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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Marmita

                                  

Fomos almoçar na casa da minha irmã Rosi; fomos eu, Naldão e Rogério.
Pepê assou costela, linguiça e picanha; uma delícia.
Conversamos, lembramos causos e histórias antigas e rimos muito.
Hoje rimos, mas se soubéssemos dos "podres" na época, morreríamos de vergonha. Explico.
Meus irmãos Rogério e Naldão trabalhavam com papai na mesma metalúrgica que ficava no fim da rua onde morávamos e vinham almoçar em casa todos os dias. Não precisavam levar marmita, como a maioria dos piões de metalúrgica, como eram chamados os funcionários.
Mas como já disse aqui, meus irmãos têm um apetite que benza Deus! 
Na metalúrgica tinha uma cozinha onde os funcionários tomavam café e almoçavam e tinha também uma geladeira e uma marmiteira (local onde se esquenta as marmitas).
Os funcionários guardavam suas marmitas na geladeira quando chegavam logo cedo para trabalhar e lá pelas onze e meia um deles ia até a cozinha e colocava as marmitas para esquentar.
E o que fazia meu irmão Rogério?
Fingia que ia beber água na cozinha, fechava a porta e atacava as marmitas. Mas só comia a mistura: carne, frango e linguiça, se tivesse ovo, ele deixava pra lá.
Os piões começaram a estranhar o sumiço repentino e inexplicável de suas misturas e comunicou o fato ao encarregado que decidiu manter a cozinha fechada e ficar com a chave. Se alguém precise ir até a cozinha, o encarregado iria junto.
Resolvido o problema das marmitas.
Perguntamos se ele nunca revelou que era ele o assaltante de marmitas inocentes e a resposta foi: "Eu não! Pra eu apanhar?!"
Naldão disse que no começo os piões desconfiaram dele, só porque ele era gordinho.
Rogério disse que hoje pede perdão a Deus. 
Hoje não é tão difícil comer carne como era antes e os piões, como papai, comiam carne com fartura só nos mágicos dias dez e vinte e cinco, dia de pagamento e vale, respectivamente.
Meus irmãos, principalmente Rogério, continua carnívoro, herbívoro e onívoro, graças a Deus.
É isso.

                                       

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mamíferos carnívoros, herbívoros e onívoros

                                        

Não estou falando sobre animais carnívoros, herbívoros e onívoros, estou falando sobre minha família. Explico.
Minha irmã Rosi me conta que preparava o almoço e perguntou à Beatriz o que ela queria, bife ou carne seca e ela responde: "Os dois".
Rosi tenta manter uma dieta balanceada e meio natureba e prepara carnes brancas como peixe e frango, mas Beatriz sempre pede uma carninha, um bifinho.
Beatriz gosta de dizer: "Eu sou carnívora que nem meu pai".
Eu gosto de um churrasquinho, mas raramente preparo carnes, cozinho legumes e faço saladinhas verdes temperadas com azeite de oliva e vinagre balsâmico. Às vezes me dá vontade de comer carne cozida com legumes e ligo para minha irmã Rosi ou meu cunhado Pepê e pergunto: "Que carne é boa para fazer carne de panela?", e recebo uma aula sobre carnes e cortes. Não entendo desses nomes dados, só sei que é carne e pronto.
Adoro carne seca com cuscuz nordestino.
Uma vez estava cansada de leguminhos e arroz integral e suquinho com soja e fiz uma comida danada de boa, meio mineirinha, sabe? Fiz uma farofa com linguiça e bacon e adicionei feijão e couve; ficou "bão dimais da conta, sô!"
Já falei aqui e repito, mineiros e baianos têm a culinária mais deliciosa do Brasil, acho eu, mas gosto dos bolos Souza Leão, bolo de macaxeira, tapioca com queijo coalho lá do meu Pernambuco e aprendi a apreciar um delicioso churrasco com os gaúchos trilegais.
E falando sobre carnes e outros alimentos, estava me lembrando e rindo sozinha das "inguinóranças" de papai, claro. Em décadas passadas a inflamação era galopante e os preços subiam sem controle, comprar carne era difícil e mamãe improvisava com peixes, frango, linguiça, o tal do Spam e quando a situação financeira estava complicada, mamãe fazia omeletes, ovo frito, cozido...
Papai vinha almoçar em casa e encontrava a mesa posta com arroz, feijão, farinha e ovo. Vixe! Papai ficava doido: "Mas eu trabalho que nem um fio duma égua e não tenho direito que comer um taco (pedaço) de carne?! Num vô cumê não!"
Mamãe ouvia pacientemente e depois dizia: "Oxe Dedé, e tu qué eu me vire em carne ou que vá roubar pra botar carne dentro de casa é? Tu qué que eu faça o que, homi? Quer comer coma, senão, lasque-se!".
Nossa Senhora! E o sermão prosseguia...
Outro alimento muito apreciado por nossa família é o leite. Meus irmãos caçulas Fubá e Renata adoram um leitinho com achocolatados, tomam litros. Rosi também gosta de leite, mas é mais moderada. Por outro lado, há outros de nós que não gostam de leite: eu, Beatriz e Vinícius. Compro leite de soja pra mim e fica muito bom batido com frutas.
Eu compro leite para meus gatos que adoram tomar um leitinho antes de irem para a cama. Ébano Nêgo Lindo se esfrega em minhas pernas e mia olhando para a geladeira, ele sabe que o leite está  lá.
E por falar em meu neguinho lindo, ele está bem melhor, graças a Deus. Comeu a ração que eu fui comprar, pois ninguém queria a que tinha aqui, tomou seu leitinho e agora dorme. 
Eu saí para comprar a ração favorita da gataiada e deixei Ébano deitadinho em um canto fofo que preparei para ele; saí preocupada e pedi a Deus e ao Povo lá de cima que cuidassem do meu gato, que trouxessem saúde para ele. Voltei para casa e o encontrei de pé, andando pelo jardim e cavando minhas plantas; olhei para o céu e agradeci.
Acho que Deus e o Povo lá de cima agiram rapidinho porque não querem ser pentelhados por mim a pedir pela bicharada. Mas eu só peço coisas boas, para mim, para minha família e para as pessoas que gosto. Coisas boas como saúde, solução de problemas que nos aporrinham, paz, alegrias...
Não peço riqueza nem boniteza, mas eu queria ganhar na Mega Sena para ajudar a bicharada carente. 
Amém.

                                          

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Carne moída com batata e arroz

                                                  




Mamãe sabia cozinhar como ninguém. Seus temperos eram divinos.
Ninguém sabia temperar uma carne como mamãe.
Adorava quando mamãe cozinhava pedaços grandes de carne e depois fritava ou assava, a carne ficava tão macia que desfiava.
Gostava também quando mamãe preparava carne moída com batata e arroz. Eu brincava dizendo que parecia comida de cachorro de rico.
Eu chegava do trabalho e mamãe dizia: "Filha, tem aquela carninha moída com batata e arroz que você gosta".
"A senhora fez comida de cachorro de rico, mãe?"
"Menina danada! Olha o respeito! Comida é sagrada e tem muita gente que não tem o que comer".
"Eu sei mãe, só estava provocando a senhora"
"Mas tu não jeito mesmo, né Rejane?"
E eu me deliciava comendo carne moída com batata e arroz preparados por mamãe.




                                          

sábado, 2 de junho de 2012

Frango

                                                 


Não gosto de frango, principalmente se for ensopado.
Não gosto muito de molhos, acho que é trauma do lanche aguado da escola e dos desastres culinários de papai.
Gosto de carne mais sequinha.
Mamãe cozinhava a carne e depois a fritava ou assava no forno com legumes; ficava muito bom.
Houve uma época na qual comíamos muito frango, galo, galinha, peru e tudo que tivesse asa e não fosse urubu, avião ou morcego.
Era comum em nosso bairro a compra e venda de galináceos penosos vivos; comprávamos, levávamos para casa e lá mamãe matava, depenava, limpava, preparava... Enjoamos.
Mamãe e papai diziam que o frango resfriado não tinha gosto bom, gostoso mesmo era uma "galinha viva". Brincávamos com ela e dizíamos: "Oxe, mãe, onde já se viu comer a galinha viva?".
Minha sobrinha Maria Julia era pequena e eu cantava para e com ela canções antigas, ela gostava de uma do Caymmi que dizia assim:
Minha jangada vai sair pro mar
vou trabalhar
meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
um peixe bom
eu vou trazer...
Maria Julia tinha sua própria versão para a música: "...Se Deus quiser quando eu voltar do mar um franguinho eu vou trazer..."




                                      

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Frango e Batata

                                           


Mamãe havia partido e em casa ficaram papai, Renata, Naldão e Fubá.
Renata era a chef da casa e preparava o jantar para quando todos chegassem do trabalho. O cardápio era sempre alguma carne com batata: carne moída com batata, carne com batata, salsicha com batata, frango com batata, qualquer coisa com batata.
Uma vez fui ao supermercado e Renata foi junto, pois precisa comprar, adivinha o que? Batata!
O preço da carne subiu e o consumo de frango aumentou; era frango todos os dias. Frango frito, assado, cozido, empanado, com molho, torta de frango, qualquer coisa com frango.
Fubá chega do trabalho e pergunta: "O que vai ter pra janta, Renata?"
"Frango com batata"
"De novo?! Pelo amor de Deus! Não aguento mais comer frango, daqui a pouco vou criar bico!"




                                                   

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Panqueca

Panqueca doce com syrup
                                          
Mamãe fazia panquecas com recheio de carne moída e molho de tomate. Deliciosas.
Mamãe tinha uma boa mão para temperos e pratos salgados. Rosi puxou à mamãe.
Hoje cedo Rosi me liga e me pergunta que ingredientes são usados para fazer panqueca; Beatriz assistia a desenhos animados e eles comiam panquecas no café da manhã.
As panquecas do café da manhã são saboreadas com geleias, mel e syrup (um tipo de melaço), mas Beatriz é carnívora igual ao pai e pediu panqueca com carne!
Rosi preparou um bife, cortou em tirinhas e recheou a panqueca de Beatriz, foi um café da manhã meio almoço, mas tudo bem, em se tratando de mamíferos carnívoros como minha sobrinha Bibi.
E para quem quiser, a receita de panqueca é muito simples:
1 copo de leite
1 copo de farinha de trigo
1 ovo
1 pitada de sal e de açúcar.
Bate tudo no liquidificador.
Usa-se um concha para despejar a massa líquida em frigideira antiaderente e/ou frigideira comum aquecida e untada com um pouco de óleo ou manteiga.
A massa da panqueca deve ser neutra no sabor para permitir tanto recheios doces como salgados.
É isso.


Panqueca salgada com recheio de carne moída; igual à de mamãe