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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Infecção

                             Resultado de imagem para preocupação




Ano Novo.
Muita chuva.
Fiquei alguns dias sem escrever, assunto sempre tem, mas faltava ânimo.
Um ano inteiro sem liberdade, sempre em casa e ansiosamente aguardando.
Um ano sem trabalhar, sem dirigir, sem fazer as coisas tão simples e tão caras para mim.
Aguardando mais uma cirurgia, mais uma na coluna.
Vivo pensando, me perguntando, pesquisando e querendo saber: Como pode uma infecção se instalar na coluna, entre a medula, ossos e parafusos?! Tive infecção nasal, otites e infecção generalizada quando estava em coma na UTI do hospital, mas infecção na coluna, não. Acho que não.
Não posso afirmar ou negar, não sei. Sei apenas que a Acromegalia, essa doença rara, perigosa e perversa, se aproveita de tudo e piora tudo, prejudica tudo.
Que coisa!
Soube de um paciente cujo caso é igual ao meu: infecção no local dos parafusos, e ele passou por cirurgia para cuidar do problema. E o problema reside justamente em retirar os parafusos para tratar a infecção: ela se espalha.
O paciente, também acromegálico, também com uma coluna doente e sustentada por parafusos, está tomando antibióticos fortes e vai ficar um bom tempo no hospital. Esse é o meu medo.
Por quê?!
Não estou feliz, nem triste, estou apenas em dúvida, muito cansada, desanimada e preocupada com tudo isso.
Tive uma noite de sono muito agitada, mais uma, e ao me virar para o outro lado da cama, me deparei com uma enfermeira fazendo anotações sobre minha saúde. Era uma senhora negra, uma conhecida de outros sonhos, uma pessoa boa e de muita Luz, graças a Deus. Ela dizia que talvez eu precisasse ir ao hospital, "Hospital não!". 
Acordei assustada e derrubei um dos gatos da cama; me desculpei com o felino depois.
É uma realidade assustadora e difícil de encarar. Já encarei outras realidades tão assustadoras e difíceis, mas eu tinha minha coluna e minhas pernas boas.
Vou fazer mais café. Depois reclamo da azia e da insônia.
Acho também que vou visitar um velho amigo; estava com tanta saudade dele: o mar oceano, meu doce mar.
É isso.




                                    Resultado de imagem para mar

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Desejo

                              Resultado de imagem para desejar



Acho que pela primeira vez na vida desejei ser internada para que a cirurgia na coluna fosse logo realizada. Desejei que o hospital ligasse e dissesse para eu comparecer para a internação porque a equipe médica já havia marcado a cirurgia.
Desejei e pedi a Deus que os médicos tenham chegado a um consenso e decidido sobre qual o melhor modo de retirar o cisto que comprime a medula. Tudo feito com segurança, sem problemas e sem complicações para minha saúde.
O tempo está passando tão rápido; parece que voa.
Um ano em casa, sem dirigir e saindo basicamente para ir às consultas médicas e aos laboratórios. Um ano dependendo da minha irmã para ir à feira e ao supermercado e fazer as compras que preciso. Um ano contando com a ajuda bondosa da minha irmã e meu cunhado.
Essa semana não começou bem para mim, muita inquietude, raiva, frustração, desespero, preocupações, ansiedade, tristeza... Deus do Céu.
Hoje fez calor e eu detesto! A pressão sobe ainda mais, eu me irrito ainda mais. Como pode alguém gostar dessa sensação de estar dentro de um forno?!
Não sei se minha coluna está piorando, mas sei que as dores estão mais intensas e sinto a região lombar doer muito e "borbulhar". 
Virei para um lado, para o outro e decidi levantar e andar pela casa; assim "engana" a dor um pouco.
Orelhas, pescoço e olhos vermelhos: pressão alta.
Tomei os remédios e voltei para a cama, adormeci. Acordo sempre muito molenga e lenta. Só fiz as obrigações diárias e depois me deitei no sofá.
Senti-me furiosa, irritadiça e querendo fazer uma revolução, me rebelar contra algo ou alguém. 
Essa situação me incomoda, me irrita, me frustra e tira minha liberdade e é motivo suficiente para uma rebelião.
Acho que vou sair às ruas protestando contra a mudança feita nas escolas de São Paulo, contra a violência sofrida por crianças, mulheres, idosos e animais, me rebelar contra a destruição massiva da Natureza e coisas assim.
Eu que sempre fui tão ativa, tão viva e cheia de planos para o futuro: voltar a estudar, mais uma faculdade ou um mestrado, quem sabe.
Dedicar meu tempo, minha vida e minha saúde às coisas simples que eu gosto tanto e que são tão caras para mim.
Tenho andado impaciente, furiosa, revoltada, ansiosa, cansada...
Vejo esses comerciais de café e fico com vontade.
É isso.



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domingo, 1 de novembro de 2015

Grãos

                             Resultado de imagem para grãos   



Muita chuva, temperatura amena. Gosto assim.
Dias sem ânimo, sem vontade, sem nada de nada; detesto isso.
Tento lutar contra isso; tento enfrentar, encarar e ir no sentido contrário ao que me obriga esse peso brutal vestido de cores escuras e cercado por muita tristeza.
Deus do Céu!
Os gatos percebem e me cercam, são meus protetores.
Só mais quinze minutos, só mais meia horinha...
Cochilos curtos e interrompidos por uma mente que vibra e quer que o corpo a acompanhe; eu queria tanto.
Coração acelerado, pulando, pulsando...
Fui ao consultório do médico que fez a primeira cirurgia da coluna e levei os exames atuais; ele disse o que eu já tinha ouvido dos seus colegas: caso difícil, não pode prometer nada, só abrindo para ver...Como tirar os parafusos sem romper o cisto? Como retirar esse cisto sem que rompa? O que acontece se romper? Infecção, formação de fístula, dor de cabeça, antibióticos...
Cistos volumosos, coluna torta e dolorida; artrose, lordose, e outras "oses".
Fiz perguntas, obtive respostas, peguei o laudo pedido, senti-me um pouco mais leve.
O trânsito estava bom para uma quinta-feira antevéspera de feriado e com cara de chuva, tudo o que os motoristas paulistanos mais temem.
Meu cunhado foi comigo e falava sobre amenidades e fazia graça para eu rir. Ri.
Fiquei em casa.
Fiz café e depois deitei com os gatos à minha volta. Abraços de uns, patinhas fofas e peludas segurando minha mão e me dizendo que não estou só, tudo vai ficar bem.
As lágrimas romperam, o coração angustiado precisava se soltar das garras da agonia; Deus do Céu.
Rompi, desabei, chorei. Sou humana, demasiado humana.
Acho que vou continuar a mexer nos livros; isso me faz tão bem. Não, agora não. Depois.
Por que isso agora? Eu estava tão bem vivendo minha vida simples e fazendo as coisas que tanto gosto!
Ficar trancada dentro de casa, ter um trabalhão entrevado e doloroso para ir aos médicos e laboratórios... 
Eu merecia isso?
Tento ser normal, estou tentando, mas tem hora que não dá.
Preocupações, ansiedade, temores...
Mingau de farinha láctea com leite de soja. Farinhas integrais de milho, aveia, soja e tantos outros grãos...
Gosto, mas com leite de vaca fica tudo tão mais gostoso! É a danada da lactose, faz mal, mas é saborosa.
É isso.


                                      Resultado de imagem para vaquinhas no campo florido

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dúvidas

                      Resultado de imagem para dúvida           



Voltei mais uma vez ao Grupo de Coluna e agora é só aguardar ligação para definir data e horário da internação para a cirurgia.
Estranhei não pedirem exames pré operatórios, como os de sangue e o laudo do cardiologista, mas conversando com um senhor, fiquei sabendo que são feitos no próprio hospital, dias antes da cirurgia.
Esperamos de duas a três a horas pelo atendimento e não ficamos mais que dez minutos no consultório. Muita gente para ser atendida e, obter respostas dos médicos às nossas perguntas, é o mesmo que tirar leite de pedra.
Mas eu ainda insisti, perguntei e senti que o médico estava muito apressado e duvidasse, talvez, da minha condição.
Ele pediu para eu voltar ao hospital onde fiz a primeira cirurgia e pedir um laudo dizendo o nome do fabricante dos parafusos e se eles podem ser removidos. Foi o que entendi.
Achei estranho e duvido que minha coluna possa se sustentar sem os parafusos, e, além do mais, eles foram colocados lá justamente para segurar vértebras fracas e deformadas.
Marquei consulta com o cirurgião que fez o primeiro procedimento e vou levar os exames para ele ver. Vou fazer perguntas, tirar dúvidas e a partir disso me sentir mais segura, quem sabe.
O que me incomoda no Grupo de Coluna é a inconstância, o ser atendida por um outro residente que "pega o bonde andando" e termos que falar tudo de novo. Cada um dá a sua opinião, o seu "achismo" e isso me incomoda. Gosto da certeza, do ponto de vista em comum em casos como esses, da conclusão igual ou muito semelhante.
Tenho uma coluna doente, fraca, dolorida, com parafusos e um cisto que se enfiou por ali não sei como.
Tenho os joelhos tomados pela artrose e as dores no quadril direito e pernas.
Não sei quando essa cirurgia da coluna será realizada e depois tenho que voltar ao Grupo de Joelho.
Quantos grupos serão necessários, meu Deus?
Estou inquieta, incomodada, ansiosa e um tanto insegura.
Quando eu ficar boa poderei cuidar melhor do meu jardim; cuidarei. Plantarei flores do campo, suculentas e margaridas, minhas favoritas.
É isso.



                                    Resultado de imagem para esperança


sábado, 17 de outubro de 2015

Cisto

                               Resultado de imagem para mar em furia


Retornei ao Grupo de Coluna no Hospital do Servidor Público Estadual - IAMSPE. Levei exames e fiz mais um Raio X da coluna lá mesmo e ouvi o que o outro médico havia dito: "Seu caso é difícil e interessante".
Médicos galegos, jovens e com o charmoso sotaque nordestino.
A tomografia mostra um cisto grande na coluna e esse cisto tira a estabilidade dos parafusos. O resultado disso são muita fraqueza, dores, entrevamento e outros sintomas.
Mas como esse cisto foi parar aí? Acromegalia, talvez?
Tenho certeza que sim, a Acromegalia é uma doença oportunista e piora o que já é ou está ruim.
Minha coluna está torta de novo e com todos os problemas anteriores, só que mais acentuados e com a novidade da vez: um cisto grande, volumoso e comprido como o mapa do Chile, só que mais "gordinho".
Tenho percebido que meu cabelo vem caindo muito ultimamente e minha sobrinha me perguntou se eu havia cortado; disse-lhe que não.
Além de cair muito, meu cabelo está muito mais seco do que era e quebradiço.
Conversei com membros do grupo de apoio a acromegálicos, um grupo que fica nos Estados Unidos e têm pessoas do mundo todo: Portugal, Austrália, Bélgica, França, Reino Unido e eu aqui do meu Brasil varonil.
Trocamos experiências, nos confortamos uns aos outros; pena que não temos isso aqui no país.
A queda de cabelo e a mudança na textura são atribuídas ao cisto e muitos membros do grupo têm ou tiveram o mesmo problema. O cabelo fica tão fininho e quebradiço e cai aos tufos quando passamos o pente.
Tenho lido e visto na TV o caso de pessoas que tomam hormônio do crescimento e remédios para o tratamento de diabetes e tireoide só para fins estéticos: emagrecer e ganhar massa muscular, para os praticantes de determinados esportes ou só para exibir um corpo "saradão e bombadão".
As consequências disso podem ser, e são, catastróficas, mas as pessoas são capazes de vender a alma ao Coisa Ruim apenas por um ideal de beleza.
Bom...
Tento parecer normal, mas estou preocupada, ansiosa, chateada e triste.
Perguntei ao médico se após a cirurgia eu voltarei a andar de novo e ele não me deu garantias. Disse apenas que esse cisto tem que ser removido e os parafusos recolocados ou trocados; falaremos com o cirurgião na próxima consulta, semana que vem.
Navego por águas furiosas.
Deus, meu Deus, quando ficarei livre? Quando essas batalhas terminarão?
É isso.



                                Resultado de imagem para mar em furia





sexta-feira, 2 de outubro de 2015

É isso

                              Resultado de imagem para triste



Mais uma semana difícil.
Uma gripe acompanhada de sinusite, rinite e otite; muitas "ites". Tem sido assim ultimamente, temporadas curtas de boa saúde e outras longas de dores, entrevamento, gripes e as "ites". Está demais.
O ruim da gripe é que ela derruba a gente e eu, que ando tão fraca e adoentada, sou fácil de derrubar.
Ânimo e vontade de fazer as coisas, não tenho tido muito.
Ando meio triste, cansada, revoltada, desanimada e às vezes tenho vontade de desistir de tudo e deixar ver o que vai acontecer. Mas lembro que tenho vidas que dependem de mim, que quero ver meus sobrinhos formados e encaminhados na vida e tem muita coisa que eu ainda quero fazer.
Vivo trancada dentro de casa e só saio quando vou aos médicos, laboratórios ou a algum raro evento em família. Dependo dos irmãos, alguns, para me fazer ou trazer o que preciso.
Quero fazer as coisas em casa, mas meu corpo não é tão ágil como minha mente. Vou devagar e têm dias que estou devagar demais e isso ora me irrita, ora me entristece.
Amanhã farei mais exames para levar ao médico do Grupo de Coluna e uma nova cirurgia será necessária para ajustar os parafusos que estão frouxos. 
E tem mais.
Estava e ainda estou muito ansiosa; tive que aguardar a autorização para fazer a tomografia computadorizada e um novo Raio X, que será pago.
Mais uma preocupação e mais gastos extras com exames e táxi. Não está fácil não.
Se fosse só a Acromegalia, eu estaria até que bem, mas tenho essa coluna doente, joelhos tomados pela artrose, pelas dores e entrevamento.
Tenho tanta saudade da escola, dos pequenos, de tudo.
Por que tudo o que eu gosto tanto é tirado de mim? 
Fez muito calor hoje e transpirei bastante; vou tomar um banho antes de me deitar e esperar o vizinho tagarela calar a boca lá pelas duas da manhã.
Falta de educação do caramba.
É isso.




                                          Resultado de imagem para flores

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

É preciso

                              Resultado de imagem para mar



Hospital do Servidor Público Estadual, Grupo de Coluna. Espera.
Exames são entregues ao médico, um jovem rapaz que mais parece um menino.
O doutor sai por alguns instantes com os exames e retorna acompanhado de outro médico, um dos cirurgiões.
Moço novo e franzino e com o maravilhoso sotaque nordestino. Sinto-me de volta pro meu aconchego quando escuto as vogais abertas, o "S" chiado de Pernambuco e outros tons do Nordeste.
Meu Nordeste tem cores e tons, sons e melodias que só quem é de lá entende, compreende, escuta e vê.
Ando meio poética. A melancolia tem esse efeito em mim.
O doutor fala sobre a necessidade de uma nova cirurgia e sobre os riscos envolvidos; não trata-se apenas de tirar os parafusos, que estão soltos, e reajustá-los, é muito mais que isso.
Escutei com atenção e fiz perguntas. Aquela coisa "trancada" dentro de mim quis explodir; segurei.
"Você é um caso difícil e interessante e toda a equipe está muito interessada em você".
Sim, sou muito difícil, ainda brinquei.
Tenho essa habilidade, creio eu, de rir e fazer graça só para segurar aquela coisa trancada que teima em explodir quando preciso manter a calma e parecer normal. Sou humana, demasiado humana.
Estou habituada a hospitais, laboratórios, exames, consultas, remédios e afins e essa será minha oitava cirurgia: cérebro, coluna, traqueostomia e apendicite, a mais "basiquinha" de todas.
Pensei que ficaria livre disso tudo e só iria às consultas de rotina para manter os cuidados e o tratamento. Pensei que voltaria às salas de aula, aos meus pequenos, aos diários de classe, provas, trabalhos e coordenador nos pressionando para entregarmos notas e faltas a tempo para as reuniões.
Era muito stress, mas era uma coisa boa e eu trocaria esse stress por esses problemas de saúde.
Mas se é para eu voltar a andar sem andador, voltar a dirigir e ficar boa, eu encaro. É mais uma batalha e estou acostumada a elas; sou velha guerreira.
Sim, os riscos são meio assustadores, como em toda cirurgia, mas encarar é preciso.
E quando eu ficar boa, vou ver meu doce mar oceano. Mar calmo nunca fez bom marinheiro, disse alguém sábio e experiente.
A água está chegando, vou fazer as coisas. Até que me viro bem mesmo com todos esses problemas de mobilidade.
Faz muito calor. Vou fazer suco de beterraba com cenoura; bem gelado.
É isso.



                                    Resultado de imagem para mar

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Coluna

                                  Resultado de imagem para flores de cactus



Ando tão cansada e dolorida ultimamente. As pernas estão sempre geladas e pesam tanto; é como se estivessem presas àquelas bolas de aço que os presos usam nos desenhos animados antigos.
Os exames ficaram prontos e os levarei ao médico para que ele veja e tome a melhor decisão. Do ponto de vista da minha história, perspectiva, dores, entrevamentos e afins, acredito que uma nova cirurgia seja necessária sim. Minha coluna está torta como antes da primeira cirurgia e a parte onde estão fixados os parafusos parece lutar para se manter reta enquanto o restante pende para o lado.
A coluna cervical está bem arqueada, cifose, e eu não vejo a hora de mostrar esses exames ao médico e ter esse problema resolvido.
Tudo, tudo vai dar certo.
Andar com fé eu vou que a fé não costuma falhar.
É isso.



                                      Resultado de imagem para flores de cactus

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Árvores

                             Resultado de imagem para bucólico


Fui hoje fazer o exame de ressonância magnética da coluna; tudo de novo.
Aguardei quase um mês pela autorização e finalmente fiz, agora faltam os exames de Raio X.
Pensei que poderia ter feito as radiografias lá no laboratório mesmo, mas soube depois que os exames exigem um aparelho especial e só tem no próprio IAMSPE ou em um laboratório em Pinheiros.
Bom...
Fui só e a enfermeira e atendente estranharam. Normal, nada demais para mim, já estou acostumada a fazer exames e procedimentos e, além do mais, o laboratório fica no meu querido bairro da Penha, pertinho.
Subimos a Rua Padre Benedito de Camargo e vi muitas diferenças na rua e no bairro. As casas simples, com jardins e muros baixos, dão lugar cada vez mais a prédios comerciais e residenciais. Uma pena, a Penha é um dos bairros mais bucólicos que conheço e que lembra tanto a simplicidade do interior. Uma pena mesmo.
É a ordem e o progresso. É.
Fez uma tarde belíssima e foi tão bom sair um pouco de casa. Algumas pequenas mudanças são grandes novidades para mim. A praça que fica na alça de acesso da Ponte Aricanduva para a Marginal Tietê está muito arborizada e bonita; as mudas de árvores já estão bem grandinhas e viçosas. Gosto dessas coisas da Mãe Natureza.
Prédios, praças, árvores, tarde bonita.
Voltei para casa meio dolorida e cansada; não dormi bem e o senta levanta no laboratório fez doer a coluna e os joelhos. Deus do céu, por que isso? O que foi que eu fiz? Por que não posso fazer minhas caminhadas aos fins de tarde como sempre fiz? Por que não posso dirigir meu possante pelas ruas, Marginais e estradas afora? Por que não posso fazer minhas próprias compras, minhas coisas e depender dos outros para tudo?
Essa solidão, essas dores, esse esquecimento... Não sou de ferro, sou humana, demasiado humana.
Ninguém é forte, saudável, lindo, perfeito e maravilhoso o tempo todo; ninguém! Nem mesmo aqueles que pensam que são!
E por falar nisso, tirando saúde, beleza e dinheiro, o resto eu tenho. Simples assim.
Arroz com legumes de novo. Manga batida com laranja. Maçã batida com água de coco; dizem que é bom para quem tem pressão alta.
Conselho de gente antiga.
É isso.



                                   Resultado de imagem para bucólico

domingo, 19 de julho de 2015

Moleque

                             Resultado de imagem para dia de domingo


Mais um domingo que se vai e uma semana que começa. Não gosto de domingos.
Mas fez um belíssimo dia hoje. Ensolarado, quente, bonito.
Fui lá fora para colocar ração e água para os gatos de rua e já era aguardada ansiosamente pelo cachorro bobão e simpáticão do vizinho.
Tive dificuldade para subir a pequena elevação que separa a garagem da calçada, coisa pouca, mas que para mim corresponde a subir um morro.
Tinha um menino empinando pipa e eu pedi a ele que me ajudasse pegando o pote que caíra no chão; ele negou-se. Pedi ao malditozinho que chamasse a menina do vizinho e ele negou-se novamente dizendo que não sabia se ela estava em casa.
"Mas você acabou de falar com ela, que eu vi e ouvi! Oxe, menino, chame  agora, por favor!".
Com muita má vontade ele chamou a simpática moça, que veio me ajudar e ainda bateu um agradável papo comigo sobre cães e principalmente gatos, claro.
Fiquei depois pensando em como os tempos mudaram e a Educação vai de mal a pior. Foi-se o tempo em que um adulto pedia para um moleque, uma menina, qualquer criança, um simples favor de ir chamar alguém, de pegar alguma coisa caída no chão e coisas assim e tudo era simplesmente ouvido e atendido. 
Crianças pequenas de nove ou dez anos já com postura sexualizada, falando palavrões, respondendo, desrespeitando. Meninas usando maquiagem, se vestindo como pequenas piriguetes e sensualizando, como dizem.
Depois de cumpridas as obrigações rotineiras, fiz meu café e tomei com pão sovado, adoro esse pão. Uma hora depois, tomei suco de laranja com mamão.
Ando muito fraca, cansada e mole o tempo todo.
Minhas pernas tiveram uma piorada, na verdade é a coluna, e estão mais fracas e pesadas. Não consigo esticar a perna direita, a mais afetada, e ela mantem-se sempre dobrada.
Pelé fez uma cirurgia na coluna semelhante à que preciso fazer, só não colocou pinos e parafusos, acredito. Sentiu dores e dificuldade para andar e já foi operado. Pelé pode pagar um Albert Einstein, a pobre aqui nem um plano de saúde dos mais básicos pode; o jeito é esperar por uma vaga no Servidor.
Amanhã farei, finalmente, a ressonância magnética da coluna e permita Deus que a partir de agora tudo fique mais fácil, ou menos demorado.
Lá vou eu de novo comer arroz com legumes. Queria tanto uma coisinha com mais sustança.
É isso.


                                  Resultado de imagem para dia de domingo

                               

domingo, 7 de junho de 2015

Cadeira de Rodas

                                Resultado de imagem para cadeira de jardim


Domingo. Frio.
Domingo não é o meu dia favorito, definitivamente.
Minha cunhada passou rapidamente por aqui e trouxe a nova cadeira de rodas que conseguiram comprar pra mim; agradeci.
Facilita quando sair, já que andar com andador não é muito ágil, fácil ou agradável.
Eu estava pensando e me lembrando que quando eu era criança, por volta dos dez anos, passava na TV a novela Pai Heroi e a mocinha sofria um acidente e não podia mais ser bailarina.
A mocinha era a Elisabeth Savalla e o mocinho era o Tony Ramos. Muito drama, muita maldade, muita choradeira para no fim o mal ser punido e vencido pelo bem e o amor prevalecer. Que lindo.
A mocinha, que não podia mais bailar, mancava e usava bengala e eu achava isso tudo lindo e fascinante. 
Mas em contrapartida, eu tinha um certo medo e asco de cadeira de rodas. Quando eu via uma pessoa em cadeira de rodas eu sentia um misto de receio, curiosidade, temor, respeito...
Já adulta, precisei ir à emergência do hospital e a enfermeira perguntou se eu queria ir na cadeira de rodas; recusei. Agradeci e disse que poderia ir andando, eu já me sentia melhor, disse eu.
O tempo passa e sinto dores nas costas, dificuldade para andar, pernas fracas e todos os problemas de uma coluna doente. Tudo ainda mais piorado e intensificado pela Acromegalia. Ironia do destino.
Que desejo infantil mais perverso para ser transformado em realidade!
Mas é temporário. Depois da tão esperada consulta saberei o que me aguarda.
Espero e quero que essa minha coluna complicada seja consertada mais uma vez e que me dê uma folga de alguns bons anos, pelo amor de Deus.
Quero tanto caminhar livremente, dirigir, fazer as coisas que gosto e que sempre fiz sem depender da ajuda constante de pessoas e/ou objetos.
É chato incomodar os outros e eu não gosto.
E vou tentar lembrar de algum outro desejo bom de criança; tomara que se realize.
Assistia a um programa mostrando cidades no interior paulista, o turismo da região, a cultura e todas essas coisas. Muita gente deixando para trás o asfalto, o cimento, o trânsito caótico, a correria e toda loucura da vida em grandes cidades.
Queria tanto me embrenhar pelo mato, viver em uma casa simples, ter muitas plantas e animais e cuidar deles em paz e sem ninguém enchendo a paciência.
Um bom lugar para os meus livros, um belo e bem cuidado jardim, uma cadeira confortável para sentar, tomar um bom café, ler meus preciosos livros com gatos no colo e simplesmente apreciar a vida.
É isso.


                                   Resultado de imagem para jardim bailarina

segunda-feira, 11 de maio de 2015

É isso

                                   Resultado de imagem para desanimo


Faz tempo que não escrevo.
Faz muito frio também.
Estive bem doente nessas duas semanas que passaram. Dores, vômitos, nada parava no estômago, dores incapacitantes e precisei ser levada ao hospital do Servidor Público Estadual.
Fui domingo passado e achando que tudo seria rápido por exatamente ser domingos, me enganei.
Estava muito cheio, enfermeiros grosseiros e em cada canto, um aparelho de TV. Todos ligados em volume muito alto e isso incomodava muito.
Pedi inúmeras para alguém tomar uma providência e só ouvi desculpas. A filha de uma senhorinha desligou o aparelho da tomada e assim tivemos algum sossego.
Fiquei na "sala dos esquecidos". Raramente alguém ia lá e precisávamos implorar para que nos atendessem e medicassem. Permita Deus eu nunca mais precisar voltar para aquele terror barulhento.
As coisas não estão bem e isso me incomoda, me revolta e me assusta.
Sempre problemas, sim, mas quem não os têm?
Todos nós temos.
Mas cada um sabe o peso da cruz que carrega e a minha está bem pesada.  
Tão pesada que minha coluna já está doente de novo e dói muito e entreva. Travou tudo e eu não podia me mexer sem gritar de dor.
Joelhos com artrose; inchados, doloridos, gorduchos.
Já passei por tanto. Quando isso tudo vai acabar? Quando poderei andar de novo com minhas próprias pernas? Quando poderei viver minha vida simples e sem frescuras cercada por aquilo e aqueles que mais gosto?
Um dia sem dor é uma dádiva, uma benção, uma raridade.
Remédios caros, muito caros, absurdamente caros. Acabou o dinheiro, graças a Deus.
Faltou pagar a conta de luz e o plano de saúde; e agora, José?
Quando a gente tem saúde é tudo mais fácil: vida, família, amigos...
Quando a gente fica doente a gente incomoda, sem querer, a todos. As pessoas têm suas próprias vidas, seus próprios problemas...
E eu prefiro ficar no meu canto, me juntar às pessoas nos momentos de alegria e diversão. Ir ao cinema em grupo é muito divertido. Ir às festas italianas que acontecem todo inverno também é muito bom.
Mas sem andar?
Nem todo mundo tem paciência para esperar, para perguntar se o local tem cadeira de rodas, acesso para cadeirantes etc... 
Nem todo mundo é igual a todo mundo.
Pensei que depois de tudo o que passei e de todos os procedimentos que fiz, estaria agora livre, leve, solta e saudável para viver bem pelo resto da minha vida... Mas não aconteceu, ainda.
Às vezes penso que teria sido melhor não ter resistido ao coma e todos esses problemas não estariam acontecendo agora, mas fugir à luta nunca fez parte do meu show.
Acho que é isso. Estou cansada de lutas e batalhas, quero descansar.
É isso.



                                         Resultado de imagem para desanimo

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Avenida Nordestina

                                 Resultado de imagem para avenida nordestina


Fui à perícia médica hoje e dessa vez foi no bairro de São Miguel, próximo a Guainases.
Avenida Nordestina, uma homenagem aos muitos nordestinos que se instalaram na região.
Ruas e avenidas estreitas, trânsito carregado, muitas lojas, escolas e muita gente.
Gosto da Zona Leste. A região ainda tem aquele ar bucólico de interior, isso nos bairros mais afastados. Na parte mais nobre, Tatuapé, encontramos prédios de alto padrão, gente chique e muito luxo.
Gosto da realidade simples de gente simples que sente e vive de verdade e não precisa ostentar para impressionar.
Fez uma tarde quente e belíssima. 
O endereço do local da perícia é sempre mal informado: colocam como Avenida Nordestina, mas fica mesmo é numa travessa. O mesmo aconteceu com outros locais como na Vila Esperança e perto do Sambódromo. Por que raios não colocam o nome da rua e como referência a rua ou avenida mais importante?!
Mas no fim tudo deu certo. A perícia em si foi rápida, o que demorou mesmo foi chegar e depois voltar para casa.
A médica meio fria e de pouca conversa  fez as questões habituais e mediu minhas pernas; a Acromegalia afina os ossos e eu já tenho artrose na coluna, joelhos, pés e mãos. Legal.
Ossos mais finos e fracos e uma coluna doente são tudo o que uma pessoa outrora ativa não quer. Fico triste, brava, revoltada, mas sorrio mesmo assim.
É melhor sorrir e até gargalhar. Rir de si mesmo às vezes ajuda a aliviar um pouco.
Vou ficar boa. Só não sei ainda quando.
Tive consulta no IAMSPE em janeiro e o retorno só foi marcado para junho e isso após eu fazer uma reclamação na Ouvidoria do hospital. É muita gente, mas meu caso evolui muito rapidamente e eu não posso me dar ao luxo de esperar tanto tempo.
Bom...
Vou para a cama, estou meio cansada hoje.
Vontade de comer bolo de chocolate com recheio de beijinho (leite condensado cozido com coco).
É isso.


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sexta-feira, 27 de março de 2015

Raiva

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Ando meio triste e revoltada. Uma raiva somada à frustração.
É revoltante e dá uma raiva danada a gente querer fazer as coisas e ter limitações. Frustrante.
Demorou um tempão para arrastar do saco de lixo do quintal dos fundos até a calçada. Conto os quadrados do piso e sinto um alívio à medida que os números vão diminuindo: está cada vez mais perto o fim dessa agonia.
Ontem preparava minha janta e me arretei. Tudo é difícil, custoso, trabalhoso e doloroso. 
Encaixar o andador perto da pia. Afastar o andador quando precisar abrir a geladeira. Puxar uma cadeira e sentar quando precisar olhar o bolo que assa no forno. Ter que sentar para descascar frutas e legumes; ficar muito tempo de pé deixa as pernas fracas e trêmulas.
Estender a roupa no varal é outro sacrifício, pelo amor de Deus!
Isso tudo me causa uma revolta e gera uma raiva dolorosa.
Não, não sou uma pessoa amarga. Não desejo o mal a quase ninguém e, se puder ajudar eu ajudo, mas nunca prejudicaria a quem quer que seja.
A raiva é pela saúde cambaleante, as pernas fracas, a coluna doente, as articulações duras e entrevadas, as dores...
Eu que gosto de trabalhar, de cuidar da casa, das plantas, livros e gatos... Ter que reduzir o que antes fazia com tanta naturalidade; tomar cuidado para não cair, tomar remédios para controlar as dores, depender de táxi ou carona... Não quero essa vida pra mim não.
Quero uma vida simples e com saúde, é o que quero e peço. Amem.
Comprei tapioca, leite condensado e coco ralado; vou fazer um bolo amanhã para comer com café.
É isso.



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