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sábado, 9 de março de 2013

Dom Bruxético

                                     


Um conhecido de longa data diz que eu tenho um "dom bruxético".
Acho que ele quis se referir a um desconfiomêtro, sensibilidade, percepção extra sensorial e afins.
É assim, se eu não simpatizar com a pessoa e o nosso santo não cruzar, não adianta forçar a barra.
Isso acontece com os médicos, colegas de trabalho, locais e situações e até mesmo com familiares. 
Levei meu Ébano para consulta e esperava encontrar os veterinários com os quais estou acostumada, mas um deles não trabalha mais no local e o outro havia saído; fui atendida por uma veterinária desconhecida para mim.
A moça mostrou-se simpática e educada, mas não topei com a fachada dela.
Judiou do gato, fez mil subjeções e me assustou com suas teses e probabilidades do que poderia vir a ser a doença do meu gato. Estranhei e me estressei.
Por que tanto mistério e elucubrações se o diagnóstico de Ébano é semelhante ao de Aurora e Léo Caramelo?
Percebi que a médica é inexperiente e quis mostrar serviço fazendo e falando mil coisas diferentes e assustadoras.
Ligaram para eu comparecer ao local e conversar com a outra veterinária e, de cara, gostei dela. Bem mais experiente, precisa, direta ao ponto e sem firulas. 
Fiquei mais aliviada ao falar com ela e trouxe meu Ébano Nêgo Lindo para casa. Ele ainda urina com dificuldade, mas está bem melhor do que estava antes e até comeu um pouco.
Quando o levei, estava com quarenta graus de febre e com muita dor.
Enquanto tirava Ébano da gaiola, reparei em um cachorro na gaiola de baixo e fiquei com dó dele. O bichinho tremia e tinha problemas renais e hepáticos. Pedi a São Lázaro e São Francisco que cuidem dele também.
Não gosto de ver nada nem ninguém sofrer; muito menos bicho, seja ele bicho homem ou bicho animal.
Bom..
Não tive a intenção de desmerecer a veterinária inexperiente, mas espero não encontrá-la novamente caso precise retornar com qualquer um dos meus gatos.
Ela pode ser uma boa pessoa mas não gostei dela como profissional.
É isso.

                                   


                                     

sexta-feira, 8 de março de 2013

Meu Ébano

Meu Ébano
                              

Meu Ébano Nêgo Lindo está internado desde ontem; infecção urinária.
Meu neguinho lindo é esperto, ativo, curioso, brincalhão, mas anteontem o percebi muito quieto e dorminhoco. 
Dormiu comigo e senti que estava muito quente; não se levantou para beber, comer ou usar a areia sanitária. Desconfiei que algo estava errado e o levei ao veterinário.
Sua bexiga estava cheia mas ele não conseguia urinar; tinha dores e por isso ficava tão quietinho.
O levei para a consulta mas não aguentei ver tudo. Muita judiação, para o bem, claro, mas é muita. Rasparam seu lindo, macio e sedoso pelo negro para tirar sangue e aplicar medicamentos. Chorei tanto, meu Deus.
Ele me olhava com seus lindos e enormes olhos amarelos e se esgueirava até a mim; queria que o pegasse no colo e eu o peguei. Mas a veterinária meio impaciente o tomou de mim e o levou para outra sala para terminar os procedimentos.
Quando ela terminou, o trouxe de volta para mim e ele deitou-se no meu colo por um bom tempo. Fiz-lhe carinhos, falei com ele, chorei.
Liguei hoje inúmeras vezes e sempre me asseguraram que ele está bem.
Mas será que está mesmo? O mais importante é aliviá-lo dessa dor e eliminar o problema.
Amanhã irei vê-lo. Ele fará exame de ultrassonografia; já fez exames de sangue e urina e aguardo os resultados.
Permita Deus que ele fique bom e volte para casa comigo.
Fui e sou criticada pelos gastos que tenho com meus gatos, mas não vou levar nenhum centavo quando morrer.
Seria justo deixar um animal sofrer com dor? Têm idiotas que dizem que os animais não sentem nada. Como não?! Animais por acaso são robôs?!
Meu neguinho lindo está sendo medicado e bem cuidado e eu vou me desdobrar para poder pagar tudo isso.
Eu vou conseguir, meu Deus, eu vou conseguir.
Amém.


Ébano Nêgo Lindo
                                 

domingo, 3 de março de 2013

Visita de Rafaela

Rafaela
                                  

Meu irmão Fubá veio aqui em casa essa semana e trouxe Rafaela, minha linda, inteligente e fofa sobrinha.
Rafaela quer tomar a iniciativa sozinha, decide o que quer fazer e para onde quer ir, adora os gatos e ficou encantada com os peixes e as flores do meu jardim.
Andou pela casa, pediu água, me mandou sentar, me chamava quando precisava de ajuda para ultrapassar um grande obstáculo para suas pequenas pernas.
Olhava para os gatos e dizia "Oi" e não parou um minuto. 
Os pequenos têm uma energia que não acaba, enquanto nós adultos nos cansamos rapidamente.
Mas será que nos cansamos ou somos impacientes?
Será que a energia dos pequenos é bem maior que a nossa que só está voltada aos problemas do dia a dia?
Não estamos tão velhos assim, estamos impacientes. Perdemos o encantamento, o deslumbrar-se ao descobrir algo novo, por mais simples que seja.
Estamos mais frios, endurecidos e sempre sem tempo.
Vejo mães e pais dizendo aos filhos para não perturbar, não fazer tanta pergunta; dizendo para ficar quietinho, pois a novela já vai começar.
Pais e mães que não leem para os filhos porque não têm tempo ou que não ajudam os filhos com as tarefas escolares porque não sabem de nada.
Mas esses mesmos pais e mães têm tempo para a TV, para bater perna, para passar longas horas no cabeleireiro, com os amigos etc...
Mas eu falava sobre minha sobrinha Rafaela.
A pequena andou e explorou todos os cantos possíveis da casa e não queria ir embora quando a mãe chegou para buscá-la com pai.
Rafaela colocou a mochila nas costas, entrou e fechou o portão atrás de si, jogou beijos aos pais e os deixou do lado de fora.
A mãe a chamou para ir embora e a pequena dizia "não".
Depois de um tempo, Rafaela abre o portão, segura na minha mão e me leva até o carro do pai; queria eu entrasse e fosse junto com ela.
Acho que ela gostou da minha casa e da casa da minha irmã Rosi porque têm mais espaço. Rafaela mora em uma casa pequena e não tem quintal para brincar e correr.
Rafaela foi embora com os pais e eu pedi a Deus que os proteja a todos assim como toda a minha enorme família.
Que o amor de Rafaela pelos bichos e pelas flores continue a crescer com ela.
Que Rafaela torne-se uma pessoa boa e amante da Natureza.
Tomara que quando ela crescer e escolher uma profissão, escolha Veterinária, só para pagar a língua do seu pai.
Deus permita e os anjos digam amém.
Assim seja.

Flores do meu jardim
Rafaela jogando beijos aos pais
Rafaela fechando o portão depois de se despedir dos pais
  

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Veterinária

                                  

Aurora amanheceu doentinha, tinha dificuldade para urinar e quando conseguia, urinava muito pouco e com sinais de sangue. Fiquei muito preocupada.
Aurora ficou quietinha, amuada e desanimada e logo ela que é tão ativa, esperta e "terrivi".
Liguei para a clínica veterinária e levei minha Aurora para consulta.
Aguardei alguns minutos e enquanto aguardava, observava em volta. Os minutos pareceram horas, eu estava preocupadíssima com minha gata favorita de todo o Universo e todas as Galáxias. Só quem sabe o que é amor pode entender.
O funcionário me chama para fazer o cadastro e enquanto forneço os dados necessários percebo duas imagens de santos na prateleira dos remédios: Santa Rita de Cássia e São Francisco de Assis. Pedi-lhes que cuidassem de minha Aurora e que nada de mais grave acontecesse com ela. Chorei. Estou ficando chorona por demais, minha Nossa Senhora! Será a idade? A Acromegalia? Tudo junto? Sei não.
A veterinária pede para eu subir mas eu tenho dificuldades e um funcionário da clínica me ajuda, ele sobe com a gaiola de Aurora.
A simpática e agradável veterinária examina minha Aurora e constata que ela está com inflamação na bexiga, por isso tem dificuldade para urinar. Diagnóstico feito e a primeira dose da medicação é aplicada na minha gata; desço para comprar os remédios receitados pela médica veterinária e para acertar a conta. Devo retornar sábado para fazer um ultrassom em Aurora para ver se as pedras ou cristais instalados em sua bexiga podem ser removidos com remédios, permita Deus que sim.
A veterinária me orientou a mudar a alimentação de todos os gatos e disse que essas rações mais comerciais têm grande quantidade de sal o que mais cedo ou mais tarde prejudica a saúde dos bichinhos. Cachorros também sofrem com o mesmo problema.
Saí do consultório mais aliviada e trouxe Aurora medicada e sonolenta, precisei sair mas fui agoniada, avexada e aperreada, será que ela ficaria bem até eu voltar? Permita Deus que sim.
Voltei depois e encontro Aurora caminhando pelo quintal e perseguindo Preta Maria e ao perceber que cheguei, minha terrível favorita correu ao meu encontro, se esfregou em minhas pernas e me olhou com seus enormes olhos de gato selvagem. 
Ela estava melhor, graças a Deus.

Santa Rita
São Francisco
                                           


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Memória

                                                   


Lembro de causos e acontecimentos de quando era muito criança, mas tenho dificuldade de lembrar coisas atuais.
Fui levar Morena Rosa para a veterinária e lá chegando dou as informações básicas, mas na hora de falar o número do telefone...
"Esqueci! Vou pra casa e de lá te ligo para te falar meu número"
E foi o que fiz.
Eu tinha mania de guardar papéis, documentos e até dinheiro dentro dos livros. Ficavam lá e eu me esquecia.
Tempos depois eu ia fazer a limpeza, adorava tirar meus livros da estante e limpar um por um e depois colocar de volta um por um, e encontrava coisas que eu nem lembrava que existiam ou que eu tivesse colocado lá.
Muitas vezes mamãe via-se nervosa por estar acabando as coisas em casa e não tinha dinheiro nem para o cigarro; o problema maior era papai, que não comia sem mistura, tinha que ter carne, ovo nem pensar. 
Papai ficava bravo ao voltar do trabalho e saber que iria jantar arroz, feijão, farinha e ovo: "Oxe, e não tem carne não, é?"
"É fim de mês, meu velho, as coisas estão acabando, graças a Deus. Você quer que eu faça milagre, é?"
"Eu não vou comer sem mistura!"
"Oxe, pai. É só misturar o arroz com o feijão e pronto!"
Papai ficava doido.
Fim de tarde e mamãe começa a preparar o jantar; ela sabe que papai iria reclamar da falta de carne e da presença de ovo, de novo.
Mamãe tem uma ideia: "Vou procurar nos livros! Quem sabe Rejane não esqueceu um dinheirinho dentro de um deles?"
Mamãe procura e acha.
Chego do trabalho e encontro a mesa farta; mamãe fumando cigarros de um maço cheio, café quentinho e cheiroso, panelas cheias no fogão, graças a Deus.
"Oxe, mãe, onde a senhora conseguiu dinheiro pra comprar as coisas? Pegou emprestado com alguém, foi?"
Mamãe sorri e diz: "É que tem alguém aqui em casa que deixa dinheiro nos livros e esquece".
Outras vezes conhecidos iam à nossa casa para pedir ajuda à mamãe e ela dividia o pouco que tinha. Às vezes a pessoa precisava de dinheiro para a condução, para comprar leite ou remédio para o filho e mamãe dizia: "Tenho não, meu filho. Estou esperando meu velho e meus filhos receberem"
Mamãe pensava um pouco: "Espere aí. Vou dar uma olhada nos livros da minha menina mais velha"
Mamãe com o livro nas mãos, olha para o céu e diz: "Deus abençoe minha filha e os livros dela"
Amém.


Alguns dos meus preciosos livros
                                           

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Veterinária

Morena Rosa
                                              
Levei Morena Rosa à clínica veterinária.
Ela está com quase seis meses e já despertou o interesse romântico dos dois machos da casa: Ébano Nêgo Lindo e Léo Caramelo.
Conheço pessoas que não têm animais, que assumidamente não gostam de animais, mas que acham uma maldade castrar animais. Mesmo?!
Maldade é deixar a bicharada criar descontroladamente, deixá-los sofrer por fome, doenças, maus tratos etc...
É melhor um pequeno sofrimento passageiro mas que garantirá uma vida longa, saudável e sem problemas.
Eu fico preocupada, chateada, mas é o melhor para todos nós: eu e minha gataiada. 
Tenho seis gatos, agora imagina se as quatro fêmeas cruzassem e dessem cria de seis gatinhos cada uma?!
Alguém viria limpar o quintal? Trocar a areia sanitária? Comprar ração? Remédios? Ter os gastos que eu tenho? Ajudar com um pacote de ração? Com um real?
Falar é fácil, fazer é que são elas!
Expliquei à Morena Rosa que é para o bem dela e logo logo ela estará de volta e poderá deitar-se em cima de mim para nosso cochilo matinal após assistirmos ao Globo Rural.
Pedi a Deus e ao Povo lá cima que tudo transcorresse bem e que Morena Rosa fique boa. 
Mais um dia e ela voltará para casa, se Deus quiser.
Por enquanto não vou castrar os machos; o dinheiro está curto, graças a Deus.
E também acho meus machos muito mais frágeis que minhas fêmeas e além do mais, não sei se conseguiria dormir sem a pata preta, fofa, peluda, macia e gostosa de Ébano Nêgo Lindo. Ele deita-se ao meu lado e coloca a patinha em minha mão e assim adormecemos.
Amor, confiança, respeito, aconchego, lundu, chamego, 
É isso.


Ébano Nêgo Lindo