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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Aniversário de Papai

                                                                  


Hoje, cinco de fevereiro, é/seria aniversário de papai.
Papai partiu três meses após completar sessenta e nove anos.
Papai já estava fraquinho, cansado, vista fraca, trabalhava tanto.
Eu sempre lembro de todos os aniversários da família, dos mais próximos, claro, como os aniversários dos meus irmãos e sobrinhos.
Lembro também dos aniversários de amigos e dos cunhados.
Tem gente que só lembra do próprio aniversário.
Bom, era isso.
Só queria lembrar o aniversário de papai:Pernambucano, palmeirense e macho.



                          

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Coma

                                          


Coma é a perda de consciência.
A pessoa não reage a estímulos e parece dormir profundamente.
Fiquei em coma por vinte e sete dias e quando despertei ainda demorei um tempo para saber o que era realidade e o que eram sonhos e visões. 
Continuei respirando com ajuda de aparelhos que foram lentamente retirados e/ou reduzidas suas funções.
Foi feita uma traqueostomia após minha parada cardio-respiratória; acordei com um peso enorme sobre meu peito e fazia uma força tremenda para respirar, mas não conseguia.
Meu peito pesava, doía e respondia lentamente aos estímulos e massagens dos fisioterapeutas. Eles diziam para eu fazer força, mas era como respirar com um caminhão em cima de mim. Não dava.
A pior parte era quando vinham fazer aspiração da traqueostomia, era horrível. Eu não podia me mexer muito e a sensação daquele procedimento era como se o ar estivesse sendo retirado dos meus pulmões e minha vida junto.
Foi uma temporada difícil, meu Deus.
Uma enfermeira me deu um líquido azul para tomar para ver se eu já poderia me alimentar com comida sólida; eu engasgava um pouco, mas fui lentamente melhorando.
Eu dormia e acordava e não sabia se estava no mundo real ou se no mundo do coma.
Tinha medo das coisas que eu vi.
Outras coisas me encheram de esperança.
Levei Morena Rosa à clínica veterinária para tirar os pontos; ela ficou estressada e não queria ir. Voltamos depois para casa e ela voltou sonolenta e dorme agora.
A assistente da veterinária disse que se eu quiser posso levar os dois machos para a castração, mas decidi que não levarei. Meus machos são frágeis, meigos, delicados, carentes e o impacto e estresse de uma cirurgia seria demais para eles.
Léo Caramelo já enfrenta deformidade física em suas patas traseiras e enxerga muito mal com seus belos olhos azuis e vesgos.
Ébano Nêgo Lindo é meigo e dorme com a patinha em minha mão, acho que não aguentaria alguns dias longe de casa e trancado e isolado em um cubículo frio.
As fêmeas são mais fortes.


                                            

domingo, 27 de maio de 2012

Itália

Paróquia de Casa Luce
                                              
Papai tinha orgulho de dizer que era nordestino neto de "intaliano", além de pernambucano, palmeirense e macho! Exatamente nessa ordem.
São Paulo é a cidade mais italiana fora da Itália e a partir do mês de maio podemos apreciar a cultura, a música, a alegria e principalmente a culinária italiana nas festas típicas de Casa Luce, San Genaro, San Vito, Achiropita e quermesses de bairro.
Muito macarrão, vinho quente, quentão, bolos, doces, jogos e muita alegria.
São festas juninas que trazem o melhor do sertão com o melhor da Itália e esquentam as frias noites do outono/inverno paulistano.
Ontem fomos eu, minha irmã Rosi, meu cunhado Pepê e minha sobrinha Beatriz à Festa de Casa Luce (Casa de Luz) no bairro do Brás, um bairro tipicamente italiano mas que recebeu e recebe migrantes e imigrantes de outras paragens: italianos, nordestinos, coreanos, bolivianos...
São Paulo está sempre de braços abertos a receber gente dos quatro cantos do mundo.
Passeamos pela Rua Caetano Pinto, entramos na Paróquia de Casa Luce e depois fomos degustar uma bela macarronada da mamma ao som de belas canções italianas.
São canções conhecidas por nós, pois ouvíamos no rádio que ficava sempre ligado quando mamãe ficava em casa. Adorávamos quando mamãe saía mais cedo do trabalho ou quando não ia trabalhar. Ela trabalhava em casa, e muito, mas estávamos em sua companhia, para nossa alegria.
Músicas como "Torneró, Io que amo solo te, Dio come ti amo, Roberta, Champagne" eram tocadas no rádio e cantávamos num italiano improvisado. Algumas músicas também foram temas de novelas e é muito bom ouvir de novo boas canções.
Fotografei a capela, o cantor de bela voz e Beatriz se deliciando com o macarrão.
Rosi perguntou se ela queria mais alguma coisa e ela disse: "Não, mãe. Eu vou si matar com esse spaghetti aqui".
E enquanto definíamos o cardápio, eu pergunto à Beatriz se ela queria macarrão e ela disse: "Macarrão não, eu quero spaghetti".
É isso.


Beatriz degustando o macarrão da mamma
                                      

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

São tantas emoções

Estive bem triste esses dias, bem deprê mesmo! Sou humana, demasiado humana (Nietzsche).
Deixei de fazer coisas que gosto, de ver pessoas que gosto e de ir a lugares que gosto: basicamente à casa da minha irmã e ao Pet SHop para comprar a ração das minhas gatas. Isso sem contar visitas a médicos gatinhos (sim, meus médicos são gatíssimos), visitas à farmácia para comprar tudo no cartão de crédito e quando a fatura chegar só pagar o mínimo. O pobreza! Queria ser pobre só uma vez na vida, porque todo dia é dose!
Fico imaginando a dificuldade pela qual passam idosos aposentados; recebem o salário mínimo e o deixam praticamente na farmácia. Os remédios são caros demais! É muita ganância e mesquinhez lucrar com a doença das pessoas!
Pensei em me isolar das pessoas, de tudo e de todos. Escrevi e-mails para a Silvia, uma amiga muito bacana e ela sugeriu a ideia do blog. Ela e eu pesquisamos sobre Acromegalia, mas não encontramos muita coisa. E o curioso é que quando finalmente encontramos alguma informação, nos surpreendemos com o número de pessoas acromegálicas no Brasil e no mundo! Então por que essa doença é tão desconhecida?
Fiquei bastante animada com a ideia do blog e seria estranho eu me isolar de uma das minhas maiores paixões: ler e escrever. E além do mais, esse blog tem o intuito de trocar informações com pessoas que, acromegálicas ou não têm o desejo de buscar conhecimento (não, não é o E.T. Bilú !) e evitar/desfazer o preconceito.
E decidi...Não, não vou me isolar de jeito maneira jeito qualidade! Não tenho culpa de ser acromegálica!Não tenho culpa de não me encaixar nos padrões de beleza estabelecidos. Estabelecidos por quem mesmo?
Tenho o direito de ir e vir. Como dizia minha titância mãe, sou honesta, sou cumpridora dos meus deveres e não desejo mal a quase ninguém.
Se queremos respeito temos primeiramente de respeitar e nos fazer respeitar. Então é isso. Se me olham, dou um sorriso, se insistem, pergunto se posso ajudar. Isso deixa a pessoa sem graça, desarmada, com cara de bunda mesmo. Bunda tem cara?
Falei hoje com o Valdir, um amigo acromegálico e perguntei se poderia mencioná-lo no blog. Ele concordou. Um cara legal, trabalhador esse Valdir. Vive ocupado.
Estou divulgando meu blog e minha irmã Renata também está divulgando entre suas amigas. Minha irmã não é o Roberto Carlos, mas ela tem um milhão de amigos!     
...                                                                           
Bom...minha cabeça está a mil. Tenho lido muito e retorno à escrita. As lembranças e as saudades de meus pais me trazem de volta memórias que fazem parte do que nós somos hoje. 
São tantas emoções...
No caminho de volta para casa, hoje à tarde, lembrei-me de algumas frases absurdas de papai. Meu Deus, era muita "inguinoránça!"
Para começar, papai dizia que era um homem sem defeito, era o homem de Deus. Aliás, segundo ele mesmo, meu pai e não Deus, o único defeito que ele tinha era o de ser pobre. Era honesto, trabalhador, nordestino e cabra macho.
Certa vez, no que deveria ser um simples exame de próstata, papai revoltou-se e disse essa pérola ao médico: "Sou pernambucano, Palmeirense e Macho! E ninguém vai enfiar o dedo no meu r...!".
Papai também trocava as letras e as sílabas das palavras, as pronunciava com seu jeito particular, sua própria marca de oralidade. Pesquisávamos nos livros - não havia Internet naquela época - sobre sanguessuga e papai nos corrigiu a pronúncia; disse que não era sanguessuga e sim xamexuga! Não adiantou tentar convencê-lo do contrário e ainda lhe mostramos o livro. Papai disse: "O livro está errado! É xamexuga"!.
É..."A inguinórança astravanca o pogresso!"
José Soares. Meu pai.
Pernambucano, Palmeirense e Macho!