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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Zoonoses


                                 


Amanhã fará uma semana que Boreal foi castrada e ela já corre, pula, chama e cuida de seus filhotes que crescem a olhos vistos.
Clara Blue, minha Clarinha, está enorme e quase do tamanho da mãe, que é de porte pequeno, mas ainda se comporta como um bebezão manhoso.
Em mais algumas semanas devo castrar os demais e a simpática e prestativa veterinária me deu dicas e orientações para protetores que cuidam de muitos animais. É assim que somos chamados: Protetores.
Adorei o nome e senti-me grande, boa, protetora. E eu sou, sem falsa modéstia, graças a Deus.
Meus pequenos protegidos estão terríveis e já quebraram boa tarde dos bibelôs que enfeitavam minha estante de livros. Morderam o fio da antena do stereo e tive que emendar os pedaços com Durex.
Bom...
Os veterinários do bairro pensam que estão nos Jardins e cobram caro por seus serviços e ainda querem vender ração top de linha. Comprei um pouco para experimentar, mas os gatos não gostaram muito e preferem a velha ração de sempre.
Descobri essa veterinária, que castrou Boreal, por meio de outra Protetora e por acaso é vizinha da outra rua. Mundo pequeno esse.
O preço da castração é de setenta e cinco reais (R$ 75.00), no meu bairro cobram o dobro, e para quem tem muitos animais, o mais recomendado é ir ao CCZ - Centro de Controle de Zoonoses que fica na Rua Santa Eulália, 86 no bairro de Santana, (mais próximo ao Carandirú) Zona Norte de São Paulo.
Deve-se levar RG, CPF, comprovante de residência e um Termo de Encaminhamento.
O termo de encaminhamento é um documento no qual deverá constar a lista de animas a serem castrados. A quantidade, a idade aproximada do bichinho e o nome dele. 
Por exemplo: "Clara Blue - três meses. Deve ser castrada para evitar que cruze com os gatos machos da vizinhança.
Pétala - três meses. Irmã de Clara Blue e deve ser castrada pelo mesmo motivo.
Aldebarã - três meses. Irmão de Pétala e Clara Blue. Deve ser castrado para evitar que cruze com as irmãs e até com gatos machos da vizinhança.
O limite é de dez animais e após ter feito esse processo, levar o documento expedido pelo CCZ ao veterinário afiliado à Prefeitura. 
Não tem custo e a castração é totalmente gratuita.
Espero ter ajudado.
É isso.


                                           

terça-feira, 8 de maio de 2012

Menino

Uma das cabras de Paipreto havia dado cria a dois cabritinhos, mas um deles nascera muito fraquinho e fora rejeitado pela mãe.
Mamãe ficou com dó e pegou o cabritinho para cuidar. Ela o alimentava com mamadeira e o bodinho cresceu, ficou forte e saudável.
Mamãe deu-lhe o nome de "Menino".
Menino acompanhava mamãe por toda a parte e atendia quando ela chamava: "Menino, vem cá, chegue".
Menino ia até mamãe, abaixava a cabeça e recebia um cafuné.


                                             

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Calibre

Sempre ouvia papai, meus avós e os familiares mais antigos usarem a palavra calibre para se referir ao tipo físico das pessoas.
"Fulano de tal come tanto e é magro que nem um pau de virar tripa"
"É o calibre dele. A pessoa já nasce com o calibre certo pra ser forte ou magro".
Forte significa pessoa um pouco (ou muito) acima do peso.
Não sei de onde vem o uso da palavra calibre para definir o tipo físico das pessoas. 
Vou pesquisar.


                                   

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sobrevivência

                                                


Euclides da Cunha, em seu livro "Os Sertões", disse: "O sertanejo é antes de tudo um forte".
Somos sertanejos, somos fortes. Viemos lá do Sertão pernambucano para vida melhor tentar em Sum Paulo. "Meu Santo São Paulo, como dizia mamãe".
Já passamos por muitos e bons bocados e isso prova nossa força, nossa sobrevivência: seca, fome, trancados em casa enquanto papai e mamãe trabalhavam, vigiados e guardados por um cachorro, trabalho, responsabilidades e... Produtos Químicos!
Explico.
Era comum a venda de produtos de limpeza por senhores que paravam sua perua na rua e ofereciam água sanitária (cândida), amaciante de roupas, detergente, desinfetante, cera, sabão etc... Hoje ainda existe esse tipo de comércio, mas está mais restrito a bairros distantes.
Há uma infinidade grande de produtos de limpeza vendidos em supermercados e que prometem limpeza, brilho, maciez num piscar de olhos. É.
Fomos expostos à toda sorte de produtos químicos disponíveis na época, fossem em forma de inseticida para matar piolhos e muriçocas, fossem em forma de produtos de limpeza.
Era inseticida, era cera que deixava nossas mãos vermelhas por uma semana, removedor que era usado antes de encerar o chão e que nos deixava tontos com o cheiro forte, sabonetes que nos davam coceira... E para completar a toxicidade química, papai e mamãe fumavam que nem duas Caiporas!
Mamãe ensopava nossos cabelos com inseticida e íamos para a escola muito doidões (acho que era por isso que mesmo com a vida dura que tínhamos, sempre tiramos notas boas).
Sexta-feira era dia de limpeza e lá íamos nós nos expor ao fortíssimo cheiro do removedor e depois manchar nossas mãos com cera em pasta; cera líquida ainda era pouco conhecida e era mais cara.
Lavar roupas com sabão em pó e cândida e ficar com as mãos secas e descascando.
Latas com soda cáustica para desentupir os ralos e fossas.
Álcool para limpeza de vidros e a fórmica dos móveis.
Lustra móveis para os de madeira.
E querosene também.
Sobrevivemos a tudo isso e acho que foi por esse motivo que não nos viciamos em bebida, cigarro e drogas ilícitas (só as lícitas: café, chocolate e cerveja).
Fomos expostos a tantos cheiros fortes e a tanta química que fomos naturalmente imunizados contra qualquer vício desse tipo. 
Ainda bem.
Sobrevivemos.


                                     

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mariana

Mariana era a mãe de papai.
Avó Mariana era uma mulher alta, forte e de pés grandes. 
Por ser muito alta, avó Mariana calçava números grandes. Era difícil encontrar calçados femininos acima dos números 37 ou 38. A solução encontrada por minha avó era usar os calçados de avô José, que era um homem alto. Ele sempre comprava dois pares de alpercatas (sandálias de couro), um para ele e outro para avó Mariana.
Nossa tia Nifa, irmã de avó José, nos contava que quando avô José e avó Mariana ficaram noivos e marcaram a data do casamento, a primeira providência da noiva foi a de encomendar os sapatos brancos, pois nem mesmo na capital Recife se achava calçados femininos de número grande nas lojas comuns.
Hoje em dia é mais fácil encontrar sapatos grandes, mas o problema é que os fabricantes se preocupam apenas com o comprimentos dos calçados e dos pés e não com sua largura. Tenho pés grandes por causa da Acromegalia, mas o problema não é tanto o comprimento dos meus pés e sim a largura.
Avó Mariana era acromegálica e por isso os pés grandes e a morte tão cedo.
Avó Mariana tinha apenas 36 anos quando partiu e segundo os relatos das pessoas que conviveram com ela, a causa de sua morte foi pneumonia. É estranho imaginar uma doença respiratória fazer vítimas em regiões quentes como Pernambuco. Atribuímos a doença a regiões mais frias como São Paulo.
Mas lembro-me agora que meu Paipreto (pai de mamãe) tinha alergia respiratória e tio José de Recife também tem.
Mas...A Acromegalia não contenta-se apenas em ficar alojada tranquilamente num tumor na hipófise (cérebro), essa doença afeta vários orgãos do corpo. As principais, segundo médicos, são doenças cérebrovasculares, cardiovasculares, doenças renais, diabetes, hipertensão, dores articulares, problemas de visão e por aí vai.
A Acromegalia cerca o corpo por todos os lados e varia de pessoa para pessoa.
Posso imaginar o sofrimento de Avó Mariana; as dores para sustentar um corpanzil de mais de 1.80m e numa época em que a altura das mulheres não passava muito de 1.60m. A falta de diagnóstico e de remédios. Numa época remota e num lugar remoto os remédios encontrados eram chás, garrafadas feitas com ervas, cascas de árvore e cachaça, benzeduras, promessas e esperança.
Mesmo nos modernos dias atuais ainda não foi encontrada a cura para a Acromegalia. São cirurgias, radiocirurgias, remédios etc, tudo usado para o alívio dos sintomas da doença, mas a cura que eu queria tanto...
Penso em avó Mariana com carinho, ternura, orgulho, admiração. Dó não.
Minha avó foi uma mulher forte, tanto fisicamente como em seu cárater sério, honesto e trabalhador. Ajudava meu avô na fazenda; ajudava com a criação e a plantação. Carregava peso que muito cabra macho franzino não conseguia carregar.
Sempre gostei de ouvir falar de minha avó e sempre carreguei comigo a promessa de que se um dia tivesse uma filha a ela seria dado o nome Mariana.
Mas me parece que a Acromegalia já me roubou mais uma Mariana.
Não tem problema. Não tenho minha Mariana, mas tenho Maria Julia, Beatriz, Maitê, Michelle, Giovanna e Rafaela, que acabou de chegar a esse mundo.
Bisnetas de avó Mariana.

Beatriz e Maitê