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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Toucinho

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Finalmente o tão esperado quinto dia útil do mês. É, mas alegria de pobre dura pouco e o salário desse mês não vai ser suficiente, também, para pagar todas as contas.
É tanta coisa junta... Haja saúde física e emocional para aguentar o tranco. Se eu ainda tivesse saúde boa, eu trabalharia e isso aliviaria os problemas.
Estou cansada de ficar trancada dentro de casa por dias e dias e só sair quando vou ao médico ou à casa da minha irmã, e olhe lá.
Tenho pensando tanto, filosofado e buscado respostas nas mais variadas filosofias, crenças, religiões etc... Todas têm algo útil e bom a dizer, mas não respondem à todas as perguntas, infelizmente.
Umas dizem que fiz algo de muito errado em outra vida e estou pagando nessa porque não deu tempo de pagar tudo na primeira. Caramba! O que foi que eu fiz?! Matei alguém?!
Não posso pensar em algo mais grave, sério, desumano e cruel que tirar a vida de outra criatura, seja ela humana ou animal.
E na boa, se eu fiz algo de errado, foi na outra vida, não nessa! Sempre fui honesta, trabalhadora, quieta no meu canto, nunca prejudiquei ninguém e nunca peguei nada do que não me pertencesse. Por que então?!
Outras dizem que é um processo evolutivo e que é necessário passar por isso. Caramba de novo! Tenho me que lascar tanto para evoluir? Tenho que me converter à uma determinada religião para ser salva? Salva do quê? Dos meus problemas? 
Só quero ter o direito de ir e vir, de ter uma saúde boa, de trabalhar, de viver minha vida, de não ser tratada e julgada como inútil, inválida e incapaz.
Não sou.
Me dediquei tanto aos outros, sempre tratei a todos como frágeis e extremamente carentes e dependentes de mim. Sempre me achei a grande mãe de meus irmãos e de todos que uma vez outra precisaram de mim. Sempre coloquei a vida e os problemas dos outros à frente dos meus; eu não era tão importante assim e poderia viver minha vida depois, sempre depois.
Tento escapar da tristeza profunda, da melancolia sedutora e da depressão devastadora e elas me cercam.
Mágoas, decepções, injustiça, ingratidão, dificuldades...
Será que não teria sido melhor se eu não tivesse voltado do coma? 
Mas dizem que dias melhores virão, que toda essa fase ruim vai passar, que coisas boas estão a caminho. Tomara meu Deus, tomara. Acho que tu me deve essa.
Gregor Samsa, Tântalo e Sísifo me representam. Nesse momento, sim.
É bobagem a gente esperar que os outros façam e ajam de acordo com nossos princípios, crenças e vontades. Cada cabeça, uma sentença, já dizia mamãe.
Decepções, mágoas e tristeza disputando meu coração com colesterol alto e triglicérides. Eita!
Será que o coração acromegálico vai aguentar?
"Guenta sim! Eu já comi toucinho com mais cabelo!", diria mamãe.
Mas o toucinho estão tão cabeludo!
É isso.

      
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Coração

                                  


Fui ontem à perícia médica do Estado e fui examinada por um médico muito simpático e educado; raridade.
Nunca tive muita sorte com médicos, principalmente os peritos. A maioria me olha com desconfiança e me trata com frieza e isso quando já não dizem logo de cara: "Não é comigo".
A perícia foi na unidade pedagógica da Leste 1, na minha querida ZL. Antes era tudo concentrado na unidade do Glicério e era horrível. Nos sentíamos como animais indo para o abate.
Bom...
O médico examinou minhas pernas, meus joelhos e me orientou. Fez perguntas sobre minha saúde em geral, sobre as cirurgias que fiz e demonstrou preocupação. Mostrou-se surpreso com o fato de eu ainda trabalhar apesar de todos os problemas de saúde que tenho.
O doutor educado me ajudou a levantar da cadeira, pois eu não conseguia. Não tenho impulso e as pernas fracas doem e pesam demais.
Foi tudo bem, até mesmo a manobra na contramão que o taxista fez para eu poder entrar. A unidade de perícia fica em rua de ladeira e de muito movimento de carros; não tem faixa para pedestres e nem farol/sinal. Atravessar ali requer muito cuidado e não é adequado para quem tem mobilidade reduzida.
Terminada a consulta com o perito, fui até a recepção e pedi para a mocinha ligar para o taxista. OK. 
Aguardava e começo a me sentir muito mal. As bolinhas de luz flutuavam na minha frente, um mal estar terrível, ânsia de vômito e fortes dores na mandíbula e braço esquerdo: sintomas de um enfarte/enfarto. 
Pressão muito alta, 19x13, e o taxista que não chegava nunca.
Falei para a médica também simpática que eu não me sentia bem e ela me ajudou. Ir para o hospital? Do extremo da ZL para a Zona Sul e numa sexta-feira com trânsito carregado? Enfarto por aqui mesmo.
Tomei os remédios e aguardei até melhorar um pouco. O coração batia violentamente, como se estivesse sendo estrangulado por uma mão muito forte e tentasse se libertar; sensação angustiante, meu Deus.
Comecei a melhorar e o taxista me trouxe para casa. Deitei e fiquei o resto da tarde assim. Levantei e tomei uma sopinha leve de fubá, estava sem comer nada desde de manhã. Tomei banho e voltei para a cama.
Não assisti TV, não vi nada e nem fiz nada, eu estava brutalmente exausta e o braço esquerdo e a mandíbula ainda doíam. Meu Deus.
Acordei de madrugada com as pernas doendo muito, mas eu não podia tomar os anti inflamatórios. O jeito foi massagear as pernas com óleo de cânfora e arnica.
Adormeci com a gataiada preocupada à minha volta; eles sabem quando não estou bem.
Cérebro, ossos e coração... E o pulso ainda pulsa.
Fiquei em casa. Queria ver alguns móveis, principalmente uma estante maior, com minha irmã mas não deu.
Meus preciosos livros estão acumulados pelos lugares mais improváveis da casa e estão pegando umidade; uma pena.
E por falar em livros, ganhei da Silvia, minha grande incentivadora para este humilde blog, um livro que queria muito: "O Capa Branca". Livro que relata a experiência de um funcionário de um manicômio que se tornou paciente.
Tenho atração pela loucura e por todas as dúvidas, dores, frustrações e tudo o que perturba e anima a alma humana.
É isso.



                                   

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mão no coração

                             


Alunos chegam mais cedo e pedem para entrar, mas não pode, só quando bater o sinal.
"Deixa nóis entrar, tia".
"Não posso. Vocês vão aprontar, seus danadinhos"
"Nóis vai ficar quieto, tia. De verdade"
"Prometem mesmo? Então botem a mão no coração e prometam que vão se comportar".
E não é que botaram mesmo?!
Tão bonitinhos.
Saudades.
É isso.


                               

terça-feira, 1 de julho de 2014

Quartinha

                                   


Estava uma tarde tão bonita e ensolarada, mas agora esfriou bastante.
Como diz minha irmã Rosi, os gatos são termômetros precisos e, se ficam quietinhos e procuram um cantinho quente para ficar, é porque está frio mesmo.
Minha gataiada está espalhada pela casa e alguns ao meu lado e atrás de mim, deitados no encosto do sofá e apoiando os corpinhos peludos nas minhas costas. São folgados e gostam do quentinho.
Falei agora a pouco com minha tia Dolores, saudades!
Tia Dolores tem a voz e o tipo físico igualzinho ao de mamãe e quando ela fala "Oi, filha", até dá um baque no coração, como diz tia Antônia. Haja coração!
Terminei de falar com a tia e me abateu uma saudade mesclada com melancolia... Por que as coisas não são como a gente quer?
Por que mamãe teve que ir tão cedo e tão repentinamente?
Por que perdi minha saúde?
Por que não sou como antes? Eu fazia tanta coisa e tinha pique para muito mais.
Hoje ando com auxílio de uma bengala e têm épocas que entrevo bastante e preciso de ajuda para levantar, andar... 
Saudades do tempo em que fazia minha caminhadas aos fins da tarde, era tão bom, tão bucólico, tão bonito.
Têm horas que me revolto, fico brava e até xingo sozinha. Quero levantar para atender ao telefone e/ou a campainha, mas até chegar lá, a pessoa já desligou ou foi embora.
Já falei para família e conhecidos que quando for assim, liga em seguida ou aguarda mais um pouco na calçada que eu vou atendê-los. O percurso do quintal até o telefone na sala ou até a porta para ver quem toca a campainha equivale a uma curta maratona para mim. Chego ofegante e não encontro mais ninguém.
Sou ágil, lépida e fagueira como uma tartaruga manca.
Mas tem gente que parece não entender; não tem paciência e vai embora logo em seguida e depois reclama que não me achou em casa ou que não atendi ao telefone. Se a pessoa esperasse um pouco mais...
O tempo passou rápido hoje. Não saí de casa, mas resolvi bastante coisa pelo telefone, que está uma porcaria, diga-se de passagem. A telefonia nesse país está muito fraca e falha e não pagamos nada barato pelos serviços porcamente prestados.
Vou tirar a roupa do varal, parece que vai chover. E permita Deus que chova mesmo, estamos precisando de chuva, de água.
Estamos recebendo água do "volume morto" e é uma água escura, espumante, estranha. Nem coloquei essa água esquisita para meus gatos, coloquei água da moringa, que no Nordeste chamamos de "quartinha".
Acabou meu amaranto e hoje vou fazer mingau de aveia.
É isso.


                                   



                                      


                                      


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Coração

                                  



Há semanas que não venho me sentido bem e fico naquela de "amanhã eu vou ao médico, depois de amanhã eu vou..."
Fui domingo ao Carrefour da Vila Maria para comprar a ração da gataiada e descer do carro e caminhar alguns poucos metros até o carrinho de compras foi um sacrifício. Meu Deus, como demorou. 
Finalmente cheguei até o carrinho e entrar no hipermercado foi outro suplício, andar pelos corredores à procura dos produtos a serem comprados foi outro suplício e tanto, meu Deus.
Uma comprinha básica que deveria durar alguns minutos durou uma eternidade e enquanto eu ia empurrado aquele carrinho que parecia tão pesado para mim minhas pernas pesavam toneladas; como se tivessem pesos presos a elas.
Finalmente termino as compras e vou até a área dos restaurantes e peço uma água, sento-me para descansar e começo a passar mal. Tontura, sudorese, fraqueza, cansaço brutal.
Descanso um pouco e vou até o carro com as compras. Não vejo a hora de chegar em casa e me deitar.
Chego em casa e por debaixo da porta vejo as patinhas impacientes a me esperar. Entro em casa e todos correm que nem loucos atrás, miam como se não comessem há dias!
Estão comendo mais nesse tempo frio, parecem felinos maiores e não doces e inocentes gatinhos.
Os alimentei e apenas guardei o que era de geladeira, para não estragar: iogurte, manteiga...
Há tempos reclamo de cansaço, de peso nas pernas, de fraqueza.
Finalmente fui ao hospital ontem e minha irmã Rosi me acompanhou. Chegamos lá às três da tarde e saímos às onze e pouco.
Hospital Aviccena, na Rua Padre Adelino, Moóca.
Tudo ia bem, fazer a ficha e aguardar ser chamada pelo médico não demorou tanto, em se comparando ao Hospital Nipo Brasileiro, cuja espera mínima é de três ou quatro horas, foi até rápido demais.
O médico me chama, me manda para medicação e lá é inserido em minha veia uma quantidade grande de remédios que goteja lentamente. Lá pelo meio da medicação começo a passar mal, tonturas, fico pálida, cansaço, falta de ar e a pressão abaixa demais. Estranhei, pois sou sempre tão hipertensa.
Faço sinal para um grupo de médicos e uma médica bem novinha me atende. Peço para me deitar, meu corpo está cansado e quero me deitar um pouco. Peço para a enfermeira, para outra e só ouço "um minutinho".
Peço que chamem minha irmã e peço a ela que pelo amor de Deus fale com a médica e me arrumem um leito para eu deitar. Fiquei um bom tempo nessa agonia.
Um leito surge, ufa!
Deito e me sinto bem melhor. Aquelas poltronas reclináveis são boas para quem vai tomar um medicamento rápido e pronto; deveria haver mais leitos disponíveis para quem passa mal. Tão óbvio.
A sensação de se deitar quando o corpo pede é tão boa. 
Dali a pouco um enfermeiro pergunta se estou com frio e vai procurar um cobertor, mas estão todos em uso. Ele consegue um lençol, o dobra e me cobre. Agradeci.
Melhoro, graças a Deus.
A jovem médica me orienta, conversa com minha irmã e me dá alta. Diz para eu procurar um cardiologista para manter o tratamento cardiológico. Coração "véio" pede arrego.
Disse a ela que mudei de convênio médico recentemente e ainda não encontrei um bom cardiologista. Não quero voltar ao médico com corpinho de caminhoneiro, ele é meio grosseirão e não confio em profissionais da saúde que são obesos, fumantes ou ambos.
Fui me deitar à três da manhã. Voltei meio tonta ainda e me sentei no sofá. Esperei um pouco e fui tomar banho. Tive ânsia e muito cansaço.
Me deitei e às cinco e meia, tradicionalmente, sou acordada pelos vizinhos barulhentos que acordam o bebê, que trocam o bebê, que gritam como bebê, que falam alto e que finalmente saem, graças a Deus.
Levantei e fui para a sala assistir aos jornais matinais, a TV no quarto não funciona.
Acabou e voltei para a cama, deitei e adormeci. Acordei à dez horas com o toque do telefone e a pessoa do outro lado da linha queria falar com um pessoa com um nome bem estranho. Já estou cansada desses telefonemas e por mais que diga que "não tem ninguém com esse nome", as ligações continuam a incomodar.
Ia sair hoje, mas decidi "aquietar o faixo". Fiquei em casa, fiz algumas coisas, fiquei só, não me estressei e descansei. Amém.
Amanhã estarei bem melhor e farei minhas coisas.
É isso.






terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vontades








Ando com muitas vontades. Acho que falei sobre isso aqui, mas o tempo passou e as vontades continuaram e aumentaram.
Vontade de tomar guaraná, vontade de comer pastel da feira ou o pastel de bacalhau do Mercadão, vontade de tomar caldo de cana, de comer pudim de padaria, de mousse de limão e mousse de maracujá, de bolo de araruta...
Muitas vontades.
Às vezes acordo de madrugada com uma vontade desesperada de comer doce, mas resisto à tentação e tomo água.
Não sei de onde vêm essas vontades, mas não saem da minha cabeça.
Se eu fosse uma pessoa "normal", não acromegálica, jovem e envolvida em um relacionamento amoroso, diria que as vontades teriam um motivo ou origem, mas como não tenho ninguém, eu levo essa vida assim tão só...
Só tenho o amor dos meus gatos e às vezes me sinto tão carente que se fosse à uma churrascaria e o garçom perguntasse: "Coração?", eu diria: "O que foi, amor".
Não, não. É apenas vontade mesmo, ou "bicha", como se dizia antigamente.
Amanhã, depois do sol baixar e antes da chuva despencar, difícil, pretendo procurar uma Casa do Norte no bairro da Vila Sabrina. Disse minha irmã Rosi que lá deve ter araruta; sinto o gosto do bolo na boca só de pensar na dita cuja.
Espero que nessa Casa do Norte eu seja melhor tratada e que as pessoas não se encolham em um canto como se esperando pelo ataque de um animal feroz que acaba de adentrar ao recinto. Sou humana e acromegálica, que culpa tenho eu?
Oxe, vão se lascar bando de ignorantes preconceituosos! Com todo respeito, claro.
E amanhã também preciso comprar o saco grande de ração para os gatos, comprar de quilinho, como dizia mamãe, não rende nada e acaba logo, que o diga meus oito felinos famintos e lindos.
É isso.






sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Carinho

                            

Fui a três farmácias no bairro para comprar meu remédio para controle da hipertensão e nenhuma delas tinha o que eu queria; fui à Droga São Paulo, na Vila Maria e encontrei.
Eu havia ido à drogaria da Vila Maria no feriado e não tinha o medicamento, o motivo alegado foi que era feriado e não haviam feito reposição dos remédios. 
Legal. Então quer dizer que durante feriados ninguém fica doente, ninguém nasce, ninguém morre e os problemas também tiram folga?
Passei pela ruas paralelas à Avenida Guilherme Cotching e vi casas antigas e ainda sobreviventes ao boom imobiliário de prédios. São casas simples, com quintal grande e muitas plantas. Senti saudades dos tempos antigos.
Volto para casa e encontro no caminho uma aluna minha, Isabel.
Isabel é uma aluna exemplar, educada, gentil, estudiosa e gostava de me ajudar a fazer a chamada e a colocar as informações na lousa.
Ela sempre pergunta quando eu voltarei para a escola e eu não vejo a hora.
Aproximo da minha rua e vejo de longe a molecada jogando bola, diminuo a velocidade e peço para tirar os cones que bloqueiam a rua; dois deles vêm ao meu encontro: "Oi, professora, tudo bem com a senhora? Quando a senhora volta?"
Perguntei se eles estavam indo bem na escola e se as notas eram boas; pelas carinhas que fizeram...
Tão pequeninos, tão lindinhos e tão danadinhos.
Eu disse: "Vão para casa direitinho, seus terríveis"
Eles sorriram e eu fiquei com um aperto no coração.
Tanto cabra safado com saúde e eu batalhando pela minha. Mas ficarei bem, tenho fé.
Claro que nem tudo são flores; têm aqueles alunos maldosos, cruéis e preconceituosos, mas eu pego a melhor parte e as coisas boas e as uso como minha ferramenta de trabalho.
Estou doida para voltar a trabalhar e estudar, e vou conseguir.
Amém.

                             

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Coisas do Amor - Eu te amo

                                  

Sou da época em que dizer "Eu te amo" significava "Eu te amo".
Hoje está tudo muito prático, rápido e descartável e as pessoas dizem "Eu te amo" o tempo todo, para qualquer um e qualquer coisa.
Trabalhei com uma moça que tinha o coração mais volúvel que já conheci; ela namorava um rapaz e dizia que o amava e semanas depois terminaria o namoro com o fulano e engatava um novo namoro com o ciclano, e, claro, o amava também.
Sei lá...
Acho que pode-se amar mais de uma vez, mas as pessoas estão amando mais de uma vez por semana.
Lembro de um entrevista com um ator brasileiro em que ele diz que é possível amar  mais de uma vez e mais de uma pessoa, não sei se concordo.
Amar mais de uma vez, sim, mas amar mais de uma pessoa... acho que não.
Tem uma frase do ator americano Johnny Depp que diz: "Se você acha que ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se você realmente amasse a primeira, não teria uma segunda opção".
Meu sobrinho Demétrius é um eterno apaixonado e vive postando frases muito bonitinhas e bem escritas, apesar de algumas vezes omitir acentos gráficos... coisas do amor.
Ele diz: "O amor agora tem prazo de validade"; "Ser feliz sozinho pode ser difícil, mas acredite, com a pessoa errada é impossível".
O negão lindo diz isso do alto de seus quinze para dezesseis anos; é muita experiência e vivência amorosa para saber e sofrer as dores do amor. 
O amor dóis demais...
Fico observando o comportamento por meio das postagens escritas por adolescentes que se julgam muito experientes, muito vividos e sofridos pelas cosias do amor. São adolescentes que escrevem: "Cansei de sofrer! Não quero mais saber de amar ninguém! A vida acabou pra mim!".
Meu, os pirralhos mal saíram das fraldas e acham que sabem tudo.
É engraçado, em alguns momentos, mas tem hora que irrita. Na boa.
Quero ver esses pirralhos se preocupando com os ipês: IPVA, IPTU, IR, aluguel, alimentação, trabalho e todas essas coisas chatas e obrigatórias com as quais os adultos têm que lidar. Aí sim, poderão reclamar da vida sofrida e do mundo cruel em que vivem.
Ah... Esses moços, pobres moços...

                              Esses moços, pobre moços - Lupicínio Rodrigues

Ah se soubessem o que eu sei

Não amavam não passavam
Aquilo que eu já passei

Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam 
Que há um lindo futuro
Só o amor
Nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu 
Por ser escuro
E vão ao inferno 
À procura de luz

Eu também tive 
Nos meus belos dias 
Essa mania que muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia
E essas rugas 
O amor me deixou

Esses moços, pobre moços
Ah se soubessem o que eu sei








quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Perdidos

                                     

Estava na casa da minha tia Antônia em Buíque, Pernambuco.
A tia riscava moldes de roupa que seriam costuradas a seguir, a tia é ótima costureira.
Mamãe sai do banho e tia Antônia a chama: "Marlene, minha irmã, tu sabe quem se perdeu-se?"
"Sei não, minha irmã. Quem foi? Diga!"
"Foi a filha de fulana. Perdeu-se mais o namorado faz é tempo, visse? E não é de hoje não, já faz tempo que ela não é mais moça"
"E como tu soubesse, Antônia?"
"A mãe me ligou e me contou. Quando eu soube, chega me deu um baque do coração. Meu Cristo!".
E as duas conversavam...
Entrei na conversa, era "inguinórança" demais!
Disse: "Como eles se perderam? Tomaram o ônibus errado? E por que ela não é mais moça? Por acaso virou menino?! E o que é que tem demais? Vão casar mesmo, já compraram os móveis, já marcaram a data do casamento. Vocês duas estão velhas e ultrapassadas!"
Vixe!
Levei broncas de mamãe e de tia Antônia e por pouco não levo uns tapas.
E o sermão prosseguia defendendo a tese de que as pessoas devem segurar o fogo da paixão e esperar até o dia do casamento, que isso, que aquilo.
Curioso, as moças devem manter-se castas, mas os rapazes podem pegar geral!
Direitos iguais ontem, hoje e sempre!
Abaixo a "inguinórança" machista!
É isso.


                                     
                                    

terça-feira, 24 de julho de 2012

Hipertensão/Pressão Alta

                                                  
                 
Sou hipertensa.
Recentemente tenho estado hiper-mega-super-plus-hipertensa.
A pressão alta afeta rins, coração, cérebro e é causa de inúmeros problemas de saúde que podem até levar à morte.
A pressão alta somada a outros fatores contribuíram para com a morte prematura de mamãe, ela tinha apenas cinquenta e cinco anos.
A Acromegalia também intensifica os problemas já existentes, ela piora o que já é ruim.
Fui ao bairro da Vila Maria para resolver algumas pendências mas tive que voltar para casa, comecei a me sentir muito mal e a pressão ficou muito alta e tive uma sensação de desmaio. É uma agonia, um mal estar tremendo e pensei comigo: "Meu Deus, será que eu vou morrer?.
Não, agora não. Ainda tenho muito o que fazer.
Não posso ir agora; penso nos meus gatos, nos meus livros, nas coisas que quero realizar, nas viagens que quero fazer. Ainda mais agora que resolvi deixar meu lado Gregor Samsa e pensar em mim, viver por mim. A vida toda me anulei e me preocupei com os outros, com a fragilidade dos outros, em resolver o problemas dos outros porque me achava forte e responsável pela vida dos outros. Não sou super-humana, sou apenas demasiadamente humana.
Os outros vão bem, obrigada. Os outros vivem suas vidas, continuam fazendo suas burradas e a vida continua. Comigo ou sem migo os outros vivem muito bem.
Não estou me tornando uma pessoa má, sempre fui boazinha demais e aí está meu erro. Ajudar sim e quando realmente necessário, mas virar capacho de gente folgada exploradora não dá! Papai dizia: "Se fazer de morto pra comer o fiofó do coveiro".
Vou cuidar de mim. Eu morro e a vida continua, tudo e todos continuam.
Bom...
Preciso voltar à cardiologista que terá vaga na agenda só em setembro. Tentei agendar consulta com outros médicos, mas a maioria deles não aceita mais meu plano de saúde e/ou mudou de endereço. Como diz meu sobrinho Vinicius: "Que doga!"
Isso porque eu pago convênio médico há uma década, imagine se fosse pelo SUSI (SUS), como dizia papai?!
Que país é esse que cobra as maiores taxas de juros e impostos do mundo e que não investe em saúde, educação, transporte e outras coisas importantes para o bom funcionamento de uma nação?!
A corrupção rouba tudo.
Vou tomar mais uma dose do remédio anti-hipertensivo, tomar meu banho noturno e me agasalhar com minha gataiada.
Vou viver muito ainda.
Vou trabalhar, viver, lutar e ser forte que nem uma cavala, como diz minha sobrinha Beatriz.
Vou ver todos meus sobrinhos e sobrinhas cidadãos de bem, formados, lindos e com uma vida honesta, digna e boa.
Amém.


                                          

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Coração

                                           

Corinthians X Santos pelas semi finais da Libertadores. Haja coração, minha Nossa Senhora!
Minha irmã Rosi disse que sou uma Corinthiana fajuta, que não conheço os jogadores, que não sei a escalação do time, que não acompanho os jogos...
Mas não é isso não, é para proteger meu coração.
É muita emoção, agonia, sofrimento, desespero, paixão. Haja coração mesmo! E o meu não é lá grande coisa, já passou por uma parada cardíaca-respiratória e está cheio de colesterol, isso sem contar os sentimentos, as mágoas, as coisas boas, as não tão boas que ele tem que aguentar. Mas meu coração é forte, graças a Deus.
Uma vez uma colega da faculdade me perguntou: "Como alguém pode-se dizer maloqueiro, sofredor e dar graças a Deus por isso?! Como alguém inteligente como você pode torcer pro Corinthians?"
"Só quem é Curinthia sabe. É paixão, devoção, é uma agonia..."
E não poderia ser diferente, quando chegamos ao nosso Santo São Paulo fomos morar na ZL e depois nos mudamos para uma rua bem atrás do Sport Clube Corinthians Paulista, do outro da Marginal Tietê. Mamãe olhava para o céu e dizia: "Vamos tirar a roupa do varal que a chuva tá lá no Corinthians". Sou mulher, nordestina, professora, acromegálica, maloqueira e sofredora, graças a Deus! Só podia ser Corinthians. Ainda flertei com o São Paulo Futebol Clube quando aqui cheguei, pois pensei que deveria torcer para o time que tem o mesmo nome da cidade que nos recebeu, mas não deu, a paixão foi e é mais forte: Vai Corinthians!
Neymar fez o primeiro gol e eu me peguei com São Jorge Guerreiro e disse: "Ajuda nóis aí, mano!".
São Jorge ajudou. Graças a Deus.
Salve Jorge.