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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Flamingos

                                    



Eu gostava de observar as coisas; qualquer coisa, qualquer objeto, qualquer forma.
Adorava olhar, observar, analisar objetos feitos de vidro e tinha muita vontade e curiosidade em saber como aqueles objetos eram feitos.
Garrafas de vidro que armazenavam remédios e bebidas; eram todas atraentes para mim e aguçavam minha curiosidade. Como fizeram? Por que têm vidros claros e coloridos? Parecia um mundo diferente; será que teria alguém naquele mundo de vidro? Naquelas cores?
Ficava longo tempo segurando o objeto de vidro e imaginando como fora feito, como se chegou àquele formato. Era tudo tão bonito, diferente, instigante  e interessante para mim. Era apenas vidro. Coisas feitas de vidro.
Uma patroa de mamãe morava em um bela casa com muitos cômodos e eu ficava encantada com os bibelôs espalhados pelos móveis. 
Eu andava pelos cômodos da casa e parava na cozinha que era muito moderna para a época; era uma cozinha americana. Nunca tinha visto armários embutidos, nunca tinha visto fogão com botijão de gás, geladeira, liquidificador... tantos móveis e eletrodomésticos modernos; nossa casa era tão simples.
Nossos móveis eram simples: mesa, cadeira, cama, guarda roupa, fogão à lenha, "guarda comida" (armário da cozinha)...
Vasos pequenos e com cores peroladas nos quais eram colocadas flores aos pés dos santos. Eu observava aquelas cores que lembravam conchas do mar.
Da cozinha bonita eu observava o quintal, mas não ia lá fora. Tinha dois enormes cachorros pretos que ao me ver balançavam o cotoco do rabinho.
Eu ia para um quarto onde tinha uma cômoda cheia de bibelôs: bonequinhos, bailarinas, flores artificiais e flamingos de vidro.
Os flamingos eram de vidro transparente e tinham um leve toque rosado nas pernas e nas asas; aquilo me fascinava. Como moldaram o vidro naquele formato? Como colocaram cor dentro dos flamingos?
Eu viajava na imaginação, nas curvas e nas formas dos pássaros pernaltas.
Até hoje tenho um certo fascínio por objetos feitos de vidro, principalmente garrafas, e algumas vezes viajo no tempo e no espaço quando vejo um bonito objeto ou recipiente feito de vidro.
Comprei azeite de oliva turco envasado em uma bela garrafa cujo formato remete à cultura do país; olivas (azeitonas) e folhas esculpidas no vidro... voltei no tempo.
Será que as pessoas se perguntam como as coisas são feitas? Como chegou-se ao formato daquele determinado objeto? 
Mamãe trabalhava na casa, conversava com a patroa, me dizia para não mexer em nada, me mandava ficar sentada quietinha  e que logo iríamos para casa, mas eu queria ficar no quarto com os flamingos de vidro.
Eu achava que tinha alguém morando ali dentro daquelas curvas, daquelas formas vítreas.
Eu queria que os flamingos de vidro fossem meus.
É isso.



                                        

terça-feira, 2 de julho de 2013

Bacalhau

                                



Não sou muito fã de frutos do mar, mas adoro sardinha e bacalhau. Não gosto de ostras, mariscos e toda sorte de animais moles enfiados em cascas duras. Acho meio nojento comer aqueles corpos molengas que mais lembram secreções. Na boa.
Fui ao Carrefour para comprar o sagrado pão integral da semana, além de frutas, legumes, ração dos gatos e outras cositas mas. Finalmente o preço do tomate baixou e comprei uns dois quilos. Adoro tomate. Mas me recusei a pagar quase cinco reais por uma dúzia de ovos brancos e pequenos!
Comprei lascas de bacalhau, estavam em oferta. Adoro bacalhau.
Coloquei de molho para a dessalga e preparei hoje. Pimentões verde, vermelho e amarelo; bem carinhos, viu? Cenoura, batata, cebola, temperos e azeite de oliva português.
Era uma casa portuguesa com certeza... Ai, Jesus!
Gosto de pimentão, mas sempre que os como sinto uma azia danada e o mesmo acontece com cebola e banana. 
Saboreei o bacalhau com azeite de oliva e arroz branco e só faltou um vinho verde português, meu favorito. 
Tenho o vinho em casa, mas não tomei; havia acabado de tomar alguns dos remédios e a pressão já estava alta; bebida alcoólica e remédios não combinam.
Vou ficar boa e depois tomo o vinho para bebemorar.
Tomei muita água e depois vou caramelizar algumas bananas. Adoro.
O vinho verde português fica para depois.
É isso.







                                      

terça-feira, 28 de maio de 2013

Pizza

                                 


Gosto de pizza, mas das pizzas simples e tradicionais. Hoje há um sem número de sabores estranhos e diferentes que mais deixam a massa parecendo uma torta.
Com os prédios a pipocar pelo bairro é normal também surgirem novos negócios que vão de lojinhas de miudezas a pizzarias. Peço pizzas de duas pizzarias que ficam na Vila Guilherme e outra na Vila Sabrina; a massa é boa, macia e gostosa e bem recheada.
Outro dia encontrei jogados na garagem vários folhetos de diferentes bares e pizzarias, que oferecem do tradicional arroz e feijão à pizzas de bacalhau e carne seca.
Peguei um dos folhetos e pedi uma pizza meia provolone, meia salame; minha favorita. O atendimento ao telefone foi péssimo e denotava inexperiência. Aguardo.
Dali a pouco vem o motoboy com a entrega e observo que está bem pesada. Abro a embalagem e encontro uma maçaroca pesadona que poderia ser usada como arma. Que troço pesado, meu!
Não deu para comer. Tirei o recheio e joguei a massa fora; aquilo se jogado em alguém poderia machucar legal.
Pedi pizza em outro local e as pizzas deles são ótimas para quem está fazendo regime; pouquíssimo recheio e a gente fica com gosto de quero mais.
Gosto de ir ao rodízio de pizza do restaurante e pizzaria Berlim. São pizzas gostosas e fresquinhas. 
Gosto de regar minha pizza com azeite de oliva e causa-me nojo ver gente colocando maionese, ketchup e mostarda na pizza. Isso é uma aberração gastronômica!
Já não bastasse comer batata frita com ketchup e mostarda, agora vão colocar na pizza também?! Que nojo!
Sou à moda antiga em vários aspectos e comer pizza é um deles. Gosto de pizza com dois ou no máximo três recheios, principalmente queijos, e rego com azeite de oliva. Nada de invencionices ou cópias mal feitas dos hábitos alimentares norte americano.
É isso.

                                     

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mamíferos carnívoros, herbívoros e onívoros

                                        

Não estou falando sobre animais carnívoros, herbívoros e onívoros, estou falando sobre minha família. Explico.
Minha irmã Rosi me conta que preparava o almoço e perguntou à Beatriz o que ela queria, bife ou carne seca e ela responde: "Os dois".
Rosi tenta manter uma dieta balanceada e meio natureba e prepara carnes brancas como peixe e frango, mas Beatriz sempre pede uma carninha, um bifinho.
Beatriz gosta de dizer: "Eu sou carnívora que nem meu pai".
Eu gosto de um churrasquinho, mas raramente preparo carnes, cozinho legumes e faço saladinhas verdes temperadas com azeite de oliva e vinagre balsâmico. Às vezes me dá vontade de comer carne cozida com legumes e ligo para minha irmã Rosi ou meu cunhado Pepê e pergunto: "Que carne é boa para fazer carne de panela?", e recebo uma aula sobre carnes e cortes. Não entendo desses nomes dados, só sei que é carne e pronto.
Adoro carne seca com cuscuz nordestino.
Uma vez estava cansada de leguminhos e arroz integral e suquinho com soja e fiz uma comida danada de boa, meio mineirinha, sabe? Fiz uma farofa com linguiça e bacon e adicionei feijão e couve; ficou "bão dimais da conta, sô!"
Já falei aqui e repito, mineiros e baianos têm a culinária mais deliciosa do Brasil, acho eu, mas gosto dos bolos Souza Leão, bolo de macaxeira, tapioca com queijo coalho lá do meu Pernambuco e aprendi a apreciar um delicioso churrasco com os gaúchos trilegais.
E falando sobre carnes e outros alimentos, estava me lembrando e rindo sozinha das "inguinóranças" de papai, claro. Em décadas passadas a inflamação era galopante e os preços subiam sem controle, comprar carne era difícil e mamãe improvisava com peixes, frango, linguiça, o tal do Spam e quando a situação financeira estava complicada, mamãe fazia omeletes, ovo frito, cozido...
Papai vinha almoçar em casa e encontrava a mesa posta com arroz, feijão, farinha e ovo. Vixe! Papai ficava doido: "Mas eu trabalho que nem um fio duma égua e não tenho direito que comer um taco (pedaço) de carne?! Num vô cumê não!"
Mamãe ouvia pacientemente e depois dizia: "Oxe Dedé, e tu qué eu me vire em carne ou que vá roubar pra botar carne dentro de casa é? Tu qué que eu faça o que, homi? Quer comer coma, senão, lasque-se!".
Nossa Senhora! E o sermão prosseguia...
Outro alimento muito apreciado por nossa família é o leite. Meus irmãos caçulas Fubá e Renata adoram um leitinho com achocolatados, tomam litros. Rosi também gosta de leite, mas é mais moderada. Por outro lado, há outros de nós que não gostam de leite: eu, Beatriz e Vinícius. Compro leite de soja pra mim e fica muito bom batido com frutas.
Eu compro leite para meus gatos que adoram tomar um leitinho antes de irem para a cama. Ébano Nêgo Lindo se esfrega em minhas pernas e mia olhando para a geladeira, ele sabe que o leite está  lá.
E por falar em meu neguinho lindo, ele está bem melhor, graças a Deus. Comeu a ração que eu fui comprar, pois ninguém queria a que tinha aqui, tomou seu leitinho e agora dorme. 
Eu saí para comprar a ração favorita da gataiada e deixei Ébano deitadinho em um canto fofo que preparei para ele; saí preocupada e pedi a Deus e ao Povo lá de cima que cuidassem do meu gato, que trouxessem saúde para ele. Voltei para casa e o encontrei de pé, andando pelo jardim e cavando minhas plantas; olhei para o céu e agradeci.
Acho que Deus e o Povo lá de cima agiram rapidinho porque não querem ser pentelhados por mim a pedir pela bicharada. Mas eu só peço coisas boas, para mim, para minha família e para as pessoas que gosto. Coisas boas como saúde, solução de problemas que nos aporrinham, paz, alegrias...
Não peço riqueza nem boniteza, mas eu queria ganhar na Mega Sena para ajudar a bicharada carente. 
Amém.

                                          

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Azeite de Oliva

                                           


Os gatinhos de Kojaka brincavam no quintal quando Rogério decide testar os instintos de sobrevivência dos pobres, fracos e indefesos felinos.
Rogério pega os gatinhos e os coloca um a um dentro de um balde com água e fica olhando os pobrezinhos se debaterem e miarem desesperadamente, tentando salvar suas jovens vidas.
Rosi vê aquela revoltante imagem, mas sabe que frágil e menor que o irmão e que não tem condições físicas para enfrentar o cruel agressor dos fracos e oprimidos felinos.
Rosi vai até a cozinha, pega uma lata de azeite de oliva e vai até Rogério. Ele está entretido com os gatinhos e não percebe Rosi aproximar-se e desfechar-lhe um golpe na cabeça com a lata de azeite.
Rogério grita com a dor e o susto e chama por mamãe que fica surpresa com a cena digna de Nelson Rodrigues: Rosi com a lata na mão, Rogério com a mão na cabeça que sangrava com o corte e os gatinhos se afogando.
Rogério socorrido, gatos socorridos, arma do crime tirada das mãos de Rosi e segue-se o questionário para investigação criminal: "Por que você fez isso com seu irmão, filha?"
"Ele colocou os gatinhos na água e não queria tirar, aí eu bati nele com a lata".
Depois de tudo esclarecido e tomadas todas as providências, Rosi, Rogério e gatinhos passaram muito bem, obrigado.