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quarta-feira, 30 de julho de 2014

De boa

                              



Dor de cabeça besta, de novo.
Pressão alta, como sempre.
Joelho entrevado, duro e dolorido.
Efeitos colaterais dos remédios, arrumam uma coisa e pioram outra.
Mas tomá-los é preciso.
Está uma tarde belíssima e aproveito para dar uma geral básica, sem exageros, pela casa, aproveitar o sol para secar as roupas, podar algumas plantas...
Minha Pétala faz jus ao nome e pensa que é uma flor; sobe nas plantas, cava, quebra, brinca com os botões da rosas...
Minhas baby roses estão lindas, tanto a amarelinha clara como a vermelha intensa como sangue e vinho. Viajei!
O rádio está ligado e ouço o bom e velho Rock 'n' Roll. Sem muito alarde, sem muito barulho, sem muito exagero. Toco para eu ouvir e não para os vizinhos ouvirem, como muitos o fazem. Nossa!
Loretta em meu colo, após muitas artes, brincadeiras, correrias e ataques. Já anda melhor e manca menos, graças a Deus.
O meu amor pelos animais e meu modo simples de vida deve incomodar as pessoas. Gente amarga, vazia, fria, preguiçosa e que gosta de viver de oferenda igual a santo.
Estou na minha. Saio para trabalhar e fazer o que preciso, volto para casa, me tranco e vivo minha vida. Vou lá fora para colocar o lixo, atender aos entregadores de ração, a moça do Yakult, o carteiro... Não fico em calçada papeando com vizinhos, tenho mais o que fazer!
Acho que isso incomoda a vizinha amarga que levou o pé na bunda e o ex a trocou por outra mais jovem e bela. "Si ferrô!"
Como dizem os alunos: "Tô de boa" e sigo minha vida simples e com alguns muitos problemas: muitas contas, contas atrasadas, ração acabando, problemas de saúde se intensificando e eu pedindo a Deus para não piorar e ter que voltar para o hospital. Não, definitivamente não!
A vizinha amarga diz para todos que passam na rua que irá me denunciar por ter muitos gatos e isso porque ela tem um cachorrinha que vive no meu portão pedindo comida!
Bom, se tirar animais da rua, alimentá-los, protegê-los, cuidar deles e amá-los for crime, então pegarei prisão perpétua!
Está em mim, nasci com esse amor aos animais e às coisas da Mãe Natureza e só posso lamentar o fato de as pessoas se incomodarem com isso.
Essa vizinha amarga bate nos gatos e joga água quente neles, acho que isso consiste em crime!
Bom...
Vou continuar fazendo as pequenas coisas que gosto: escrever, cuidar das plantas e talvez fazer um bolo de chocolate ou um brownie.
A história do brownie é interessante e vem lá das terras dos antigos celtas, segundo li.
O brownie é um bolo de chocolate com sabor intenso e é o favorito das crianças que já vieram ou ainda virão a esse mundo. Elas ficam observando e brincando enquanto esperam o bolo ficar pronto. Adoram se lambuzar com o chocolate e não gostam de ganhar brinquedos ou outras coisas como presente, adoram brownie com forte sabor de chocolate.
Adoro lendas, contos e mitos de outros países e culturas.
É isso.



                                 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Produção

                                   


Já falei aqui sobre a rápida e descartável produção de celebridades atualmente.
Parece que basta a pessoa filmar qualquer coisa e lançar na Internet que em questão de tempo se transformará na mais nova sensação celebrativa. 
Semanas atrás um dos vizinhos fez uma festinha em sua casa; aliás, toda semana tem uma festinha com música pegajosa, churrasco e muito barulho.
Primeiro fui obrigada a ouvir, pelos menos umas três vezes seguidas, o inefável CD do Carrossel. 
Na boa, criança cantando é bonitinho só para os pais e familiares verem e ouvirem, já gravar discos...
Depois do Carrossel ouvi uma meia dúzia de vezes o tal do "Prepara..."
Não conhecia a dona da voz até que a vi em entrevista para Marília Gabriela. É uma moça bonita, jovem, carioca e funkeira e atende pelo nome artístico de Anitta com dois "tês".
Entendi.
Vi a entrevista e continuei ouvindo "prepara" por meio dos Gadgets dos alunos e pelo vizinho. 
Dias depois vejo a imagem dessa moça em quase todos os canais abertos e me surpreendeu vê-la na campanha do Criança Esperança.
Parece que até mesmo emissoras de TV tradicionais com a Rede Globo têm sede, fome e uma tremenda necessidade e interesse em mostrar gente que faz sucesso para aumentar os pontos de audiência.
Parece também que o padrão de qualidade dessas emissoras caiu bastante, pois basta alguém fazer sucesso na web e logo aparecerá em programas de TV.
Tive um dia estafante e muito estressante hoje e obviamente a cabeça dói. Volto para casa e ligo a TV; hoje tem CQC. Gosto do programa.
Mas eis que a ubíqua Anitta estava lá também!
Nada contra essa moça, mas me incomoda essa fome desesperada de se mostrar e ser visto e não importa o "talento" da pessoa, o que importa mesmo é que ela tenha bombado em algum veículo da mídia. 
Fama, sucesso, dinheiro, futilidade, pobreza intelectual e cultural e o povão aplaudindo.
Quando começarão a distribuir pão e vinho? O circo já está armado faz tempo!
É isso.


                                      


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cestas de Natal

                                 

Não pretendia sair hoje, estava envolvida em meus pequenos prazeres; arrumar meu pequeno, viçoso e lindo jardim, ouvir minha música, arrumar meus amados e preciosos livros.
Mas o pacote de três quilos de ração que comprei sábado passado já estava quase no fim e além do mais, eu havia prometido a meus gatos que hoje compraria a deliciosa e adorada ração molhada. Eles adoram.
Choveu, relampeou, trovejou e eu achei melhor esperar um pouco. Decidi apreciar a chuva molhando minhas plantas, um belo espetáculo. Sentei-me na cadeira e Morena Rosa veio ao meu colo, ficamos ambas nesse deslumbre.
A chuva para e saio.
Trânsito caótico pelas ruas do meu bairro, que valorizou muito e por isso o aluguel residencial aumentou muito. Se mandassem esses caminhões para longe, o bairro valorizaria ainda mais, pois liga as principais rodovias: Ayrton Senna, Via Dutra, Fernão Dias.
Bom...
Estacionei em frente ao Pet Shop e antes de descer do carro observo o vai e vem de pessoas saindo do trabalho e carregando alegremente suas cestas de Natal. Lembrei-me de papai chegando em casa com uma cesta de Natal e o precioso garrafão de cinco litros de vinho Sangue de Boi.
Era tanta alegria!
Abríamos encantados a cesta e queríamos saborear todas aquelas guloseimas meio estranhas para nós.
Era tão bom.
É isso.

                                

                                    

domingo, 15 de julho de 2012

Pelas ruas que andei

                                       


Detesto fins de semana, principalmente os domingos.
Para mim representam lentidão, solidão, esquecimento, abandono... sei lá.
Eu antes tinha o hábito de andar pelas ruas do bairro nos fins de tarde; adorava.
Hoje não dá para fazer mais isso, meus joelhos inchados e gorduchos e minha coluna cheia de parafusos dificultam minha mobilidade, que ficou reduzida após tudo isso.
Deitei no sofá e liguei a TV, mas estava difícil ouvir, os vizinhos disputavam a potência de seus aparelhos de som: um tocando sertanejo-romântico-de-dor-de-corno e outro tocando pseudo forró. Sou radical nesse ponto, assumo. Forró para mim é Dominguinhos, é Luiz Gonzaga e não esse povo entalado que se esgoela sobre o som irritante, repetitivo e imutável do sintetizador. 
Levantei-me, coloquei a gataiada para dentro e saí sem destino.
Era uma tarde belíssima; céu azul, sol, nuvens branquinhas.
Gosto de fazer isso, gosto de dirigir sem destino.
Subi a ponte Aricanduva, entrei na Assis Ribeiro e fui até o fim dela, beirando a linha de trem; romântico, melódico, coisa simples e antiga. As casas simples, umas em cima das outras, a urbanização sem projeto, feita ao sabor da necessidade e sem nenhuma preocupação com o trânsito, a segurança, nada. 
Alguns trechos me lembraram cidades do Nordeste. Saudades.
Termina a Avenida Assis Ribeiro e começa a Avenida São Miguel, depois a Avenida Amador Bueno da Veiga, na minha querida Penha. Dei um rolê pela ZL (zona leste).
Voltei para a ZN (zona norte) e subi as íngremes ruas da Vila Medeiros e do Loretto. Fui a um mercadinho de uns portugueses velhos e comprei vinho português, claro, queijo, pão e azeitonas. 
Voltei para casa e no caminho encontro meu irmão Rogério; levei-o ao trabalho, no Mercadão da Penha.
Voltei para casa com meus joelhos doloridos e as pernas adormecidas: "Parei por hoje".
Tomei um banho e depois saboreei as delícias portuguesas com certeza.
Assisti depois ao Globo de Ouro e me diverti com a breguice das roupas e dos cabelões da época. Angélica gorducha e cabeluda, Lulu Santos com as calças debaixo do peito e acima dos tornozelos, outros cantores e grupos que eu nem lembrava que um dia existiram.
Fui para a cama. Dormi. Acordei com cor de cabeça e de estômago; haja água de coco até o dia dois de agosto quando finalmente passarei em consulta. Amém.
Amanheceu um domingo frio e cinzento. 
Fiquei em casa. Fiquei mais tempo na cama com meus gatos encolhidos e aconchegados sobre e sob os cobertores.
Amanhã a correria recomeça e é disso que eu gosto.
Estou cansada.




                                   

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mulheres de Atenas... João & Maria

Ânfora Grega
                                                 
Ouvia "Mulheres de Atenas" de Chico Buarque e imaginava um grupo de mulheres vestidas em trajes típicos das deusas gregas caminhando até uma vila e carregando ânforas cheias com água e vinho e todas elas tinham antenas.
Achava que a música era "Mulheres de Antenas"
Ouvia "João e Maria" nas vozes de Chico Buarque e Nara Leão e achava estranho eles cantarem "Agora eu era o rei e o meu cavalo só falava inglês...E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz".
Imaginava reinos, princesas, cavalos falantes, pessoas felizes...
Cavalo falando? E ainda em inglês?!
Eu e minha rica imaginação.
Gostava da voz frágil e pequena de Nara Leão.
Gosto das composições inteligentíssimas de Chico Buarque.




Chico Buarque & Nara Leão
                                          





segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sangue de Boi

                                                 




É uma marca de vinho.
Todo Natal papai ganhava uma cesta de Natal (sic) e um garrafão de cinco litros do vinho Sangue de Boi. Gostava da palha entrelaçada que envolvia o garrafão e que depois foi substituída por plástico.
O vinho era seco, forte e amargo e nós misturávamos açúcar, água e gelo e fazíamos um suco de Sangue de Boi. Era uma delícia! Dormíamos suavemente mesmo com o calorão de fim de ano e o zum zum das muriçocas nos nossos ouvidos.
Na cesta de Natal vinha também uma sidra a que chamávamos de "champanhe"; a garrafa da sidra tinha uma suculenta maçã estampada no rótulo e tinha os tipos rosé e branco. Adorávamos as duas!
Havia também na cesta natalina outras guloseimas que só víamos no final do ano: castanhas, doces, panetone, frutas secas...
Rosi e Rogério comiam o panetone mas tiravam as frutas cristalizadas. Justamente o que dá graça ao panetone.
Nos deliciávamos com as guloseimas e bebidas natalinas mas nosso favoritíssimo era o vinho Sangue de Boi.
Lendo esse texto alguém pode pensar que éramos alcoólatras mirins, mas achávamos normal entornar um "suco de vinho" e uma sidra geladinha, que para nós era suco de maçã gaseificado.
Falava com minha irmã Rosi sobre essa nossa época natalina e ela disse que não sabe como não nos tornamos viciados, junkies, malucos ou algo do gênero. Lembramos dos nossos cabelos ensopados com inseticidas que deixavam os piolhos agoniados, e nós também!
Papai e mamãe fumavam e eram duas Caiporas que consumiam mais de dois maços de cigarro por dia e nem por isso nenhum de nós adquiriu o horrendo hábito de fumar.
Inseticida, cigarro, sidra e vinho Sangue de Boi...
Passamos por tudo isso e continuamos normais (!)
Como disse Einstein: "Tudo é relativo".
PS: Falo sobre "causos" da minha família e não faço apologia a nenhum tipo de vício que prejudique a saúde de quem quer que seja.