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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cavalos

                                                


Amo animais, é público e notório.
Amo cavalos e eles para mim simbolizam força e coragem.
Sempre sonhava com um cavalo amarrado, açoitado e preso ao chão. Eu tentava ajudá-lo a sair dali e ele fazia o que podia, mas amarras eram muito fortes e os prendiam bem firme.
Durante os terríveis momentos, visões e sensações vistas e sentidas em meu coma, vi esse mesmo cavalo sofrendo, sendo açoitado, impedido de seguir seu caminho, tentando se desvencilhar, se soltar... 
"Esse cavalo é você", disse alguém.
Fui podada, roubada do meu direito de ser, fui roubada de minha liberdade e tantas coisas ruins que não vou colocar aqui. Dói.
Amo cavalos...
Cavalos que me levavam ao encontro do meu amado avô Paipreto.
Cavalos que me traziam meu melancólico e coruja avô José.
Passei pelas ruas do bairro e reparo que cada vez há mais prédios, além dos onipresentes caminhões, claro. Em um grande terreno onde estão alguns desses prédios hoje, havia cavalos. Cavalos soltos, livres e a correr lindamente.
Os cavalos não tinham amarras, não tinham freios, selas e nada que os prendesse; eram livres. Corriam e o vento a soprar suas belas crinas e caudas. 
Eu estava a caminho da escola e parei para observar esse belíssimo espetáculo da Natureza. 
Os cavalos pararam para descansar, mas um jovem corria prazerosamente, livremente e lindamente.
Tenho forte sensibilidade e coisas corriqueiras que não significam nada para as pessoas práticas e "normais", significam muito para mim. Marcam.
Minha amiga Cleusa diz que sou uma "esponja" e absorvo tudo à minha volta e não sei se isso é bom ou ruim. Expressões faciais, tom de voz, expressão corporal etc, são percebidos por mim com muita intensidade e posso jurar que o que senti ou percebi não é cisma ou mera implicância; tem alguma ali, sim.
Às vezes, muitas vezes, queria ser prática, fria, menos sensível, durona, "seca", mas não consigo.
Sei lá.
Mas eu dizia que amo cavalos...
É isso.


                                 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ditos Populares Nossos

                                             

Somos nordestinos e mesmo há muitos anos em São Paulo ainda conservamos nossas tradições, cultura, língua etc...
Mamãe sempre manteve seu forte sotaque pernambucano, mesmo estando aqui há algumas décadas.
Um hábito nosso é usar ditos populares que usam animais como exemplo; fábulas nordestinas ficaria bem, acho eu.
Por exemplo:
Se uma pessoa não guarda segredo é chamada de "bucho de piaba". Piaba é um peixe de água doce.
Se uma pessoa come muito rápido, engole quase sem mastigar é chamada de "socó". Socó é uma ave que pesca e engole o peixe inteiro.
Se uma pessoa sente-se solitária e esquecida pelos outros, diz: "Estou igual a guaiamum, todo mundo tem um pai e eu não tenho nenhum". Guaiamum é uma espécie de caranguejo.
Outra envolvendo o crustáceo é: "Caranguejo por causa de amigo perdeu a cabeça".
Quando há uma briga ou confusão dizemos: "Bafafá e c... de boi"
Se a família tem filhos adultos preguiçosos e acomodados que não querem trabalhar, dizemos: "Quem cria filho barbado é gato", ou "Quem cria filho com cabelo no c... é cebola, e eu não sou cebola!", já disse papai muitas vezes do alto de sua santa "inguinórança".
Se a pessoa é muito boa e coloca os interesses dos outros à frente dos seus, dizemos: "Anu emprestou o rabo e ficou sem nenhum".
Um ditado que eu achava - ainda acho - machista é: "Prendam suas cabras que meus bodes estão soltos". É uma referência à moças e rapazes que despertam interesse romântico um no outro. O interessante é que os meninos podem ficam livres, mas as meninas não. Machismo puro.
Têm muitos outros. Colocarei à medida que lembrar.
É isso.