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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Calor e Secura

Muito calor; insuportável.
Termômetros marcaram trinta e quatro graus, dez a mais dos tolerados por mim.
Passo mal, fico mole, sem ânimo e a pressão sobe.
O ar seco também provoca sensações de boca seca, tosse, coceira nos olhos e outros desconfortos.
Dizem os meteorologistas que uma frente fria está a caminho da região Sudeste, tomara.
Que essa frente fria venha e refresque todas as frentes, lados; a secura está demais!
Que venha chuva.
Que a chuva traga alívio imediato.
É isso.

                             

sábado, 1 de setembro de 2012

Marginal Tietê

                                         

Vinha pela rua e parei para que um carro pudesse manobrar. Sou educada.
Enquanto aguardava, fiquei observando a Marginal Tietê, bem atrás do Corinthians.
Eu gostava de passear pelas famosas ruas de São Paulo e sair por aí sem destino, mas parei de fazer isso, pois temo a violência nas ruas, bêbados ao volante e toda sorte que problemas advindos da irresponsabilidade das pessoas.
Lembrei de papai e suas infinitas "inguinóranças", lembrei de quando ele nos dizia: "Vão barrê (varrer) a rua, vão contar quantos carros passam na rua..."
Naquela época era comum nos sentarmos na calçada e observarmos os meninos jogando bola, as pessoas passando pra lá e pra cá e cumprimentando mamãe que conhecia, conversava e cumprimentava todo mundo. Em dias de eleições eu dizia que parecíamos sapos na lagoa, pois tanto na ida quanto na volta encontrávamos as pessoas e dizíamos "oi".
Eram muitos "ois" e por isso parecíamos sapos na lagoa: "Oi, oi, oi..."
Fubá diz que sapos fazem "Uêbati, uêbati", tanto que batizou de "Uêbati um sapo feito por tia Dolores e que servia de peso para segurar porta.
Noites de calor e era difícil dormir com o calorão e as muriçocas zunindo em nossos ouvidos, então ficávamos na calçada até refrescar um pouco e enquanto isso observávamos o movimento e contávamos quantos carros entravam e saíam do motel que fica bem na esquina da Marginal Tietê.
Ficávamos eu, minha irmã Rosi, nossa prima Neide de Pernambuco e uma tia nossa e apostávamos: "Aquele carro vai entrar no motel... Aquele vai seguir pela Marginal..."
Coisa mais boba, mas era divertido. 
Não tínhamos muitas opções como hoje, não tinha TV a cabo, Internet, celular, redes sociais e essas modernagens todas e as pessoas eram mais próximas, menos estressadas e até mais felizes. Acho eu.
Talvez.
Hoje está tudo tão moderno, tão adiantado, temos centenas de amigos virtuais e na realidade somos sós, a maioria das vezes. As pessoas se encontram para um bate papo em uma mesa de barzinho, por exemplo, e o que é que elas fazem? Cada uma saca seu celular modernoso e verifica mensagens, posta isso, comenta aquilo... e o bate papo real ficou só no virtual.
Sei lá. 
Estou meio nostálgica hoje.
Acho que o tempo vai mudar, me dói tudo, o corpo e a alma também.
É isso.

                                 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Muriçocas

O aquecimento global, o buraco na camada de ozônio, desmatamentos, poluição...Tudo afeta a Natureza de forma negativa e altera o curso das chuvas, das floradas, da própria vida.
Isso explica a presença voadora, sugadora e barulhenta de muriçocas (pernilongos) nas noites frias do outono/inverno paulistano. 
Antes elas apareciam só nos dias quentes de verão, mas agora aprenderam a driblar as estações e atacam em todas. 
É a evolução das espécies.


                                                 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sal Grosso, Palha de Alho & Mandingas do Bem

                                              


Mamãe tinha seus rituais para afastar energia negativa, inveja e "inganja" (o zóiao do povo, na sua linguagem peculiar).
O bom do Brasil é isso: essa mistura cultural, social, linguística e religiosa. Graças a Deus.
Mamãe queimava palha de alho com açúcar e pó de café e andava pela casa com essa mandinga a espalhar um fumacê que espantava mesmo era as muriçocas.
Mamãe nos dizia para colocar um dente de alho e uma pedra de sal grosso no bolso da calça quando fôssemos procurar emprego ou resolver alguma coisa importante.
Quando alguma visita desagradável ia embora, mamãe jogava um punhado de sal grosso pelas costas da dita cuja isso sem contar que nós também éramos adeptos praticantes da macumbaria, como diz Fubá. Colocávamos a vassoura pra cima e atrás da porta na tentativa de fazer a visita ir embora logo. 
Uma vez uma vizinha curiosa perguntou porque a vassoura estava ali e daquele jeito e nós dissemos que era para secar mais rápido.
Mamãe comprava na feira tranças de cebola e alho e usava como amuleto na casa. Ninguém podia pegar um cebola ou um alho para fazer tempero, ela comprava separado. 
E como todo pobre mandingueiro que se preze, tinha na entrada de nossa casa vasos com plantas como Comigo ninguém pode, Espada de São Jorge, Guiné, Babosa e outras.
Se dependesse de mamãe, de sua fé e de suas mandingas, nenhum mal chegaria à nossa porta.
Amém.
E estou zapeando pela Internet e vejo o anúncio de uma correntinha com um pingente cheio de sal grosso; era para afastar a má sorte, segundo o anúncio. 
É cada coisa que inventam para ganhar dinheiro!
Acho que vou patentear as mandingas de mamãe e fazer bijuterias com casca de alho, pó de café, plantas...


                                          
                                            

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Insetos e Inseticida

                                          


No calor os insetos saem de seus esconderijos e vêm nos atacar. O pior deles é o pernilongo, que além de picar, ainda faz aquele irritante barulho no ouvido da gente.
Papai chegava do trabalho e espalhava inseticida pela casa toda. Na época tínhamos um troço chamado bomba de fritz ou flitz. Já falei sobre isso aqui.
Eram raros e caros os inseticidas em práticas latas de spray e por isso comprávamos o inseticida em latas de meio litro e depois despejávamos na tal da bomba de fritz.
Lembro das marcas da época: Detefon e Baygon líquidos e o SBP spray. Chiquérrimo. Meu sonho era fazer igual a moça do comercial; apertar o botão da lata e espalhar o inseticida pela casa.
Um dia Mãevelha me manda ir ao mercadinho para comprar inseticida, mas ela não sabia falar a palavra inseticida e dizia remédio ou veneno para muriçoca. Ela disse: "Olhe, tu peça remédio pra matar muriçoca, visse?"
Eu chego ao mercadinho e fico com vergonha de usar as mesmas palavras que Mãevelha disse, então olho em volta e procuro pela já familiar lata de inseticida das marcas Baygon ou Detefon. A moça do mercado percebe que procuro por algo e pergunta o que eu quero: "Quero remédio para matar muriçoca"
"O quê?".
Repito e ela diz que não tem o que procuro e me aconselha a voltar para casa e perguntar direitinho para minha mãe o que foi que ela me mandou comprar.
"Minha mãe está no trabalho. Foi minha avó que me mandou vim aqui".
Eu não queria voltar para casa com as mãos vazias, sabia que a surra seria garantida e mais os adjetivos e os sermões. 
A moça do mercadinho me pede para repetir exatamente o que minha avó disse: "Remédio pra matar inseto, barata, purga e muriçoca".
"Você não é daqui, né?"
"Não".
"O que são purga e muriçoca?"
"Acho que é pulga, aquilo que todo cachorro tem. E muriçoca é aquele inseto que chupa o sangue da gente e faz barulho".
Ela me conduz ao corredor do inseticida e aponta para várias latas de Baygon  e Detefon. Vejo a embalagem esverdeada com a imagem de vários insetos e digo, aliviada: "É esse mesmo! Graças a Deus!"
"Você vai levar Baygon ou Detefon?"
"Qual deles serve para matar muriçocas?"
"Todos servem para matar vários insetos. Pernilongos também".
Mas pernilongo lembrava Pernalonga, o coelho esperto do desenho animado.