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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mamíferos carnívoros, herbívoros e onívoros

                                        

Não estou falando sobre animais carnívoros, herbívoros e onívoros, estou falando sobre minha família. Explico.
Minha irmã Rosi me conta que preparava o almoço e perguntou à Beatriz o que ela queria, bife ou carne seca e ela responde: "Os dois".
Rosi tenta manter uma dieta balanceada e meio natureba e prepara carnes brancas como peixe e frango, mas Beatriz sempre pede uma carninha, um bifinho.
Beatriz gosta de dizer: "Eu sou carnívora que nem meu pai".
Eu gosto de um churrasquinho, mas raramente preparo carnes, cozinho legumes e faço saladinhas verdes temperadas com azeite de oliva e vinagre balsâmico. Às vezes me dá vontade de comer carne cozida com legumes e ligo para minha irmã Rosi ou meu cunhado Pepê e pergunto: "Que carne é boa para fazer carne de panela?", e recebo uma aula sobre carnes e cortes. Não entendo desses nomes dados, só sei que é carne e pronto.
Adoro carne seca com cuscuz nordestino.
Uma vez estava cansada de leguminhos e arroz integral e suquinho com soja e fiz uma comida danada de boa, meio mineirinha, sabe? Fiz uma farofa com linguiça e bacon e adicionei feijão e couve; ficou "bão dimais da conta, sô!"
Já falei aqui e repito, mineiros e baianos têm a culinária mais deliciosa do Brasil, acho eu, mas gosto dos bolos Souza Leão, bolo de macaxeira, tapioca com queijo coalho lá do meu Pernambuco e aprendi a apreciar um delicioso churrasco com os gaúchos trilegais.
E falando sobre carnes e outros alimentos, estava me lembrando e rindo sozinha das "inguinóranças" de papai, claro. Em décadas passadas a inflamação era galopante e os preços subiam sem controle, comprar carne era difícil e mamãe improvisava com peixes, frango, linguiça, o tal do Spam e quando a situação financeira estava complicada, mamãe fazia omeletes, ovo frito, cozido...
Papai vinha almoçar em casa e encontrava a mesa posta com arroz, feijão, farinha e ovo. Vixe! Papai ficava doido: "Mas eu trabalho que nem um fio duma égua e não tenho direito que comer um taco (pedaço) de carne?! Num vô cumê não!"
Mamãe ouvia pacientemente e depois dizia: "Oxe Dedé, e tu qué eu me vire em carne ou que vá roubar pra botar carne dentro de casa é? Tu qué que eu faça o que, homi? Quer comer coma, senão, lasque-se!".
Nossa Senhora! E o sermão prosseguia...
Outro alimento muito apreciado por nossa família é o leite. Meus irmãos caçulas Fubá e Renata adoram um leitinho com achocolatados, tomam litros. Rosi também gosta de leite, mas é mais moderada. Por outro lado, há outros de nós que não gostam de leite: eu, Beatriz e Vinícius. Compro leite de soja pra mim e fica muito bom batido com frutas.
Eu compro leite para meus gatos que adoram tomar um leitinho antes de irem para a cama. Ébano Nêgo Lindo se esfrega em minhas pernas e mia olhando para a geladeira, ele sabe que o leite está  lá.
E por falar em meu neguinho lindo, ele está bem melhor, graças a Deus. Comeu a ração que eu fui comprar, pois ninguém queria a que tinha aqui, tomou seu leitinho e agora dorme. 
Eu saí para comprar a ração favorita da gataiada e deixei Ébano deitadinho em um canto fofo que preparei para ele; saí preocupada e pedi a Deus e ao Povo lá de cima que cuidassem do meu gato, que trouxessem saúde para ele. Voltei para casa e o encontrei de pé, andando pelo jardim e cavando minhas plantas; olhei para o céu e agradeci.
Acho que Deus e o Povo lá de cima agiram rapidinho porque não querem ser pentelhados por mim a pedir pela bicharada. Mas eu só peço coisas boas, para mim, para minha família e para as pessoas que gosto. Coisas boas como saúde, solução de problemas que nos aporrinham, paz, alegrias...
Não peço riqueza nem boniteza, mas eu queria ganhar na Mega Sena para ajudar a bicharada carente. 
Amém.

                                          

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Vatapá, Acarajé, Mungunzá, Caruru...

                                        


Além da criatividade, do drama e do exagero, outra característica marcante da minha família é a coragem.
Papai sempre dizia: "Duas coisas que eu não conheço é medo e preguiça". 
Deus tá vendo.
Bom...
Houve uma época em que Rogério saia com os amigos e voltava muito tarde da noite e nessa mesma época mamãe e a vizinhança começaram a sentir falta de peças de roupas deixadas no varal.
Ouvia-se muitos comentários e histórias sobre uma gangue liderada por uma senhora de meia idade que saía à noite para praticar pequenos delitos. 
Numa madrugada de sábado para domingo Rogério chega em casa e vai direto para ao banheiro tomar banho. Estranhamos, pois nosso irmão costumava chegar e ir direto para a cama.
Na manhã seguinte, uma tia nossa vai ao tanque de lavar de roupas e vê uma calça comprida coberta com água e estranha a cor amarelada da água e pequenos objetos não identificados a boiar em sua superfície. O cheiro também chama a atenção de nossa tia que pega a calça com as pontas dos dedos e diz: "Oxe! Isso é m...!"
A tia relata o fato ocorrido e são iniciadas investigações para identificar o misterioso cagão.
Lembramos que na noite anterior nosso irmão Rogério chegou em casa e foi direto para o banheiro tomar banho. Bingo! 
Rogério apresenta sua defesa: fora à casa de um amigo e a distinta mãe do tal amigo, que era baiana, lhe oferecera iguarias típicas da culinária regional e não habituado ao forte tempero da terra do Senhor do Bonfim, sofre um revertério estomacal. Não deu tempo para chegar ao banheiro. 
Isso nós já percebemos.
Perguntamos que comida baiana ele havia comido e não sabendo responder, enrolava dizendo: "Vatapá, acarajé, caruru, mungunzá..."
O amigo de Rogério vai à nossa casa e não deixamos escapar a oportunidade de lhe perguntar que comida baiana sua mãe dera ao nosso irmão e ele disse que não tinha comida baiana nenhuma e que comeram pizza.
Nossas investigações continuam.
Uma vizinha fofoqueira vai á nossa casa e conta à mamãe que na noite anterior a gangue da senhora contraventora fazia suas excursões pelos quintais da vizinhança quando dão de cara com um rapaz alto, magro e branquicelo. Param todos: o rapaz e a gangue.
O rapaz paralisa-se de medo e a gangue paralisada pelo elemento surpresa.
A gangue retirou-se.
O rapaz cagou-se.