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sábado, 11 de agosto de 2012

Sol & Lua

                                               

Dizem que a lua é feita de queijo. Adoraria ir pra lá, ainda mais se tiver queijo coalho.
Dizem que São Jorge mora na lua. Adoraria conhecer Jorge. Salve Jorge!
Dizem que o mar da tranquilidade fica na lua. Adoraria navegar por esse mar e encontrar alguma tranquilidade para essa minha alma inquieta, agoniada, angustiada, maluca, esperançosa e às vezes feliz.
Noite de lua clara, caminhos iluminados pela luz prateada.
Meu Paipreto contava um causo sobre a lua e o sol, e era assim: "O sol e a lua eram namorados, se amavam muito. Mas havia uma bruxa malvada e invejosa (sempre há) que lançou um feitiço sobre os amantes: Eles nunca mais se encontrariam!
Durante o dia, o sol.
Durante a noite, a lua.
Quando um chegasse, o outro iria embora.
Mas como o amor vence tudo, (há controvérsia), os amantes conseguiram a ajuda da Mãe Terra e vez ou outra acontece um eclipse e sol e lua se unem por algum tempo.
Lindo isso.
Quando eu estava em coma vi o sol da meia noite. Tanto frio, tanta luz, tanta escuridão, tanta solidão.
O sol da meia noite é um fenômeno natural que ocorre durante o verão em países próximos ao Círculo Polar Ártico e Círculo Polar Antártico.
O filme Insônia mostra esse fenômeno; já são dez horas da noite, mas ainda é claro feito dia.
A Natureza é mesmo encantadora!
Eu gostava de me sentar sob o sol e ouvir o ruído dos aviões pequenos cortando os céus. Eu imaginava quem estava naqueles aviões, para onde iriam...
Li um livro chamado "O Demônio do Meio Dia", de Andrew Solomon onde ele relata sua brava luta contra a depressão, o mal do século.
Demônio do meio dia porque não ataca apenas de noite, de madrugada, nas longas noites de insônia; ataca a qualquer hora, a qualquer momento, mesmo ao meio dia.
Une-se à culpa, solidão, ao sentimento de rejeição e esquecimento. 
Mas adoro admirar o dourado e o prateado dos amantes Sol e Lua.
É isso.

O Sol da Meia Noite
                                            

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ilha

                                                 


Mandei hoje pelo motoboy os exames pedidos pelo neurocirurgião do Instituto de Radiocirurgia Neurológica Gamma-Knife.
Mandei cópia para o outro neurocirurgião e amanhã levo mais exames para o endocrinologista.
Bom...
Dormi mal essa noite, para variar. Demoro a pegar no sono, levanto, ligo a TV, desligo, leio, olho para minha gataiada encolhida com frio e pedindo para eu apagar as luzes e me deitar com eles. 
Tenho tido sonhos estranhos há tempos e até comemoro quando consigo dormir e ter sonhos simples.
Mas...
Estávamos em um ilha cinzenta e fria, não havia luz do sol; vejo uma sardinha machucada, dilacerada, mordida e com marcas de corte de faca. Ela se debatia e lutava por ar. Eu a pego e a coloco em um pequeno aquário com peixinhos coloridos. Eu sabia que a sardinha morreria devido aos ferimentos, mas que pelo menos ela pudesse respirar em paz; um sofrimento a menos.
Assim que coloco a sardinha no aquário surge uma mulher furiosa e me pergunta: "Por que você fez isso?! Quem mandou você mexer aqui?!". Eu tentei explicar, mas a mulher voltou-se para um casal de crianças pequenas que tentava fugir dela. Era um sobradão antigo e cheio de portas e janelas de madeira. Eu desci as escadas rapidamente e abri a porta para as crianças escaparem.
Corremos por uma trilha no meio do mato cinzento com essa mulher e outras pessoas atrás de nós. Atravessamos uma ponte e à medida que corríamos, o cinza ficava para trás e à nossa frente abria-se uma aconchegante luz azul.
Paramos de correr para observar o trabalho de várias pessoas a abrir covas, como em cemitério. Eram muitas covas, eram muitos homens vestidos dos pés à cabeça e trabalhando sob uma chuvinha fina. 
Paro em frente a uma cova alta e um homem tirava a terra com as mãos e descobria um gato branco; eu gritava dizendo que o gato estava vivo!
Entramos em um enorme salão onde há uma festa. Muito brilho, muita cor, muitos sorrisos. 
A mulher é a anfitriã e eu observo seu comportamento. Em um dado momento vejo sua pele clara se abrir e dar lugar a uma pele grossa e rugosa e grito para todos que ela é uma bruxa, mas estranhamente a mulher diz que não a julguem por sua aparência, ela não é má.
Acordei gritando para as crianças e as pessoas saírem dali e não acreditarem na mulher.
Se ela fosse mesmo boa, por que perseguia as crianças? Por que não gostou quando eu tentei ajudar a pobre sardinha machucada?
Sei lá.
Minha amiga Cleusa diz que eu tenho certos dons, Mãevelha dizia que eu tinha parte com São Francisco e São Lázaro por gostar dos bichos e um conhecido meu diz que eu tenho dom "bruxético".
Vai saber.
É isso.




São Francisco
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Diagnóstico

                                         


Peguei hoje resultado da ressonância magnética que finalmente fiz no sábado passado.
Mando amanhã para o neurocirurgião do Instituto de Radiocirurgia Neurológica Gamma-Knife e fiz cópias para o endocrinologista e o neurocirurgião que fez as cirurgias de correção de fístula liquórica e de remoção do tumor da hipófise.
Abri o envelope e li o laudo, como sempre faço. Alguns termos já me são familiares e outros estranhos e/ou novos foram pesquisados. 
Não gostei do resultado. Não é bom nem ruim, mas talvez expliquem as fortes e constantes dores de cabeça que tenho tido há quase um mês; os médicos dirão. 
Chorei. 
Não sei se deveria, mas sou humana, demasiado humana.
Pensei que as alterações físicas já tivessem parado: crescimento ósseo, pés, mãos e rosto grandes, aumento do diâmetro do tórax, diabetes, hipertensão, colesterol, triglicérides, dores articulares, cansaço, dores de cabeça, formigamento dos pés e mãos, pedras nos rins...
Minhas camisas estão mais justas e algumas não fecham.
Sapatos só os tênis masculinos, por enquanto.
Mandíbula proeminente e dentes mais separados.
Pequena encefalocele.
Proptose bilateral ocular (deslocamento de um órgão para a frente, olhos). É o "olho abuticado", como diziam papai e mamãe.
Tínhamos uma vizinha com olhos assim, além de horrendas, grandes, encurvadas e sujas unhas de "Papa Figo" (papa fígado).
Essa vizinha nos assustava com suas unhas de bruxa e seus olhos escrutinadores.
Uma vez ela chegou à nossa casa e mamãe ofereceu almoço, ela recusou. Papai almoçava e comia salada de alface e tomate e a vizinha disse: "Não quero almoçar não, obrigada, mas vou querer essa rodela de tomate aí do seu prato que está tão bonita". E meteu a mão no prato de papai, que ficou doido e com nojo.
Conheço pessoas que têm essa mania feia de meter a mão, o garfo ou a colher no prato dos outros para "apenas experimentar" a comida. Meu, quer experimentar? Então pega o prato e coloque sua própria comida, pelo amor de Deus!
Vou parar por aqui. 
Já foi maluquice demais por hoje.
Dias melhores virão.


                                         

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Caminho Suave

                                              


Usei a cartilha Caminho Suave na 1ª e 2ª séries. Fui alfabetizada com a cartilha que hoje sofre algumas críticas de educadores, pedagogos, psicólogos e todo o povo dono da verdade e sabe tudo.
Adorava minha cartilha e viaja nas cores, tons, formas e formatos das imagens que ilustravam as histórias e lições.
No primeiro semestre aprendemos o beabá básico e no segundo semestre iniciaríamos a segunda parte da cartilha com os encontros consonantais, dígrafos, os sons da letra X etc...
Eu não sabia como ler palavras escritas com ç e uma das lições da cartilha tinha o título Moça e o cedilha da palavra era um cacho do cabelo da personagem título.
Eu lia "moca", pois não conhecia o som da cedilha e me perguntava para que servia aquele rabinho na letra c.
A professora contou uma historinha para explicar o C e o Ç, era assim: Duas irmãs moravam na floresta e sua mãe havia recomendado que nunca se afastassem muito do quintal da casa quando fossem brincar. Mas uma bruxa malvada estava de olho nas meninas que tinham uma longa e dourada trança. Certo dia, as irmãs passeavam pela floresta para colher flores e a bruxa malvada conseguiu cortar a longa, linda e dourada trança de uma das meninas e por isso ficaram as letras C e Ç. Uma com trança e a outra sem.
Adorei a historinha e imaginava as irmãs passeando pela floresta, mas por que a bruxa malvada queria o cabelo delas? Nunca soube a verdade dessa história.
Depois da lição Moça, aprendemos a lição da Telha (lh), do Crucifixo (os sons do X), da Ambulância ( a letra m antes de p e b), Foguete (gu), Galinha (nh), Pêssego (ss), Garrafa (rr)... E a cada nova lição eu me encantava e viajava no mundo das palavras.


                                                


                                               

sábado, 28 de abril de 2012

Filmes

                                             


Gosto de filmes e tenho meu favoritos que marcaram época.
Adorava assistir aos filmes da Sessão da Tarde da TV Globo na nossa velha TV preto e branco.
Lembro de alguns filmes que marcaram minha infância e juventude, embora não me lembre os nomes.
Lembro de um filme muito bonitinho onde a menina judia de treze anos finge ser mais velha e estudar em uma escola católica para conquistar o garoto de uma banda de música. A menina faz aula de violão com esse garoto e se apaixona por ele.
Outro filme é sobre alguns rapazes alemães que serviram na guerra e não são bem vistos pela sociedade. Um do rapazes vai à um pequena lojinha do interior para comprar algo e se apaixona por uma garota, filha do dono da loja. O amor proibido e bonito. O pai da menina é muito radical e rigoroso e não quer nem saber falar sobre namoro da filha com um alemão! A menina dá ao rapaz uma camisa que seria dada como presente de aniversário ao pai.
Outro filme ainda é de um agente especial da polícia que precisa levar uma suposta espiã para julgamento e obviamente ambos se apaixonam e enfrentam vários problemas.
O Pássaro Azul foi outro filme que marcou nossa infância e os filmes de aventuras também.
Tinha um filme onde o príncipe fora transformado em macaco pela bruxa má (aliás, tem bruxa boazinha?) e quando o feitiço é quebrado e o príncipe volta à sua forma original, meu irmão Rogério diz: "Eita príncipe feio do caramba! Ele era mais bonito quando era macaco".
Assistíamos ao filme Conflitos No Inverno (Winter People) e Naldão faz sua crítica: "Eita povo feio! Eita cachorro feio, bebê feio...". Todo mundo era feio no filme, na opinião de Naldão.
Gostávamos de assistir aos seriados do MacGyver e do Incrível Hulk.
MacGyver conseguia salvar o mundo com apenas goma de mascar, clipe de papel e elástico. Era um gênio!
Eu tinha dó do David Banner, o médico que se transformava no Incrível Hulk. Tinha muita melancolia e me cortava o coração quando ele caminhava sozinho pela estrada afora.
Mamãe tinha medo do Hulk e tinha medo de ir sozinha ao banheiro durante a noite. Morávamos na pequena casa com quintal grande e o banheiro ficava do lado de fora; mamãe dizia que olhava para o portão e via o Hulk se aproximando para pegá-la e nós ríamos e dizíamos: "Mas mãe, o que raios o Hulk vai querer com a senhora?". Mamãe estava grávida com meu irmão Fubá. Acho que é por isso que ele tem medo do escuro.