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terça-feira, 22 de julho de 2014

O menino vizinho

                               


Madrugada barulhenta, graças a Deus.
A vizinha mal educada, mãe monstra e esganiçada voltou para sua cidade natal levando o filho de dois anos. Pobre menino.
Há algumas semanas venho ouvindo as conversas, em voz altíssima, falando sobre a mudança, sobre o frio de São Paulo, a carestia de São Paulo etc...
Mas domingo foi horrível e me segurei para não chamar a polícia. Explico.
Chamei a polícia há um tempo atrás e optei por não me identificar, mas eis que chega a viatura, o PM toca minha campainha e pergunta: "Foi daqui que chamaram a polícia?"
Qual parte de "não quero me identificar" a polícia não entendeu?
Várias pessoas também relataram e relatam o mesmo problema.
Bom...
Apenas ouvi os gritos horrorosos da mãe, o choro dolorido do menino, o estalo do chinelo, os nomes feios... Meu Deus. 
E se eu chamasse a polícia iria atrapalhar a viagem da criatura e ainda sobraria pra mim, como já sobrou. O pai e o tio do menino tentaram tocar o terror em mim e tocavam a campainha de madrugada, forçavam o portão, puxaram a tampa/porta do relógio da luz... 
Não estavam preocupados com os abusos sofridos pelo filho e sobrinho, mas com raiva porque a polícia fora chamada!
Os gritos esganiçados da mãe assustavam até os gatos, que corriam e se escondiam debaixo da cama. A monstra mandava o menino ficar sentado no quarto enquanto ela ficava no quintal e na cozinha e quando o menino saía do castigo ela gritava ainda mais: "Sai daqui, desgraça!"
Como essa criança chorava!
Fiquei sabendo que viajariam ontem, segunda-feira, e estranhei ainda estarem em casa por volta das dez da noite. Fui para a cama e sou acordada à meia noite por vozes altas, objetos sendo arrastados, motor de carro ligado e rádio também.
Quanta falta de respeito e consideração!
Agora a pouco ouvi a voz do pai do menino dizendo à vizinha futriqueira que a esposa e o filho já estavam em casa lá na cidade de onde vieram.
Imagino esse menino sozinho na mão dessa mãe castradora e sem a proteção do pai!
Mas o que esperar de uma pessoa que confessa, em tom de graça e orgulho, não gostar de animais e ter muito prazer em matá-los!
Um monstro desses não pode ser bom pai ou boa mãe!
Que Deus proteja essa criança.
Amem.


                                   

terça-feira, 25 de março de 2014

Mãe

                               



Todos os dias mães de alunos são chamadas para conversar com a coordenação e/ou direção sobre o comportamento dos filhos/alunos; é praxe.
Alunos que não respeitam professores, inspetores e nem a própria mãe.
Hoje cedo ouço a conversa do coordenador com o aluno e a mãe que se debulhava em lágrimas; o filho não quer saber de nada, não tem perspectiva de vida, não "está nem aí" para nada.
O coordenador falava, orientava e tentava ajudar da melhor forma possível, mas lidar com adolescentes rebeldes que acham que o mundo está errado e eles certos, não é tarefa das mais fáceis.
A mãe dizia que fazia o possível, dentro de suas parcas possibilidades, para que o filho tivesse o melhor. O menino não trabalha, só "estuda", tem boas roupas e calçados e ainda assim reclama. 
É um adolescente bonito, um menino com lindos olhos claros. Pelo menos nesse aspecto, a vida favoreceu-lhe. 
Vivemos na Sociedade da beleza, da preocupação extrema e obsessiva com a aparência.
A mãe não parava de chorar e o filho não se importava com a situação, estava preso e amedrontado em seu mundo ainda confuso.
A rebeldia são o medo e a fraqueza disfarçados.
Pedi licença e a atenção do menino por um momento. Ele me voltou seus lindos olhos claros e eu falei: "Completei quarenta e sete anos sábado passado e espero completar mais quarenta e sete. Estou na minha segunda vida e agradeço todos os dias por estar viva. Você sabe o que é ficar entre a vida e a morte? Você é um menino bonito, saudável, tem tudo pela frente, só depende de você. Você pode andar sem ajuda de bengala, pode correr e eu não. Você tem coluna e ossos bons, eu não... Desejo que você seja feliz".
Voltei ao trabalho e as horas passaram.
Levo documentos para o diretor assinar e vejo o menino de lindos olhos claros brincando e sorrindo. 
Que a vida possa lhe mostrar o quão valiosa e importante ela é.
É isso.


                          
                                      

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O que está acontecendo?

                                   


A cada dia uma nova experiência, foi o que disse para minha irmã Rosi ao telefone.
A cada dia novas histórias reais de vidas reais que encaram uma realidade dura, triste, esperançosa...
A cada dia percebo, sinto, vejo que o mundo anda mesmo tão complicado e as pessoas parecem adorar complicá-lo ainda mais.
Famílias desajustadas, filhos sem pai, mães solteiras, adolescentes grávidas, filhos rebeldes...
Mãe que apanha do filho, mães que ligam e/ou vão à escola para saber se tem aula normal e se o filho ou filha estão mesmo frequentando as aulas.
Hoje atendi à ligação de uma mãe que desabafou e desabou; pobre mãe.
Ela ligou para saber se a filha estava indo à escola regularmente e eu respondi que sim e, quando pensei que a conversa terminaria ali, a angustiada mãe desatinou a falar: A filha saiu de casa em dezembro e até agora não voltou. A filha era uma boa moça; ajudava a mãe com as tarefas domésticas e a cuidar da irmã menor, mas se envolveu com amizades ruins e agora frequenta bailes Funk e diz para as pessoas que a mãe a expulsou de casa.
A mãe nega e disse que a filha está com a cabeça "virada", as novas amizades da moça "viraram" a cabeça dela.
O filho também é outro problema: foi quase morto em um baile Funk; apanhou muito e foi jogado em um córrego.
Deixei a mãe falar, desabafar, compartilhar sua dor. 
O que está acontecendo com as pessoas?
Por que as famílias estão tão desajustadas?
Por que os pais e mães não estão sabendo educar seus filhos?
Por que e quando os filhos deixaram de respeitar, obedecer e até temer os pais?
Falta de limite? Excesso de liberdade? Mudança dos tempos?
Ouço muitos pais e mães dizendo: "Vou dar ao meu filho tudo o que eu não tive", acho que o erro começa por aí e é assim que criam-se monstros egoístas, frívolos, preguiçosos, acomodados, que pensam que o mundo gira ao seu redor e que todas as suas vontades têm que ser feitas por todos e qualquer um que cruzar seu caminho.
São pessoas irresponsáveis, sem compromisso com nada nem ninguém; são pessoas que vivem em um mundo cor de rosa de contos de fada e acham que a vida é uma festa onde todo mundo é e tem que estar sempre lindo, alegre, feliz, bem vestido com roupas e sapatos da moda, ostentando sua aparência perfeita conquistada a prestações, literalmente.
São pessoas que disputam a fama, mesmo que seja só em seu meio social, são pessoas vazias de conteúdo, conhecimento e cultura. A cultura que têm é a do consumismo, exibicionismo e ostentação.
São pessoas burras, que não sabem escrever corretamente, que não entendem ou sabem nada de conhecimentos gerais, que não sabem fazer cálculos básicos de Matemática, por exemplo.
Em um dos bingos da minha irmã havia uma adolescente e estudante que perguntou quanto era a cartela: dois reais. E se eu jogar com duas cartelas, quanto fica?
Jesus!
No bingo é chamada a letra seguida do número e em dado momento foi chamado só o número; a adolescente estudante ficou perdida: "Mas que letra?"
É só seguir a ordem crescente dos números! A cartela do bingo começa com números menores e que vão aumentando. Simples!
Como diz a canção: "Como será o amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer? O meu destino será como Deus quiser..."
Acredito que Deus, nossa família, a Escola e a Gaviões da Fiel querem que cuidemos de nossas vidas, nos tornemos pessoas de bem e que não cruzemos os braços e esperemos que tudo caia do céu.
E o amanhã se faz hoje, só depende de nós mesmos.
Fiquei pensando na pobre mãe...
Como dizia mamãe: "A mãe pare o filho mas não pare o destino".
É isso.


                               



                                              

quarta-feira, 13 de março de 2013

Polícia, Sardinha e Ovo de Páscoa

                              


Mais uma noite mal dormida. Somaram-se insônia, as dores nas pernas e nos joelhos e os barulhinhos noturnos. 
Mamãe dizia que nossas pernas doem quando estamos crescendo; e doem muito!
Eu, prestes a completar quarenta e seis anos, dos quais, quarenta aqui nesse meu Santo São Paulo, ainda estou crescendo! Acromegalia do caramba!
Fui dormir bem depois das cinco horas da manhã; às quatro e quinze, chamei a polícia. Acho que já passou da hora de dar um basta nessa palhaçada!
Policiais novinhos, quase meninos ainda. 
Se eu fosse mãe não deixava não. Já pensou, meninos tão novinhos pela madrugada paulistana a combater o mal?
Deitei-me às seis e só consegui mesmo pregar o olho lá pelas oito e meia; de manhã por aqui é uma barulheira danada.
Me levantei às dez e depois das minhas obrigações domésticas e felinas, fui ao banco para pagar mais duas contas. Acho que para esse mês de março foram as últimas. 
Voltei tão cansada e tão dolorida. Deitei um pouco, mas não deu para cochilar; corpo cansado e mente a mil. Não combina.
Ainda faltam os ovos de Páscoa, mas já dei um jeito e acredito que amanhã vá comprá-los.
Quero também comprar sardinhas e prepará-las na panela de pressão, com bastante alho e vinagre. Delícia.
Amanhã estarei melhor dessas dores, é só pensar no prazer gastronômico da sardinha e do chocolate.
Pensar em coisas boas quando estamos meio tristes é um ótimo exercício mental.
É isso.





                                  

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Comportamento

                               

Sou implicante, às vezes. Quase sempre, essa é a verdade.
Adoro implicar, principalmente com a programação da TV, artistas, cantores, atores, celebridades, pseudo celebridades e afins.
Assistia ao programa CQC que teve como convidada na bancada a cantora baiana Ivete Sangalo.
A bela baiana canta bem e tem boa voz, mas não pode-se falar o mesmo de seu repertório. Lamento.
O problema dessa moça é seu comportamento meio grosseiro, indelicado e arrogante. Talvez ela nem faça por mal, mas não é algo agradável e parece que ela faz para humilhar a pessoa; explico.
Marcelo Tas pergunta se ela torce para um determinado time de futebol baiano e ela responde na lata: "E pra que time tua mãe torce?"
Não gosto quando uma pessoa faz piadas, comentários cruéis ou provocações usando a mãe de alguém. Acho ofensivo.
Em outro momento do programa ela diz que foi ao banheiro e estava se limpando quando foi chamada. De novo, ela poderia omitir o "se limpando".
Um cantor jovem com quem também implico é o simpático e vesgo Luan Santana. O rapaz usa aquelas jaquetas à la Michael Jackson, arregaça as mangas até a altura do cotovelo e me pergunto se aquilo não afeta a circulação sanguínea e isso sem contar no penteado "acabei de acordar". Em toda entrevista dada o discurso é o mesmo: "Valeu galera!".
Esse rapaz não tem mais nada a dizer?
Outros cantores e duplas sertanejas também usam o mesmo discurso pronto, prático e rápido e uns dizem: "Nóis ficô animado demais da conta".
Será que com os milhões que esse povo ganha não daria para contratar um personal professor que os ensine a falar melhor em público?
Não, não precisam ser letrados e cultos como os imortais da ABL, mas custa melhorar e variar o discurso?
Até parece jogador de futebol, que memoriza uma fala e a repete incansavelmente em toda entrevista: "Vamos fazer o que o professor falou e vamos em busca de um resultado positivo... A equipe está bem entrosada...O time adversário jogou melhor e infelizmente não conseguimos fazer gols..."
O dinheiro que gastam nas festanças com muita bebida, comida, mulherada fácil e otras cositas mas poderia também ser usado para aprender coisas boas e novas com o personal professor.
Sonho com o dia em que professores sejam admirados e paparicados como o são as celebridades e jogadores de futebol. E recebam salários semelhantes também.
Amém.


                           


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Coruja

                                             


Dia das mães de aproximando e me lembrei da famosa historinha que todos conhecem: a mãe coruja.
Estava na quarta-série e a professora leu para a classe a história da coruja que saíra em busca de comida para seus lindos filhotes e avisa ao compadre urubu que não coma seus bebês e o compadre pergunta: "Mas como vou saber quais são os seus filhotes, comadre coruja?"
"É fácil, compadre urubu, os meus filhotes são os mais bonitos".
Ao retornar para o ninho, a pobre mãe coruja não encontra seus lindos filhotes e sai desesperada à procura do urubu: "Mas por que a comadre está tão preocupada assim? O que aconteceu?", pergunta o urubu feliz e satisfeito com o buchinho cheio.
"Minhas corujinhas não estão no ninho, compadre".
"E qual é o seu ninho?"
"Aquele ali".
"Mas a senhora disse que os seus filhotes eram os mais bonitos!". 
Adorei e viajei na história; fiquei triste pela mãe coruja e contei a história para mamãe e Mãevelha que riram e disseram: "Todo filhote é lindo para sua mãe. Toda mãe acha seu filhote o mais bonito de todos. São as mães coruja".
O mais feio de todas as histórias sobre animais é o preconceito tolo e sem fundamento de muitas pessoas que associam animais como coruja, lobos e gatos pretos à coisas ruins. Quanta tolice.
Outras pessoas de determinadas culturas sacrificam animais para usar partes de seu corpo como amuleto ou afrodisíaco; as vítimas são tigres, cobras, botos e outros. 
Quer sorte? Trabalhe!
Quer afrodisíaco? Tome um Viagra?
Corujas, gatos pretos e lobos não são maus e nem sabem o que é isso, mas o bicho gente sabe muito bem!
É isso.
                      
Filhote de coruja. Não é uma gracinha?
                                           


                                               



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Legal

                                       
Estava a me lembrar de Mãevelha, minha avó materna.
Ontem escrevi sobre ela e sua forma de lidar com o frio.
Quando fico meio down e fantasmas e outros seres tentam me atormentar, sinto a presença forte, carinhosa e protetora de minha Mãevelha, meu Paipreto e muita gente boa do meu povo antigo. 
Estou com as roupas e as armas de Jorge. Salve Jorge.
Estou nos braços de meu Paipreto e de meu avô José que me acalentam e me protegem.
Estou sob o poderoso olhar de minha titânica mãe.
Estou legal.
Como dizia Mãevelha ao ser cumprimentada: "A senhora está bem, dona Maria?"
"Tô légaaal meu filho. Tudo légaaal".


Rafaela. Bisneta de Mãevelha e que também está legal. Olha o dedinho dela. Linda!
                                           

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Entupir

                                    


Mamãe ficava brava conosco às vezes. Na verdade, muitas vezes.
Mamãe falava e falava e quando nós tentávamos argumentar, ela dizia:
"Entupa-se!".
Quer dizer: "Cale-se".
Nós ríamos e ficávamos imaginando como uma pessoa poderia "se entupir".
Mais umas do variadíssimo vocabulário de mamãe.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Blog da Criança: Pais & Filhos

Nota: Postagem escrita ontem, mas decidi não publicá-la. Hoje, após ouvir mais choros e gritos, resolvi publicar.
A agonia desse menino está causando agonia em mim.
Às vezes penso e me pergunto: "Meu Deus, será que era para esse menino vim a esse mundo? Será que não forçaram demais a vinda dessa criança a esse mundo? Não seria melhor que ele ficasse no lugar que estava? Será que traz consigo dívidas de erros passados e tem que pagá-las vivendo na pele de uma criança que não vive uma vida de criança? 
Deus...






Sempre converso com minha irmã, a bela mãe da minha belíssima sobrinha Beatriz, sobre um menininho de três anos e seus pais.
Tenho muito dó dessa pobre criança. (sim, "dó" é substantivo masculino. estranho, né?).
Os pais não se suportam e aturam um ao outro por mera conveniência, comodismo, covardia, medo e outros motivos e sentimentos que não são saudáveis numa relação entre pais e filhos.
O menino é muito carente e sua forma de comunicar isso, ou pelo menos tentar comunicar seus medos, sentimentos e desejos a um pai e a uma mãe "cegos" é por meio da agressividade.
Os pais não conversam com o filho, apenas gritam.
Os pais não dão carinho ao filho, apenas gritam.
Os pais não brincam com o filho, apenas gritam.
O menino segue uma rotina de adulto; dorme pouco, fica longas horas acordado, não tem amigos e é exposto a ambiente de gente grande: bar, fumaça de cigarro, música alta.
Chegam em casa por volta da meia noite, comem algo (escuto o som o microondas), assistem TV até umas duas horas da manhã e depois de muito berreiro, finalmente dormem.
Algumas horas depois, o menino acorda com tosse ou com dor de ouvido e o pai reclama e ameaça bater no menino se ele não parar com aquilo. Parar com aquilo?! Uma criança! Eu que sou adulta sofro com minhas dores e não tenho o poder de fazê-las parar, imagine uma criança de apenas três anos!
Muitas vezes me pergunto porque Deus permite isso: gente incompetente e incapaz de cuidar de si mesma tem filhos como coelhos e tem tanta gente educada, de bom caráter e formação que tenta por anos e gasta fortunas para conseguir ter um filho e não consegue. Por que esse disparate?
A mãe tentou engravidar várias vezes; fez tratamento médico até conseguir e foi uma gravidez de alto risco. O menino nasce com sérios problemas de saúde e passa os primeiros meses da vida numa U.T.I. infantil.
Isso deveria servir de aviso e de exemplo. Mas não... Se fosse assim esses pais insensíveis tratariam melhor esse filho que pede carinho e atenção e só recebe gritos e ameças de surras. 
A rotina nada saudável também não é boa para essa criança. As longas horas acordado, as poucas horas de sono. A exposição ao barulho ensurdecedor de músicas de péssimo gosto; a exposição à fumaça de cigarro e de outras fontes; a alimentação desregrada...
Às sete horas da manhã esse menino já está de pé. A mãe coloca um DVD infantil em alto volume que me faz acordar ao som de " seus amiguinhos, os Backyardigans...".
A mãe dedica um tempo tremendo à limpeza da casa e manutenção do seu bar; sua fonte de renda. O pai volta mais cedo para casa e abre os portões da garagem para poder lavar seu possante. Um carro que já não é mais fabricado e que tem rodas e som que se somados, valem mais do que o próprio veículo!
Naturalmente, o playboy metido a galã de rodoviária do interior liga o som em alto volume, toca aquelas malditas músicas idênticas, quem ouviu uma ouviu todas, e passa horas a cuidar do seu automóvel. Fala ao celular e combina umas "paradas". Julga-se solteiro, sem compromissos e responsabilidades: esposa e filho.
Dias desses tive vontade de chamá-los através da parede fina e perguntar o que estava acontecendo; o menino chorava e gritava muito. Aquela agonia durou uma boa hora. 
Agonia maior foi ouvir o pai ameaçar de bater no filho caso ele não parece com aquele berreiro. Esse animal (com todo respeito aos animais) é incapaz de um ato de amor, solidariedade e compreensão para com seu próprio filho.
É uma criatura abominável que se julga "muitcho lindcho" com seu pouco mais de metro e meio. Meu avô José dizia: "O cabra que tiver menos de um metro e setenta e falar fino, não é homem não!".
É mais uma das "inguinóranças" da minha família, mas nesse sentido concordo com meu avô. Ele não se refere apenas a altura física, mas à hombridade que esse pseudo-auto-denominado-galã-de-rodoviária-do-interior não tem. 
Essa postagem parece aquelas fofocas de revista de artista, mas antes fosse.
Converso com a mãe e digo a ela para matricular o menino na escolinha; ele é vivo, esperto e muito inteligente. É também brucutu, violento, sem modos. Não é culpa dele, poi ele não tem exemplo a seguir.
Pena.
E eu que queria tanto ter a minha Mariana.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mudanças & Explicações



Explico-me.
Eu tive a ideia de fazer/criar/escrever um blog sobre e para crianças do ponto de vista de uma criança. Nos moldes do fabuloso livro "Quando eu voltar a ser criança" de Janusz Korczak.
Escrevi um longo texto contendo conselhos e dicas "semancol" para os adultos que se esqueceram que um dia foram crianças.
Beleza.
Eis que minha amiga Silvia sugere que eu faça o "Blog da Criança" separado do blog "Acromegalicasp". Tentei, mas não deu muito certo. Tive que criar um novo blog, o que fiz, mas o problema é que não pude vincular e usar o "acromegalicasp" ao "blog da criança".
A sugestão o Blogger foi que eu escolhesse uma outra opção, que ficou meio estranha e ninguém conseguia encontrar o "blog da criança" a não ser que eu enviasse um link.
...Isso está ficando enrolado demais...
Bom, resolvi que vou colocar aqui tudo junto misturado e ao mesmo tempo agora. Entenderam? Não? Perfeito.
E quando eu postar algo referente à criança deixarei um parágrafo explicativo acima da postagem. 
Eu acho que vocês vão entender.
E antes de concluir, quero agradecer à todas as pessoas que leram e leem esse meu blog que começou de um jeito e caminha de todos os outros "jeito maneira e jeito qualidade".
Acredito que não ficaria legal se seguisse por apenas uma vertente. A vida segue vários caminhos e nós somos responsáveis por ela, a vida, e pela forma como vamos seguir nossos caminhos.
Às vezes surgem algumas pedras no meio do caminho... Acromegalia é uma das pedras do meu caminho. Mas como dizia minha titânica mãe: "Já comi toucinho com mais cabelo".



No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra. 
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade.




terça-feira, 25 de outubro de 2011

Joelho



Semana passada fui ao neurocirurgião e à Farmácia Alto Custo.
Hoje fui ao ortopedista; inflamação no joelho direito, na perna e pés esquerdos. 
Só poderei tomar um remédio para aliviar a dor e quando voltar recuperada da cirurgia de correção de fístula liquórica farei tratamento mais intensivo.
Tenho dores fortes no joelho, na perna e pé esquerdos. Está difícil caminhar, cada passo pesa muito, é como se tivesse um peso amarrado à minha perna.
Segunda-feira terei duas consultas pré operatórias, pela manhã com a cardiologista, a Drª Vera Lopes Nunes e à tarde com a anestesista, a Drª Celeste. O problema é a localização dos consultórios de ambas e o caótico trânsito de São Paulo. Se chover então...
Transporte público seria uma boa opção, mas o horário de pico é o problema. Excesso de gente empurrando tudo e todos que veem pela frente. Tenho medo de cair, mesmo usando a bengala para me apoiar.
Por enquanto é só. 
Carrego outro peso, mas para esse não tem remédio nem cirurgia.
Sinto-me Atlas.
Mas minha titânica mãe dizia: "Dias melhores virão".


Atlas