Mostrando postagens com marcador Professora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Professora. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Desfazer

                            Resultado de imagem para bomboniere de vidro vermelha


Demorei, mas hoje desembestei a escrever.
Estava folheando livros, vendo fotografias e lembrando...
É bom escrever, adoro ler e escrever. 
Escrever é libertador, é aliviante, é bom.
Cristaleira, bomboniere...
Tempos difíceis, seca inclemente, fome...
A casa era bonita, simples, mas arrumadinha. Lembro da sala, com a cristaleira de madeira escura e vidros desenhados com motivos oníricos. A grande mesa de madeira robusta complementava o conjunto e o toque final ficava por conta da bomboniere de vidro vermelho sobre a toalha delicadamente bordada por minha tia Antonia; mamãe adorava a cor vermelha.
Às vezes minha avó Mãevelha colocava ali o doce de mamão ou abóbora, ficava mais bonito para oferecer às visitas. 
Mamãe era professora e sempre recebíamos em casa a visita de outros professores e dos temidos "coronéis".
Mas a Seca veio forte e ainda mais cruel dessa vez e mamãe precisou vender o que tinha de valor para que pudéssemos sobreviver.
A cristaleira, a mesa robusta, as cadeiras e, por último, a bomboniere de vidro vermelho.
Lembro da expressão no rosto de mamãe, da tristeza em ter que se desfazer das coisas que tanto gostava e que conseguira comprar com tanto custo.
Mas a fome já batia à nossa porta e se desfazer era preciso.
Nos desfazíamos aos poucos de nossas coisas e de nós mesmos, um pouco acada dia.
É isso.



                                  




                                      

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Registro

                              Resultado de imagem para registro de gas



Choveu bastante e o frio continua.
Acho a chuva tão bonita.
Fui trocar o botijão de gás e estava muito duro; acabei quebrando um dos bracinhos do registro. Foi preciso comprar outro, pois além de quebrado, já estava perto do fim da garantia de cinco anos.
O simpático funcionário da distribuidora de gás fez um comentário interessante: disse que as coisas têm um tempo de vida útil e quando quebram ou começam dar trabalho, é melhor se desfazer. Às vezes não vale a pena tentar arrumar, concertar ou dar um jeito; é pior.
Penso que o mesmo vale para relacionamentos de todo tipo.
O simpático e falante funcionário ainda fez outro comentário, na verdade, uma pergunta: "A senhora é professora?". Respondi afirmativamente e perguntei o que o levou a fazer a pergunta:"É que a senhora fala direitinho, fala bonito".
Puxa, que legal!
Foi muito bacana e inusitado uma pessoa perceber isso, já que vivemos em uma época de abusos contra a inculta e bela Língua Portuguesa. São tantos absurdos: " pra mim fazer, com migo, concerteza, mim falaram, falo (falou), ela vai fala (falar)".
Não, não sou esnobe ou algo assim, apenas procuro respeitar minha língua pátria.
É tarde. Já é um novo dia, uma nova data.
Vou para a cama, me virar de um lado para o outro até o sono chegar. O dia vai amanhecer e a rotina acontecer.
Tenho mais pequenas coisas para resolver e vou aos poucos. Sou só e esses ossos e articulações doloridos não me dão uma trégua.
É isso.


                                    Resultado de imagem para chuva bonita

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Tristonho

                                   Resultado de imagem para dia triste



Tem chovido muito.
Deito e levanto ao som da chuva; gosto muito.
Verão com cara de outono; gosto muito.
Há alguns dias o sol não aparece e o cinza predomina por essas paragens paulistanas.
Com o friozinho leve que tem feito, a gataiada escolhe um cantinho quente e passa o dia encolhida. De noite também.
Sou acordada por patinhas fofas tocando meu rosto e às vezes por disputas pelo lugar mais quentinho. Com esse pelo todo e ainda sentem frio?
Tive um sonho bom; uma realidade que outrora fizera parte da minha vida, da minha rotina.
Andava segurando livros e cadernos e me dirigia à secretaria de uma grande universidade. Queria saber sobre cursos, datas e afins e um simpático cavalheiro me dizia que as aulas começariam no próximo semestre, mas tinha um curso cujas aulas eram somente aos sábados e se eu estaria  interessada. Sim. Estava interessada sim.
Toda feliz em meio a livros, cadernos e anotações. Essa era minha realidade, tanto de aluna como de professora. Amava tudo isso e ainda amo muito.
Acordo mais leve, mas ao me levantar a realidade me mostra o peso doloroso de ossos e articulações, a dificuldade para me mover, o risco de cair, a raiva, a frustração.
A Vida continua me punindo e tirando de mim o que eu mais amava: caminhar, estudar, lecionar, dirigir, cuidar das minhas coisas, da casa, das plantas... coisas tão simples.
O simples ato de estender uma roupa no varal tem se tornado uma atividade de alto risco; vivo caindo.
Hoje consegui lavar o banheiro. Só tirei o "grosso" mesmo, não dá para esfregar paredes e azulejos.
Falta muita coisa ainda, mas eu vou devagar e tenho que respeitar meu tempo e minhas limitações. Isso me deixa com raiva.
Vou fazer um café, esse friozinho cinzento pede. Queria ir ao mercado para comprar frutas e legumes que tanto gosto, mas peso as consequências. Tirar o carro da garagem, descer para fechar o portão, ver e ouvir os outros motoristas reclamando da demora, dirigir com essa perna "morta" e fraca, ter que segurar a perna para manter o pé sobre os pedais... isso é arriscado e perigoso.
Empurrar o carrinho do supermercado é outra dificuldade.
Vou fazer meu café e talvez uma tapioca ou um pão de ló. Acabou meu pão integral e minhas bolachinhas. Aliás, está acabando tudo por aqui.
Siameses deitadas sofre o edredom. Nunes Boreal, a terrível, e Ébano Nêgo Lindo, o charmoso, disputam meu colo enquanto escrevo.
Bom...
Vou fazer umas poucas coisas pela casa e depois vou apreciar o dia frio, cinzento e tristonho com uma boa xícara de café e um livro. 
Entendo bem sobre dias cinzas e tristonhos.
É isso.




                                            Resultado de imagem para dia triste

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Opções

                                       



Sou da paz.
Embora meu carão acromegálico possa, talvez, mostrar o contrário, eu sou da paz. 
Trato a todos com educação e respeito, só não gosto de muita "firula, lero-lero, nhem-nhem-nhem, blá,blá,blá, tal e coisa, coisa e tal". 
Pronto, falei.
E julgar os outros pela aparência é um grande erro, a não ser que a pessoa esteja acima do peso e insista em usar legging quase transparente mostrando as coisas. Jesus, Maria José!
Bom...
Estou na sala dos professores lendo o jornal "A Folha de São Paulo; sou assinante do "Estadão", mas gosto de ler os fabulosos textos de Contardo Calligaris, colunista do jornal.
Jornais e revistas são assinados pela escola, mas são pouquíssimos os professores que se dão o trabalho de ler. Eu devoro tudo o que vejo largado ali na mesa.
Uma professora senta-se ao meu lado e puxa conversa e eu deixo o jornal de lado e bato um agradável papo com a colega. Ela se surpreendeu com minha educação, simpatia e ausência de preconceito e disse que muitos colegas a evitam por não gostar ou concordar com sua opção sexual.
Eu disse-lhe que ali dentro somos todos professore e a opção sexual, religiosa ou seja lá o que for de qualquer um, não me diz respeito; nem a mim nem a ninguém. Estamos ali para fazer nosso trabalho da melhor maneira possível, não estamos ali para julgar ou sermos julgados.
"Poxa, você é mente aberta mesmo! Só pessoas cultas têm essa visão de mundo. Você lê bastante né?..."
E aí a conversa prosseguiu; falamos sobre jornais, revistas, livros, autores, jornalistas, cultura... Assuntos que adoro falar a respeito.
Mamãe nos dizia: "Saibam entrar e sair dos lugares, a gente é pobre, mas tem que mostrar que tem educação".
Acho que ouvi mamãe.
É isso.


                                          



domingo, 11 de agosto de 2013

Felicidade

                                   



Está cada vez mais difícil. 
Estou cada vez mais dolorida e entrevada e isso me chateia, revolta, entristece.
Durmo apenas três horas por noite e sempre acordo com as dores no joelho, ombro e coluna. As mãos e os pés também doem. Artrose e Acromegalia. Que dupla!
A cirurgia de artrodese foi feita em 2009, apenas quatro anos atrás. 
Em pessoas "normais" a duração dessa cirurgia varia de 10 a 15 anos e algumas vezes talvez nem precise mexer no que foi feito, mas no meu caso é diferente.
Anos de esforços físicos pesados para uma criança somados aos efeitos do excesso de GH (hormônio do crescimento) na fase adulta prejudicaram e deformaram minha coluna. Acromegalia.
Dores, peso nas pernas, entrevamento, mobilidade reduzida. Parece que estou enferrujada; sinto-me como uma múmia. Está difícil.
Trabalhar é outro problema. Saio da escola sempre amparada por alguém que me acompanha até o carro.
Os alunos ajudam, professores, funcionários da escola também.
Li um artigo sobre Freud que defende a tese de que não estamos preparados para a felicidade e quando alcançamos algo que tanto queremos e que nos faz feliz, adoecemos. Será?
Se pararmos para pensar, faz certo sentido. Não concordo nem discordo totalmente da tese. Há controvérsias.
Senti também que as pessoas são culpadas por estarem ou serem doentes. Estranho.
Já falei aqui sobre a "culpa" atribuída a pacientes com câncer; li artigos em importantes jornais. 
Culpar alguém por ser doente é perverso. Há exceções, claro.
Mas por que não estaríamos preparados para a felicidade? Ser infeliz é mais interessante? Gente infeliz é mais saudável que gente feliz? Se sim, por que, então?
Sempre sabemos, por vários meios, sobre casos de pessoas que estavam se preparando para um novo projeto, que mudariam de emprego, de vida, que se casariam, que comprariam seu primeiro carro, sua primeira casa, que teriam encontrado o grande amor de suas vidas, que aguardariam ansiosamente pelo primeiro filho e, de repente, se veem doentes. Por quê?
Não estariam essas pessoas preparadas para a felicidade?
Então isso quer dizer que as pessoas auto sabotariam suas próprias vidas, saúde e felicidade?
Como alguém tão feliz por ter realizado um sonho, atingido um objetivo escolheria ficar doente quando o normal e o esperado seria ficar muito contente e aproveitar aquilo que alcançou?!
Se a pessoa não está preparada para ser feliz e "decidiria" adoecer, que doença ela escolheria? Ou seria a doença que a escolheria?
Felicidade e doença são irmãs gêmeas xifópagas (siamesas)?
Não sei se entendo bem essa teoria e acho muito estranho alguém querer ficar doente quando finalmente encontra-se tão próximo da felicidade e da realização de um sonho.
Esse "querer ficar doente" é inconsciente, naturalmente. Tem gente hipocondríaca ( que adora ficar doente), mas pessoas sadias tanto física quanto emocionalmente nem pensariam em doença.
Não sei não. 
É tudo tão complexo, estranho.
São tantas teorias.
Sempre quis tanto ser professora e consegui, com muita dificuldade trabalhei por um ano e os outros anos passei mais tempo entre hospitais, internações e cirurgias do que na escola.
Volto a trabalhar após bom tempo afastada, mas está muito difícil. 
Dores, dificuldade de locomoção, entrevamento, revolta, tristeza, dores...
Não dá pra ser feliz...
Preciso ver o mar.



                                         




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Melão

                             


Estava na sala dos professores e o funcionário da cantina traz café, chá e o lanche do dia. O lanche varia de frutas a bolachas, entre outros.
A fruta do dia foi melão e eu gosto bastante. Peguei duas fatias, o melão estava docinho e delicioso.
Os professores se serviram de uma ou duas fatias da fruta, exceto uma professora ranzinza, gulosa, grosseira e que se parece com a Bruxa do 71 do  Chaves.
Ela comia as fatias do melão como se nunca tivesse comido aquela fruta antes ou como se não comesse nada há uns três dias, pelo menos.
Como diz um conhecido meu: "Que falta de classe!"
Enquanto devorava a fruta, dizia que aquilo seria sua janta e isso às três e meia da tarde.
Engolia e falava: "Estou de regime. Eu não vou jantar, isso aqui é minha janta. Melão é bom pra emagrecer, já emagreci dez quilos. Melão é bom pra pressão alta, eu tenho pressão alta. Vocês são ruins de boca, então vou comer tudo. Tem muito melão...blá, blá, blá..."
Pensei comigo: "Eita mulherzinha mundiçada, acanalhada; (gulosa, mal educada, porca)!"
Como dizia mamãe, essa professora deve ser do tipo de pessoa que come tudo o que estiver pela frente só para economizar e não gastar o que tem em casa. 
Eita mundiça!



                                       



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nogueira

                            

Lembrei de um texto em meu livro de Língua Portuguesa da quarta série; falava sobre um idoso de um vilarejo que plantava uma nogueira.
Lembro do desenho, um velho barbudo e magro arrumando a terra em volta da pequena planta.
As pessoas em volta observavam e não entediam porque o ancião plantava uma árvore que levaria décadas para frutificar e todos sabiam que ele não veria isso acontecer. A professora leu o texto e pediu para que falássemos sobre o que entendemos da história, se havia alguma mensagem naquela história e qual.
Os alunos do "fundão", os mais terríveis e engraçadinhos, disseram que o ancião estava maluco e onde já se vira alguém plantar um árvore que demoraria um tempão para crescer e dar frutos sabendo que ele mesmo morreria  bem antes disso. Outros alunos mais ecologicamente corretos, incluindo minha pessoa maluquetes e amante das coisas da Natureza, dissemos que o importante era plantar a árvore e mesmo que o velhinho morresse, a árvore ficaria para as pessoas do vilarejo. A árvore daria frutos e sombra nos dias de calor.
Eu não conhecia a palavra ancião e quando cheguei em casa, perguntei a mamãe o significado e ela me disse que ancião era o mesmo que velho e idoso.
Achei a história do ancião e a nogueira tão linda, tão forte e tão real.
Adorava os textos dos meus livros de Língua Portuguesa e analisando baseando-me nos livros de hoje, acho os textos do meu tempo de escola bem mais instigantes, inteligentes e fortes.
Acho que a Educação atual passa muito a mão na cabeça dos alunos e os trata como seres frágeis, bonzinhos, carentes e meiguinhos. Acho que isso subestima a capacidade e a inteligência dos alunos e os deixa acomodados e preguiçosos.
E além do mais, os alunos são lobos em pele de cordeiro.
Acorda Brasil, a tua educação está em péssima posição no ranking mundial!
É isso.