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quinta-feira, 12 de março de 2015

Mal humor

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Que dia chato, meu Deus!
E a noite foi difícil também.
Muito barulho, muita conversa, muita irritação, insônia...
Vizinhos que falam o dia inteiro e que esticam a conversa até de madrugada. Pelo amor de Deus!
Era mais de uma hora da manhã e os vizinhos conversando, discutindo, falando... O menino da outra vizinha resolveu compartilhar da minha insônia e chorou e gritou a plenos pulmões. Gritar como se estivesse atuando em um filme de terror é a tática que o pequeno usa para irritar e manipular a mãe. E irritar os ouvidos alheios também.
Carros, motos, aviões e seus motores barulhentos. 
Durante o dia, que começa a partir das quatro e meia da manhã, são os barulhentos motores dos caminhões, carros, motos que passam pelas ruas e durante a noite são os motores/turbinas dos aviões de pequeno, médio e grande porte que sobrevoam as residências do bairro.
Estamos em uma área próxima ao Aeroporto de Guarulhos e o Campo de Marte e é comum o vai e vem das aeronaves. Legal.
Barulho me irrita. Muito.
É preciso aumentar o volume da TV. Fecho os olhos e tapo os ouvidos quando o barulho dos motores dos caminhões parecem ultrapassar as paredes da casa em direção à minha cabeça. É uma coisa chata e incômoda.
Gente que liga a TV em volume alto; conheço muita gente assim.  Minha sobrinha passou o feriado de Carnaval aqui em casa e ao levantar pela manhã, a primeira coisa que faz é ligar a TV e aumentar o volume. Tem precisão disso?
Quer uma haste flexível com algodão nas pontas para limpar os ouvidos?
Não. É hábito mesmo.
Vizinhos tocando as mesmas músicas o dia inteiro. Não enjoa não? Vai arranhar, Deus permita, o CD da Paula Fernandes. Amem.
Estou insuportável hoje. Estou irritadiça, estressada, de saco cheio, revoltada e muito mais.
Mais uma noite mal dormida, dor desgraçada na coluna e no joelho direito, pressão alta, pernas fracas e molengas, tristeza. 
Não bastava ser apenas pobre? Tem que ter logo duas doenças malditas detonando o corpo e a vida?
Não estou boa hoje.
É isso.





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terça-feira, 30 de julho de 2013

Calçada

                                  


Levantei cedo para aproveitar o sol. Lavei lençóis e edredons.
Sentei-me na cadeira que fica no quintal e de lá observei a tarde, minhas plantas e meus gatos. Lindos.
Alimentei meus felinos famintos com ração molhada, a favorita deles.
Cansei.
Estou igual ao Rubinho Barrichello quando corria na Fórmula 1, começo com um arranque que benza Deus, mas depois acaba tudo.
Deitei-me no sofá e adormeci.
Sonhei com papai e ele entrava aqui em casa e fazia comentários sobre minhas plantas e sobre o relógio de luz (medidor de energia).
Papai depois sentava-se na calçada; fazia uma belíssima tarde de sol. Era hora do crepúsculo, do ocaso, do fim da tarde e ficava aquela luminosidade bonita que nem é dia de tudo e nem noite ainda. Lindo.
Eu caminhava segurando a mão de um menino e precisava levá-lo de volta para casa. O céu estava tão bonito, coalhado de estrelas, como dizia mamãe.
De repente me encontro em um aeroporto e tudo está parado porque há suspeitas de um maluco que lançara um vírus mortal; eu hein.
Todos correm por um porta e nos encontramos todos em um hospital. Sou chamada e uma enfermeira anota minhas informações. Ihhhhhh... Tô gostando disso não!
Estou na minha escola que um dia foi tão bonita e hoje parece mais uma prisão; cercada de grades horrendas por todos os lados.
Subo as escadas apressadamente e converso com uma pessoa enquanto seguro a mão do menino. Faço perguntas rápidas e tenho pressa, preciso levar o menino de volta para o lugar de onde o peguei.
Questiono essa pessoa e faço perguntas de ordem filosóficas, religiosas, sobre a vida, o mundo...
Se o menino é meu, por que não posso ficar com ele? Por que tenho que devolvê-lo? Se ele nunca veio a esse mundo, por que cresce como um menino normal? O que posso fazer para deixá-lo feliz e fazê-lo sorrir? Ele tem olhos tão tristes.
Estou em uma casa diferente, bonita, mas estranha. A sala é grande e mobiliada com móveis clássicos, mas tem uma pia de cozinha no canto da parede. Que lugar mais estranho para se colocar uma pia de cozinha!
Acordo com o centrifugar da máquina de lavar. 
Vou ao quintal e estendo as roupas nos varais remendados. 
Preciso comprar novos varais.
É isso.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Praia de Paulista

                                            


Feriado de Corpus Christi com muita chuva e frio.
Muitos acidentes nas estradas também, infelizmente.
Imaginei que os supermercados, lojas, shoppings e afins estariam vazios com a saída dos paulistanos para o feriado, mas não.
Já disseram que shopping é a praia de paulista, antes era o aeroporto. Os paulistanos iam até lá só para ver avião subindo e descendo.
Lembro que fomos uma vez ao aeroporto num domingo frio e chuvoso; fomos com o tio Manoel Gomes, irmão de mamãe. O tio tinha uma Brasília cor de creme e nos levou ao aeroporto; fomos eu, Mãevelha, Rogério e Rosi ainda pequena. O tio levou uma das filhas.
Passamos pela Avenina Miruna e eu lembrei do Zé Betio que anunciava no seu programa de rádio para mandar as cartas para o endereço mencionado. 
Olhava os prédios e procurava os números e as placas de rua: Avenida Miruna, 713.
Bom...
Fui ao Extra da Penha e lá chegando vi o vai e vem de carros procurando vagas para estacionar. Havia as vagas especiais para idosos e deficientes físicos e vários carros estacionados lá, mas em nenhum deles havia o Cartão Defis colocado no painel próximo ao vidro, como manda a lei.
Entrei no hipermercado e comprei ração seca, ração molhada, café, iogurte e algumas frutas. As filas para o caixa eram enormes e o pessoal dos caixas eram lerdos.
Finalmente chega minha vez, pago as compras e saio. Mais gente chegando e ouvi alguns comentando sobre o fato de o hipermercado estar tão cheio em pleno feriado, mas é exatamente isso: aqueles paulistanos que não viajam nos feriados prolongados vão aos hipermercados, lojas, shoppings... Levam a família e fazem daquilo um evento e o que se vê são carrinhos cheios, locutor falando pelos cotovelos para anunciar promoções imperdíveis, pessoas aguardando e reclamando nas filas, crianças dentro dos carrinhos de compra querendo que os pais comprem tudo o que veem pela frente, mesmo que não saibam para que serve. É o poder do consumismo.
Mas só fui ao hipermercado para comprar ração para meus gatos enjoados, as lojinhas e Pet Centers do bairro estavam fechadas e o jeito foi encarar a praia dos paulistas, meu.
É isso.




                                         
                                      

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Maio

Maio é o mês das mães e das noivas.
Maio é o mês que menos gostamos.
São dois anos sem papai e onze anos sem mamãe.
Mamãe partiu em cinco de maio de 2001 e papai em quinze de maio de 2010.
Temos motivos para não gostarmos do mês de maio.
Anteontem, dois de maio, tenho pesadelos. Acordo chorando e chamando por mamãe.
Mamãe me abraça forte. Mamãe é força, aconchego, acalanto.
É desesperador saber que não posso ficar ali com mamãe e que ela precisa ir.
A dor da separação é imensa, intensa, doida. 
Papai vem ver o que está acontecendo e parece calmo e ocupado com algo. Mamãe precisa ir.
Estou depois no hospital com minha irmã Rosi, que me acompanha. Passo mal, tenho dor, tomo remédios e vão raspar minha cabeça. Meus dentes ficam soltos e alguns caem.
Mamãe me abraça.
Acordo: "Mãe! Mãe!".
Devo ter acordado os vizinhos também.
Minha cabeça dói, tomo meu anti hipertensivo e volto para a cama. Sonho agora em um aeroporto me despedindo de Rosi e Pedro que vão viajar para o Irã. Coisa mais doida, meu. Justo o Irã? Tantos conflitos políticos religiosos naquela região.
Irã é um país belo de rica e bela cultura; conheci alguns iranianos, são pessoas bacanas.
Antes de Rosi e Pedro embarcarem acontecem algumas explosões. Fogo, gritos, terror.
Meu Deus.
Me levanto, não quero dormir mais, tenho medo de sonhar de novo.
Rezo, peço a Deus e ao Povo lá de cima que proteja a minha família e a todos aqueles que estiverem carecendo de algum conforto, seja em forma de saúde, trabalho, carinho...
Deus sabe o que faz.
Temos a mania de pensar que tudo é para sempre. Estamos tão certos e seguros disso que não nos atemos ao fato de que o tempo passa, que envelhecemos, que as pessoas morrem, que a vida continua para quem fica... É difícil entender e aceitar. É a ordem natural das coisas, mas temos dificuldade para entender e aceitar.
Como dizia minha titânica mãe: "Dias Melhores Virão".
É isso.