Cuidei das plantas e tive a "ajuda" dos gatos, principalmente na adubagem natural. Tarde bonita de céu azul e vento frio. Outono. Estou cansada hoje. Amanhã é outro dia.
Essa flor atrai beija-flores, mas com essa minha gataiada...
Léo Caramelo tem o rabo "quebrado" e muitas pessoas disseram que é típico de gatos da raça Manx (Ilha de Man), na costa oeste de Inglaterra. Os gatos dessa raça normalmente têm cauda curta ou nascem sem ela. Postei algumas fotos de Léo Caramelo e a partir daí surgiram os comentários a respeito de sua cauda, beleza e simpatia. Já Morena Rosa é siamesa e tem cauda normal. Quando chegou aqui mancava um pouco, mas agora está bem melhor. Acho que ela machucou a perninha quando a jogaram de qualquer jeito em meu quintal.
As pessoas são cruéis, às vezes. Bom... Mas o importante é que estão todos bem. Saudáveis, terríveis e lindos. Graças a Deus.
Léo Caramelo com sua cauda "quebrada" de Gato de Manx
Têm dias que meus gatos estão terríveis e hoje foi um desses dias. Cavaram a terra das plantas. Arrancaram as plantas dos vasos. Espalharam a terra dos vasos. Olham para cima e para mim quando veem passarinhos empoleirados no telhado e querem porque querem que eu pegue os passarinhos para eles. Eu não posso voar e nem que pudesse eu faria uma maldade desses com pobres penosos. Correm pra lá e pra cá, derrubam o que estiver no caminho, são manhosos, mimados e mal acostumados. Quando os gatos tinham esse "ataque de loucura", minha avó Mãevelha dizia que eles estavam adivinhando chuva. E não é que choveu mesmo?!
Estive bem triste esses dias. Choveu muito esses dias. A chuva e o tempo fechado, o céu cinzento e carregado confundiam-se com meus sentimentos. Estavam carregados, cinzentos... Chovia lá fora e dentro de mim. Sinto-me como Tântalo, aquele que, desejando muito uma coisa, sempre a ver escapar quando está prestes a alcançá-la. Fui Tântalo a vida inteira, mas também não quero ser Midas ou Íxion e cansei de ser Sísifo. Tudo tem que valer a pena se a alma não for pequena, já dizia Fernando Pessoa. Bom... Mas a chuva uma hora deixa de cair e cede lugar ao sol. Desanuvia, estia, lá vem o sol. Minhas gatas percebem minha tristeza e me seguem por toda a parte. Penso que querem comida, água, leite ou querem que eu troque a areia sanitária. Mas já fiz tudo isso e elas continuam a me seguir e a miar. Sento - me no sofá e uma a uma senta-se ao meu lado e fazem gracinhas que me fazem rir. Levanto-me e vou para a cozinha preparar um bom café. Coloco a água para ferver e escuto um miado dengoso, charmoso, manhoso. Vou ver o que está acontecendo e vejo Branca Maria me chamar com o olhar. Me aproximo e ela estende o bracinho para me alcançar; me toca com a patinha me pedindo para chegar mais perto. Branca Maria fica de pé e envolve seus braços no meu pescoço. É um abraço. Um abraço de conforto, de aconchego, de bem querer. Abraço Branca Maria de volta. Faço-lhe carinho, dou-lhe amor e agradeço-lhe pelo abraço vindo em tão boa hora. Deus e o povo lá de cima viram minha agonia e me mandaram um aconchego, um dengo, um chamego, um abraço por Branca Maria. Uma pessoa muito querida de outro plano sempre canta uma cançãozinha simples quando recebe um abraço bom, forte e verdadeiro, é assim: "Mas um abraço dado de bom coração, vale mais que uma bença, uma bença, uma benção". Tenho respeito, curiosidade e fascínio por todas as religiões, culturas e povos. Então, assim como respeito a tudo e a todos, exijo o mesmo respeito de volta. Simples. Já disse e não me canso de repetir: Ninguém precisa amar os animais como eu amo, mas todos têm a obrigação de respeitá-los. Meu avô, meu amado avô Paipreto dizia que Deus descia à Terra disfarçado de bicho bruto (animais, na linguagem do meu avô) para ver como as pessoas tratavam Suas Criaturas. Se depender de mim, Deus, Você nem precisa se dar ao trabalho de descer à essa Terra de gente tão má, mesquinha, falsa moralista, preconceituosa...Mas tem gente boa também, eu sou uma delas (sem falsa modéstia. se a beleza de coração, alma e caráter transfigurarem-se em beleza exterior, eu seria a criatura mais bela desse mundo de meu Deus). Mas se as pessoas perfeitas não me veem assim, minha bicharada vê. E o povo lá de cima também, assim como as pessoas boas daqui: Silvia, Azenilda (Amiguinha), Cláudia, Rosi, Cleusa, Pedro, Preta... E tem gente boa por demais, graças a Deus! Um abraço cheio de chamego, aconchego, bem querer e bençãos a todos.
São duas gatas brancas, meigas e dengosas. São irmãs e é difícil distinguir quem é quem. Mas mesmo sendo muito parecidas fisicamente, Branca e Alice têm personalidades diferentes. Alice é meiga, charmosa, dengosa, lânguida e chorona. Branca é calada, antissocial, gosta de ficar na dela, mas é mais carente. Gosta de se enfiar em lugares que não cabe mais e que cabia quando era pequenininha, mas deve achar ainda que é filhote. Conheço humanos assim também. As duas, assim como Aurora Maria e Ébano Panda Massimino da Silva dormem comigo e disputam à patas o melhor lugar na cama para ficar mais perto de mim. A história de Branca Maria e Alice Maria é a seguinte: Acabou o Pet Formula de Aurora e fui ao Pet Shop comprar mais. Lá chegando vi uma gaiola com um aviso: "Doa-se gatinhas fêmeas". A dona da loja percebeu meu interesse e disse que foi uma cria de seis gatinhos, quatro machos e as duas fêmeas que ninguém queria só por serem fêmeas. Será que essas pessoas já ouviram falar em médico veterinário, remédios e castração? Eu já. Bom... Aproximei-me da gaiola e as duas que estavam encolhidas lá no fundo correram até a grade e miaram desesperadamente. Entendi aquele miado como um pedido de socorro, então disse à dona da loja que levaria as duas. Não seria justo deixar uma irmã para trás. Branca e Alice exerceram uma boa influência em Aurora, que deixou a mamadeira de lado e começou a comer com as duas novas companheiras. Tenho um amor incondicional por essas criaturas que dependem de mim e confiam em mim. Sempre digo que ninguém é obrigado a amar os animais como eu amo, mas todo mundo tem a OBRIGAÇÃO de respeitá-los! Há tanta crueldade contra os bichos, meu Deus. Crueldade praticada pelo bicho Homem, o animal racional. Bom... Preciso ir. Aurora Maria, a terrível; Alice Maria, a meiga; Branca Maria, a carente e Ébano, o bolo fofo, peludo, esperto e homem da casa aguardam o leitinho morno antes de dormir. E tem que ser leite Ninho em pó feito na hora! É do lixo para o luxo, como diz meu irmão Naldão, o de saúde perfeita.
Estive bem triste esses dias, bem deprê mesmo! Sou humana, demasiado humana (Nietzsche). Deixei de fazer coisas que gosto, de ver pessoas que gosto e de ir a lugares que gosto: basicamente à casa da minha irmã e ao Pet SHop para comprar a ração das minhas gatas. Isso sem contar visitas a médicos gatinhos (sim, meus médicos são gatíssimos), visitas à farmácia para comprar tudo no cartão de crédito e quando a fatura chegar só pagar o mínimo. O pobreza! Queria ser pobre só uma vez na vida, porque todo dia é dose! Fico imaginando a dificuldade pela qual passam idosos aposentados; recebem o salário mínimo e o deixam praticamente na farmácia. Os remédios são caros demais! É muita ganância e mesquinhez lucrar com a doença das pessoas! Pensei em me isolar das pessoas, de tudo e de todos. Escrevi e-mails para a Silvia, uma amiga muito bacana e ela sugeriu a ideia do blog. Ela e eu pesquisamos sobre Acromegalia, mas não encontramos muita coisa. E o curioso é que quando finalmente encontramos alguma informação, nos surpreendemos com o número de pessoas acromegálicas no Brasil e no mundo! Então por que essa doença é tão desconhecida? Fiquei bastante animada com a ideia do blog e seria estranho eu me isolar de uma das minhas maiores paixões: ler e escrever. E além do mais, esse blog tem o intuito de trocar informações com pessoas que, acromegálicas ou não têm o desejo de buscar conhecimento (não, não é o E.T. Bilú !) e evitar/desfazer o preconceito. E decidi...Não, não vou me isolar de jeito maneira jeito qualidade! Não tenho culpa de ser acromegálica!Não tenho culpa de não me encaixar nos padrões de beleza estabelecidos. Estabelecidos por quem mesmo? Tenho o direito de ir e vir. Como dizia minha titância mãe, sou honesta, sou cumpridora dos meus deveres e não desejo mal a quase ninguém. Se queremos respeito temos primeiramente de respeitar e nos fazer respeitar. Então é isso. Se me olham, dou um sorriso, se insistem, pergunto se posso ajudar. Isso deixa a pessoa sem graça, desarmada, com cara de bunda mesmo. Bunda tem cara? Falei hoje com o Valdir, um amigo acromegálico e perguntei se poderia mencioná-lo no blog. Ele concordou. Um cara legal, trabalhador esse Valdir. Vive ocupado. Estou divulgando meu blog e minha irmã Renata também está divulgando entre suas amigas. Minha irmã não é o Roberto Carlos, mas ela tem um milhão de amigos! ... Bom...minha cabeça está a mil. Tenho lido muito e retorno à escrita. As lembranças e as saudades de meus pais me trazem de volta memórias que fazem parte do que nós somos hoje. São tantas emoções... No caminho de volta para casa, hoje à tarde, lembrei-me de algumas frases absurdas de papai. Meu Deus, era muita "inguinoránça!" Para começar, papai dizia que era um homem sem defeito, era o homem de Deus. Aliás, segundo ele mesmo, meu pai e não Deus, o único defeito que ele tinha era o de ser pobre. Era honesto, trabalhador, nordestino e cabra macho. Certa vez, no que deveria ser um simples exame de próstata, papai revoltou-se e disse essa pérola ao médico: "Sou pernambucano, Palmeirense e Macho! E ninguém vai enfiar o dedo no meu r...!". Papai também trocava as letras e as sílabas das palavras, as pronunciava com seu jeito particular, sua própria marca de oralidade. Pesquisávamos nos livros - não havia Internet naquela época - sobre sanguessuga e papai nos corrigiu a pronúncia; disse que não era sanguessuga e sim xamexuga! Não adiantou tentar convencê-lo do contrário e ainda lhe mostramos o livro. Papai disse: "O livro está errado! É xamexuga"!. É..."A inguinórança astravanca o pogresso!"
José Soares. Meu pai. Pernambucano, Palmeirense e Macho!