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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Meu pé esquerdo

                                 


Tenho tido dores no meu pé esquerdo e dificuldade para pisar com ele. Além da antiga e persistente inflamação no tarso, agora surgiram uns esporões no calcanhar que dão a sensação de pisar em cacos de vidro. Dói.
Já fui ao ortopedista viciado em celular e redes sociais do Hospital Aviccena e ao consultório do meu ortopedista, ambos disseram a mesma coisa: melhor não engessar ou usar bota ortopédica, corro o risco de cair.
Já usei a bota ortopédica quando o problema começou a se manifestar, em maio de 2011, mas de lá pra cá o problema intensificou-se.
Os motivos alegados pelos médicos para o não uso da bota ortopédica e o engessamento do pé é porque posso cair. Estou com a mobilidade reduzida e a cada dia mais entrevada e dolorida; está difícil.
Estou andando igual a um pinguim, já fiz vários exames e já tomei uma infinidade de remédios para dor e anti-inflamatórios, mas logo o efeito passa e as dores voltam. Meio complicado.
Mas eu estou tentando levar uma vida normal e acho que estou conseguindo, mais ou menos.
Não é muito normal andar igual a um pinguim, não é normal deitar e se levantar entrevada e com dores, não é normal se cansar tanto apenas por empurrar um carrinho de supermercado, não é normal...
Não estou reclamando, não sou disso. Não sou de chorar as pitangas, mas não está fácil.
Mas eu tenho fé e sempre acredito que vou ficar bem.
Ficarei bem.
É isso.


                                                                            

                               

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Bengalas e Muletas

                                   


Fui hoje ao consultório do meu ortopedista. Fiz radiografias, tomei injeções e ele me aconselhou a usar bengala/muleta canadense articulada. 
Disse que distribuem melhor o peso e dão maior estabilidade, a bengala comum pode escorregar e eu posso cair.
Eu uso bengala para me locomover pela casa e fazer as coisas, mas  isso ficaria difícil com essas muletas articuladas. Sei não.
Estou ficando dura e entrevada cada vez mais e estou tomando remédios para aliviar, mas até quando esses remédios aliviarão? Até quando esses remédios conseguirão conter o avanço da artrose? Até quando essas bengalas e muletas me ajudarão a me locomover?
Cirurgias? Sim, o ortopedista sério que não fica pendurado ao celular disse que sim, serão necessárias. 
Coluna, joelhos, pés, mãos, ombros... Todos afetados pela artrose e alguns forte candidatos a cirurgias.
Estou fazendo o que posso e o que mandam os médicos. Estou seguindo os conselhos da jovem e simpática médica que me aconselhou a procurar outros médicos de outras especialidades.
Já fui ao ortopedista, agora faltam o oftalmologista, gastroenterologista, cardiologista, neurocirurgião, endocrinologista, pediatra, veterinário e pai de santo.
A coisa tá braba.
Mas eu vou ficar boa.
Tenho fé.
Vou para a cama, estou muito cansada.
Amanhã será melhor.
Boa noite a todos.


Muletas canadenses articuladas e a bengala comum.


terça-feira, 5 de março de 2013

De novo

                             


Caí mais uma vez; foi na noite de ontem. O piso do banheiro é muito liso e não consegui me segurar e meti os joelhos no chão pela segunda vez em apenas dois dias.
Marquei um encaixe com o ortopedista e meu irmão Fubá me levou. Achei bom, pois não estava muito confiante para dirigir com os joelhos doloridos e travados.
Minha cunhada Preta me convidou para tomar um café na volta, mas declinei. Saímos do consultório meio tarde e estava cansada, dolorida e já sentindo os efeitos das injeções.
Cheguei em casa, tomei banho, jantei e iria para a cama mas percebi que os sinais de TV e Internet estavam liberados, aproveito agora.
Mas acredito que hoje eu consiga dormir bem, tive dias de dores e insônia.
É isso.


                                

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tombo

                               



Estive bem dolorida essa semana que passou. Tive dores na juntas, nas pernas e nos ossos. Dormir é difícil.
Tomo remédios só quando a dor incomoda muito e mesmo assim procuro tomar os remédios mais leves receitados pelo médico.
Mas as dores não diminuíam e eu tive que tomar o remédio de controle especial; foi o jeito. 
Tomei e adormeci. Acordei meio mole e assim fiquei o dia todo, mas as dores estavam mais fracas.
Assisti ao Globo Rural e depois decidi me levantar, colocar a roupa na máquina para lavar, molhar as plantas e fazer pão. Estou com uma vontade enorme de comer pão caseiro.
Volto para o quarto para tomar o remédio da pressão e de repente me vejo no chão. Tentei me apoiar no sofá, mas a mão estava longe; caí.
Tive muito trabalho para me levantar; eu não tenho força nas pernas nem nas costas para me impulsionar para cima e me levantar. Tive muito trabalho e foi muito difícil.
Fiquei muito cansada e decidi ficar mais um pouco na cama e depois de uma meia horinha, pensei eu, me levanto e termino de fazer as coisas.
Adormeci e acordei depois das onze horas da manhã. Meu joelho doía e estava duro como se estivesse enferrujado.
Meu cunhado Pepê havia me convidado para almoçar e assistir ao jogo do Santos X Corinthians, mas tive que declinar. Eu não estava bem para dirigir e achei melhor ficar em casa.
Amanha vou procurar o ortopedista e tentar marcar um encaixe. Estou lenta e dolorosamente perdendo meus movimentos; minha mobilidade está cada vez mais reduzida.
Mas eu vou ficar boa. Tenho fé.
É isso.

                               
                                       

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Meditação

                                


As dores nos ossos estão cada vez mais fortes e minha mobilidade está cada vez mais reduzida.
Liguei para o consultório do ortopedista e consegui um encaixe; o doutor perguntou pelos exames de ressonância magnética e expliquei-lhe toda a ladainha do convênio; não autorizaram.
O médico fez um laudo, mais um, para ser enviado ao convênio e quem sabe, o convencer de autorizar os exames.
É público e notório que faço exames trimestrais de sangue e semestrais de imagem e expliquei isso muito bem explicadinho para o corretor da Qualicorp que me vendeu o plano da Sul América. Pago um valor alto para meus padrões financeiros na esperança de ter um bom atendimento.
Bom atendimento até tenho, bons laboratórios e bons médicos também, apesar de não simpatizar muito com o médico com corpinho de caminhoneiro e o outro com corpão e paciência de Buda. 
Um exige que me alimente bem, o que faço com minhas granolas, arroz integral, carne moída, suco e leite de soja; o outro fala para meditar, fazer fisioterapia e relaxar.
Eu meditar? Me desligar por uns minutinhos? Como dizia papai: "É mais fácil Deus vir à Terra!"
Não confio em médicos gordos e/ou fumantes. Que moral e credibilidade têm eles para cuidar de pacientes e dizer-lhes para seguir uma alimentação saudável?!
Uma professora na faculdade pediu que fechássemos os olhos e imaginássemos um lugar lindo e blá, blá, blá enquanto seguíamos sua voz; não deu pra mim. Não consegui fazer e estava preocupada com o tempo desperdiçado, tínhamos uma prova de Latim nos aguardando.
Bom, saí do médico com o laudo e com a região glútea (bunda mesmo) picada por duas injeções: um anti-inflamatório e uma droga forte para a infame da dor.
Voltei para casa meio tonta e sonolenta e tentei escrever essa postagem, mas parei no primeiro parágrafo, muita tontura, mal estar e uma sensação tremenda de desmaio. Parei.
Fui para a cama e dormi mas acordei antes da uma hora da manhã com as dores de volta, mais leves, mas estavam de volta.
O ortopedista deu-me uma receita de controle especial, onde é necessário mostrar documento, dar endereço e telefone. É um remédio mais potente, causa tontura e sonolência e alivia a dor, graças a Deus.
Eu daria um doce se conseguisse dormir uma noite inteira de sono, sem dor e sem insônia.
Juro por Deus.
É isso.

                                     




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Entrevar

                        

Falei recentemente, em um postagem, sobre minha dificuldade para andar, levantar, movimentar etc...
Está cada vez mais difícil andar, me levantar dos lugares e fazer as coisas.
Fui ao meu querido bairro da Penha na ZL e tive uma dificuldade tremenda para descer do carro e caminhar. Minhas pernas estavam pesadas, adormecidas, molengas e eu fiquei bastante triste e preocupada. Fiquei com medo de cair da escada rolante ou nas ruas estreitas e de ladeira do bairro.
Em um dos exames de rotina eu havia dito ao ortopedista que fizera minha cirurgia de artrodese que eu estava me sentindo igual a antes da cirurgia: o peso nas pernas, as dores, o entrevar, mas ele disse que isso não era possível, pois o procedimento ainda era recente.
Fui a outro ortopedista e ele confirmou o diagnóstico baseando-se nas radiografias e na minha mobilidade reduzida e disse que precisa de mais exames para um diagnóstico mais completo e seguro. A Acromegalia intensifica o problema já existente.
Aí é que está o problema! O convênio médico não quer liberar os exames.
Remédios e fisioterapia aliviam um pouco o problema, mas não o resolvem.
Está complicado.
Estou tendo dificuldade para me levantar da cama, as dores e o entrevamento "agarram" minhas pernas e "amarram" um peso a elas. 
Sei lá, não está fácil não.
É isso.




                             

                                  

domingo, 23 de dezembro de 2012

Múmia

                                 

Estou sentindo-me uma múmia; dura, entrevada, dolorida.
A artrose tem piorado e as dores de minha coluna e joelho estão mais fortes e intensas. O remédio que o ortopedista receitou já não faz o mesmo efeito de antes e o convênio médico não autoriza os exames de imagem que o doutor pediu.
Meu pé esquerdo está bem inchado e dói muito quando o coloco no chão, piso com o pé meio de lado.
Consultas e exames só ano vem, mas ainda bem que só falta uma semana.
Vou ficar bem.
É isso.

                               


                                

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Deformidade, Artrose, Carro

                                   

Voltei ao consultório do ortopedista para levar a papelada que ele deveria preencher; deveria.
O doutor achou melhor não ficar enrolando com papeladas e buRRocracia do convênio e laboratório e decidiu fazermos um exame de cada vez; farei a ressonância da coluna lombo sacra, que é mais urgente.
Fiz radiografia do pé esquerdo, tive inflamação no tarso; a dor voltou e às vezes é difícil pisar, acabo mancando.
O exame constatou o que eu, o médico e a torcida do Corinthians sabemos: artrose. Ossos tortos, inflamação, acúmulo de líquidos.
A artrose está espalhada por todo meu corpo, todos meus ossos e ameaça minha mobilidade, meus movimentos e é por isso que o médico tem certa urgência nos exames para tomar a melhor decisão. Agora vai explicar isso para os buRRocratas de plantão!
Há a grande possibilidade de uma nova cirurgia para a descompressão da medula, que é cercada pelos parafusos e pelos ossos que crescem. Se não fosse a Acromegalia, tudo estaria bem, pois os parafusos, pinos e afins estão muito bem colocados. 
Acromegalia, como a odeio!
O doutor disse que precisa dos exames para decidir e que só fará a cirurgia se puder me ajudar, se for para atrapalhar mais ainda ou para apenas operar, ele não faz. Ele disse que tem muito colega que opera por operar, como se o paciente fosse uma mera cobaia.
Perguntou ainda se demorei a descobrir a doença, se não percebi a deformidade em meu rosto e corpo. Achei o termo deformidade meio forte e isso me arrebentou por dentro. Chorei por dentro. Por fora, tudo normal.
Deus está vendo.
Nunca fui exemplo de beleza e a Acromegalia só piorou ainda mais, muito mais, mas dizer deformidade, deformar... Sei não. Machucou, doeu, magou, feriu e desenterrou velhos fantasmas que lutei e luto tanto para mantê-los enterrados e longe de mim.
Artrose, cirurgia, crescimento, ossos deformados... deformidade.
Saí do consultório triste, chorosa por dentro e quando atravessei a rua, permiti que as lágrimas saíssem. Saíram em profusão. 
Sou humana, demasiado humana.
Vou até o carro e tento abri-lo, não abre. A chave entra mas não vira. Tento o porta malas, tento a chave mais uma vez e acho melhor chamar o guincho com chaveiro. Decido dar mais uma volta no carro e percebo que tem um bichinho de pelúcia preso ao espelho retrovisor, penso comigo: "Mas esse carro não é o meu!".
Que mico!
Disfarço, caminho mais um pouco e vejo meu carro há alguns metros do carro que tentei "arrombar".
Uma viatura da polícia passa em frente e graças a Deus não desconfia de nada. Já pensou o que poderia acontecer até eu conseguir explicar que me confundi e que passo por uma fase difícil e delicada da minha vida?
Eita lasquêra!
Mas a viatura passa e eu entro no meu carro e vou até a casa da minha irmã Rosi. Minutos depois chega meu irmão Naldão e vem munido de pães, rosquinhas, salame e Coca Cola. Adoro salame, adoro rosquinhas, mas não posso dizer o mesmo do refrigerante.
Conversamos, lembramos de causos de nossa história antiga e rimos muito. Meu cunhado Pepê cisma que eu devo me lembrar do National Kid e eu digo que não; lembro do Ultraseven, Ultraman e Spectreman.
Pepê diz que sou véia e que finjo que não lembro só para disfarçar. Quem precisa de inimigos com um cunhado desse?
Minha sobrinha Beatriz voltou da escola e fomos fazer arte, pintura com cola colorida. 
Foi uma tarde agradável. Foi uma tarde perfeita, sem deformidades.
É isso.

                                 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O quanto antes

Morena Rosa de mau humor, assim como eu
                                 

Estou há um mês tentando realizar os exames pedidos pelo ortopedista. 
São cinco ressonâncias magnéticas (dois joelhos, dois ombros e coluna lombo sacra, amém). Já foi pedido e levado laudo médico e quando pensei que finalmente faria os exames, lá vem mais papelada para ser preenchida com letra legível pelo médico. 
Médico com letra legível, claro.
No e-mail com anexo, diz: "Trazer o documento preenchido o quanto antes". Jura?
Basta ligar para o consultório e agendar a consulta para quando bem quisermos, fácil assim... Até parece.
As agendas médicas estão sempre cheias e os pacientes precisam esperar semanas e até meses para uma consulta e quando conseguimos um encaixe, temos que esperar mais de duas horas pelo médico. Bacana isso, né?
Não depende apenas de nós, pacientes, fazemos nossa parte e o interesse maior pela saúde é nosso! 
Mas o que fazer quando laboratórios e convênios embaçam para liberar e autorizar um exame? O que fazer quando tentamos agendar uma consulta e ouvimos: "Tem que estar ligando na primeira semana do mês para estar agendando, o médico vai estar abrindo a agenda só nesse período".
Não dá para abrir a agenda? É tão difícil assim? E ouvimos isso quando ligamos ainda no meio do mês e temos que esperar pelo mês seguinte para estar ligando e estar agendando. Minha paciência, que não é das melhores, não vai estar aguentando! Saco!
O ortopedista e eu temos certa urgência e precisamos dos exames para que ele possa tomar a melhor decisão quanto ao tratamento a ser feito. Além da artrose que deixa meus joelhos entrevados, pesados, quentes, gorduchos e inchados, ainda tem a bendita da síndrome da cauda equina, que pressiona a medula e limita os movimentos. Já tenho mobilidade reduzida devido a artrose espalhada pelos ossos e à cirurgia de artrodese e agora com essa tal cauda equina, a tendência é reduzir mais ainda.
Lenta e progressivamente vou perdendo a mobilidade e a capacidade de movimentos. Ontem não senti a perna direita e não tinha força para empurrar o pedal do freio; a sorte dada por Deus, como dizia mamãe, foi que não tinha muito trânsito e joguei o carro na calçada para evitar a possibilidade de um outro carro ou pessoa na rua.
Tá embaçado. Estou fazendo o que posso, faço tudo o que os médicos pedem, sigo à risca os tratamentos, mas têm coisas que não dependem só de minha humilde pessoa.
Preciso ver isso o quanto antes... Claro.
É isso.

                                


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Presença

                                       


Tive o dia bem cheio hoje; fui ao oftalmologista, busquei laudo com o ortopedista, levei o carro para a Inspeção Veicular e ainda passei na lojinha do meu irmão Fubá para ver Rafaela Prenda Minha.
A pequena está cada diz mais linda, esperta, inteligente e encantadora; mostra as unhas pintadas e os sapatinhos fashion, uma clara demonstração de peruíce precoce.
Rafaela lembra muito mamãe, as perninhas e os braços gorduchos e roliços, o pescoço fofo, gostoso de beijar.
Tenho tido sonhos com papai, mamãe, tia Filomena e com meu povo antigo. São presenças constantes que me visitam, acalantam, protegem. 
Foi tão bom sonhar com mamãe, havia tanta bondade e tanto amor no ar meu Deus, que nem parecia sonho, parecia realidade. Mas não pode ser, mamãe partiu há onze anos, embora, para mim, pareçam onze minutos, onze dias, onze semanas apenas.
Bati os quatro cantos de Sum Paulo hoje, fui ao Tatuapé, Vila Guilherme, Jardim Brasil, Vila Medeiros e finalmente para casa. Ufa! 
Calor, sol ardente e um dia muito bonito com muito vento, mas esfriou no fim da tarde.
Dirigia pelas ruas e tinha sempre a impressão de ver mamãe nos carros que congestionam a cidade. Em um dos carros tinha uma senhora de óculos, gorducha e cabelos curtos de cor acaju que lembrou muito mamãe.
Levei o carro ao Controlar da Vila Medeiros e o atendimento foi péssimo por parte do antipático funcionário que fica na guarita e tem a difícil função de levantar a cancela para que os carros passem. Parei e aguardei a cancela levantar... Nada. Uma fila se formou atrás de mim e os outros motoristas achavam que eu estava "segurando" a fila e atrapalhando tudo. Fiz gestos com as mãos para dizer que não estava entendo e não sabia porque a cancela não era levantada; uma funcionária conversava animadamente com o funcionário e ambos ignoravam os motoristas enfileirados aguardando entrar.
A funcionária percebeu nossa impaciência e disse: "É troca de turno, gente. Obrigada".
A dita cuja saiu e o funcionário ficou na guarita e falando ao celular; resumindo, ficamos uns bons vinte minutos aguardando a boa vontade de gente má educada e a suposta troca de turno.
Passamos pela cancela e coloquei o carro na posição pedida pelo agente que faria a inspeção; demorou um pouco e fiquei preocupada. Minha Nossa Senhora, mais um problema não. Oxe.
O carro passou e de lá fui à Vila Guilherme e depois ao Tatuapé. Passei em consulta com o oftalmologista e peguei o laudo com o ortopedista para autorização dos exames. O laudo diz, entre outras coisas: "Acromegalia, Doença do Crescimento, Gigantismo". Fiquei triste, bem triste. Onde já se viu o cabra véio com quarenta e cinco anos de idade nas costas e no resto do corpo e ainda crescendo? Oxe!
Mas esse crescimento é perigoso e acarreta inúmeros problemas. Estou com artrose espalhada pelos ossos e sinto-me cada dia mais entrevada, descer do carro ou me levantar de uma cadeira ou um acento qualquer é muito difícil para mim, subir escadas também. A pressão alta continua sempre desembestadamente alta, graças a Deus.
O cardiologista falou sobre os riscos trazidos pela pressão alta associada à minha doença de base, a Acromegalia.
Todos os dias eu saio e vou fazer exames, buscar exames, levar exames, ver médicos, buscar remédio, tomar remédios... 
Mas se isso for uma forma de pagamento por algo bom que virá a seguir, eu faço de bom grado. Tomara Deus que esse final de ano eu faça tudo o que for necessário e que o próximo ano seja melhor e eu tenha mais saúde. Sinto que "desperdiço" muito tempo com essa correria médica e que poderia fazer outras coisas que gosto, como trabalhar, mas se não tenho saúde suficiente, não dá para fazer muita coisa. 
Mas ficarei boa e terei saúde boa. Amém.
Até lá sigo meu caminho e faço o que é necessário.
Sigo meu caminho contando com a presença sempre forte, maternal e protetora de mamãe e de meu povo antigo.
Serei feliz, bem feliz.
É isso.

                                  

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Síndrome da Cauda Equina

                                       

Síndrome da Cauda Equina é uma condição neurológica, uma compressão aguda que afeta as raízes nervosas na região lombar da medula espinhal.
Os sintomas da síndrome são fraqueza nas pernas, perda de tônus muscular, dor, dormência e dificuldade de se levantar de uma cadeira, por exemplo. Corre-se um grande risco de ficar paralítico caso a descompressão não seja feita. 
Bom...
Voltei ao ortopedista e realizei radiografias na região lombar e nos joelhos; havia levado laudos e exames dos pés, mãos, joelhos e coluna e mostrei a ele. 
O diagnóstico não é muito agradável e foi constatada a onipresente e ubíqua artrose, mas o que me preocupou mesmo foi essa tal de síndrome de cauda equina. 
Reclamei de fraqueza nas pernas, dormência, dificuldade para me levantar de um lugar, como cadeira, sofá, cama... 
Estou me sentindo muito fraca, cansada e dolorida.
Farei exames de ressonância magnética, que são mais claros e precisos e até tudo ficar pronto, vou levando com remédios leves e fisioterapia. O médico suspendeu o uso contínuo de anti-inflamatórios, pois elevam a pressão arterial e eu sou hipertensa de pai e mãe.  
Farei os exames e o ortopedista estuda a possibilidade de nova cirurgia para a descompressão da medula na região lombar e para isso, precisará remover os parafusos e hastes que já estão lá. Vai dar um trabalhão danado de grande.
A boa notícia é que a cirurgia é feita com a ajuda de robô e a precisão é maior e a margem de erro muito menor. Ainda bem.
Saí do consultório meio chateada, eu já estava chateada pelo resultado dos exames de sangue e fiquei um pouco mais após a síndrome da cauda equina.
Mas é só mais uma fase besta que vai passar, se Deus quiser.
É isso.

Cauda Equina
                                  

                                       



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Andanças

Rafaela
                                         

Ontem bati os quatro cantos do mundo, andei mais que "tiradô de esprito", como dizia mamãe. Fui ao laboratório fazer exames, fui ao ortopedista, voltei ao laboratório para a segunda parte dos exames, fui à clínica veterinária para buscar o laudo médico de Aurora e depois fui ao Pet Center da Marginal para comprar a ração da gataiada. Ufa!
Aurora está se recuperando bem, graças a Deus.
Ainda passei na lojinha do meu irmão Fubá e beijei muito as pernas e os braços roliços de Rafaela, que está cada dia mais linda.
Adoro meus sobrinhos mas tenho queda maior pelas sobrinhas; meu cunhado Pepê havia notado isso. Acho que é porque eu quis tanto ter minha própria filha, Mariana, mas como ela não veio, eu "babo" nas sobrinhas. É uma forma de compensação.
Bom...
Saí de casa bem cedinho e a chuva que caíra no alvorecer dava um clima natalino ao dia. Sei explicar não, só sei sentir.
Subi pela Rua Tuiuti e admirei os eucaliptos do Parque do Piqueri molhados de chuva; lembrei do perfume exalado por eles. Borboletas coloridas passeavam pra lá e pra cá, um espetáculo de dança. 
Passo pela Melo Peixoto e observo a relva coberta de pequenas flores amarelas; lindo.
Jacarandás e Ipês floridos, lindos. O roxo das flores do jacarandá mimoso contrastava com o cinza do céu chuvoso. Das paineiras começam a brotar folhas novas e em breve teremos o espetáculo de suas flores róseas.
Então...
Fui ao ortopedista e levei exames pedidos pelos outros médicos; mudei de convênio, como já citei.
Cheguei ao local e de cara não gostei da desorganização das recepcionistas, era um "Toma lá da cá dos infernos"; cada uma que pegasse um documento, uma ficha; um caos. Pensei comigo: "Se eu não gostar do médico não volto mais aqui, muita bagunça".
Aguardo ser chamada e observo o teto decorado com gesso trabalhado em desenhos elegantes e antigos. O consultório fica em uma "casona" bonita no Tatuapé; casa antiga dos tempos em que prédio era coisa rara na região e só tinha no centro da cidade, mas hoje a ZL está invadida por prédios lindos e novinhos em folha. Prefiro casa.
O médico me chama e faço um breve relato do meu histórico: acromegalia, cirurgias, hipertensão, artrodese.... O doutor foi bem simpático, direto, sincero e papo reto, bem ao contrário do médico caminhoneiro e do médico galã. 
Ele leu os laudos dos exames e disse: "Palavras bonitas e difíceis mas que se resumem a um único problema: artrose". Gostei do cara, meu.
O doutor ortopedista foi muito claro e não usou de metáforas para explicar o caso; gosto assim. Ele disse que o remédio que atualmente tomo para controle da artrose está aumentando minha pressão; por isso que essa infame não sai do 17x11 de jeito nenhum! Os anti-inflamatórios aumentam a pressão.
Ele mudou para um medicamento mais leve e disse que devo fazer hidroginástica e fisioterapia pelo resto da vida. Já estou ficando "véinha" e com o avançar da idade o entrevamento das juntas só piora. A fisioterapia é processo longo e lento mas as melhorias são para sempre. 
O ortopedista ainda fez piadinha: "Evite chás e ervas do 'Tio João', se erva fosse boa, vaca não ficaria doente". Rimos.
O doutor tem pacientes mais idosas que adoram um chazinho e uma ervinha, no bom sentido, claro. Sabe essas pessoas que adoram simpatias, chazinhos e garrafadas e outras gororobas indicadas por "entendidos"? Tem sempre alguém que conhece alguém que tem problema igualzinho o nosso e que fez isso ou tomou aquilo e melhorou! Nossa!
Sou meio cética com essas e outras coisas, embora respeite.
É isso.
Voltarei.

                                

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ortopedista

Fui hoje ao ortopedista, meu ombro direito e meu pé esquerdo doem.
Cheguei cedo ao consultório e conseguir estacionar facilmente na vaga especial; não tinha nenhum espertinho estacionado. Ainda bem.
Fiz radiografias e vou tomar um remédio feito sob manipulação. Devo retornar em um mês para tomar mais três injeções no joelho. 
É a minha doença de base, a Acromegalia.
Entrego meu cartão do convênio médico e a nada simpática recepcionista me pergunta: "A senhora já tem ficha aqui?"
Ela se fez de besta, como dizia mamãe, pois vou a cada dois ou três meses ao consultório.
"Moça véia mais chata!", diria papai.
Aguardo sentada enquanto folheio uma revista e naturalmente, obviamente, claramente e escancaradamente sou observada pelas pessoas que ali aguardam. 
Às vezes eu acho que as pessoas pensam que devo ser algum travesti/transexual que fez cirurgia de mudança de sexo! Só pode ser.
Coisa mais chata!
Tinha uma mãe com duas crianças terríveis que corriam pra lá e pra cá e colocavam em risco a segurança dos pacientes e a delas mesmas. Alguém poderia tropeçar, esbarrar nelas, cair. A mãe só se limitava a dizer: "Ou vocês ficam quietos ou vão ficar de castigo".
Acho que preferiram ficar de castigo, pois continuaram a correr, a gritar, a infernizar.
Vi situação semelhante no laboratório onde fui fazer alguns de meus exames; o moleque corria, subia nas cadeiras, gritava, esbarrava nas pessoas e a mãe não se dignou a levantar a bunda da cadeira para pegar o filho mal educado e sem limites.
Quando éramos pequenos e saíamos com mamãe para algum lugar ou íamos à casa de algum parente ou conhecido, ela dizia: "Finjam que são educados. Se fizerem passar vergonha o couro vai comer quando a gente chegar em casa".
Ficávamos sentados e se a nós fosse oferecido alguma bebida ou comida só aceitávamos quando mamãe nos permitia, e isso sem falar nada! Bastava um olhar e pronto! Isso que era comunicação!
E por falar em comunicação, queria conseguir me comunicar por telepatia e dizer telepaticamente àqueles que me olham tanto: "Estão olhando o que? Vão olhar para a @#$%&!"
Mas eu sou educada.
Mas não sou de ferro e sou humana, demasiado humana.
É isso.

                                         


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Artrite

                                     


Voltei ao ortopedista conforme o combinado: tomar o remédio durante três meses e voltar para acompanhamento, para novos exames e para ver se houve alguma mudança.
Minha primeira visita ao médico foi para tratar uma inflamação no tarso, depois artrose no joelho e na coluna e agora artrite nas mãos.
O radiologista sabe meu nome e quando chego à clínica ortopédica sou cumprimentada por ele da seguinte forma: "E aí, Rejane, o comichão continua subindo?".
Perguntei ao médico a diferença entre artrose, artrite e osteoartrite e ele me explicou:
Artrose é uma doença degenerativa; é o desgaste da articulação (junta).
Artrite é a inflamação das articulações.
Osteoartrite é uma doença das articulações caracterizada por degeneração das cartilagens acompanhada de alterações das estruturas ósseas vizinhas.
Bom...
Estou sendo afetada/atacada por cada uma dessas "oses" e "ites" (joelho, coluna, mãos) e sinto-me muitas vezes entrevada, como dizia mamãe. 
No frio piora, dói muito mais e no calor as dores são amenas.
Prefiro o frio, é mais confortável para dormir e minha sudorese noturna diminui, mas piora as dores articulares. Alivia uma coisa e piora outra.
É a vida e é bonita, é bonita...
O médico disse também que minha doença, a Acromegalia, e a minha idade, quarenta e cinco anos, são fatores agravantes para a artrite, artrose e osteoartrite. 
Devo retornar em novembro para mais exames e provavelmente tomarei mais injeções no joelho.
Saí do consultório com o famigerado laudo médico para a perícia e o exame e o próprio doutor disse que só se os médicos peritos do DPME forem loucos em não me concederem o benefício.
Vai saber...
Ele também me aconselhou a usar luvas, me agasalhar bem e evitar mexer com água nos dias mais frios.
Eu não fiquei assustada com o resultado dos exames; eu meio que esperava por isso. Estou preparada para o que der e vier e para o que a Acromegalia me trouxer. Será uma briga até o fim: eu ataco e cerco a doença por todos os lados possíveis e ela encontra uma brecha para contra atacar.
E assim seguirei meu caminho sendo olhada, observada e admirada como uma celebridade às avessas.
Não vou me entregar, não vou bancar a vítima; tem gente em situação pior que a minha.
Vou trabalhar, vou cuidar dos meus gatos, das minhas plantas, vou ler meus livros, vou viver minha vida.
Como dizia mamãe: "Eu já comi toucinho com mais cabelo e Deus dá a cruz que cada um pode carregar".
Não estou alegre nem triste...

Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
CECÍLIA MEIRELES