segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Blog da Criança: Azulejo

Azulejo
                                               
Uma coisa que sempre me intrigou e intriga até hoje é o nome das coisas; de algumas coisas.
Por exemplo: Por que a palavra azulejo começa com a cor azul se existem outras cores de azulejos?!.
É um caso para se pensar.
Os azulejos da minha casa não são azuis, são brancos. Então deveriam ser "brancolejos"?
E os azulejos coloridos? Deveriam ser "coloridolejos"?
Por que as palavras são tão complicadas?


"Coloridojelos"
                                              

Radial Leste

                                           


Radial Leste é via que faz a ligação Leste-Oeste na capital São Paulo.
Está quase sempre congestionada, principalmente nos horários de pico.
Fui À Farmácia Alto Custo para pegar meu remédio, mas não o peguei. O atendente me explicou o motivo: A data para liberação do medicamento era de 23 a 30 de novembro, mas a informação dada a mim e para outros pacientes era de que aquela data marcada no formulário  teria validade de um mês.
Não fui buscar o remédio (Sandostatin LAR/Acetato de Octreotide) na data marcada por não estar bem de saúde e por confiar na informação dada previamente.
As dores do nervo ciático me incomodaram por mais de três semanas e nesse período fui aos médicos e fiz os tratamentos indicados por eles.
Bom...
Amanhã vou fazer a primeira aplicação do remédio no joelho, aquietar o facho por pelo menos umas 24 horas e na quarta-feira procuro o endocrinologista para emitir um laudo justificando o uso do Sandostatin LAR. Levarei esse laudo com os exames e assim tentarei ter o remédio liberado.
O simpático atendente de nome Daniel me explicou os motivos e os riscos que sofreríamos caso ele liberasse o remédio. Segundo ele, a Secretaria de Saúde faz auditorias mensais para levantar o número de pacientes usuários do medicamento, os médicos que receitaram o medicamento  e o porquê do uso, necessidade e indicação do medicamento.
Por ser um remédio caro, o Sandostatin LAR é controlado rigorosamente.
Beleza.
Volto para casa pela Radial Leste e paro para abastecer. Enquanto aguardo o frentista fico observando os carros que passam, os prédios e casas antigos e abandonados da Radial.
Há muita degradação, abandono e descaso para com os prédios, casas, comerciantes e moradores na região da Radial Leste.
O governo municipal e estadual deveriam lançar projetos de restauração naquela área que faz parte da História de São Paulo e é uma das principais vias de acesso do caótico e apressado trânsito paulistano.
Acredito que a restauração, reforma e cuidados para com a Radial Leste trariam benefícios e lucros tanto para os locais como para o próprio governo.
Há algumas lojas grandes como Sam´s Club, C&C, McDonald´s, Kalunga, DiCico e lojas de decoração e objetos para quartos de bebês, como a Alô Bebê. Há museus do azulejo (adoro observar as fortes cores dos azulejos antigos) e lojinhas que vendem produtos e artigos para jardinagem e fontes de água. Adoro plantas e adoro o marulhar das águas. Mas entre essas lojas há inúmeras casas abandonadas e invadidas por pessoas que destroem o que restou da Arquitetura e História paulistana impregnadas nos detalhes decorativos do casario antigo da época da colonização italiana em São Paulo. A Família Matarazzo marcou a História e a Indústria de São Paulo.
Dá até uma certa melancolia observar o abandono e o descaso para com o que foi um dia parte importantíssima do meu santo São Paulo.
A região da Radial Leste se beneficiaria grandemente de mais comércio como padarias, farmácias, restaurantes, supermercados, lanchonetes e outros serviços. Isso traria dividendos para os cofres do governo, geraria empregos e atrairia mais investimentos para a região. Afastaria aquele cinza feio e triste do abandono e do descaso.
A Avenida Celso Garcia também sofre o mesmo tipo de abandono e descaso, mesmo sendo uma avenida importante da Zona Leste.
Porque a ZL é tão ignorada pelas autoridades, mano?


Mapa da região metropolitana de São Paulo
                                           

         
                             


                                              


                                             

                                        


domingo, 4 de dezembro de 2011

Amor: Bisavô Francisco & Bisavó Gina

                                               


Bisavô Francisco era negro.
Bisavô Francisco era rapazote quando Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.
Negros e escravos libertos. E agora? O que fazer com a liberdade recém adquirida?
Bisavó Gina era branca.
Bisavô Francisco era negro, alto, magro, esguio e elegante. Usava roupas simples e chapéu coco. Era de temperamento calmo, tranquilo, doce e de sorriso farto e acalantador.
Gina, dona Maria Higinia Salles, era branca, pequena em estatura, cabelos loiros arruivados, pele claríssima, olhos claros. Era de temperamento forte, invocada, sem papas na língua.
Francisco e Gina se encontram e o amor acontece.
Simples assim?
Não.
Se hoje em dia, em pleno século XXI ainda há muito preconceito e intolerância, imagine em séculos passados.
Francisco e Gina não podem se falar, se ver; quem dirá namorar.
Inadmissível um negro sonhar em cortejar uma dama branca. "Isso é uma afronta, um absurdo. Esse negro não sabe seu lugar?". Essas eram as falas da época.
Mas Gina não pensa assim. Para Gina o amor não tem cor e um homem deve ser julgado por suas ações e não pela cor de sua pele.
Francisco e Gina fogem. Dois adolescentes de famílias diferentes, culturas diferentes e etnias diferentes. Não vou usar o termo "raça" diferente, pois como já falei aqui, para mim só existe uma raça, a RAÇA HUMANA.
Francisco e Gina fogem para longe por temerem a reação da família dela e das pessoas que não entendem que o amor não tem cor. 
Dessa união nascem vários filhos e minha avó Mãevelha é um deles.
Francisco e Gina agora têm filhos, netos e bisnetos.
Adorava ir à casa deles e saborear a salgadíssima farofa de ovo e farinha de mandioca preparada por minha bisavó e acompanhada por um belo xicrão de café.
Adorava brincar de fazer comidinha num fogão à lenha preparado por meu bisavô, que me observava brincar com as outras crianças da rua e com cuidados para eu não me queimar.
Pode soar estranho, mas era comum naqueles tempos.
Bisavó Gina trabalhava em sua horta, adorava suas plantinhas, seus temperos e suas ervas.  Tinha remédio pra tudo: chazinhos para aliviar azias, dores de cabeça, resfriados.
Suas ervas serviam tanto para remédio como para temperos. Acho que foi daí que mamãe aprendeu a temperar tão bem as carnes de vaca, porco, carneiro, aves e peixes.
Bisavó já estava velhinha, corcunda, encurvadinha, o que a deixava ainda mais pequenininha. Seus cabelos brancos e fofos como o algodão. Seus olhos azuis agora embaçados pelo peso dos anos. Seu cachimbo no canto da boca. Suas mãos frágeis e ao mesmo tempo fortes segurando a enxada para cuidar da terra.
Bisavó era pequena só em seu tamanho físico e assim como mamãe, era uma mulher forte, decidida, titânica. Tinha que ser muito mulher e muito forte para assumir um amor proibido e fugir com ele deixando para trás uma vida confortável e calando a boca de muito racista abestalhado.
Bisavó era terrível e não media suas palavras quando precisa dizer o que pensava. Procurava não magoar ou ofender ninguém, mas que ninguém a provocasse!
Minha adorada, branca, pequena, forte e terrível bisavó dizia:
"Quem faz de cachorro gente fica com o rabo no dente". 
"O amor quando é novo come do pão e do ovo, mas quando é velho come do má dos cachorro".
"Quem se abaixa demais o rabo aparece".
"Dou um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair". (véinha encrenqueira)
E a minha favorita: "Engulo um boi com as pontas e não me entalo, já um mosquito me entala".
Meu negro, alto, elegante e doce bisavô dizia: "Se avexe não, Gina. O que é ruim destrói-se por si mesmo".
E assim como meus amados bisavô Francisco e bisavó Gina, há outros amores de todas as cores nessa minha família abençoada por Deus e bonita por natureza. Graças a Deus.
E me pergunto: "Meu Deus, será que um dia as pessoas deixarão de ser cegas e verão que as coisas boas da vida não têm cor ou raça? Que quando morremos vamos para o mesmo lugar? Que não levamos nada dessa vida, a não ser a vida que vivemos?".
Meu bisavô Francisco teria uma resposta para essas perguntas:
"Deixe estar, minha minha filha. Não se aperreie com gente inguinórante, não". 


                                             





Cuidados

                                              


Domingo, 6horas da manhã.
Acordo com Alice miando e pulando na cama. Ela veio miando do quintal até o quarto.
Acorda os outros gatos e isso gera um certo ciúme e disputa territorial. É mais uma disputa pelo melhor cantinho na cama para ficar mais perto de mim e receber mimos, afagos e palavras de amor.
Eu falo com Alice e Ébano acorda, levanta e se joga entre mim e a amiga (nem tanto) felina.
Aurora também se aproxima e traz Branca para completar o grupo fofo e mimado.
Levanto e vou alimentá-los, trocar a água e a areia sanitária.
Quem tem animais precisa dobrar os cuidados para com a higiene da casa, do quintal e dos próprios bichos. Deve-se trocar a água deles regularmente para evitar que suje ou esquente nesse calor e evite também a perigosa e temida Dengue.
A minha parte eu faço, mas e as outras pessoas?
Vejo vizinhos colocarem resto de comida na calçada para os cachorros, mas isso atrai pombos que transmitem toxoplasmose. 
Vejo ratos passearem pela garagem de vizinhos e os vejo comer a comida do cachorro. O canino não demonstra nenhuma reação; deve ser truta da rataiada.
Já falei como essas pessoas tratam o lixo e posso garantir que não é da forma correta.
Bom dia a todos.


                                      

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amanhã

                                           


Estou cansada, com sono e com dores. 
Estou há quase um mês com essas dores que ora mudam de lugar ou de intensidade, mas estão sempre a me atormentar.
Alguém já sentiu a cabeça "ferver"?
É estranho, mas a minha ferve. É uma agonia. Meu Deus.
Mas amanhã é outro dia.
E se a cada dia que amanhece eu me levanto da cama, isso quer dizer que tenho uma nova chance. Uma nova chance para viver, para melhorar, para fazer, para agir.
Até amanhã.

Remédio

                                           


Tínhamos o estranho costume de tomar refrigerante quando estávamos doentes.
Mamãe tomava Coca-Cola para fazê-la arrotar quando tinha azia e cometia exageros à mesa.
Não sei de onde nem como surgiu essa crendice, mas está na família há gerações.
O refrigerante campeão de consumo para efeitos medicinais era o Guaraná. Bastava um de nós ficar doente, mesmo que fosse um leve mal estar, e a primeira providência a ser tomada, literalmente, era tomar um guaraná.
Nós gostávamos dessa medicina alternativa e gostávamos mais ainda quando alguém ficava doente e mamãe nos mandava comprar guaraná ou Coca. Nosso interesse era puramente na saúde e no bem estar do doente, claro.
Guaraná para um pequeno mal estar.
Coca-Cola para desconforto estomacal e azia. 
Acho que funcionava mesmo; os arrotos sonoros não deixavam dúvidas de que o paciente estava melhorando.


                                           


                                



Pastilhas Valda

                                                                            


Nosso primo Giovan vai à farmácia para comprar pastilhas.
Giovan pergunta ao balconista: "Tem pastilha Dalva?"
O funcionário da farmácia pensa um pouco e responde:
"Dalva não tem, mas pode ser Valda?".




                                        


                                 

Coca & Pepsi

Já falei que papai adorava dar seus intermináveis sermões e mamãe era muito dramática e muito passional. 
Mamãe gesticulava, bradava, ameaçava...era muito drama, digno de novela mexicana.
Era muita pressão.
Após mais um momento de dramas passionais e sermões intermináveis, meu irmão Naldão chega à brilhante conclusão: "É o casal pressão: Coca e Pepsi. Quando acaba o gás; já era".
Papai e mamãe não gostaram da comparação, claro.
Mas que era muita pressão, isso era. 
Pressão digna de Coca e Pepsi.


                                               

Atum

                                              
Hoje fui comprar ração para meus gatos exigentes.
Não querem comer as rações a que estavam habituados, só querem agora uma tal de "ração pastelzinho" que compro no Pet Shop de uma simpática moça, aquela que tem a pombinha branca com quem troco umas ideias. {A quem interessar possa, eu sou normal}.
Aliás, a pombinha branca é o pombinho branco. Mas é hábito da gente atribuir o gênero feminino às aves, principalmente pombos. E quero deixar claro que em momento algum duvidei da masculinidade do pombo branco. Longe de mim pensar uma coisa dessas!
Bom...
Comprei a ração pastelzinho, sachês e uma lata com ração molhada. Meus gatos adoram quando misturo a ração molhada à ração seca. Fica uma gororoba tremenda que os faz lamber os beiços. Gataiada zóião, meu!
Abri a lata de ração sabor atum e me lembrei de papai.
Não sei se já falei sobre esse causo, mas vale a pena contar de novo.
Minha irmã Renata abriu a lata de ração sabor atum e deu um pouco aos gatos e guardou o restante na geladeira. Papai chegou em casa cansado e com fome e abriu a geladeira em busca de algum lanchinho até a hora da janta.
Papai pega a lata de ração dos gatos e come. Devia estar bom, pois ele comeu toda a sobra que ficara na lata.
Algumas horas depois Renata vai alimentar os gatos mas não encontra a lata de ração.
Ela pergunta se papai por acaso viu ou guardou a ração em outro lugar.
Papai arregala seus olhos verdes e responde e pergunta ao mesmo tempo:
"E era ração aquilo, era? Vixe Nossa Senhora. Será que vou morrer, meu Pai do Céu?!"
"Mas o senhor não viu que era comida de gato, pai?"
"Oxe, eu vi a cara do gato na lata e tava escrito "atum", aí eu comi. Pensei que era atum. E não era atum não?".
Papai não morreu por ter comido a ração do gato.
Papai não quis mais saber de atum em lata.
Papai morreu anos depois, mas não foi de atum, foi de anos e anos de trabalho pesado e muito cigarro.
Papai.


                                                  



Um dia frio...

...um bom lugar pra ler um livro;
o pensamento lá em você,
eu sem você não vivo..."


Belíssima canção de Djavan que combina com o dia de hoje:cinzento, chuvoso e frio.
Prefiro assim. 
Nem muito quente, nem muito frio. Como dizia meu Paipreto: "Tudo demais faz mal".
O calor em excesso torna a vida mais difícil para hipertensos e obesos; mais do que para outros grupos sociais.
O frio em excesso torna a vida mais difícil para pessoas com artrite, artrose e com parafusos segurando os ossos.O frio faz doer mais.
Pessoas que já passaram por cirurgias sabem e sentem quando o tempo vai mudar; a cicatriz começa a coçar e a incomodar. Isso tudo é sinal de que vai chover ou esfriar.
Nas nossa família temos dois métodos de previsão metereológica: o Corinthians de mamãe e as dores e desconforto nos locais do corpo onde passaram por cirurgia.
É batata! 
É mudança de tempo à vista.
Ontem estava um calor insuportável de mais de 30º (trinta graus) e hoje a temperatura caiu pela metade. 
Ontem um dia de sol quente e forte e hoje um dia cinza e frio.
....
Hoje é Dia do Samba.


"Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar rir pra não chorar. E se alguém, por mim perguntar diga que só vou voltar quando eu me encontrar..." 
Antônio Candeia Filho.
Candeia.
                                               
                                                    

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A pulso

                                       


Estou com as dores ainda. Dores de cabeça, nos ossos e no meu joelho direito.
Como diria papai: "Estou a pulso".
Não entendíamos o significado da expressão tão usada por papai após voltar de um longo e cansativo dia de trabalho, mas sabíamos que ele estava cansado e dolorido de carregar barras de ferro na metalúrgica onde trabalhou e de carregar a pesada sacola com garrafas de café, leite, bolo e salgados para sua barraquinha.
"Estou a pulso" quer dizer que a pessoa está tão cansada que só se levanta se for tomada e levada pelo pulso.
Vou para minha cama.
Estou a pulso.
                                      

Comerciais

                                            
Gosto de observar e analisar os comerciais de televisão para depois comentá-los com minhas irmãs.
O talento brasileiro não deixa nada a dever aos talentos estrangeiros, mas tem um povo meio sem noção. 
O povo forma-se em Propaganda, Publicidade e Marketing e cria cada coisa estranha e ainda é pago por isso e pra isso!
Um dos comerciais que amo odiar é o de uma marca de achocolatado no qual duas vacas, (ou seriam bois?) cantam e dançam ou então dizem a "verdade".
E a marca do achocolatado pagou por isso!.
Outro que também amo odiar é o de uma marca de goma de mascar onde o casalzinho de namorados encontra a ex do rapaz e esta se transforma numa criatura gigante. O pior é a atual namorada dizer que a ex é uma "fofa". 
Não gosto dos comerciais de cerveja. A maioria deles abusa da imagem de mulheres seminuas fazendo caras e bocas sensuais. Outros ainda conseguem piorar o que já é ruim e colocam uns "Zé Ruelas, Manés" hipnotizados por... advinha?
A impressão que se dá, pelo menos para mim, é que comerciais de cerveja são direcionados apenas para homens e lésbicas, como se mulheres hétero e homens gays não tomassem cerveja!
Há uma tênue linha separando sensualidade de vulgaridade. Mas algumas pessoas não se dão conta disso.
Comerciais de banco também me irritam pela facilidade de seus serviços e a simpatia de seus gerentes. Não é bem assim na vida real; fica mais de uma hora na fila pra você ver gente abusada se aproveitar do caixa preferencial, tiozinhos aposentados com envelopes lotados de papéis e contas a pagar, velhinhas frágeis que se atrapalham com os dígitos de suas senhas e ficam um tempão tentando fazer um saque ou pagar uma simples conta.
Bancos com vinte terminais de caixas mas só dois ou três funcionários para atender o povão na fila. O brasileiro parece adorar uma fila, né não?
Detesto o falso moralismo também. Houve um comercial muito bacana das sandálias Havaianas no qual a avó fala sobre sexo com a neta. Os puritanos de plantão reclamaram do comercial, mas não reclamam quando há mulheres siliconadas mostrando a única coisa que têm para mostrar: seus atributos físicos turbinados no bisturi.
Mas há comerciais muito bacanas.
Gosto principalmente de comerciais de carros.
Ri muito com o comercial do Renault Duster ao ver homens chorando por já terem comprado outro carro.
O falso moralismo também atingiu um comercial de carros e nesse caso foi o Nissan Frontier, o dos "Pôneis Malditos". O problema aqui foi o de associar figuras infantis -pôneis- com a palavra "maldita". 
Associar mulher seminua com a palavra "gostosa", pode.
Um comercial que me encantou foi quando do lançamento do carro Fiat Linea.
O rapaz dirige o carro e a voz do GPS (Global Position System - Sistema de Posicionamento Global) diz para ele entrar em uma rua, mas ele segue o sentido contrário só para alcançar uma moça vestida com roupas simples, cabelos presos no alto da cabeça e que caminha tranquilamente segurando um livro. 
Achei esse comercial lindo e respeitoso para com as mulheres. Romântico também.
A moça não estava rebolando, não fazia caras e bocas e estava vestida!
Acho que não precisa apelar para mostrar ou vender um produto; bom gosto, elegância e respeito valorizam muito mais o produto.
Na minha humilde opinião de consumidora de bens, produtos e serviços.


                                        

Ocaso

                                              
Deveria ter ido à Farmácia Alto Custo e ao consultório para iniciar o tratamento da artrose no joelho direito. Não fui.
A Marginal Tietê congestionada e a previsão de chuva forte para o final da tarde me detiveram de minha missão. 
O céu estava escuro, nuvens carregadas, dava até um medinho.
Liguei para o consultório e remarquei para semana que vem e num horário mais cedo do que o estava previamente agendado.
Final de ano em São Paulo acelera e complica o trânsito e a vida do paulistano.
As distâncias a percorrer não são longas, o problema é o trânsito mesmo. As desculpas são as mesmas: excesso de veículos. E todo santo dia tem um caminhão quebrado ou um motoboy machucado. Ou até mais que isso.
Imprudência, arrogância e falta de educação das pessoas no trânsito e nas ruas relações humanas. Às vezes acho que estamos nos transformando em animais irracionais (somos os ditos racionais) que passa por cima do que e de quem estiver na sua frente para poder garantir seu espaço e território.
Bom...
Não fui e aproveitei para ficar em casa e descansar, "aquetar o facho", como dizíamos e ainda dizemos. Deite-me no sofá e assisti a um capítulo de uma série sobre a cantora lírica Maria Callas (1923-1977) e seu tempestuoso romance com Aristóles Onassis (1906-1975).
E o tempo passa, a moda muda, a tecnologia, a medicina...mas as pessoas são sempre as mesmas. Umas se apaixonam perdidamente, outras brincam com os sentimentos daquelas que lhe devotam paixão e amor desmedidos. A manipulação, a humilhação, o desrespeito e até mesmo uma certa maldade de pessoas apaixonantes para com seus apaixonados.
Paixão é sofrimento, sabia? Vide a Paixão de Cristo. Acho que como paixão é sofrimento é por isso que as pessoas apaixonadas sofrem tanto. Jesus!
O homem, sempre o homem machista, garanhão, e pegador.
Se for uma mulher com esse mesmo comportamento, aí ela recebe outros adjetivos qualitativos negativos. Belas palavras para as quais as mesmas ações têm significados diferentes de acordo com o sexo do sujeito principal.
Vixe! Viajei.
Mas...
Acabou o filme e me levanto para atender ao chamado dos meus gatos. Vou ao quintal e me  chama a atenção uma luminosidade dourada e bela. É o ocaso. 
Seguro o pote de ração enquanto aprecio e me encanto com esse belo espetáculo da Natureza. Mas meus gatos não têm muita veia poética quando estão com fome.
Alimento meus felino mimados, famintos e terríveis e volto a apreciar o ocaso.
Curiosamente, a palavra ocaso tem dois significados que se entrelaçam com o meu fim de tarde: por do Sol; decadência de um império.
Eu prefiro a beleza do ocaso.