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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Forte

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Minha bisavó, a galega, pequena e bocuda Maria Higinia Salles, Dona Gina, dizia: "Engulo um boi com as pontas (chifres) e não me entalo, já um mosquito me entala".
Sempre lembro e menciono as frases fortes dessa mulher pequena, porém fortíssima em seu caráter e determinação. Tinha que ser mesmo muito forte para encarar uma sociedade racista e machista para fugir com um escravo negro recém liberto pela Lei Áurea.
Eram lindos, Dona Gina e o Seu Francisco.
Lembrei deles porque ainda estou entalada com essa história toda da humilhação vivida no Banco do Brasil.
Reclamei, fiz todo o procedimento de praxe e hoje recebo um e-mail pedindo desculpas, mas indiretamente me culpando pelo ocorrido. É como se eu fosse culpada por ter necessidades especiais, pela péssima educação do guardinha e pela má vontade e preguiça dos gerentes que não tiveram a dignidade de abrir a porta lateral para eu passar.
Ainda estou chateada com isso tudo.
Bom...
Amanhã será outro dia e será melhor.
É isso.



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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Atendimento

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Voltei ao Banco do Brasil, mas dessa vez foi na agência da Vila Romana, Zona Oeste de São Paulo. 
Cumprimentei o segurança e me dirigi à porta giratória para mais um malabarismo e me surpreendi quando ele fez sinal para eu esperar; perguntou se eu havia retirado a senha e disse que a gerente iria abrir a porta lateral para eu passar. Não acreditei!
Sim, precisei tirar celular, chaves e afins da bolsa, mas tudo feito e pedido com muito respeito e paciência.
A funcionária abriu a porta lateral e eu agradeci; ela estranhou o fato de eu agradecer por uma atitude que deveria ser praxe em todos os bancos e outros locais frequentados por pessoas com necessidades especiais.
Fiz o que precisei fazer e depois deixei a agência pensando na diferença de tratamento, na decoração do local e na localização do banco.
A agência do Parque Novo Mundo foi mal planejada, pois é preciso subir escadas para ir aos caixas. A decoração não é aconchegante. Os gerentes são dois senhores lentos e mal ajambrados. A mocinha que ajuda as pessoas logo na entrada da agência é muito fraca, atrapalhada e inexperiente. A clientela é, na sua maioria, de pessoas simples que vivem nas comunidades próximas.
A agência da Vila Romana é decorada com elegantes e bonitos assentos em tecido azul claro. Têm caixas no térreo, mas um elevador será instalado em breve. A gerente é uma jovem discretamente vestida e muito simpática. Os funcionários são educados e prestativos. A clientela, na sua maioria, é de pessoas com melhor poder aquisitivo, boa Educação e que moram nos elegantes prédios da região.
Mas será que essas diferenças justificam o péssimo atendimento em uma agência e o ótimo atendimento na outra?
O problema estaria nos funcionários, nos guardinhas, nos clientes, na decoração, nos bairros?
Educação e respeito deveriam estar presentes em todas as ocasiões, independente de qualquer coisa.
Eu penso assim.
É isso.




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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Humilhação

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Estou indignada com o desrespeito e humilhação pelos quais passei na agência do Banco do Brasil no Parque Novo Mundo, Zona Norte da capital.
Tive que deixar o andador com minha irmã, fazer um malabarismo para poder me equilibrar e passar pela porta giratória e isso porque tem uma porta ao lado destinada a deficientes físicos e/ou pessoas com mobilidade reduzida.
Quando questionado sobre o porquê de não abrir a dita cuja, o guardinha disse que não tinha a chave.
Sabemos muito bem que os seguranças/guardinhas controlam as portas giratórias e esse estúpido me atormentou o quanto pode.
Depois de todo o malabarismo para poder entrar na agência, sou tratada com frieza, preguiça e desconfiança pelos gerentes que mais pareciam senhores dispostos à uma boa pescaria do que ao trabalho.
Em vez de gastar milhões contratando celebridades para fazer comerciais, o Banco do Brasil assim como os outros, deveriam usar esse dinheiro para treinar melhor seus funcionários, terceirizados ou não!

Pior que o esforço feito para me equilibrar e me apoiar na porta para ficar de pé e o risco de cair e me machucar, foi a humilhação, o sentimento de invalidez, injustiça e preconceito.
E se eu fosse uma dessas moçoilas saudáveis e bonitas, eu seria tratada com mais respeito? Será que a porta giratória travaria tantas vezes como travou, me fazendo esvaziar a bolsa e mostrar o que carregava comigo? Só faltou eu tirar a roupa, porque não tinha mais o que tirar e mostrar para o guardinha grosseiro e estúpido.
Que risco uma pessoa como eu poderia oferecer ao banco ou a qualquer estabelecimento?
Normas de segurança do banco? Estava cumprindo ordens?
Que normas e ordens são essas? Desrespeitar e humilhar pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida?
Fiquei com esse gosto ruim na boca, esse peso na alma e voltei para casa carregada, triste e indignada.
Fiz café, deitei no sofá e adormeci. Sentia-me tão cansada, pesada e dolorida. E triste.
É isso.




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terça-feira, 26 de junho de 2012

BuRRocracia

                                            


O Brasil é um país "burrocrata"; adora papéis, carimbos, assinaturas e afins.
Precisei da declaração de imposto de renda detalhada, mas só tinha a simplificada. Fui informada a procurar a Receita Federal que fica na Rua Isidro Tinoco no Tatuapé.
Eu nunca havia pedido uma segunda via de declaração de imposto de renda e naturalmente não sabia como proceder.
Vou ao local, retiro a senha e aguardo. Chega minha vez e a antipática, grosseira e mal humorada atendente pergunta o que desejo e eu digo; ela pega um pedaço de papel, anota algumas informações e fala rapidamente outras, não dava tempo para absorver tudo.
Eu pensei que tudo poderia ser feito ali mesmo: preencher formulários e pagar taxas, simples assim.
"Não, a senhora tem comprar o formulário DARF e pagar dez reais no banco e voltar aqui".
"Pensei que tudo seria feito aqui com vocês".
"Não!"
Fui à Praça Silvio Romero e numa banca de jornal comprei o tal formulário por sessenta centavos. Eu pensei que o formulário custava os dez reais mencionados pela antipática funcionária da Receita Federal e entreguei uma nota de vinte reais ao simpático atendente da banca: "A senhora não tem moedas? O formulário custa apenas sessenta centavos". E ele ainda me orientou em como proceder e disse que só poderia pagar os dez reais do DARF no Banco do Brasil. 
Saio da banca com o formulário em mãos e me dirijo ao Banco do Brasil que fica em frente à praça, na rua Tuiuti.
Pago, volto à Receita Federal, pego nova senha e aguardo; preencho o formulário enquanto isso.
Minha senha é chamada e outra menos antipática funcionária pede meus documentos e me dá mais um formulário para preencher, só que não tem muito espaço para tal e tive que usar o livro que sempre carrego comigo como apoio. Enquanto preencho, sou observada pela funcionária, por uma estagiária que estava treinando e por outras duas pessoas que estavam no guichê ao lado. Acho que elas não podiam preencher os formulários porque estavam muito ocupadas observando minha aparência acromegálica, só que uma delas tinha uma mancha vermelha que tomava metade do rosto (hemangioma)e mesmo assim me olhava como se eu fosse muito estranha. Preencho, entrego e ela me devolve meus documentos com os formulários e uma nova senha. Aguardo em outro local.
Minha senha é chamada e o atendimento fica no primeiro andar; me dirijo até a escada e escuto: "Senhora?"
Era o guardinha que faz segurança do local me chamando para ir de elevador, pois eu estava com minha bengala mágica e teria dificuldade para subir os degraus. O segurança avisa pelo rádio que me acompanhará e quando o elevador chega ao primeiro andar, já havia outro segurança me aguardando.
Sento-me na cadeira a outra mega-hiper-super antipática mal responde ao meu "boa tarde" e pega a papelada que eu trouxe. Depois de alguns segundos me deu mais papeis e disse "É só isso", agradeci e fui acompanhada pelo segurança.
Achei os seguranças muito mas simpáticos que as mal educadas atendentes da Receita Federal.
É praxe, público e notório o fato de servidores/funcionários públicos serem mal educados, grossos, estúpidos, preguiçosos, folgados etc, mas eu também sou funcionária pública e procuro tratar todos com o mesmo respeito com que quero ser tratada.
Bom, resolvi o problema e andei mais do que "tiradô de isprito (tirador de espírito)", como dizia mamãe.
Parei na entrada do prédio e li um enorme cartaz que dizia "Ouvidoria. Queremos saber o que você tem a dizer sobre nosso atendimento para melhorá-lo ainda mais".
É, precisa mesmo! E para começar, umas aulas de boas maneiras para as funcionárias que atendem as pessoas. 
Será que só porque trabalham na Receita Federal se julgam muita coisa?
Ouvidoria: 0800 702 11 11
Site: http://portal.ouvidoria.fazenda.gov.br
É isso.






                           

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trabalho

                                             


Levantei-me cedo e começo a arrumar a casa, principalmente a área dos gatos. Acredito que pessoas que tenham animais em suas residências devem primeiramente amá-los e respeitá-los e depois mantê-los limpos e alimentados.
O local onde a bicharada usa como sanitário deve ser mantida sempre limpa; isso é bom para saúde do bicho quanto para a de seu dono.
É isso.
Bom...
Arrumava o quintal, colocava roupas na máquina... Lembrei-me da época em que mamãe trabalhava como faxineira nas empresas e como diarista nas casas de família.
Achava interessante falar casas de família, pois dava a impressão de serem casas grandes, bonitas, com sala com TV e estante cheia de livros, piso e azulejo.
Era assim que imaginava a casa dos meus sonhos, bem ao contrário da nossa casinha simples de quintal de terra, piso vermelhão e banheiro do lado de fora!
Eu também gostava das casas mais simples do bairro; casas com muros baixos, janelas abertas sem grades, roupas penduradas no varal secando ao vento e com muitas plantas nos jardins. Eu achava tudo aquilo muito lindo.
Mas eu achava chique mesmo eram as casas da parte rica do bairro e saía a tocar as campainhas e oferecer meus serviços de faxineira diarista. Eu tinha meus doze ou treze anos e achava bonito o trabalho de mamãe; queria ser igual à ela.
Mas nenhuma dona de casa quis meus serviços, eu era muito novinha e não tinha experiência, segundo elas. 
Mal elas sabiam que desde que botei os pés no meu Santo São Paulo que trabalho; cuidando de irmão pequeno, fazendo mamadeira pra um, lavando roupa e passando roupa pra fora (no bom sentido), indo à reunião de pais e mestres (deveria ser reunião de irmãs e mestres), levando irmãos ao posto de saúde para vacinas, pesos, medidas e leite em pó, indo à Vila Maria e à Penha para pagar as prestações feitas nas Casas Bahia e ir ao Banco do  Brasil para mandar dinheiro para os familiares dos nordestinos que a Sum Paulo chegavam em busca de uma vida melhor.
Uma vez mamãe me levou ao seu trabalho, em uma fábrica de lâmpadas, e eu ajudei a colocar as lampadinhas coloridas nos terminais dos fios e depois vê-las acesas a piscar. Era um espetáculo de luz e cor. Lindo!
É isso.


                                                

segunda-feira, 12 de março de 2012

Desrespeito

                                            


Não sei porque e para que fazem leis tão rigorosas se 99.99% das pessoas não as respeitam.
Fui ao Banco do Brasil da Avenida José Maria Fernandes e tentei estacionar na vaga especial e exclusiva a deficientes físicos, mas fiquei só tentativa, havia um táxi estacionado lá.
Fui a outra agência do mesmo banco só que agora na Avenida Conceição e as vagas especiais estavam livres, mas o problema era os carros estacionados em frente às vagas. Tive que subir na calçada e fazer uma manobra radical para poder estacionar.
Fui também ao Bradesco da Praça Novo Mundo e consegui estacionar na vaga especial, o problema foi sair. Um táxi parou bem atrás de mim e agiu como se fosse normal; o simpático taxista queria ser gentil para com uma perua dondoca e por isso parou o mais próximo que pode da entrada do banco.
O desrespeito das pessoas sadias e "normais" para com pessoas deficientes ou com mobilidade reduzida é imenso. Me pergunto para que gastei tempo e dinheiro para adquirir honestamente meu Cartão Defis (cartão que permite estacionar em vagas destinadas a deficientes físicos) se dificilmente encontro essas vagas livres.
Aposto o que quiser que se eu estacionasse em locais proibidos ou cometesse qualquer infração, as polícia e a fiscalização já teriam agido sobre mim com multas e pontuações na carteira de motorista.
É o Brasil, o país do futuro.


                                                 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Penha & Vila Maria

Avenida Guilherme Cotching. Vila Maria
                                             


Penha e Vila Maria são bairros próximos ao nosso.
Tatuapé também, mas sempre encontrávamos e fazíamos tudo o que precisávamos na Penha e Vila Maria. Correios, bancos, lojas, cinemas...
Preferíamos a Penha pelo fato de o ônibus para lá ser menos "demorante" do que o ônibus para a Vila Maria.
Minha sobrinha Beatriz fala "demorante" para dizer demorado.
As cartas que mamãe ou eu escrevíamos eram levadas aos Correios e postadas por mim. Não havia agência dos Correios no meu bairro naquela época.
Geralmente eu fazia vários serviços para os nordestinos que conhecíamos. Eu ia ao Banco do Brasil para mandar dinheiro para as famílias deles em Pernambuco, ia aos Correios para mandar cartas e pacotes para as famílias deles, ia às lojas para pagar carnês de prestações deles. Eu era faz tudo, pau pra toda obra e ainda ia à escola, cuidava da casa, dos irmãos e arrumava tempo para lavar roupa pra fora (no bom sentido).
Eu fazia esses serviços para os rapazes e eles sempre me davam o dinheiro da condução e um trocado para eu comprar alguma coisa. Eu gostava de ir ao cinema São Geraldo na Avenida Penha de França ou então no outro cinema que ficava perto da Rua Santo Afonso, também no mesmo bairro. Hoje esses cinemas não existem mais, pois agora temos o Shopping Penha, o Shopping favorito de Beatriz.
Eu deixava tudo pronto em casa e avisava meus irmãos para não irem para a rua. Só poderiam ir até o portão para ver se mamãe estava chegando. Os deixava alimentados e com a TV ligada para assistir desenhos animados.
Eu seguia um ritual para dar tempo de fazer tudo, assistir a um filme e ainda chegar em casa antes de mamãe.
Eu ia ao Banco do Brasil, depois aos Correios, lojas e por fim e se sobrasse dinheiro suficiente, ia ao cinema.
Caminhava até o ponto final do ônibus que ficava, ainda fica, ao lado do Mercadão da Penha e muitas vezes deixava para ir no próximo ônibus só para entrar no Mercadão e passear pelos corredores e apreciar as bancas de frutas, flores e animais.
Já deixei de ir ao cinema para usar o dinheiro para comprar porquinhos da Índia, peixinhos e passarinhos.
Mamãe ficava doida comigo e dizia: "Mas tu não tem juízo mesmo. Em vez de comprar alguma coisa pra tu, vai comprar bicho. Tu não tem jeito não".