Patricia Poeta no Jornal Nacional. Novo corte de cabelo.
Patricia Poeta é uma jornalista que apresenta o Jornal Nacional ao lado de William Bonner, assumindo o posto que antes foi de Fátima Bernardes. Patricia Poeta já foi correspondente internacional da Globo em Nova York e foi apresentadora do Fantástico. Eu e muitas pessoas implicávamos com o cabelão de Madalena arrependida que ela exibia todo santo domingo. Nunca mudava; era metade do cabelo sobre o ombro e a outra metade atrás. Quando assumiu o Jornal Nacional, fez um corte mais moderno. Ainda bem. Acho que Patricia Poeta tem mais o perfil de apresentadora do Fantástico e não combina muito com o perfil do Jornal Nacional. No seu lugar ficaria melhor Renata Vasconcellos, que tem uma firmeza e uma seriedade maiores; na minha opinião. Assistia ao Jornal Nacional, que só falava sobre a eleição do novo papa, e vejo Patricia Poeta falando diretamente do Vaticano. Pra quê? Era mesmo necessário enviá-la até lá já tendo a experiente e brasiliana Ilse Scamparini? Ilse Scamparini é correspondente com base em Roma há muitos anos e é fluente em italiano; não vejo a necessidade de enviar Patricia Poeta pra lá. Como a aparência manda no mundinho midiático, é bem provável que a mandaram para lá para se ter um rosto bonito a noticiar essa bendita eleição do papa. Ilse Scamparini e Marcos Uchôa não são propriamente rostinhos bonitos, mas são poliglotas sérios e experientes. Patricia Poeta ainda é jovem e terá tempo para provar sua competência. Por enquanto, ela é apenas um rostinho bonito na tela da TV. É isso.
Mais uma noite mal dormida. Somaram-se insônia, as dores nas pernas e nos joelhos e os barulhinhos noturnos. Mamãe dizia que nossas pernas doem quando estamos crescendo; e doem muito! Eu, prestes a completar quarenta e seis anos, dos quais, quarenta aqui nesse meu Santo São Paulo, ainda estou crescendo! Acromegalia do caramba! Fui dormir bem depois das cinco horas da manhã; às quatro e quinze, chamei a polícia. Acho que já passou da hora de dar um basta nessa palhaçada! Policiais novinhos, quase meninos ainda. Se eu fosse mãe não deixava não. Já pensou, meninos tão novinhos pela madrugada paulistana a combater o mal? Deitei-me às seis e só consegui mesmo pregar o olho lá pelas oito e meia; de manhã por aqui é uma barulheira danada. Me levantei às dez e depois das minhas obrigações domésticas e felinas, fui ao banco para pagar mais duas contas. Acho que para esse mês de março foram as últimas. Voltei tão cansada e tão dolorida. Deitei um pouco, mas não deu para cochilar; corpo cansado e mente a mil. Não combina. Ainda faltam os ovos de Páscoa, mas já dei um jeito e acredito que amanhã vá comprá-los. Quero também comprar sardinhas e prepará-las na panela de pressão, com bastante alho e vinagre. Delícia. Amanhã estarei melhor dessas dores, é só pensar no prazer gastronômico da sardinha e do chocolate. Pensar em coisas boas quando estamos meio tristes é um ótimo exercício mental. É isso.
Eu sempre procuro manter uma certa normalidade, mas está difícil. As pessoas olham para mim, param por um segundo e olham de novo, como quem diz: "Será que vi direito? É isso mesmo?" Estava no estacionamento do banco conferindo o que seria pago ali e sinto e vejo os olhares sobre mim. Alguns disfarçam, outros encaram mesmo. Isso dói. Procuro parecer normal, fingir que está tudo bem, mas seguro as lágrimas; ou tento. Sou humana, demasiado humana. Não sou apenas acromegálica, Acromegalia não define quem eu sou. Vejo moças, mulheres e senhoras bonitas ou bonitonas, entrando e saindo do banco e observo suas roupas, sapatos, cabelo e rosto. Nem todas são exemplos de uma beleza estonteante, mas todas têm rostos normais e pés normais. Vejo uma moça magrinha com cabelão parecido com a da princesa ruivinha do filme Valente. Ela usava sapatos lindos, tipo boneca. Lembrei que já tive um par assim. Outra moça elegantemente vestida mas com os cabelos excessivamente e exageradamente loiros; vulgar. Acho que não precisa tanto para chamar a atenção e forçar uma beleza que acaba se transformando em um padrão: todas e todos iguais. Uma senhora elegantemente vestida; lenço sobre a camisa branca bonita, óculos de grife. Adoro camisa branca. Mas gosto mesmo de observar o rosto e os pés, mais precisamente os sapatos. Eu nunca fui bonita, mas já tive rosto e pés normais. Maldita Acromegalia. É isso.
Fui aos bancos; sim, pobre tem vários boletos que são pagos em alguns determinados bancos apenas. Depois dos bancos passei no pet shop do bairro para comprar ração para a gataiada; pedi um pouco emprestada do vizinho, mas ninguém comeu. Mas num tô dizendo, homi?, diria mamãe. Gatos de pobre, mas tudo cheio de luxo. Na volta da ronda parei na barraca do conterrâneo galego com cara e corpinho de Papai Noel. Ele voltou, graças a Deus. Velho trabalhador, já o filho é a preguiça em pessoa, não à toa tem aquele corpinho de chupeta de baleia. O bicho só come e dorme. Tá loco meu! Comprei água de coco e uma jaca, fiado. Pago amanhã. Nesse calorão, uma água de coco bem geladinha é uma delícia! E depois "rapar a carninha" do coco então. Meu Ébano Nêgo Lindo adora a "rapinha" do coco. Esse meus gatos não são muito normais. Cheguei em casa e abri a jaca; estava meio seca, por isso só comi um pouco mais que a metade. Dali a pouco escuto: "Olha o milho!". Comprei milho cozido, pamonha e curau. Adoro milho e seus derivados, assim como coco. Mas o curau estava doce demais e depois de duas colheradas acabei jogando fora. O curau, para nós nordestinos, é canjica e a canjica daqui é chamada por nós de mugunzá. Aliás, o açúcar faz parte da cultura brasileira, já disse Gilberto Freyre no seu livro "Açúcar". Minha avó Mãevelha só usava açúcar mascavo que na nossa época era o açúcar dos menos abastados, os mais ricos usavam açúcar refinado. Tudo aqui é muito doce; sucos, refrigerantes, doces, bolos... Eu prefiro aquelas águas com suco de frutas e adoçante, são menos doce. Já os refrigerantes, principalmente a Fanta Uva, é um melado só. Gosto muito não. Vejo gente colocar açúcar no leite com achocolatado, que já vem doce! Dá até uma gastura. E assim foi o dia de hoje, uma miscelânea gastronômica. É isso.