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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tristonho

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Sol, chuva, vento frio.
Dia meio chato e triste.
Mais uma noite mal dormida e tudo devido ao fluxo, baile funk, e à uma sinusite/rinite/alergia. Passei a noite espirrando, com os olhos lacrimejantes e irritados.
Levantei cedo e fui para a sala; liguei a TV e assisti aos telejornais. Começa o Mais Você e Ana Maria Braga entrevista os babacas do BBB; desliguei a TV. Lixo não!
Levantei, cuidei dos gatos e fiz meu café.
Fui lá fora para colocar a comida e a água dos bichos de rua e encontro inúmeros folhetos e panfletos de pizzarias, restaurantes, churrascaria e até comida japonesa e chinesa. Peguei todos e me assustei com os altos preços cobrados. Um prato com picanha custando quase noventa reais?! Quanto custa o quilo da carne?
Semana passada, a Páscoa, foi a semana do peixe e eu gosto muito, principalmente de bacalhau e sardinha.
Abusei do chocolate e refrigerante e fiquei meio mal. Hiper, mega, power, plus glicemia. Está tudo bem agora.
Anoitece. Chove. Vento frio.
Mais um dia tristonho.
É isso.



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segunda-feira, 24 de março de 2014

Furão

                                 


Fui ao Pet Center da Marginal Tietê para comprar o saco de dez quilos de ração para os gatos e comprei também, como sempre, ração molhada e areia sanitária.
Parei por um momento próximo ao aquário para ver o tubarão preguiçoso e os simpáticos peixinhos, principalmente o meigo e sorridente baiacu. Sempre uma simpatia, essa criaturinha.
Vi coelhos fofinhos, é tempo de Páscoa e a venda desses bichos aumenta, ariscos e lindos.
Páscoa é época de chocolate, olhando por uma óptica comercial e deliciosa e sem envolver questões religiosas, e não da venda de animais inocentes que se transformarão em um problema após a passagem do feriado. A animação é apenas antes e durante, mas depois que acaba, as pessoas caem na realidade e percebem (!) que coelhinhos comem, fazem cocô, xixi, precisam ter suas gaiolas limpas etc... Melhor presentear com ovos de chocolate e coelhinhos de pelúcia.
Vou ao segundo andar para pegar a areia sanitária e lá estão filhotes lindos de cães e gatos à venda por módicos preços que giram em torno dos três mil reais. Acho isso tão desumano, cruel, insensível...
Cobram um preço tão alto por bichinhos fofinhos, mas os mantêm em uma jaula de metal frio. Solidão, tristeza, vontade de sair dali, brincar, correr em um espaço maior... 
Já falei sobre isso aqui, mas cada vez que volto ao Pet Center, saio de lá com o coração partido e desejando ser milionária. Rica não, milionária, é preciso ter muito dinheiro para fazer o que eu gostaria tanto de poder fazer um dia: comprar todos os animais e levá-los para um ambiente agradável, saudável e livre.
Aves, roedores, peixes, cães, gatos e furões. 
Vi uma simpática família de furões à venda e o preço de cada um era de aproximadamente quinhentos reais. Em que se baseiam para calcular o valor/preço de um animal?
Os furões são fofinhos, sapecas, ativos e muito bonitinhos, mas têm caninos afiados de um roedor carnívoro, como o é.
Vejo um gatinho cinzento deitado na caixa de areia e ao me aproximar ele se levanta, estica o corpo e arranha o vidro da jaula. Olha para mim e mia; ele queria sair dali. E quem não queria?
Fiquei com um sentimento de impotência e muita tristeza, mas fiz-me forte e disse ao lindo felino que um dia voltaria para buscá-lo. 
Claro que não tenho três mil reais para comprar um animal, sou contra a compra e venda de animais e preferiria usar o dinheiro com alimentação, cuidados médicos etc...
Fiquei pensando no gatinho cinzento que se parece muito com minha Clara Blue, minha Clarinha.
É isso.
                                   Clarinha


Gato Bengal

sábado, 30 de março de 2013

Feriadão

                              



Eu pretendia escrever nesses dias de feriadão, mas não deu. A pressão disparou e as dores de cabeça e nas juntas desembestaram.
Fui à farmácia e comprei meus medicamentos; já tomei alguns e agora sinto-me sonolenta.
Amanhã será melhor. Acredito.
Bom domingo de Páscoa a todos.


                                

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Casa de Beatriz

        



Fui hoje à casa da minha irmã Rosi; almoçamos e comemos o delicioso bife preparado por meu cunhado Pepê.
Pepê faz um tempero salgadinho e delicioso e sua farofa é sucesso na família.
Depois de muito tempo sem beber, tomei uma Malzbier, a cerveja preta, e dizem que ela é boa para o fígado. Foi só por esse motivo que tomei, claro.
Minha falecida prima Sônia nos mandava comprar "Malzebier", como ela dizia, e a tomava misturada a ovos crus; que nojo!
A prima Sônia dizia que fazia um bem muito grande para a saúde. Muito obrigada, só a cerveja, sem os ovos, por favor. A não ser que usemos os ovos cozidos ou fritos na farofa, aí sim, dou valor!
Antes de almoçar comi umas batatinhas de festa; sabe aquelas batatas bolinha cozidas com a casca e depois temperadas e curtidas? Delícia.
Mais tarde comi um pedaço de pudim de leite que meu cunhado comprou na padaria; estava muito bom.
Hoje abusei bastante, mas amanhã é granola com leite de soja e arroz integral. É preciso manter o corpinho acromegálico em forma, o excesso de peso piora o problema. Mas a Páscoa está chegando...
No final da tarde minha sobrinha Beatriz volta da escola e fazemos a lição de casa juntas. A ajudo a cortar os numerais de zero a nove para colar na apostila, lição de matemática. Depois pintamos os carrinhos da atividade proposta. 
Beatriz disse que os números poderiam ser cortados das revistas velhas da Avon e da Natura, pois nelas têm os preços dos produtos. Menina esperta, puxou à tia.
E foi isso.
Voltei para casa e encontrei a gataiada esfomeada, dei-lhes ração e agora estão todos felizes a correr pra lá e pra cá a bagunçar pela casa.
Às vezes é bom sair de casa por algumas horas, parece que voltamos mais leves, principalmente após brincar com a pequena gataiada da minha irmã e com minha terrível, inteligentíssima e linda sobrinha Beatriz.
É isso.






terça-feira, 17 de abril de 2012

Angústia

                                        


Sempre que volto para casa sou recepcionada por meus seis gatos. Da rua já posso escutar seus miados e preciso abrir a porta cuidadosamente para não machucá-los, pois estão todos atrás dela.
Voltei ontem da consulta com o ortopedista e ao abrir a porta vi apenas cinco dos meus seis gatos; faltava Branca Maria.
Bateu um desespero, uma angústia.
Meu Senhor do Bonfim, cadê minha gata? Será que foi sequestrada? Será que foi para longe? Será que caiu em algum quintal? Será que algum cachorro a pegou? Será que alguém muito malvado a pegou? Tem muita gente ruim nesse mundo, Minha Nossa Senhora das Candeias.
Liguei para minha irmã Rosi e ela me acalmou dizendo que a gata deveria estar passeando pelos telhados afora e logo logo voltaria.
Fui ao quintal, chamei por Branca e nada. Pergunto ao simpático vizinho que ouve músicas rimando filhinho com leite Ninho e ele me respondeu perguntando: "É aquela gata branca grande que fica correndo por dentro dos telhados, é?"
"É sim"
"Vi não"
"Obrigada"
"De nada. Oxe!"
Fui preparar o jantar: arroz integral com legumes cozidos e suco de melancia; abusei muito do chocolate nesses dias de Páscoa.
Vou ao quarto e lá vejo Branca Maria toda suja e encardida a olhar para mim e a miar, como quem estivesse explicando uma arte feita.
Dei-lhe uma bronca e a alertei sobre os perigos que corre ao andar pelos telhados alheios.
Mas o mais importante foi ver Branca Maria sã, salva e suja. Ela estava mais para Encardida Maria.
A angústia teve fim, graças a Deus.


                                         

domingo, 8 de abril de 2012

Bar da Tia Anália

                                             


Domingo de Páscoa.
Não gosto muito de domingos, causam-me certa melancolia.
Fez um dia muito quente, sol forte, calor; esperei o entardecer para sair um pouco e passear pelas ruas do bairro, como eu sempre gostei de fazer.
Passei em frente à Paróquia Santa Rita e estranhei vê-la fechada em pleno domingo de Páscoa. Segui em frente e passei pelas ruas que costumava passar quando criança; a parentada morava espalhada pelo bairro.
Passei em frente ao que um dia foi a casa de tia Anália, com suas plantas, seus crótons e seu pé de pitanga.
Chegávamos à casa da tia e ela nos mandava comprar pão e leite tipo C para o café da tarde. A padaria ficava longe, mas os bares e botecos próximos vendiam pão e leite, o que facilitava a vida de muita gente.
O bar próximo à casa da tia ficou conhecido como o "bar da tia Anália" e ela achava muita graça quando falávamos assim.
A casa que tia Anália morou é hoje um prédio cinzento e tristonho, bem diferente do seu quintal florido, mas o "Bar da tia Anália" continua o mesmo.


                                             

quarta-feira, 7 de março de 2012

Páscoa & Sonho de Valsa

                                              


Chegamos a São Paulo na época da Páscoa.
Desconhecíamos o hábito de dar e comer ovos de chocolate. Para nós a Páscoa era celebrada com idas à igreja, missas e comer muito peixe seco cozido no leite de coco. 
Na Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão não se comia carne vermelha, falava-se muito pouco, não se trabalhava e tudo era feito com cuidado. 
A limpeza da casa só podia ser feita depois do meio dia; nem mesmo varrer o chão era permitido.
Comer também era proibido, exceto para idosos, crianças, enfermos e mulheres paridas.
Mamãe, Mãevelha e meu Paipreto tinham profundo respeito pelo feriado religioso.
Às seis horas da tarde íamos à missa e quando voltávamos para casa teríamos a Ceia de Páscoa: peixe cozido em leite de coco, mungunzá (canjica) cozido em leite de coco e amendoim e cuscuz com coco; tudo era feito com coco.
Eu adorava participar dos preparos e adorava tomar a água de coco e observar meu avô raspar rapidamente e habilmente o fruto. 
Mantínhamos as mesmas tradições e rituais da Páscoa aqui em São Paulo.
Tínhamos uma prima que estava em São Paulo a algum tempo e ela trabalhava num apartamento como diarista. Nossa prima era noiva de um rapaz cearense muito ignorante e trabalhador. Ninguém é perfeito.
Nossa prima me leva para passar alguns dias com ela no apartamento e eu fiquei encantada com aquele tipo de moradia; achei legal, diferente, chique e coisa de gente rica, como dizia papai.
Uma noite nossa prima desce para a portaria do prédio para encontrar o noivo; ele tinha em suas mãos dois embrulhos bonitos envoltos em um cintilante e alegre papel cor de rosa.
O que seria aquilo?
Nossa prima abre o embrulho e me mostra um ovo de chocolate bem cheiroso.
Me encantei com o cheiro do chocolate e com o casal dançante no embrulho cor de rosa.
Que lindo!
Eu olho para o ovo de chocolate sem saber o que fazer e a prima disse que é para comer.
"Pode comer?"
"Claro que pode. É chocolate".
Eu só conhecia o achocolatado em pó que meu avô Paipreto adorava tomar com "leite de moça" diluído em água. Eu não sabia que tinha chocolate em outros formatos, tamanhos, tipos...
Me lambuzo com o ovo de Páscoa e guardo um pedaço para levar para meus irmãos, papai, mamãe e Mãevelha.
Peço à prima que me leve para casa, mas ela diz que não pode; está tarde.
"Iremos amanhã".
Levo o ovo de chocolate e faço a festa com meus irmãos.
E até hoje o ovo de Páscoa envolto na embalagem cor de rosa com casal dançante é o meu favorito. Era o Sonho de Valsa.


                                               

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Igreja Santa Rita de Cássia e os pães

                                            


Quando chegamos a São Paulo moramos por um mês na casa do tio Manoel Gomes, irmão de mamãe, e depois nos mudamos para nosso bairro.
Éramos vizinhos da Igreja Santa Rita, que na época estava em construção ou reforma; não sei dizer exatamente. 
Sei dizer que brinquei muito debaixo da igreja e sobre os montes de areia da construção.
Lembro que o piso da igreja ficava a mais ou menos meio metro do chão e as pessoas passavam por uma rampa para poderem entrar no recinto.
Hoje está tudo nivelado com a rua, mas naquela época o bairro sofria com as enchentes e a igreja está sobre um terreno que outrora fora charco e área de muitas chácaras, por isso a altura entre o chão e o piso da igreja.
Mãevelha e eu íamos sempre às missas e ela gostava de levar suas flores para o altar. 
Íamos sempre à missas dominicais, mas na época da Páscoa íamos a todas as missas que tivessem durante o dia. O motivo era a distribuição de pães.
Havia cestos de vime cheios de pães e o padre os abençoava e no fim da missa os distribuía às pessoas presentes.
Morávamos num barraco simples e muitas vezes esperávamos mamãe voltar do trabalho para sabermos o que iríamos jantar. Mamãe sempre dava um jeito; pedia emprestado a um vizinho ou a algum parente que morasse próximo.
Voltávamos com os pães para casa e papai ainda brincava: "E vocês vão pra missa de novo é? Vão ver o padre ou vão buscar pão?"
Mãevelha, sempre muito séria e religiosa, não gostava dos comentários engraçadinhos de papai e o recriminava: "O Dedé, tu deixe de graça, visse? E tu bem que come do pão, num é? Me arrespeite, homi".
E os pães da Igreja Santa Rita aliviaram nossa fome muitas vezes, graças a Deus.