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domingo, 23 de dezembro de 2012

Escada

                            


Comentei com minha irmã Rosi que a maioria dos consultórios médicos onde vou são sobrados com escadas sem fim.
Eu vou degrau por degrau e isso demora um pouco.
Na minha mais recente consulta com o gastroenterologista, sofri para subir as escadas cujo corrimão ficava do lado "errado"; ficou difícil subir me apoiando no corrimão com a mão esquerda.
Cada vez menos encontramos casas térreas, ou são sobrados ou prédios. Pelo menos a maioria dos prédios têm elevadores.
Estava me lembando de uma época em que procurávamos casa para alugar e todas as que víramos tinham escada. Eu fazia piadinhas para provocar a Rosi e dizia: "Mas tem escaaaaaada".
Hoje em dia sou eu quem as evita, mas isso não fácil.
Acho que paguei a língua por "zuar" minha irmã.
Si ferrei.
É isso.

                             

                                   

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cavalos

                                                


Amo animais, é público e notório.
Amo cavalos e eles para mim simbolizam força e coragem.
Sempre sonhava com um cavalo amarrado, açoitado e preso ao chão. Eu tentava ajudá-lo a sair dali e ele fazia o que podia, mas amarras eram muito fortes e os prendiam bem firme.
Durante os terríveis momentos, visões e sensações vistas e sentidas em meu coma, vi esse mesmo cavalo sofrendo, sendo açoitado, impedido de seguir seu caminho, tentando se desvencilhar, se soltar... 
"Esse cavalo é você", disse alguém.
Fui podada, roubada do meu direito de ser, fui roubada de minha liberdade e tantas coisas ruins que não vou colocar aqui. Dói.
Amo cavalos...
Cavalos que me levavam ao encontro do meu amado avô Paipreto.
Cavalos que me traziam meu melancólico e coruja avô José.
Passei pelas ruas do bairro e reparo que cada vez há mais prédios, além dos onipresentes caminhões, claro. Em um grande terreno onde estão alguns desses prédios hoje, havia cavalos. Cavalos soltos, livres e a correr lindamente.
Os cavalos não tinham amarras, não tinham freios, selas e nada que os prendesse; eram livres. Corriam e o vento a soprar suas belas crinas e caudas. 
Eu estava a caminho da escola e parei para observar esse belíssimo espetáculo da Natureza. 
Os cavalos pararam para descansar, mas um jovem corria prazerosamente, livremente e lindamente.
Tenho forte sensibilidade e coisas corriqueiras que não significam nada para as pessoas práticas e "normais", significam muito para mim. Marcam.
Minha amiga Cleusa diz que sou uma "esponja" e absorvo tudo à minha volta e não sei se isso é bom ou ruim. Expressões faciais, tom de voz, expressão corporal etc, são percebidos por mim com muita intensidade e posso jurar que o que senti ou percebi não é cisma ou mera implicância; tem alguma ali, sim.
Às vezes, muitas vezes, queria ser prática, fria, menos sensível, durona, "seca", mas não consigo.
Sei lá.
Mas eu dizia que amo cavalos...
É isso.


                                 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Farmácia do Pedro e Lojinha da Bete

                                          

Meu bairro não dispõe de muito comércio, é meio pobre nessa área, mas tem muito caminhão e transportadora. Nossa Senhora!
Faltam mais lojas, padarias, farmácias, restaurantes, bares etc...
Têm alguns botecos meia boca e alguns poucos restaurantes simples, mas nada de muito especial.
Quando nos mudamos para nosso bairro após uma curta temporada na Penha, encontramos um bairro de muitas chácaras, ruas de terra e pouco comércio. Tinha o supermercado "Para Todos" e o "Aliança" e tinha a farmácia do Vila e a farmácia do Pedro.
A farmácia do Pedro era o hospital dos pobres, quebrava o galho em caso de emergências leves, pois os hospitais ficavam longe e não haviam AMA´s, AME´s, Postos de Saúde etc...
A lojinha da Bete era onde comprávamos nosso material escolar e onde encontrávamos artigos de papelaria e presentes. A lojinha da Bete ficava em um pequeno cômodo de uma casa em uma rua meio longe da nossa e ir até a lojinha era um passeio para nós e motivo de alegria. Eu adorava olhar os objetos e produtos à venda.
A farmácia do Pedro e a lojinha da Bete ainda estão em atividade e o Pedro continua simpático e apressado, já não posso dizer o mesmo dos funcionários da lojinha da Bete.
Eu ia muito à lojinha mas o tratamento ao cliente ficou muito ruim e evito o local.
Espero que novas lojinhas e "lojonas" se instalem no bairro para atender à demanda que será trazida pelo grande números de prédios de apartamentos que pipocam pelo bairro.
É isso.

                                        

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Prédios e Apartamentos

                                              


Há um grande boom imobiliário no setor de prédios de apartamentos e até bairros esquecidos como o meu se transformaram e valorizaram no mercado. 
Os preços dos apartamentos aumentaram, praticamente dobraram nos últimos dois anos.
De repente descobriram que meu bairro, além de caminhões e transportadoras, tem fácil acesso à Marginal Tietê, Via Dutra, Fernão Dias, Ayrton Senna...
Bairros como Tatuapé, principalmente o Jardim Anália Franco que é o Morumbi da ZL, valorizaram demais e só os novos ricos da ZL podem comprar.
Um dia, na hora da saída, um coleguinha me chamou, apontou para um prédio do outro lado da Marginal Tietê e disse: "Sabia que a professora mora naquele prédio?"
"É mesmo? Nossa! Então ela deve ser rica, né? Porque só ricos podem morar em apartamentos".
Assistia as novelas e achava chique, bonito e até meio triste morar em apartamento. Lembro de uma cena de uma novela onde a filha rebelde deixa a casa dos pais e vai morar sozinha em um apartamento; achei aquilo tão estranho, tão triste e tão diferente da minha realidade. Morar longe de casa, dos pais, dos irmãos, da família?! Eu julgava essas pessoas, mesmo que personagens de novela, frias, insensíveis e até más.
Hoje eu entendo melhor.
Não sou muito fã de apartamento, prefiro casa com quintal e jardim onde possa cultivar minhas adoradas plantas e onde meus amados bichos tenham espaço para correr pra lá e pra cá.
Mas a tendência atual é a verticalização dos bairros e das cidades.
A segurança é melhor, penso eu, em apartamento, principalmente para quem mora só. 
Mas me preocupa também o grande número de pessoas utilizando mais água, luz, gás; mais trânsito, mais poluição no mesmo espaço onde antes moravam famílias em casas simples com quintal e jardim.
É isso.