Mostrando postagens com marcador Esquenta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esquenta. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de novembro de 2013

Nublado

                                   



Domingo nublado, o tempo mudou mesmo.
Daqui a pouco milhares de carros congestionarão as estradas no caminho de volta para casa. É São Paulo. São Paulo é assim.
Como dizia papai: "Tem jeito não".
Levantei tarde, fiz café, alimentei os gatos, faço uma coisa ou outra pela casa, sentei-me para assistir ao Esquenta, escrevo ao mesmo tempo que afasto os gatinhos que já exploram tudo à volta.
Os danadinhos completaram um mês dia quinze e já estão bem espertinhos. Pétala está se tornando uma gata linda, esperta, inteligente e corajosa.
Aldebarã não fica atrás, mas é mais cauteloso.
Clara Blue é mais observadora, analisa bem a situação e depois parte para a ação.
Boreal, a jovem mãe, está enciumada e me olha com olhos pidões. Dou-lhe carinho e atenção.
Está um dia lindo: cinzento e chuvoso.
Gosto de dias dourados de sol e de dias cinzentos e chuvosos. E por que não?
Nem tudo são flores, nem tudo são cores. Cada dia, cada coisa, cada pessoa é único em seu jeito único de ser.
Estou só. Gosto de ficar só. Só não gosto de me sentir só.
É meio estranho, mas fácil de entender. Talvez...
Comprei terra, vou arrumar meu pinheirinho de Natal. 
Meu jardim está tão lindo. Simples e lindo. Não tem plantas caras e/ou da moda, tem apenas plantas. 
Galhos e mudas comprados, "roubados", tirados daqui e dali e colocados na terra... Cresceram e se transformaram em belas, simples e viçosas plantas.
Gosto do que é simples e natural.
Boldo, maracujá, bonina, flor de maio, suculentas, palma (cactus), Maria Pretinha, cróton, azaleia, samambaia, avenca... 
São algumas das plantas que compõem meu jardim.
Vou cuidar e me preocupar com aquilo que posso cuidar e às vezes mudar.
Cuido do meu jardim e mudo algumas plantas de lugar.
Não posso cuidar das pessoas e mudá-las ou moldá-las ao meu bel prazer, então o melhor e deixá-las seguir seus caminhos como melhor lhes aprouver.
A gente faz o que pode, mas ninguém pode mudar ninguém nem o mundo.
Cada um faz a sua história.
Eu faço a minha.
É isso.


                                      

domingo, 2 de junho de 2013

Spaghetti, Rock, Leão do Norte e Calango

                                 


Chove, muito frio, gataiada encolhida, Rosinha no meu colo e Alice ao lado sobre seu inseparável cobertor azul.
Fiz meu café forte e doce na medida, fiz torradas com meu pão de soja e aveia, bagel também. 
Penso em preparar um macarrão, um spaghetti com molho de tomates frescos, bem madurinhos. Apenas cebola, alho, tomate, sal e azeite de oliva. Nada químico, artificial e que "ofenda o istambo da gente", como diria papai.
Papai não gostava de molho de tomate pronto que à nossa época era chamado de extrato de tomate. Hoje há uma infinidade de marcas, temperos e sabores.
Papai dizia que o extrato de tomate era muito azedo (ácido) e "atacava" o estômago dele, causava-lhe azia e má digestão.
Levantei-me um pouco tarde, hoje é domingo, detesto domingos. Deus me perdoe, diria mamãe.
Zapeava pela TV, como sempre faço. Nada que preste. Gosto da Regina Casé e acho que o programa dela, "Esquenta", é um excelente veículo de divulgação de outras culturas, culturas de massa. 
O programa mostra a música, a dança, a cultura e a própria existência de outros grupos sociais que ficam escondidos nos morros cariocas, no interior do país e nas periferias das grandes cidades.
É um trabalho muito bacana que o programa e a Regina Casé fazem. Mas confesso que admiro o trabalho dela e o programa, mas não posso dizer o mesmo das músicas que lá são tocadas/cantadas. Na boa e com todo o respeito.
Não me apetecem as músicas horrendas com sílabas repetidas à exaustão por grupos de moleques do morro. Inferno ter que ouvir o tal do "leleque, leque, leque...". Jesus tenha piedade. Amém.
E os tais dos bondes então. Para mim, bonde era um meio de transporte inicialmente puxado por cavalos. Aí me colocam umas criaturas estranhas rebolando e dão-lhes o nome de "bonde das maravilhas". Que bonde? Que maravilha?!
Não, não dá. Respeito, mas não dá.
Continuei zapeando e paro num canal que nunca vira antes, o canal BIS. Para mim bis é um delicioso wafer coberto com chocolate.
Paro no tal canal ao ver Simon & Garfunkel cantando ao vivo "Like a bridge over troubled water". Lindo!
Depois cantam e tocam brilhantemente U2, Bruce Springsteen, Metallica, Ozzy Osbourne, Jeff Beck, um estupendo guitarrista, Sting, Mick Jagger, B.B.King e outros "velhinhos" da boa e velha música mundial. Rock, Metal, Folk Song, Pop...
Música boa tocada e cantada por gente talentosa de verdade. A música atual anda tão repetitiva e chata, não à toa grandes sucessos de décadas atrás são regravados com nova roupagem e são usados em abertura de novelas.
Foi muito bom ver e ouvir os bons, ainda mais em um frio e chuvoso dia de domingo.
Estou melhor hoje, tomei os remédios e ando com mais liberdade e segurança. Sempre digo que sou Mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte, mas ultimamente estou mais para Calango do Sertão.
Vou alimentar meus tigres disfarçados de gatos e preparar meu macarrão com molho de tomate natural.
Esse texto ficou meio maluco, não ficou?
É isso.

Calango
                                     



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Fazer

                              

Já fui chamada de radical, inclusive por meus professores.
E sou radical assumida, declarada, juramentada e outros "adas".
Explico.
Sempre procurei e procuro respeitar a Língua Portuguesa, seja no falar ou no escrever. Gosto de ler e leio desde pequena e acho que é por isso que implico com erros tolos e toscos cometidos pelas pessoas.
Dá até raiva ver coisas como: "Vai faze(r), Deixa te protege(r)..."
Sempre "comendo" a letra "R" do Modo Infinitivo. Já falei sobre isso aqui.
Alguns dos meus professores diziam que as pessoas não usam a norma culta da língua e sim a norma não culta. Tá.
Mas o problema é que vejo essas aberrações linguísticas escritas por estudantes de Direito, Enfermagem ou até mesmo por profissionais de outras áreas como Engenharia, Informática etc...
Bom...
A minha nova implicância é quanto ao uso do verbo "fazer" no lugar de outros verbos que eram adequadamente usados para dar sentido à frase. É a mais nova invencionice criada para parecer mais moderno, bacana, legal e detonar a língua. Explico.
Assistia ao programa "Esquenta" da Regina Casé, gosto muito dela, e ela falava sobre como pacientes com câncer são às vezes culpados pela doença que têm. Eu li artigo no New York Times e no Estadão falando sobre isso.
Regina Casé disse: "Alguém chega pra você e diz que fulano fez um câncer. Imagina! Ninguém faz um câncer, ninguém escolheu ter câncer!".
Concordo com ela, mas não entendi bem o que fazia ali o verbo "fazer".
A pessoa, o paciente tem câncer, tem gripe, tem pressão alta, tem diabetes...
A pessoa, o paciente não faz câncer, não faz gripe, não faz pressão alta, não faz diabetes...
Se tivéssemos esse poder de fazer alguma coisa nesse sentido, certamente faríamos a cura de todos os males e de todas as doenças.
Li agora a pouco a postagem de uma pessoa que fala sobre a necessidade de tomar a vacina da gripe, como é popularmente chamada.
Ela escreveu: "Já fiz a vacina e acho que todos vocês deveriam fazer também".
Acho que ela quis dizer: "Já tomei a vacina e acho que todos vocês deveriam tomar também".
Eu não faço vacinas, não sou bioquímica, não sou formada em farmácia, medicina ou o que valha. Não tenho formação para isso.
Eu tomo vacinas.
Mania besta que o povo tem de mudar a língua sem se preocupar se isso está correto ou não. Basta um abestado falar qualquer porcaria e lá vai um famoso e repete isso e pronto, está na boca do povo, literalmente!
É por isso que implico mesmo. Pelo amor de Deus!
Estou com fome e acho que vou fazer um café, um bolo...
É isso.