Mostrando postagens com marcador canção de ninar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador canção de ninar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Manjericão

                              


Levantei para aproveitar enquanto temos água e coloquei roupas na máquina.
Dormir por aqui é meio complicado: insônia, as dores na coluna e pernas, um maluco beleza que puxa uma carroça de madrugada e falava sozinho e os vizinhos da casa ao lado, que conversam até as duas horas da manhã. O povo mora junto e conversa o dia todo! E a noite também. Que tanto assunto é esse?!
Bom... Fiz café e tapioca, alimentei a gataiada e fui estender as roupas no varal; caí.
As pernas fracas não aguentaram e caí com o edredom sobre meu campo de manjericão. Atingi também uma bonita touceira de quebra-pedra.
O sol, a chuva e o tempo juntos desgastam os varais e os gatos também contribuem para com esse desgaste natural.
Agradeci ao manjericão pelo apoio fofo de suas folhas e me desculpei por ter-lhe amassado e machucado; me desculpei com o quebra pedra também.
Levantei com as pernas trêmulas e o coração acelerado. Agora essa.
Deixei as tarefas domésticas para descansar um pouco e até que os batimentos cardíacos desacelerassem.
Estou melhor e vou fazendo as coisas no meu ritmo lento; daqui a pouco a água acaba mesmo.
Estava meio triste e arretada ontem; ouvi Rock 'n' Roll. Hoje estou mais disposta, apesar de o corpinho acromegálico não cooperar muito. Ouvi canções de ninar africanas, belíssimas.
Tem tanto o que fazer... Casa grande, pouca água, pouca saúde...
Mas estamos na luta. 
Desistir nunca, retroceder jamais! Ou é ao contrário?
Sei lá.
É isso.


                                      

domingo, 10 de junho de 2012

Prenda Minha

                                       


Fomos ao concurso/desfile de Beatriz e ela ficou em terceiro lugar. Tão linda.
Nos divertimos muito e até ganhamos CD´s dos cantores jurados. Ou seriam jurados cantores?
Rafaela passou de mão em mão ou de tio em tio, veio comigo e não estranhou.
Balancei-a em meus braços e cantei uma canção de ninar:


"Vou-me embora, vou-me embora prenda minha
tenho muito o que fazer
vou para o rodeio prenda minha
nos campos do bem querer..."


Rafaela me olhou com seus belos olhos negros de jaboticaba e sorriu.
Voltamos para casa e a cantoria continuou no carro; cantei para Rafaela uma velha canção de ninar que cantava para o seu pai. Eu tentava fazê-lo dormir para poder ir para a escola, mas Fubá era esperto e percebia quando eu ia sair e não dormia de jeito nenhum. 
Rafaela me olhava e mexia a boquinha tentando fazer um lá lá lá meio improvisado.
A velha canção de ninar é originalmente em francês, Frère Jacques, e em inglês recebe o nome de Brother Jhon e é assim:


Em Francês:


Frère Jacques, frère Jacques,Dormez-vous? Dormez-vous?Sonnez les matines! Sonnez les matines!Din, dan, don. Din, dan, don.


Em Inglês:


Are you sleeping? Are you sleeping?
Brother John, Brother John
Morning bells are ringing
Morning bells are ringing
Ding, ding dong... ding, ding, dong


Em Português:


Você está dormindo, você está dormindo
Irmão João, Irmão João?
Tocam os sinos da manhã
Tocam os sinos da manhã
Din, den, don...din, den, don






Eu, Rafaela e Vinícius: Prendas Minhas
                                            





terça-feira, 15 de maio de 2012

Frio

Chuva e frio em São Paulo
                                                  
Chuva e frio em São Paulo e no Sul do Brasil. Temperaturas abaixo de zero em cidades de Santa Catarina.
A gataiada fica toda encolhidinha e se aconchega da melhor maneira possível, só saem para comer e ir ao banheiro.
Levantei-me cedo, como sempre faço, completei minhas tarefas e deite-me no sofá para assistir ao jornal matinal; adormeci. 
Sou acordada por Aurora e volto para cama; o sofá é muito desconfortável e eu fico dolorida quando me levanto.
Adormeço novamente - dormir à prestação é minha especialidade - e tenho um sonho estranho: Minha irmã Rosi está na cozinha preparando tapiocas enquanto meu cunhado Pepê raspa cocos para acompanhar, minha sobrinha Beatriz está em meus braços e eu canto uma canção de ninar para ela. Dali a pouco chega minha irmã caçula, Renata.
Estamos todos na cozinha comendo tapiocas com coco fresco e eu comento com Rosi que as tapiocas dela estão bem redondinhas e grossinhas, se parecem com as que comemos em Alto da Sé de Olinda. Ela coloca um pote de sorvete sobre a mesa e meu irmão Naldão se apodera do pote e coloca quase todo o conteúdo em uma enorme tigela já cheia com tapioca e coco ralado; fica só um pouquinho de nada de sorvete no pote. 
Mostro o pote à Rosi e ela diz: "Não adianta, Rejane! Falar com o Naldão é perda de tempo, ele não se convence, não aceita e não quer ouvir!". 
Naldão nada dizia, nos olhava com olhos tristes e eu olhava para ele com aquela tigela enorme.
Eu comecei a comer uma tapioca, dei um mordida e parei para me dirigir até a janela da cozinha, acima da pia, onde minha irmã Rosi estava atarefada. Um grande lobo negro se aproximava e tentava entrar pela janela enquanto eu tentava fecha-la. Eu puxava as lâminas da janela e fechava de um lado mas abria do outro. O lobo ficou do lado de fora, não conseguiu entrar.
Saímos da cozinha e entramos em uma cozinha maior ainda, com uma pia enorme cheia de legumes, verduras, frutas e muitos alimentos cozidos; Naldão estava lá. Mamãe também. Eu ficava desesperada, queria que mamãe falasse com Naldão, que o fizesse entender que ele está se matando, está se devorando; ele devora a comida e a si próprio!
Se mamãe falasse com ele, talvez ele ouvisse e atendesse a seus pedidos. Mas mamãe ficou brava comigo e disse: "Seu irmão não tem jeito não".
Acordo com o barulho do caminhão que passa rápido e balança a casa. 
Acordo com a gataiada à minha volta, todos encolhidinhos, manhosos, dengosos, charmosos.
É isso.


                                     

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rafaela

Filha de Fubá, meu irmão caçula.
Rafaela chegou ao mundo segunda-feira dia 26/09.
Já trouxe consigo a marca da família: seriedade, cenho franzido e invocadinha.
Segurei-a nos braços, cantei uma velhíssima canção de ninar que cantava para embalar o sono atribulado de meu irmão, principalmente quando ele percebia que eu ia sair.
Fiz uma oração, um pedido a Deus, aos céus e ao povo lá de cima: cuide de nossa família, cuide de Rafaela. Que ela tenha o coração bom, um bom caráter; que seu caminho seja iluminado, que tenha saúde, que seja feliz e proporcione felicidade àqueles que a cercam.
Deus, é mais uma para Sua lista de cuidados e mimos. Sua orelha vai arder de tanto eu cochichar em Teus ouvidos e pedir por mim, por minha família e por quem precisa. Ouça-nos. Não nos faça ouvidos moucos.
Se estiver ocupado, delegue a alguém a função sagrada de cuidar de nós. Tem gente muito boa aí, eu sei.
Dai-nos o que pedimos,o que precisamos. Se não for possível termos tudo de uma vez, dai-nos aos poucos, de bocado em bocado até conseguirmos o que queremos. E quando conseguirmos, não nos esqueçamos de agradecer e pedir por aqueles que ainda não conseguiram.
Amém.
Obrigada, Deus. É Nóis!