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terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 de Setembro

                                          

Noite mal dormida, levanto-me cedinho, tomo banho, tomo meu café, pego a papelada para a perícia médica e para a Farmácia Alto Custo e saio.
Dois carroceiros param em frente à casa do vizinho que insiste em colocar o lixo pra fora em dias que o caminhão do lixo não passa! Resultado? Lixo espalhado por toda a parte por cachorros e carroceiros; nojento. 
Um dos carroceiros pega uma caixa de suco, abre e leva à boca para sorver o restinho do líquido; termina e diz para o outro: "Não te falei que sempre dá pra achar uma coisinha de comer ou beber?"
Aquilo me doeu.
Sigo pela Marginal Tietê e pela Radial Leste que milagrosamente estavam com trânsito bom às sete horas da manhã! Mas na volta estava tudo parado. Nada é para sempre mesmo.
Cai uma garoa bonita e a observo enquanto aguardo o farol abrir; um motoboy passa velozmente e dobra meu retrovisor e isso porque eu estava parada! Está com pressa? Sai mais cedo, abestado!
Chego ao local da perícia, mostro papelada e documentos e subo para a sala e aguardo; a TV estava ligada e mostrava imagens dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
Vidas inocentes foram destruídas. Pais, mães, tios, primos, irmãos, esposos, amantes e tantas outras pessoas que perderam suas vidas de repente, sem saber o que estava acontecendo, sem saber o porquê. Meu Deus.
Em inglês as datas são escritas de modo diferente, primeiro coloca-se o mês e depois o dia: 9/11 (nine/eleven - mês nove/dia onze). Dia 11 de setembro, nine eleven. 
Juntando o mês nove com a data onze, fica 911 (nine one one), o número discado para emergências como polícia, ambulância e bombeiros. Quem pensou nisso foi mesmo uma mente doentia e cruel. 
Tenho lido muita tolice, muitas palavras carregadas de ódio e muita crueldade sobre os ataques terroristas ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Comentários absurdos como: "Bem feito para esses americanos idiotas!; Se fosse contra outro povo ninguém falaria nada, só porque foi contra americano!..." E a barbaridade continua.
Mas não foram só americanos que perderam a vida, muitos outros povos de muitas outras nacionalidades também, inclusive brasileiros! 
Quanta estupidez! 
Americanos, brasileiros, orientais, africanos, indianos, latinos, hispanos, negros, judeus ou seja lá qual for a denominação, são todos humanos e têm direito á vida! 
Que falta de caráter e do que fazer, também, julgar o outro baseado em sua etnia, sua religião, sua cultura ou o que quer que seja! 
Tem muita gente boba, que se acha dona da verdade, que acha bem feito e até comemora quando tragédias desse porte acontecem. E se algo assim acontecesse em seu próprio país?! E se as vidas de seus entes queridos fossem destruídas?
Mas será que gente assim é capaz de gostar de alguém?
Como disse e repito: Respeito é minha palavra de ordem e se não gosto ou não concordo com o modo como as pessoas vivem, professam sua fé ou qualquer outra coisa, tenho mais é que respeitar. 
O mundo tem lugar para todos e cada qual com seu modo de viver.
Na boa. Na paz. No respeito.
Que tenham paz as vidas que se foram nesse ataque e que tenham esperanças as vidas que sobreviveram a ele.
Amém.

                                     
                                     
                                           



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Blog

Fiquei aproximadamente três semanas sem computador; foi o terceiro cabo que queimou.
Liguei para a Positivo e foi-me indicada uma assistência técnica autorizada que fica no bairro do Jaçanã.
Fui até o local e passei pela famosa Rua Tanque Velho. Gosto do bairro do Jaçanã e seu jeitinho de interior com ruas estreitas, simples e de ladeira.
Cheguei ao local e de cara não gostei do que vi, mas entrei mesmo assim para me informar melhor. O nada simpático rapaz levantou-se a muito custo e respondeu às minhas perguntas com monossílabos; agradeci e saí. 
O preço cobrado por ele também era muito alto e ainda tinha que encomendar e levaria uns vinte dias! Esquece!
Comentei com um conhecido sobre meu cabo queimado e ele sugeriu uma loja cujos produtos e serviços são bons e garantidos; motoboy foi buscar e nesse exato momento relato o causo.
Li alguns muitos e-mails e comentários sobre minhas postagens nesse humilde blog. Adorei.
É bom saber que minha escrita é útil, interessante e atraente e isso me deixa muito feliz.
Volto à escrita.
É isso.

                                      

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Óculos de Sol, Buzanfa, Biscoitos e outras observações...

                                  


Fui à Farmácia Alto Custo para pegar meu remédio e o do meu irmão Fubá também.
Papelada conferida e me são entregues duas senhas com numeração diferente; pergunto à funcionária se é realmente necessário, pois vou pegar os remédios juntos. Ela diz que para cada tipo de procedimento exige-se uma senha específica.
Aguardo e confirmo a numeração; havia cem pessoas na frente da senha do Fubá e "apenas" sessenta e três na minha.
Algumas vezes têm apenas cinco ou seis pessoas na minha frente, mas ultimamente esse número tem sido elevado.
O salão de espera estava lotado e um frenético entra e sai de pessoas; uns reclamando da demora, outros reclamando da burocracia, outros da falta de informação adequada...
Uma senhora perua com a filha aborrecente e fashion sentam nas cadeiras da fileira do corredor de entrada, as pessoas tinham que diminuir o passo e desviar das pernas cruzadas das dondocas sem noção. 
Mesmo com o entra e sai de pessoas as dondocas não descruzavam suas pernocas de jeito nenhum, todos que passavam esbarravam nas pernas delas.
Uma senhora oxigenada e com óculos enormes que pareciam tomados de Willy Wonka ruminava tranquilamente biscoitos de polvilho e nem viu quando sua senha foi chamada; alguém teve que alertá-la.
Uma senhorinha religiosa acompanhada pela neta bocuda e mal criada que saía empurrando todos pela frente. Talvez o pastor devesse tirar a falta de educação do corpo da menina: "Sai desse corpo que não te pertence!"
Observo e sou observada. Sempre.
Um grupo de velhinhas reclamam que não receberam o remédio que deveria ser entregue pelo serviço de motoboy.
Um rapaz alto entra; seu corpo tatuado, seu andar gingado, relógio de Itu no pulso (dava para ver a hora a um quilômetro de distância!) e os óculos de sol na nuca. Alguns usam no alto da cabeça, como a personagem Leleco da novela Avenida Brasil.
Acho horrenda essa moda/mania de colocar os óculos na nuca. Isso é horrível e passa atestado de malandro exibido.
Uma senhora com o traseiro diametralmente desenvolvido senta-se ao lado das peruas de pernas cruzadas e sua buzanfa sobra para os lados em sua cadeira e incomoda as dondocas.
A senhora de buzanfa vitaminada entra mastigando um sanduba de linguiça que é preparado por um dos muitos vendedores de alimentos que fazem ponto próximo à farmácia. 
Imagino aquilo exposto à poluição, fumaça dos automóveis, poeira... Mas é tudo caseiro, come lá e morre em casa.
Minha senha é chamada. Aleluia!
Papelada entregue, conferida, documentos, assinatura e aguardar os remédios.
Tudo pronto e saio de lá.
Trânsito caótico numa bela tarde de sol. Radial Leste congestionada, como sempre.
Vou primeiro levar os remédios de Fubá e lá encontro Rafaela que ao me ver faz biquinho pedindo para eu cantar. Canto, ela tenta acompanhar com aquela boquinha linda e sorri.
Voltei para casa e encontro a calçada suja com linha de pipa e pipas rasgados e o doce menino do vizinho diz que não foi ele, claro. É a inocência em pessoa.
Tomei banho, alimentei a gataida, comi alguma coisa e estou aqui a escrever meus causos "venéricos", como diz Fubá.
É isso.


                                   

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ilha

                                                 


Mandei hoje pelo motoboy os exames pedidos pelo neurocirurgião do Instituto de Radiocirurgia Neurológica Gamma-Knife.
Mandei cópia para o outro neurocirurgião e amanhã levo mais exames para o endocrinologista.
Bom...
Dormi mal essa noite, para variar. Demoro a pegar no sono, levanto, ligo a TV, desligo, leio, olho para minha gataiada encolhida com frio e pedindo para eu apagar as luzes e me deitar com eles. 
Tenho tido sonhos estranhos há tempos e até comemoro quando consigo dormir e ter sonhos simples.
Mas...
Estávamos em um ilha cinzenta e fria, não havia luz do sol; vejo uma sardinha machucada, dilacerada, mordida e com marcas de corte de faca. Ela se debatia e lutava por ar. Eu a pego e a coloco em um pequeno aquário com peixinhos coloridos. Eu sabia que a sardinha morreria devido aos ferimentos, mas que pelo menos ela pudesse respirar em paz; um sofrimento a menos.
Assim que coloco a sardinha no aquário surge uma mulher furiosa e me pergunta: "Por que você fez isso?! Quem mandou você mexer aqui?!". Eu tentei explicar, mas a mulher voltou-se para um casal de crianças pequenas que tentava fugir dela. Era um sobradão antigo e cheio de portas e janelas de madeira. Eu desci as escadas rapidamente e abri a porta para as crianças escaparem.
Corremos por uma trilha no meio do mato cinzento com essa mulher e outras pessoas atrás de nós. Atravessamos uma ponte e à medida que corríamos, o cinza ficava para trás e à nossa frente abria-se uma aconchegante luz azul.
Paramos de correr para observar o trabalho de várias pessoas a abrir covas, como em cemitério. Eram muitas covas, eram muitos homens vestidos dos pés à cabeça e trabalhando sob uma chuvinha fina. 
Paro em frente a uma cova alta e um homem tirava a terra com as mãos e descobria um gato branco; eu gritava dizendo que o gato estava vivo!
Entramos em um enorme salão onde há uma festa. Muito brilho, muita cor, muitos sorrisos. 
A mulher é a anfitriã e eu observo seu comportamento. Em um dado momento vejo sua pele clara se abrir e dar lugar a uma pele grossa e rugosa e grito para todos que ela é uma bruxa, mas estranhamente a mulher diz que não a julguem por sua aparência, ela não é má.
Acordei gritando para as crianças e as pessoas saírem dali e não acreditarem na mulher.
Se ela fosse mesmo boa, por que perseguia as crianças? Por que não gostou quando eu tentei ajudar a pobre sardinha machucada?
Sei lá.
Minha amiga Cleusa diz que eu tenho certos dons, Mãevelha dizia que eu tinha parte com São Francisco e São Lázaro por gostar dos bichos e um conhecido meu diz que eu tenho dom "bruxético".
Vai saber.
É isso.




São Francisco
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