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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Gratidão

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Chuva boa. Adoro adormecer ao marulhar das águas. Amo as águas. Sou Maria das Águas...
Deitei e li um pouco, depois veio a chuva.
Adormeci.
Acordei ao som de miados miúdos e desesperados, levantei.
Abri a porta, os donos dos miados miúdos entraram e foram direto para os potes de água e ração.
Pensei em ir para a sala, ligar a TV, assistir aos telejornais matinais e adormecer no sofá, mas me sentia tão pesada, tão cansada, exausta mesmo. Decidi voltar para a cama e lá adormeci pesadamente; nem o barulho dos motores dos caminhões, dos latidos e miados da bicharada e das vozes dos bichos humanos atrapalharam meu sono.
Pude ouvir tudo, mas não me levantei, não acordei totalmente. Estava em outra dimensão, outro plano, outro tempo-espaço. Meio doido, eu sei.
Fui envolvida por uma Força boa, cuidadora, carinhosa e que me aliviou o peso quase insuportável que venho carregando nesses tempos difíceis. Deus do Céu.
Que coisa boa, graças a Deus.
Acordei bem, sem muita dificuldade para me locomover, mais disposta, mais leve. Agradeci.
Gratidão é uma das minhas maiores qualidades, acredito eu. Sempre que algo é feito por mim ou para mim, eu agradeço. Sempre que alguém me faz, me diz, me proporciona algo bom ou que eu esteja precisando, eu reconheço e agradeço.
Acho tão canalha ser ajudado e, lá na frente, quando é hora de retribuir, a pessoa fazer corpo mole e se recusar a ajudar, a retribuir o que foi-lhe dado de tão bom grado. Sou assim não. Ave Maria.
Não sabemos o dia de amanhã, as voltas que a Vida dá, os rumos que o Destino tece, as vontades do Criador.
Agradeço sempre, por mais simples que pareça ser a ajuda, o favor, a palavra de consolo.
Fiz meu café, tomei com bolachas integrais. Vou arrumar a bagunça dos gatos e aguardar o entregador de ração.
Sinto-me bem. Essa visita boa de Luz me fez muito bem, como sempre.
E eu, como sempre, agradeço.
Como é bom, meu Deus, ter os ombros livres de tanto peso. A ajuda veio no tempo certo, eu estava fazendo um esforço brutal para não me entregar à tristeza profunda e a outros males d'alma. Já me bastam os males do corpo, e como me bastam.
É preciso ter Força, Fé e Coragem. 
É preciso ter Gratidão.
É isso.


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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dona Aranha - The itsy-bitsy spider

                                   


Minha sobrinha Rafaela adora cantar canções infantis e claro, adora a Galinha Pintadinha.
Cantávamos, pela décima vez em alguns minutos, a Galinha e o Galo Carijó, a galinha usa saia e o galo paletó... 
Rafaela adora a parte final que diz: E a agulha da injeção era a pena de um pavão...Ui!
Depois alguém lembrou de cantar A Dona Aranha, eu conhecia a versão americana e fiquei depois analisando a versão em português brasileiro.
Na versão americana a aranha subia pelo cano da calha, veio a chuva e a derrubou, mas veio o sol e secou tudo e a aranha prosseguiu até alcançar seu objetivo.
Na versão brasileira a aranha é chamada de teimosa e desobediente por tentar subir após o fim da chuva.
Teimosa e desobediente?! Nunca está contente?!
Para mim, isso é uma forma de castrar e podar o natural impulso infantil de querer descobrir as coisas, de olhar, investigar, querer saber.
Sufocar a natural curiosidade da criança e assim mantê-la calminha e obediente: "Viu só, Dona Aranha era teimosa e desobediente! Viu o que aconteceu com ela?"
É cultural, eu sei. 
A cultura norte americana incentiva a independência, a resiliência, o seguir adiante mesmo perante a adversidades.
A cultura brasileira incentiva a dependência, a carência, o medo de tentar ir sozinho e "quebrar a cara" e depois ter que ouvir: "Mas eu te avisei!".
Só se aprende tentando.
Podem não concordar comigo, mas esse é meu ponto de vista, de quem conhece as duas culturas de perto.
Coloco abaixo as duas versões para comparações.
Estou certa ou estou errada?
É isso.



                                       Dona Aranha 


A Dona Aranha subiu pela parede                           

Veio a chuva forte e a derrubou
Já passou a chuva
O sol já vai surgindo
E a dona aranha continua a subir

Ela é teimosa e desobediente
Sobe, sobe, sobe e nunca está contente.

A Dona Aranha desceu pela parede
Veio a chuva forte e a derrubou
Já passou a chuva
O sol já vai surgindo
E a dona aranha continua a descer

Ela é teimosa e desobediente
Desce, desce, desce e nunca está contente.

A Dona Aranha subiu pela parede 
Veio a chuva forte e a derrubou
Já passou a chuva
O sol já vai surgindo
E a dona aranha continua a subir

Ela é teimosa e desobediente
Sobe, sobe, sobe e nunca está contente.




Itsy-Bitsy Spider          A aranha pequenina


The itsy-bitsy spider - A aranha pequenina
Climbed up the water spout - Subiu pelo cano da calha
Down came the rain - Veio a chuva
And washed the spider out - e derrubou a aranha
Out came the sun - Veio o sol
And dried up all the rain - E secou toda a chuva
And the itsy-bitsy spider - E a aranha pequenina
Climbed up the spout again - Subiu pelo cano da calha novamente


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cavalos

                                                


Amo animais, é público e notório.
Amo cavalos e eles para mim simbolizam força e coragem.
Sempre sonhava com um cavalo amarrado, açoitado e preso ao chão. Eu tentava ajudá-lo a sair dali e ele fazia o que podia, mas amarras eram muito fortes e os prendiam bem firme.
Durante os terríveis momentos, visões e sensações vistas e sentidas em meu coma, vi esse mesmo cavalo sofrendo, sendo açoitado, impedido de seguir seu caminho, tentando se desvencilhar, se soltar... 
"Esse cavalo é você", disse alguém.
Fui podada, roubada do meu direito de ser, fui roubada de minha liberdade e tantas coisas ruins que não vou colocar aqui. Dói.
Amo cavalos...
Cavalos que me levavam ao encontro do meu amado avô Paipreto.
Cavalos que me traziam meu melancólico e coruja avô José.
Passei pelas ruas do bairro e reparo que cada vez há mais prédios, além dos onipresentes caminhões, claro. Em um grande terreno onde estão alguns desses prédios hoje, havia cavalos. Cavalos soltos, livres e a correr lindamente.
Os cavalos não tinham amarras, não tinham freios, selas e nada que os prendesse; eram livres. Corriam e o vento a soprar suas belas crinas e caudas. 
Eu estava a caminho da escola e parei para observar esse belíssimo espetáculo da Natureza. 
Os cavalos pararam para descansar, mas um jovem corria prazerosamente, livremente e lindamente.
Tenho forte sensibilidade e coisas corriqueiras que não significam nada para as pessoas práticas e "normais", significam muito para mim. Marcam.
Minha amiga Cleusa diz que sou uma "esponja" e absorvo tudo à minha volta e não sei se isso é bom ou ruim. Expressões faciais, tom de voz, expressão corporal etc, são percebidos por mim com muita intensidade e posso jurar que o que senti ou percebi não é cisma ou mera implicância; tem alguma ali, sim.
Às vezes, muitas vezes, queria ser prática, fria, menos sensível, durona, "seca", mas não consigo.
Sei lá.
Mas eu dizia que amo cavalos...
É isso.


                                 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Oração do Lobo

                                           


Espírito do Lobo
Tu que vagueias pelas terras selvagens
Tu que caças pelas sombras silenciosas
Tu que corres e pulas entre as árvores cobertas de musgos
Dá-me tua força primordial e a sabedoria de teus olhos brilhantes
Ensina-me a correr incansavelmente atrás dos meus sonhos
E a defender aqueles que amo
Mostra-me os caminhos escondidos e os caminhos enluarados
Espírito feroz
Caminha comigo em minha solidão
Uiva comigo em minha alegria
Proteja-me em meu caminhar por esse mundo


                                     

Lobo Guará

                              


Sonhei que me encaminhava para o quarto do hospital e ia me preparar para mais uma cirurgia. Era tudo muito limpo e claro, mas meus pés calçados em sandálias estavam sujos de barro e deixavam pegadas no piso.
Tinha um pano de chão e eu começava a esfregar para tentar limpar a sujeira que havia feito quando uma faxineira se aproxima e diz que poderia deixar, ela terminaria o serviço. Pedi desculpas.
Estou no quarto e médicos vêm conversar comigo, eu estava tão chateada e com a aparência muito mais acromegálica do que já é. Por algum motivo a cirurgia não é autorizada e deixo o quarto para ir embora; me encontro em um grande pátio arborizado e com pessoas vestidas com roupas simples e branco azuladas. Eu me sentira expulsa do hospital.
Caminho por entre essas pessoas me sentindo muito triste por minha doença e pela rejeição que sofri quando um enorme lobo guará vem correndo em minha direção. Pensei que ele me atacaria, mas uma das pessoas presentes disse que o animal era tranquilo. 
O lobo guará me derruba no chão e fica sobre mim a me lamber o rosto e a abanar a cauda peluda; o medo passou e brinquei com o belo animal.
Acordei meio preocupada com a possibilidade de mais uma cirurgia em meu cérebro. Tomara Deus que não haja necessidade, pois como já disse, me recusarei e procurarei outros métodos como outra radiocirurgia.
Tenho cisma, medo não, de passar por tudo que já passei. Deus me livre!
Mas vou ficar boa, tenho fé, força e coragem.
Sou Leão do Norte, 
Sou cabra da peste.
Oxe!


                               
                                

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rodo

                                                                      

Muita gente junta uma hora dá problema.
Família grande então...
Eu sempre tive arranca rabo com meu irmão Rogério e Renata tinha arranca rabo com Fubá, Rosi e Naldão eram da paz. Mas nem sempre.
Certa vez Naldão me deixou doida de raiva e corri atrás dele para dar-lhe umas boas porradas, mas minha força física é inversamente proporcional ao meu tamanho físico.
Naldão correu em direção ao portão e lá ficou ao lado de mamãe achando que eu havia esquecido o entrevero entre nós. Vou até o banheiro, pego o rodo e jogo em Naldão!
O rodo de madeira velha, podre e úmida quebra-se no meio ao acertar as costas gordas e largas de meu irmão.
Mais doido de raiva e susto do que com dor, Naldão vem atrás de mim virado no Jiraya e eu corro e me tranco no banheiro e ouço: "Cadê ela? Eu vou matar essa menina!".
Abri a porta do banheiro e provoco: "Obrigada pelo menina, Naldão".
Naldão fica vermelho que nem um pimentão e foi preciso a intervenção de mamãe para dar fim a esse momento tão fraternal.
Mamãe não gostou nada de ver o rodo quebrado.