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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Da padaria

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Bati manga com leite e cozinhei mandioca. Tomates picadinhos com arroz branquinho. Muito bom.
Mas eu queria mesmo era um pão da padaria, talvez mais, com queijo provolone, salame, fatias finas de tomate e um copão de guaraná bem gelado.
Nessa minha vida reclusa, tenho me alimentado muito "natureba" e sinto falta de um pequeno exagero de vez em quando.
Estava meio triste e sei que a tristeza atrai coisas ruins; melhor pensar em coisas boas. Pensei.
Volto no tempo e me entrego às memórias e lembranças da minha curtíssima infância em Pernambuco, ao lado dos meus dois avôs que me amavam tanto.
As pessoas, principalmente os jovens, não têm paciência para ouvir os causos e histórias dos avós e parentes mais antigos; não sabem o que estão perdendo.
Cultura, História e conhecimento de mundo.
Bom...
Tristeza atrai coisas ruins, assim como mágoas e frustrações. Melhor deixar pra lá e seguir em frente. Sigo.
Não podemos mudar o caráter e o coração das pessoas, felizmente ou infelizmente. Melhor mesmo deixar pra lá e seguir em frente, o que é ruim se destrói por si mesmo, diziam meus antigos.
Acho que vou comer um docinho, só pra variar.
É isso.



                                      Resultado de imagem para docinhos

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vontades








Ando com muitas vontades. Acho que falei sobre isso aqui, mas o tempo passou e as vontades continuaram e aumentaram.
Vontade de tomar guaraná, vontade de comer pastel da feira ou o pastel de bacalhau do Mercadão, vontade de tomar caldo de cana, de comer pudim de padaria, de mousse de limão e mousse de maracujá, de bolo de araruta...
Muitas vontades.
Às vezes acordo de madrugada com uma vontade desesperada de comer doce, mas resisto à tentação e tomo água.
Não sei de onde vêm essas vontades, mas não saem da minha cabeça.
Se eu fosse uma pessoa "normal", não acromegálica, jovem e envolvida em um relacionamento amoroso, diria que as vontades teriam um motivo ou origem, mas como não tenho ninguém, eu levo essa vida assim tão só...
Só tenho o amor dos meus gatos e às vezes me sinto tão carente que se fosse à uma churrascaria e o garçom perguntasse: "Coração?", eu diria: "O que foi, amor".
Não, não. É apenas vontade mesmo, ou "bicha", como se dizia antigamente.
Amanhã, depois do sol baixar e antes da chuva despencar, difícil, pretendo procurar uma Casa do Norte no bairro da Vila Sabrina. Disse minha irmã Rosi que lá deve ter araruta; sinto o gosto do bolo na boca só de pensar na dita cuja.
Espero que nessa Casa do Norte eu seja melhor tratada e que as pessoas não se encolham em um canto como se esperando pelo ataque de um animal feroz que acaba de adentrar ao recinto. Sou humana e acromegálica, que culpa tenho eu?
Oxe, vão se lascar bando de ignorantes preconceituosos! Com todo respeito, claro.
E amanhã também preciso comprar o saco grande de ração para os gatos, comprar de quilinho, como dizia mamãe, não rende nada e acaba logo, que o diga meus oito felinos famintos e lindos.
É isso.






segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quermesse

                                         


Festas juninas e agora julinas. As quermesses e as festas italianas continuam.
Papai dizia "creméssi".
Sábado fomos à quermesse da comunidade onde meu irmão mora; foi muito legal. Tinha algodão doce, vinho quente, bolos, pudins, pastel, "carne louca" e outras guloseimas.
A molecada prefere ficar na barraca da pescaria, que é do meu irmão Fubá.
Beatriz pescou alguns prêmios e no meio deles veio um potinho com líquido para fazer bola de sabão. 
Comecei a soprar e as crianças pequenas se encantaram tentando pegar a bolas de sabão. Uma garotinha de pouco mais de um ano andava cambaleante, tentando coordenar os passos com a vontade louca de chegar mais perto do potinho em minhas mãos. Ela tentava equilibrar uma lata de guaraná em suas mãozinhas.
A mãe segurava outro bebê de poucos dias de vida. Pensei comigo: "Nossa! Não dava para esperar até a menininha crescer um pouco para ter outro filho? Oh viço!"
A menininha colocou a lata de guaraná no meu colo e esticou as mãozinhas pedindo o potinho de sabão e eu disse que era da minha sobrinha, mas ela balançou negativamente a cabeça e disse: "É meu".
Dei-lhe o potinho de fazer bolas de sabão.
Tentei depois andar pela rua movimentada e cercada por barracas que vendiam as mais variadas guloseimas, mas fui empurrada, xingada e olhada pelas pessoas que não entendiam minha mobilidade reduzida. Fiquei com medo de cair e voltei à barraca do Fubá e me sentei no banco; minha irmã Rosi pegava as coisas para mim.
As pessoas me olhavam, encaravam, algumas faziam comentários maldosos. Como sempre.
Um grupo de meninas entre dez e doze anos andava carregando um narguilé e fumando aquela coisa estranha e soltando baforadas. Elas tinham um olhar de desafio e provocação; senti muita negatividade naquela atitude de crianças que pensam que são adultas.
A rua abriu-se para dar espaço aos casais que dançariam a quadrilha. Estavam todos vestidos a caráter e foi muito engraçado e divertido. Até Rafaela prenda minha estava vestida de caipirinha.
Percebo alguém tocar meu braço e perguntar: "Professora, quando a senhora volta?". Era um aluninho meu da quinta série. Senti uma emoção boa e uma saudade boa que me fizeram esquecer por um momento aqueles olhares e comentários cruéis que me machucam tanto.
Comprei um algodão doce feito na hora, sai quentinho e é uma delícia. Fubá comprou para mim bolo de milho e curau e eu guardei para levar para casa. Depois comi um pastel e uma "carne louca". 
Usei como bandeja a lousa que Beatriz ganhou na pescaria e, claro, virei motivo de chacota do meu cunhado Pepê. Ele falou pra todo mundo que eu coloquei uns cinco pasteis, seis bolos, algodão doce, oito espigas de milho em cima da enorme lousa e comi tudo! Palhaço.
A lousa é dessas pequenininhas de brincar, óbvio, e é claro que eu não conseguiria comer tanta coisa de uma vez só! 
Mas foi divertido e semana que vem tem mais.
É isso.


                                   


                                    

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Coca Cola

                                              


Estava na sétima série e era apaixonada por um menino da oitava.
Eu queria que ele soubesse sobre meus nobres sentimentos por sua distinta pessoa e tinha pressa em fazê-lo saber porque aquele ano letivo seria seu último; o Ensino Médio seria feito em outra escola, a nossa escola só tinha os Ensino Fundamental I e II (da 1ª série à 8ª série).
Ensaiei, criei coragem e escrevi uma cartinha romântica para o meu amado.
O problema é que o objeto da minha afeição não nutria por mim os mesmos nobres sentimentos que eu nutria por ele.
A carta romântica foi entregue a ele por uma colega alcoviteira e eu a importunei com dezenas de perguntas: "Ele leu? Perguntou quem tinha mandado a carta? Que cara que ele fez?". Perguntas desesperadas e uma apaixonada desesperada.
O amor é fogo que arde sem doer...
Mas doeu sim, e muito!
Descemos para o intervalo, que na nossa época era recreio, e procuro com o olhar por meu Romeu nada apaixonado; vejo minha colega alcoviteira se aproximar e ela me entrega um bilhete com o singelo verso: 
Se você gosta de um cara
que nem te da bola,
afogue sua mágoas
num copo de Coca Cola.
Além do verso havia um desenho feito com caneta e mostrava um copo cheio e uma pessoa dentro dele!
Talento artístico não faltava ao meu amado.
Acho que é por isso que não gosto muito do refrigerante, prefiro guaraná com gelo e limão.


                                      

segunda-feira, 19 de março de 2012

Desejo

                                                


Mamãe teve sete filhos; hoje somos seis.
Mamãe dizia que nenhuma gravidez é igual à outra, todas diferem.
Para cada gravidez há um desejo específico de comer ou beber algo que seja estranho, fora de época e difícil de achar.
Quando mamãe estava grávida de mim teve vontade de tomar caldo de mocotó; tomou tanto que enjoou e depois que nasci, nunca mais ela quis saber da iguaria.
Quando grávida do meu irmão Rogério, mamãe tomava litros de guaraná. Depois que meu irmão nasceu, mamãe enjoou de guaraná e só tomava Coca Cola.
Grávida de Rosi, mamãe gostava de comer o gelo que se forma no congelador/freezer; aquele gelo que parece "raspadinha", sabe? Mamãe comeu tanto que teve nevralgia nos dentes.
Quando grávida de Renata, mamãe comia pacotes inteiros de bolacha tipo wafer; depois que nossa irmã caçula nasceu, mamãe não quis mais saber de wafer e só comia bolacha cremi cráqui (cream cracker).
Mamãe dizia: "Cada filho é um desejo, é uma dor".

Wafer
                                                 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Guaraná

                                                 


Morávamos em Gravatá e papai estava em São Paulo.
Mamãe trabalhava em casa de família e o pouco que ganhava era para ajudar com as despesas da casa até chegar o dinheiro que papai nos mandava todos os meses.
A patroa de mamãe ia fazer uma festa de aniversário para um de seus filhos e mamãe ajudava com os preparativos. Estava quase tudo pronto. 
A patroa chama mamãe e diz:
"Pare um pouco para descansar e fazer um lanche, vá até a cozinha e pegue um guaraná e um sanduíche".
Mamãe agradece e pergunta: "Será que eu poderia ir até minha casa e levar o guaraná e o sanduíche para meus filhos? Eles ainda não comeram hoje".
A dona da casa comove-se com o pedido de mamãe que vai para casa não apenas com sanduíche e um refrigerante, mas com uma sacola cheia de alimentos.
Foi uma festa só nossa.
Mamãe volta mais tranquila para o trabalho.


                                            



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Remédio

                                           


Tínhamos o estranho costume de tomar refrigerante quando estávamos doentes.
Mamãe tomava Coca-Cola para fazê-la arrotar quando tinha azia e cometia exageros à mesa.
Não sei de onde nem como surgiu essa crendice, mas está na família há gerações.
O refrigerante campeão de consumo para efeitos medicinais era o Guaraná. Bastava um de nós ficar doente, mesmo que fosse um leve mal estar, e a primeira providência a ser tomada, literalmente, era tomar um guaraná.
Nós gostávamos dessa medicina alternativa e gostávamos mais ainda quando alguém ficava doente e mamãe nos mandava comprar guaraná ou Coca. Nosso interesse era puramente na saúde e no bem estar do doente, claro.
Guaraná para um pequeno mal estar.
Coca-Cola para desconforto estomacal e azia. 
Acho que funcionava mesmo; os arrotos sonoros não deixavam dúvidas de que o paciente estava melhorando.