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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cestas de Natal

                                 

Não pretendia sair hoje, estava envolvida em meus pequenos prazeres; arrumar meu pequeno, viçoso e lindo jardim, ouvir minha música, arrumar meus amados e preciosos livros.
Mas o pacote de três quilos de ração que comprei sábado passado já estava quase no fim e além do mais, eu havia prometido a meus gatos que hoje compraria a deliciosa e adorada ração molhada. Eles adoram.
Choveu, relampeou, trovejou e eu achei melhor esperar um pouco. Decidi apreciar a chuva molhando minhas plantas, um belo espetáculo. Sentei-me na cadeira e Morena Rosa veio ao meu colo, ficamos ambas nesse deslumbre.
A chuva para e saio.
Trânsito caótico pelas ruas do meu bairro, que valorizou muito e por isso o aluguel residencial aumentou muito. Se mandassem esses caminhões para longe, o bairro valorizaria ainda mais, pois liga as principais rodovias: Ayrton Senna, Via Dutra, Fernão Dias.
Bom...
Estacionei em frente ao Pet Shop e antes de descer do carro observo o vai e vem de pessoas saindo do trabalho e carregando alegremente suas cestas de Natal. Lembrei-me de papai chegando em casa com uma cesta de Natal e o precioso garrafão de cinco litros de vinho Sangue de Boi.
Era tanta alegria!
Abríamos encantados a cesta e queríamos saborear todas aquelas guloseimas meio estranhas para nós.
Era tão bom.
É isso.

                                

                                    

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sangue de Boi

                                                 




É uma marca de vinho.
Todo Natal papai ganhava uma cesta de Natal (sic) e um garrafão de cinco litros do vinho Sangue de Boi. Gostava da palha entrelaçada que envolvia o garrafão e que depois foi substituída por plástico.
O vinho era seco, forte e amargo e nós misturávamos açúcar, água e gelo e fazíamos um suco de Sangue de Boi. Era uma delícia! Dormíamos suavemente mesmo com o calorão de fim de ano e o zum zum das muriçocas nos nossos ouvidos.
Na cesta de Natal vinha também uma sidra a que chamávamos de "champanhe"; a garrafa da sidra tinha uma suculenta maçã estampada no rótulo e tinha os tipos rosé e branco. Adorávamos as duas!
Havia também na cesta natalina outras guloseimas que só víamos no final do ano: castanhas, doces, panetone, frutas secas...
Rosi e Rogério comiam o panetone mas tiravam as frutas cristalizadas. Justamente o que dá graça ao panetone.
Nos deliciávamos com as guloseimas e bebidas natalinas mas nosso favoritíssimo era o vinho Sangue de Boi.
Lendo esse texto alguém pode pensar que éramos alcoólatras mirins, mas achávamos normal entornar um "suco de vinho" e uma sidra geladinha, que para nós era suco de maçã gaseificado.
Falava com minha irmã Rosi sobre essa nossa época natalina e ela disse que não sabe como não nos tornamos viciados, junkies, malucos ou algo do gênero. Lembramos dos nossos cabelos ensopados com inseticidas que deixavam os piolhos agoniados, e nós também!
Papai e mamãe fumavam e eram duas Caiporas que consumiam mais de dois maços de cigarro por dia e nem por isso nenhum de nós adquiriu o horrendo hábito de fumar.
Inseticida, cigarro, sidra e vinho Sangue de Boi...
Passamos por tudo isso e continuamos normais (!)
Como disse Einstein: "Tudo é relativo".
PS: Falo sobre "causos" da minha família e não faço apologia a nenhum tipo de vício que prejudique a saúde de quem quer que seja.