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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Proteção

                              
Pétala


Muito dinheiro e pouca conta para pagar. 
Bom seria se fosse assim mesmo, mas é exatamente ao contrário.
Quinto dia útil só segunda-feira próxima e junto com o dia útil vêm as contas também. O dinheiro quase nem sai do banco, fica por lá para ser diminuído a cada conta paga no caixa eletrônico; quando tem sistema e não tem "chupa cabra".
Aluguel, água, luz, telefone, ração, seguro, remédios...
Para ajudar, é preciso consertar o vidro da janela traseira do carro que quebrou sozinho; estranho.
Uma bobagem, pode parecer bobagem, mas quando estamos meio "caídos" as coisas mais tolinhas fazem até certo sentido. Bom...
Mamãe e meu povo antigo sempre diziam para termos plantas ou animais em casa, pois eles absorveriam as energias negativas e outros sentimentos menos nobres em relação a nós. 
Se alguém chegasse à nossa casa e logo ao entrar algo de vidro se quebrasse, seria porque esta pessoa estava carregada de energia ruim e o vidro teria absorvido uma parte dessa energia e assim evitando que nos contaminasse e à nossa casa.
Esse vidro do carro nunca teve problema e estava só um pouquinho abaixado; apertei o botão para subi-lo e ouvi um estalo: o vidro emperrou.
O mecânico conhecido me indicou conhecido dele que faz o serviço, mas ainda não deu para fazer.
Irei amanhã tentar fazer um saque no saldo especial e depois arcar com os juros altos.
Aconselham a usar os serviços das casas lotéricas, mas toda vez que vou lá tem um empecilho: só aceita recebimento de contas até tal horário; só pode fazer saque, incluindo pagamento de contas, até certo limite e por aí vai.
Os serviços são meio restritos e acabo indo à agência bancária mesmo.
Não estou reclamando, é só um desabafo bobo.
E quanto a questão animais e plantas para proteção, acredito que esteja bem protegida, graças a Deus, pois a gataiada e a Mata Atlântica que tenho aqui me asseguram disso. E tenho gente muito boa comigo. Amem.
Estou igual a um ioiô, têm dias que estou melhor e têm outros que estou tão cansada... E hoje é um desses dias.
É isso.


                                   
Pétala. Minha mais bela flor




                                    

quinta-feira, 6 de março de 2014

Papel Laminado

                                   


Vi uma folha de papel laminado sobre a mesa e viajei no tempo e no espaço.
O simples fato de ver algo desencadeia lembranças e memórias de uma infância curta, intensa e nem sempre feliz.
Eu adorava as aulas de Artes com a professora Dona Maria Eugênia, uma senhora elegantíssima e que usava o cabelo curto e alto. A molecada a chamava, escondido,claro, de Black Testão.
Hoje os alunos chamam os professores de nomes bem mais feios e ofensivos e isso sem se preocupar com respeito, em ir para a diretoria e/ou ter os pais chamados para conversar.
Adorava ir à pequena papelaria do bairro para comprar material escolar, principalmente material para as aulas de Artes: papel laminado a que também chamávamos de papel alumínio, papel crepom, cartolina, cola, guache, tinta para tecido, vidro etc...
Na época natalina íamos para a escola munidos de folhas coloridas de papel laminado: azul, verde, vermelho, amarelo, branco, rosa...
Fazíamos a bota do Papai Noel, sempre na cor vermelha, e colávamos algodão para fazer a barra. 
Fazíamos sinos de Natal e colávamos bolinhas coloridas; ficava tudo tão lindo.
Voltava para casa orgulhosa do meu trabalho artístico e colava nas paredes as decorações feitas por mim.
Eu adorava pintar vidro, tecido, gesso...
Adorava costurar à mão e sabia fazer alguns pontinhos básicos de crochê.
Às vezes penso e voltar a fazer alguma dessas coisas; não tenho muito talento e criatividade, mas são atividades que fazem um bem enorme á mente e alma da gente.
É isso.


                                    

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Flamingos

                                    



Eu gostava de observar as coisas; qualquer coisa, qualquer objeto, qualquer forma.
Adorava olhar, observar, analisar objetos feitos de vidro e tinha muita vontade e curiosidade em saber como aqueles objetos eram feitos.
Garrafas de vidro que armazenavam remédios e bebidas; eram todas atraentes para mim e aguçavam minha curiosidade. Como fizeram? Por que têm vidros claros e coloridos? Parecia um mundo diferente; será que teria alguém naquele mundo de vidro? Naquelas cores?
Ficava longo tempo segurando o objeto de vidro e imaginando como fora feito, como se chegou àquele formato. Era tudo tão bonito, diferente, instigante  e interessante para mim. Era apenas vidro. Coisas feitas de vidro.
Uma patroa de mamãe morava em um bela casa com muitos cômodos e eu ficava encantada com os bibelôs espalhados pelos móveis. 
Eu andava pelos cômodos da casa e parava na cozinha que era muito moderna para a época; era uma cozinha americana. Nunca tinha visto armários embutidos, nunca tinha visto fogão com botijão de gás, geladeira, liquidificador... tantos móveis e eletrodomésticos modernos; nossa casa era tão simples.
Nossos móveis eram simples: mesa, cadeira, cama, guarda roupa, fogão à lenha, "guarda comida" (armário da cozinha)...
Vasos pequenos e com cores peroladas nos quais eram colocadas flores aos pés dos santos. Eu observava aquelas cores que lembravam conchas do mar.
Da cozinha bonita eu observava o quintal, mas não ia lá fora. Tinha dois enormes cachorros pretos que ao me ver balançavam o cotoco do rabinho.
Eu ia para um quarto onde tinha uma cômoda cheia de bibelôs: bonequinhos, bailarinas, flores artificiais e flamingos de vidro.
Os flamingos eram de vidro transparente e tinham um leve toque rosado nas pernas e nas asas; aquilo me fascinava. Como moldaram o vidro naquele formato? Como colocaram cor dentro dos flamingos?
Eu viajava na imaginação, nas curvas e nas formas dos pássaros pernaltas.
Até hoje tenho um certo fascínio por objetos feitos de vidro, principalmente garrafas, e algumas vezes viajo no tempo e no espaço quando vejo um bonito objeto ou recipiente feito de vidro.
Comprei azeite de oliva turco envasado em uma bela garrafa cujo formato remete à cultura do país; olivas (azeitonas) e folhas esculpidas no vidro... voltei no tempo.
Será que as pessoas se perguntam como as coisas são feitas? Como chegou-se ao formato daquele determinado objeto? 
Mamãe trabalhava na casa, conversava com a patroa, me dizia para não mexer em nada, me mandava ficar sentada quietinha  e que logo iríamos para casa, mas eu queria ficar no quarto com os flamingos de vidro.
Eu achava que tinha alguém morando ali dentro daquelas curvas, daquelas formas vítreas.
Eu queria que os flamingos de vidro fossem meus.
É isso.



                                        

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Corte

                              


Levantei cedo para por o lixo fora; o caminhão do lixeiro passa entre sete e sete e meia da manhã.
Carrego o saco pesado e de repente sinto uma picada no dedo, deixei pra lá, achei que foi apenas o saco de lixo que encostou no meu pé.
Fecho o portão e volto para dentro e percebo um caminho de pegadas sanguinolentas. Havia cortado o dedinho do pé esquerdo e nem senti!
Tenho pouca sensibilidade nos pés e tenho dificuldade em sentir o pelo fofo de meus gatos quando os toco com os pés.
Tinha sangue do quintal dos fundos até a garagem e era bastante. Como um corte no dedinho do pé pode sangrar tanto?!
Limpei o chão de depois tomei banho para lavar o ferimento que ainda sangrava muito. Fui depois à farmácia do Pedro, nosso velho conhecido, e ele fez um curativo com uma pomada "boa", segundo disse. 
Se tiver algum problema nessas vinte e quatro horas, devo ir ao Posto de Saúde para tomar injeção antitetânica. Tomara Deus que nenhum problema surja nas próximas horas nem nas seguintes.
Acho que fui desatenta, pois sabia que havia vidro quebrado no lixo e mesmo o embrulhando tão bem para não machucar o lixeiro.
Acho que a desatenção foi fruto da preocupação e problemas porque passo; não está fácil não.
Mas eu vou sair dessa!
Sou Leão do Norte e já comi toucinho com mais cabelo!
É isso.

                   
                                

domingo, 22 de abril de 2012

Vidro

                                             


Quando somos jovens não queremos ouvir conselhos, críticas e opiniões dos mais velhos por nos acharmos donos da verdade e julgarmos os mais experientes como caretas e ultrapassados.
Mas tempos depois a vida nos dá umas boas porradas e aí nos munimos do "Ai, se eu soubesse".
Se ouvíssemos antes e respeitássemos, talvez fossemos criaturas melhores e o mundo seria um lugar melhor. 
Mas...
Não estamos aptos e preparados para um mundo melhor; precisamos melhorar a nós mesmos primeiro e é aí que está o problema.
Bom...
Meu avô Paipreto dizia: "A amizade muito fina é igual ao vidro, quando quebra não tem reparo. É para sempre".
As pessoas muitas vezes confundem amizade com liberdade e metem os pés pelas mãos quando o assunto é relacionamento; seja este amoroso, familiar, de trabalho, de amizade...
Todo mundo é muito bacana, muito legal, muito lindinho, muito perfeito até prova em contrário. Passar um fim de semana junto ou um feriado prolongado é uma coisa, agora conviver diariamente com manias, hábitos e costumes é outra coisa bem diferente!
As máscaras caem e revela-se nossa verdadeira face.
Sei de pessoas que eram carne e unha com a outra; comiam no mesmo prato e por alguma razão não esclarecida, tornaram-se inimigas mortais. A amizade que era fina demais, quebrou-se.
Estranho muito quando as pessoas dizem muito facilmente "amo" ou "odeio" algo ou alguém. 
Para mim, amor e ódio são sentimentos extremos, fortes, violentos e só podem ser ditos se de fato sentidos. Mas hoje em dia dizer "Eu te amo" ou "Eu te odeio" virou o mesmo que dizer "Eu vou tomar banho ou trocar de roupa".
É isso.