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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Melão

                             


Estava na sala dos professores e o funcionário da cantina traz café, chá e o lanche do dia. O lanche varia de frutas a bolachas, entre outros.
A fruta do dia foi melão e eu gosto bastante. Peguei duas fatias, o melão estava docinho e delicioso.
Os professores se serviram de uma ou duas fatias da fruta, exceto uma professora ranzinza, gulosa, grosseira e que se parece com a Bruxa do 71 do  Chaves.
Ela comia as fatias do melão como se nunca tivesse comido aquela fruta antes ou como se não comesse nada há uns três dias, pelo menos.
Como diz um conhecido meu: "Que falta de classe!"
Enquanto devorava a fruta, dizia que aquilo seria sua janta e isso às três e meia da tarde.
Engolia e falava: "Estou de regime. Eu não vou jantar, isso aqui é minha janta. Melão é bom pra emagrecer, já emagreci dez quilos. Melão é bom pra pressão alta, eu tenho pressão alta. Vocês são ruins de boca, então vou comer tudo. Tem muito melão...blá, blá, blá..."
Pensei comigo: "Eita mulherzinha mundiçada, acanalhada; (gulosa, mal educada, porca)!"
Como dizia mamãe, essa professora deve ser do tipo de pessoa que come tudo o que estiver pela frente só para economizar e não gastar o que tem em casa. 
Eita mundiça!



                                       



domingo, 2 de setembro de 2012

Mundiça

                                            

Papai, claro, queria as coisas durassem o máximo possível e ficava muito brabo quando mamãe dizia: "As coisas estão acabando, meu velho, tem que fazer as compras".
Se mamãe falasse que acabou o sabão para lavar roupas ou se a mistura ia ser ovo... Vixe!
Fazíamos as compras e íamos à feira com mamãe e sobre a mesa colocávamos a fruteira carregada com laranjas e bananas, isso no sábado, na terça-feira já não tinha mais nada e papai ficava doido e dava-lhe sermão: "Mas será Deus impussivi?! Já acabou as fruitas que tu comprasse no sábado?! Que povo acanalhado! Amundiçado!"
Mamãe tentava explicar o que papai não queria ver nem entender; a família era grande, os filhos estavam em fase de crescimento e é normal ter um grande apetite, que os "primos" também comiam as frutas....
Os "primos" entre aspas eram rapazes solteiros ou homens casados e pais de família que vinham para São Paulo em busca de trabalho. Esses homens eram conhecidos de algum parente nosso que ficara lá em Pernambuco; bastava dizer que o pai conheceu o avô, da mãe, da tia, da sobrinha, de alguém que conheceu nossos avôs e pronto, era "primo"!
Dizíamos "primos" porque soava menos estranho e evitaria perguntas capciosas, pois era estranho colocar dentro de casa desconhecidos recém chegados de outro lugar que diziam ser parente ou conhecido de algum parente ou conhecido de nossos pais ou avós.
Bom, mas essa fase já passou, graças a Deus.
Eu achava engraçado papai falar "mundiça" e "acanalhado" e tempos depois fui descobrir que "mundiça" significava "imundice" e "acanalhado" significava alguém muito guloso, sem educação, zóião mesmo.
Eu estava em sala de aula e tentava fazer a chamada de quarenta e cinco doces e barulhentos alunos quando um deles diz: "Cala a boca, mundiça! Deixa a professora falar!"
Eu parei para rir e eles adoraram, claro.
É isso.

                                                   

                                      

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Docinhos

                                              


Fomos à uma festinha de aniversário muito simples. Era apenas um bolinho, alguns docinhos e refrigerantes.
A casa do aniversariante era bem simples também, quase nem cabia todos os ilustres convidados.
Fomos papai, mamãe, eu, Rogério, Naldão, Fubá e a pequena Rosi, na época.
Seria um pedaço de bolo, um beijinho e um brigadeiro para cada convidado e pronto. 
Aguardávamos impacientes pelo "Parabéns a você..." para podermos finalmente comer o bolo e os docinhos. Rosi queria um dos doces: brigadeiro e beijinho, mas a dona da casa disse que não podia comer ainda e colocou as bandejas em cima da geladeira, fora do nosso alcance. Mas ela não contava com nossa astúcia!
Rogério, Naldão e eu éramos grandões já naquela época e podíamos alcançar a geladeira. Como a casa era muito pequena, ficamos espremidos na cozinha bem ao lado da geladeira e era exatamente o que precisávamos.
Disfarçamos e pegamos alguns docinhos, mas o auge da gula somada à esperteza e falta de educação foi quando apagaram as luzes para cantar o "Parabéns...".
Eu, Rogério e Naldão alcançamos as bandejas com os doces e atacamos o mais rapidamente que pudemos. As luzes são acesas e tentamos disfarçar nossas bocas cheias e nossa cara de pau. 
O aniversariante corta o bolo e a dona da casa vai pegar os doces, mas cadê?! As duas bandejas com brigadeiro e beijinho estavam vazias! 
A mulher ficou doida: "Mas que falta de educação! Que coisa feia! Quem fez isso?! Gentalha! Bando de @#$%¨*!"
Nós tentávamos segurar o riso e ao mesmo tempo fazer cara de indignação.
Voltamos para casa e papai e mamãe perguntam: "Foram vocês que comeram escondido os doces da festa, não foram não? Vocês me matam-me de vergonha! Isso é coisa de gente amundiçada!"
"É mãe, mas a mulher é a maior mão de vaca, a gente pediu um docinho só e ela falou que não podia, então nós catamos e comemos tudo. Bem feito! Só pra deixar de ser miserável!".
Ainda hoje Rogério lembra desse causo e damos boas gargalhadas.