Em nosso Pernambuco usamos outros termos e expressões e água com açúcar é garapa, caldo de cana é caldo de cana mesmo, mingau é papa, canjica é mugunzá e curau é canjica...
A nossa papa pode ser feita com vários ingredientes diferentes, dependendo da época, da fartura, da seca ou da miséria que a falta de chuvas traz. Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Mingau com leite e amido de milho (Maizena), com leite e farinha de mandioca, com leite de coco, com água e farinha de mandioca quando o tempo é ruim e "munto difici".
Deitei-me e andei por lugares de céu azul e ventos frios. Fui até a casa amarela de quintal grande e com um corredor estreito, frio, escuro e cheio de margaridas que bailavam ao sabor dos ventos.
Observava esse bailar e acordei ao ouvir meu nome sendo chamado por mamãe.
Mãe?!
Fui ao quintal dos fundos e por um momento imaginei que talvez mamãe estivesse ali a mexer nas minhas plantas e dizer: "Benza Deus. Mas que plantas bonitas, filha".
Mamãe não estava. Só o céu azul e o vento frio a balançar as folhas das minhas plantas.
Por que mamãe não esperou só um pouquinho mais?
Às vezes penso, perdoa-me Deus em minha ignorância, que talvez tivesse sido melhor se eu tivesse ficado lá na casa verde azulada com mamãe, minha avó Mãevelha e meu avô Paipreto. 
Na casa verde azulada tem muitas plantas bonitas... e tem paz...
Adormeço e vejo papai e mamãe conversando civilizadamente. Numa boa, sem brigas, sem atritos. Que bom, meu Deus.
Acordo com barulhos e correria pela casa; é Aurora. Minha Aurora terrível a provocar os outros gatos para correr atrás dela. Ela adora brincar de "pega-pega" ou "pique-esconde".
E nessa brincadeira lá se foram bibelôs derrubados e quebrados, livros caídos, sofá arranhado, correria e alegria.
Aurora!
Ela para por um segundo, me olha como que me perguntasse: "Posso continuar com a bagunça?"
Claro que pode.
Eles brincam e eu me divirto com a liberdade, a paz e a alegria que me transmitem.
Mingau, margaridas, brincadeiras... O dia começa a melhorar.
É isso.




                                       



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Potes Verdes

                                              


Quando terminávamos de tomar iogurte, lavávamos e guardávamos os potes.
Os potes coloridos nos atraiam e para cada cor atribuíamos um sabor. 
Por exemplo: se o pote fosse verde então o iogurte seria sabor coco e se o pote fosse rosa o sabor seria morango.
Rose e Naldão, os caçulas da época, encontraram dois potes vazios; Mãevelha os tinha lavado e guardado.
Disseram que queriam iogurte, mas minha avó disse que não tinha. Ficaram tristes e chorosos.
Me entristeci também.
Mas tive uma ideia. Fiz um mingau com leite, açúcar e amido de milho, a popular Maizena. Esperei esfriar e despejei nos potes vazios. Os potes eram verdes.
Chamei Rosi e Naldão que ficaram felizes ao me ver segurando os dois potes de iogurte nas mãos.
Sentaram-se no batente da porta e tomavam felizes o "iogurte" de coco; era de coco pois estava em potes verdes.
Pediram mais. Fui buscar, mas pedi que esperassem sentados, eu não queria que descobrissem o segredo do "iogurte".
Não queria desmanchar aquele encanto, aquela felicidade.
Rosi e Naldão perguntaram se o iogurte era de coco e eu disse que sim.
Naldão disse: "Não te falei Rosi que era de coco? A Rejane trouxe no potinho verde".
Havia tanta alegria.
Meus irmãos pequenos felizes por terem sua vontade satisfeita: iogurte.
Eu alegre e aliviada por satisfazer o desejo de meus irmãos pequenos; não queria vê-los tristes.
Não era iogurte, nem era de coco. Mas isso não importava.
Estávamos felizes.