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domingo, 17 de junho de 2012

Dias Melhores Virão

                                         


Aguardava.
Tomava um café expresso forte e quente, do jeito que eu gosto, enquanto aguardava. No alto falante perto de mim tocavam insuportáveis músicas de balada: "tum tum, pow, pow, putz, putz..." É a mesma melodia monótona, chata e repetitiva e que faz doer a cabeça.
Comentei com a pessoa que me atendia: "Realmente, esse tipo de música vem bem a calhar para o momento, local e razão". Mais alguns minutos e começou a tocar músicas dos anos 80 e 90, muito melhor.
Depois tocaram músicas dos anos 60, Bossa Nova, MPB e finalizaram com Heavy Metal, tudo a ver!
A espera foi grande e por isso pude ouvir as variedade musicais e reclamar e criticar, claro.
Tocou "Primeiros Erros" de Kiko Zambianchi e "Lanterna dos Afogados" dos Paralamas.
Mamãe gostava de "Primeiros Erros". Saudades.
"Lanterna dos Afogados" me lembra mamãe em um momento de muita dor, desespero, revolta e tristeza. Era o sábado, cinco de maio e recebo o telefonema de minha irmã Rosi dizendo que mamãe havia morrido. Ligo para a agência de turismo para comprar uma passagem para São Paulo e enquanto aguardo, sou colocada na espera e na rádio toca "Lanterna dos Afogados". Ouvi a música quase inteira e desde esse dia, sempre que a ouço, lembro-me de mamãe e daquele cinco de maio de 2001.
Fui tomada por fortes emoções e as lágrimas foram mais fortes e teimosas que eu; pude sentir a presença de mamãe perto de mim.
Meu Deus, que possa eu um dia chorar de alegria.
Possa mamãe descansar em paz, de verdade.
Que dias melhores venham.
Estão a caminho, mamãe trouxe alguns deles com ela hoje.
Amém.


                                          

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Abraço

Estive bem triste esses dias. 
Choveu muito esses dias.
A chuva e o tempo fechado, o céu cinzento e carregado confundiam-se com meus sentimentos. Estavam carregados, cinzentos...
Chovia lá fora e dentro de mim.
Sinto-me como Tântalo, aquele que, desejando muito uma coisa, sempre a ver escapar quando está prestes a alcançá-la.
Fui Tântalo a vida inteira, mas também não quero ser Midas ou Íxion e cansei de ser Sísifo.
Tudo tem que valer a pena se a alma não for pequena, já dizia Fernando Pessoa.
Bom...
Mas a chuva uma hora deixa de cair e cede lugar ao sol. Desanuvia, estia, lá vem o sol.
Minhas gatas percebem minha tristeza e me seguem por toda a parte. Penso que querem comida, água, leite ou querem que eu troque a areia sanitária. Mas já fiz tudo isso e elas continuam a me seguir e a miar.
Sento - me no sofá e uma a uma senta-se ao meu lado e fazem gracinhas que me fazem rir. Levanto-me e vou para a cozinha preparar um bom café. Coloco a água para ferver e escuto um miado dengoso, charmoso, manhoso. Vou ver o que está acontecendo e vejo Branca Maria me chamar com o olhar. Me aproximo  e ela estende o bracinho para me alcançar; me toca com a patinha me pedindo para chegar mais perto. 
Branca Maria fica de pé e envolve seus braços no meu pescoço. É um abraço.
Um abraço de conforto, de aconchego, de bem querer.
Abraço Branca Maria de volta. Faço-lhe carinho, dou-lhe amor e agradeço-lhe pelo abraço vindo em tão boa hora. Deus e o povo lá de cima viram minha agonia e me mandaram um aconchego, um dengo, um chamego, um abraço por Branca Maria.
Uma pessoa muito querida de outro plano sempre canta uma cançãozinha simples quando recebe um abraço bom, forte e verdadeiro, é assim:
"Mas um abraço dado de bom coração, vale mais que uma bença, uma bença, uma benção".
Tenho respeito, curiosidade e fascínio por todas as religiões, culturas e povos. Então, assim como respeito a tudo e a todos, exijo o mesmo respeito de volta. Simples.
Já disse e não me canso de repetir: Ninguém precisa amar os animais como eu amo, mas todos têm a obrigação de respeitá-los.
Meu avô, meu amado avô Paipreto dizia que Deus descia à Terra disfarçado de bicho bruto (animais, na linguagem do meu avô) para ver como as pessoas tratavam Suas Criaturas. 
Se depender de mim, Deus, Você nem precisa se dar ao trabalho de descer à essa Terra de gente tão má, mesquinha, falsa moralista, preconceituosa...Mas tem gente boa também, eu sou uma delas (sem falsa modéstia. se a beleza de coração, alma e caráter transfigurarem-se em beleza exterior, eu seria a criatura mais bela desse mundo de meu Deus).
Mas se as pessoas perfeitas não me veem assim, minha bicharada vê. E o povo lá de cima também, assim como as pessoas boas daqui: Silvia, Azenilda (Amiguinha), Cláudia, Rosi, Cleusa, Pedro, Preta...
E tem gente boa por demais, graças a Deus!
Um abraço cheio de chamego, aconchego, bem querer e bençãos a todos.