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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Filhas

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Estava olhando fotografias da família e reparei na beleza das minhas sobrinhas, todas muito fashion e vaidosas.
Até mesmo a caçulinha Rafaela é muito vaidosa, adora se arrumar e faz pose para fotos.
Estão sempre com roupas "combinantes", cabelos arrumados e um batom nos lábios, no caso das mais velhas. Entendem de moda e procuram seguir as tendências, dentro do limite financeiro da família.
Não pude evitar, e as comparei comigo, com minha infância, com o modo como fui criada, vista, julgada e tratada.
Roupa nova era comprada uma vez por ano, próximo ao Natal com o décimo terceiro salário, e só podia ser usada em ocasiões especiais. Se papai nos encontrasse vestidos em nossas roupas novas em dias comuns, pronto,o sermão começava.
Muitas vezes as roupas ficavam curtas, apertadas ou "perdidas", pois crescíamos rápido, e mamãe levava à costureira para ajustar ou ajustava em casa mesmo, do jeito dela. Eu mesma já sabia pregar botões, alinhavar, fazer barra de calça desde meus oito, nove anos.
Não éramos incentivadas, eu e minha irmã do meio, a nos arrumar e nunca recebíamos elogios, sempre críticas e gozações, tanto de nossos irmãos e nosso pai. Deixamos a vaidade de lado e ela também nos deixou.
Não usamos maquiagem, anéis, pulseiras e outros adornos, pois sempre pensamos que alguém vai nos olhar de modo estranho. É estranho e até bobo, mas é verdade.
Minha irmã do meio teve a sorte de nascer bonita e ter o cabelo "bom", mas eu não tive a mesma sorte. 
Engraçado como esses traumas e inseguranças da infância ficam marcados na gente como a marca do ferro quente na pele do gado.
Mas gosto de ver minhas sobrinhas sempre lindas, arrumadas e incentivadas pelos pais. Sem críticas, sem cobranças, sem julgamento. Quase todas elas.
Os pais podem criar pessoas seguras ou inseguras, depende do modo como se relacionam com seus filhos.
É isso.



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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Modo de falar

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Quando chegamos a São Paulo, vindos de Pernambuco, estranhamos o falar dos habitantes da terra da garoa, mas com o tempo fomos nos adaptando. Já falei sobre isso aqui.
Mas lembro que eu tinha muita dificuldade para entender o que a professora, os colegas e as outras pessoas diziam e eu achava que eles falavam "errado"; a "nossa língua" era a correta.
Além do sotaque pernambucano, meus pais e minha avó usavam muito espanholismo, termos e expressões africanas e do Tupi-Guarani. Mamãe falava muito "oye", uma expressão judaica (hebraica) usada para representar dor, preocupação e sentimentos afins.
Esses falares todos me deixavam confusa e eu às vezes tinha receio de falar com as pessoas porque tinha medo de não ser entendida e de que rissem de mim. Eu falava pouco, me afastava e me encolhia no meu cantinho e observava ao redor.
Lembrei desse fato hoje após ter observado como algumas pessoas, crianças e adultos, pronunciam as palavras e como o modo de falar dos pais e familiares mais velhos influenciam, e até confundem, o falar dos pequenos.
Os filhos imitam os pais por amá-los e considerá-los seus heróis e por serem seu maior exemplo de vida e conduta.
A criança que começa a falar aprende repetindo o que ouve e se ela escuta "bicicreta, predero, crasse, vrido, fazi, coisar", por exemplo, ela vai pensar que é correto falar assim, falará assim e terá problemas quando for à escola e no convívio social.
É normal a troca da letra "R" pela letra "L", ou a falta delas nas palavras, nos primeiros anos da criança e é até bonitinho ouvir "Basil/Brasil, fango/frango", por exemplo, mas é preocupante quando esse modo de falar infantil continua na pré adolescência, adolescência e vida adulta.
Conheço muitas pessoas, algumas bem próximas, que falam "errado", os filhos também falam "errado", mas nenhuma providência é tomada; acham normal.
A questão não é falar "certo" ou "errado", não vamos falar como linguistas, filólogos, professores ou doutores, mas devemos falar respeitando certas normas da língua, acredito.
Os pais deveriam tomar o cuidado de não falar termos chulos, palavrões e gírias perto dos filhos. Não chamar conhecidos e familiares por nomes vulgares e/ou que os denigram; a criança pensará que essas atitudes são normais e as repetirão.
Mas o que se vê hoje em dia são pais cada vez mais jovens, sem experiência, sem noção e sem a preocupação em educar e participar da vida do filho.
É isso.




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terça-feira, 3 de março de 2015

Hipopótamo

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Falo com minha sobrinha Beatriz ao telefone e ela me pergunta se eu quero que ela leia uma historinha para mim. Digo que sim e ela segue lendo: Os gregos ficaram admirados quando viram aquele animal enorme, que mais parecia um cavalo, dentro de um rio. Deram-lhe o nome de hipopótamo (hipo= cavalo + potamo = rio)
Hipopótamo é cavalo do rio.
Acho tão lindo quando a molecada se encanta com o aprendizado e todo dia tem uma novidade. Mais lindo ainda é quando os pais incentivam e participam da vida escolar dos filhos.
Ah se todos fossem assim: pais e filhos.
É isso.


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Criando cobrinhas

                                 


Parece que as pessoas resolvem botar filho no fundo por um modismo, por cobrança da família ou por quaisquer outros motivos, menos por instinto materno ou paterno.
Não educam esses filhos, não lhes dão exemplos, não lhes impõem limites e acabam criando cobrinhas que um dia se virarão contra seu criador.
As crianças não são tão inocentes e bobinhas como pensamos e sabem manipular os pais das mais diversas maneiras.
O menino do vizinho ainda não tem dois anos de idade, fará em março, mas já manipula os pais a fazer o que ele quer e para isso lança mão de suas poderosas cordas vocais. Ele grita por horas a fio; chora, grita e faz "ai, ai" como se estivesse sentindo dor. 
O grito estridente parece não afetar aos pais, que deixa o menino gritar à vontade. Isso dura um tempo enorme e eu preciso aumentar o volume da televisão para poder ouvir.
Crianças mal educadas que não cumprimentam ninguém e aí a falha é dos pais, claro. 
Crianças que se jogam no chão do supermercado e dão um show até convencer os pais a comprar/fazer o que eles querem.
Crianças que não respeitam os outros, que incomodam, que atrapalham a conversa dos adultos e mesmo assim os pais não tomam uma atitude.
Pais que deixam os filhos à vontade para explorar a casa dos outros, para bater nas outras crianças que estão no local, para pegar brinquedos ou objetos sem pedir licença ou por favor.
Quando, finalmente, o pai ou mãe resolve tomar uma atitude em relação ao comportamento do filho, o que se vê/ouve são frases "moles" demais e nada de autoridade e imposição de limites: "Não faz assim que a mamãe não gosta... Você quer apanhar?... Você não vai ganhar presente..." 
Viram as costas e largam a criaturinha atormentando os demais e ainda acreditam que o monólogo surtirá algum efeito.
Crianças que correm pela casa dos anfitriões, esbarram nas coisas e nas pessoas e correm o sério risco de cair e se machucar, mas os pais apenas dizem: "Você vai cair, fulaninho!".
Dá é vontade de bater nos pais!
Têm crianças que se viram sozinhas, explico. Pais e mães que não orientam os filhos a como tomar banho direitinho, escovar os dentes, se vestir, se portar à mesa, a falar com as outras pessoas, a usar a regrinha básica da boa educação: oi, olá, com licença, por favor, obrigado, desculpe.
Essas crianças são mal educadas não apenas por culpa própria, mas porque seus pais não se comunicam, não ensinam e não dão o exemplo. Como poderiam aprender se não têm o exemplo em casa?!
Antes de sair de casa mamãe nos alertava: "Vamos à casa de fulana e quando chegar lá finjam que são educados. Se me fizerem passar vergonha, o couro vai comer quando chegarmos em casa!"
Sou dessa época mais rigorosa e de mais respeito para com os outros. Mas hoje está tudo moderno demais, com liberdade demais e educação de menos.
Depois dizem que sou isso, aquilo...
Mas educação eu tive e tenho.
É isso.



                                        

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mil

                             



Cheguei um pouco mais cedo à escola e já havia uma pequena fila de mães e pais esperando para assinar a matrícula dos filhos para 2015.
Alguns vão logo cedo para depois irem ao trabalho e outros aproveitam o horário de almoço.
É um assina aqui, um procura ficha de aluno ali, olha no sistema... E por aí vai.
Fiquei até suada com a trabalheira toda.
Às oito horas chegou a outra professora mais calma e ela me ajudou bastante; agradeci-lhe pela ajuda. A professora que fala pelos cotovelos não veio, graças a Deus.
O horário para fazer a matrícula é das sete e meia até o meio dia e vinte e depois das quatro da tarde às oito da noite. Faltam funcionários e meu horário de professora é das sete até o meio dia e vinte, mas sempre fico até chegar alguém do período da tarde.
Meio dia e sumiu todo mundo, como sempre. Continuei atendendo aos pais e lá vem a Tássia, tá se achando, dizer que já terminou o horário para assinar as matrículas e que os pais viessem mais tarde.
Discordei e disse que respeito esses pais e mães, pois muitos vêm do trabalho na correria só para assinar esse bendito papel e precisam voltar às suas atividades. Não é à toa que têm dezenas de reclamações desse povo mal educado e mal amado. Na boa.
Lembrei de mamãe, que pedia para sair por alguns minutos para ir à escola assinar nossa matrícula. Ela fazia hora de almoço mais curta ou ficava até mais tarde para compensar.
Engraçado que a Tássia não oferece ajuda, mas lembrar dos nobres regulamentos inúteis ela lembra. Vai encher a paciência de outro!
Fiz, faço e farei a matrícula dos filhos de todo e qualquer pai ou mãe que vier e seja isso durante o horário em que eu estiver na secretaria. E que ninguém venha botar bistaque no que estou fazendo.
Quer ver me arretar é botar defeito no que estou fazendo. Arre égua!
Muito cacique para pouco índio e ainda se preocupam com regrinhas tão tacanhas e tolas quando na verdade deveriam se preocupar em botar ordem na bagunça, folga e cara de pau que tomam conta da escola.
Fiquei com dó de um senhorzinho já idoso que viera fazer a matrícula e a moça disse que não podia mais não porque já passara do horário. Perguntei quando foi isso e ele disse que foi ontem, na hora do almoço. 
Eu saí ao meio dia porque não me sentia bem e deixei na secretaria pessoas que poderiam fazer o serviço, mas preferem dizer que não tem sistema, não encontram a ficha do aluno, que já passou do horário...
Ouvi muito isso dos pais e mães que foram à escola hoje.
O povo da secretaria não procura outras opções para facilitar a vida dos pais, simplesmente seguem aquilo que está estabelecido e pronto. É ou não é, simples assim.
Eu penso de maneira diferente e tento me colocar no lugar desses pais e mães e muitos tios, tias e avós que cuidam dos filhos, sobrinhos e netos.
Custa colaborar? Custa ser humano?
Mas gostam de ser tacanhos, me parece.
Muitas mães foram hoje cedo muito preocupadas e agoniadas com o fato de "terem perdido" a data para matricular os filhos porque "a moça" disse que era só hoje, que não podia fazer naquela horário, só mais tarde...
Não se preocupem, vamos fazer agora a matrícula do seu filho. Qual é a sala dele? Pronto.
Muitos pais e mães saem aliviados e agradecem tanto. Me entregam para Deus e agradeço e desejo-lhes o mesmo bem que me desejam.
Tenho mil e um defeitos e mil e duas qualidades e não consigo ser má, amarga e mesquinha como muita gente por aí.
Acho que é por isso que não quero me afastar do trabalho. Gosto de ser útil e tratar a todos com respeito.
Não posso consertar o mundo, mas o bem que faço a algumas pessoas me faz sentir melhor ainda.
Amanhã tem mais e eu vou trabalhar, nem tão firme e nem tão forte fisicamente, mas muito firme e muito forte de caráter e respeito, graças a Deus.
É isso.



Um elefante incomoda muita gente...
Gente ignorante incomoda, incomoda muito maaaais...
                                 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Santo Expedito

                                  


Atendo todos os dias a vários tipos de pessoas que vão ao guichê da secretaria da escola em busca de informação, vagas, matrícula, documentos, situação dos alunos etc...
Vejo pais e mães, a grande maioria é de mães, interessados e preocupados com a vida escolar do filho e seu comportamento.
Vejo pais e mães bravos por terem sido chamados à escola e mais bravos ainda porque "injustiças" são cometidas contra os filhos santíssimos; só faltam ser canonizados em vida!
Vejo mães permissivas, ausentes e que não se preocupam com a vida escolar do filho. Uma dessas mães ligou e perguntou se o filho poderia ir à escola, estranhei. O motivo alegado é o que moleque havia faltado por duas semanas consecutivas, mas ao verificarmos no sistema vimos que a criatura não tem nem nota do segundo bimestre! 
Perguntei o motivo de tanta falta e a mãe disse: "Eu mando ele ir pra escola, mas ele não quer ir! Será que dá pra mandar um trabalhinho pra ele fazer e recuperar as notas?"
É uma cara de pau sem tamanho!
O cara falta, a mãe não toma atitude nenhuma e ainda acha que um trabalhinho qualquer vai substituir todo o tempo perdido.
Fiquei com pena de uma mãe que já havia ido a várias escolas em busca de documentos para a matrícula, mais uma vez, da filha na escola onde trabalho.
A filha já "estudou" em quase todas as escolas da região e quando se cansa daquela determinada escola, pede para a mãe matriculá-la em outra onde estiver amigos seus. A menina gosta de variar.
Detalhe: essa moça tem dezesseis anos e é mãe de um bebê de menos de um ano. A menina gosta de experimentar.
Outros casos, já relatados aqui, que me irritam pelo descaso e desrespeito dos pais para com seus filhos são o de alunos que estudam dois ou três meses e depois os pais decidem se mudar de volta para suas cidades de origem. Aí fica aquela agonia de pegar documento, levar documento, trazer documento...
Uma mãe nos atormentou no início do ano para que arrumássemos vaga para a filha dela; foi até a DE (Diretoria de Ensino) e conseguiu a vaga, OK. Dois meses depois a aluna some e quem aparece? A mãe pedindo documentos para fazer a matrícula da filha em uma escola de outro estado!
É por essas e outras que adolescentes de quatorze, quinze anos e até mais, ainda estão na quinta série e não sabem ler e escrever corretamente!
Bom...
Nem vou falar do sinal que está quebrado desde o início das aulas em janeiro (!!!), dos computadores sem acesso à PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo), do portão do estacionamento que quebrou mais uma vez e eu não vou empurrar aquele trambolho pesado e depois ficar com dores nesse meu corpo acromegálico e entrevado pela artrose de nome bonito: osteoartrite sistêmica!
Já cansei de falar, perguntar, solicitar... Mas parece que nesse país as pessoas se acomodaram e se acostumaram a deixar pra lá, a esperar, a ouvir o "É assim mesmo" e assim mesmo tudo ficar.
A quem mais posso recorrer? A Santo Expedito, o santo das causas impossíveis?
Vou fazer umas orações.
É isso.


                                  
Ébano Nêgo Lindo, "rezando".


sexta-feira, 14 de março de 2014

Espera

                               



Não sou muito afeita à essas tecnologias, "mudérnagens", Gadgets e afins. Meu celular é básico e me serve bem nas funções básicas e necessárias de um telefone: fazer e receber chamada.
Vejo celulares enormes, que mais parecem uma telha, caros e cheios de aplicativos que a maioria das pessoas nem sabem que têm ou sabem usar.
Descobri esses dias que quando ligamos para o celular de uma pessoa e ela demora a atender, a ligação fica em modo de espera e a vítima do outro lado da linha é obrigada a ouvir músicas do gosto de seu interlocutor.
Todos os dias dezenas de alunos "muito doentinhos e sentindo-se muito mal" vão à Secretaria e pedem que liguemos para seus pais para que venham buscá-los; tadinhos. O problema é quando ligamos logo de manhã cedo e ainda encontramos pais adormecidos, mal humorados e com voz sonolenta. Demoram a atender ao telefone e só após ligarmos várias vezes seguidamente é que se rendem à tortura e finalmente nos atendem; sempre de mal humor, claro.
O problema está na demora em atender: ouvir Bruno e Marrone se esgoelando é de doer! Na boa.
Desligo e ligo de novo e repito o processo. Desligo assim que começa a tocar a música. 
Finalmente conseguimos falar com os pais, que ficam bravos por serem incomodados no aconchego de seus lares. 
Lamento, mas toma que o filho é teu!
É isso.


                                       
                                      

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Em nome do filho

                                     



Meu trabalho na secretaria da escola está me rendendo boas ideias e inspirações para escrever, pena que seja uma inspiração mais para o lado da crítica do que para o elogio.
Uma pena.
Hoje, na escola, foi um pai de aluno para fazer a matrícula do filho querido, mas na hora de dar as principais, básicas e necessárias informações, o gentil progenitor se atrapalhou todo: não sabia o nome completo do filho e da esposa e muito menos a data de nascimento de seu rebento!
Tivemos que pesquisar com o que tínhamos e finalmente conseguimos as informações necessárias, e, no fim das contas, os nomes e sobrenomes dados pelo pai amoroso estavam incorretos e/ou incompletos.
O mundo anda tão complicado.
Pretendia escrever mais, mas estou cansada e entrevada hoje.
Acho que é falta de café.
Não fiz café de manhã porque perdi bastante tempo puxando os sacos de lixo pra fora e quando acabei, já era hora de tomar um banho rápido, me trocar e ir para a escola. 
Achei que tomaria café lá, mas encontrei chá na garrafa térmica. Gosto de tomar chá à noite e em noites frias e pela manhã gosto de café.
Amanhã farei café.
É isso.



                                            





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pais e Filhos: Respeito

                                  


Tenho orgulho de sempre ter respeitado meus pais, mesmo quando eu discordava de suas ideias, da maneira como educavam alguns filhos e quando eu discutia com eles.
Mamãe dizia que todos nós seis éramos iguais para ela, mentira. Ela era machista e mimava mais os filhos homens, principalmente meus dois irmãos mais velhos.
Em contrapartida, papai implicava com meus irmãos e mimava excessivamente minha irmã caçula. 
Por que uns têm que se lascar enquanto outros ficam na boa?
Assisto às vezes aos programas Super Nanny tanto na versão americana quanto na versão brasileira. A nanny americana é na verdade uma inglesinha gorducha e a nanny brasileira é uma senhora argentina e que tem jeitão de diretora de escola.
São famílias disfuncionais; pais que trabalham o dia todo e quando chegam em casa não querem saber de problema. As mães cuidam da casa, dos filhos e se tentam conversar com os maridos, eles dizem que pagam as contas e botam a comida na mesa, então é obrigação delas cuidar dos pestinhas.
Machismo Latino Americano.
Em outros casos são mães que ficam constantemente com o filho caçula no colo e ignoram os outros. Uma mãe gritava com os filhos de cinco e sete anos, os deixava comendo sozinhos na mesa da cozinha enquanto ia para a sala com o bebê no colo para assistir TV. O marido chegava do trabalho, se arrumava e ia para a igreja. 
Não havia diálogo entre pais e filhos.
Outros casos mostraram filhos que não obedeciam os pais, os xingavam, batiam neles e faziam o que bem queriam.
Um menino de sete anos fora muito mimado porque tivera uma doença grave, e agora recuperado, tornara-se um monstrinho.
O moleque abriu o portão e foi para a rua andar de bicicleta e o irmão de dois anos o seguiu. A mãe pedia sempre por favor para o filho obedecê-la e respeitá-la, mas o moleque a xingava e falava palavrões.
Hoje existem leis proibindo os pais de darem palmadas nos filhos. Legal?
Acho que não. Apanhei da minha avó Mãevelha e nem por isso me tornei uma pessoa má, mal caráter ou algo de ruim.
Os pais não educam os filhos hoje e amanhã será a vida e talvez até a polícia que lhes dê uns corretivos.
Achei os pais muito "moles", ausentes, incompetentes, incapazes de educar, impor limites e respeito aos seus pimpolhos.
Como uma criança de dois, quatro ou sete anos pode dominar totalmente os pais? Que adultos serão essas crianças? Em que se transformarão esses pequenos monstrinhos quando crescerem? Em grandes monstros?
Não defendo o espancamento ou violência extrema, mas umas palmadinhas para educar não vão deixar ninguém tão traumatizado como querem impor os defensores da educação moderna. 
O que vemos hoje são crianças, adolescentes e jovens sem limite, sem respeito pelos outros e sem educação.
Estava no Shopping Penha certa vez e me direcionava para a escada rolante, um grupo de adolescentes risonhos e abobalhados acelera o passo e passa na minha frente, só não caí porque me apoiei em minha bengala.
Evito aglomerações porque tenho medo de ser derrubada e só vou à lojas, Shoppings  e afins em dias mais neutros. Fim de semana nem pensar!
São os filhos da condescendência, da liberdade excessiva, da falta de limites e de umas boas palmadas.
A Educação e o Respeito começam em casa.
Tem um ditado inglês que diz: A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo - The hand that rocks the cradle rules the world".
Como dizia mamãe: "Para um bom entendedor um risco quer dizer Francisco".



                                        

                                    


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Laudos, Escola, Educação

                                 

Fui à escola hoje para levar laudo médico e terei que retornar amanhã com mais um laudo. Pelo amor de Deus!
Que país buRRocrata!
Gente honesta não tem muita vez e precisa enfrentar papelada e burocracia para provar seu valor.
Enquanto conversava com a secretária da escola, entra o professor de Educação Física e diz que os alunos estão sem professor(a) de português e inglês, fiquei tentada a voltar. 
Mas vou esperar pela perícia para readaptação, poderei ser prejudicada se volto a trabalhar.
Perguntei o que houve com o professor que me substituía e fiquei sabendo que foi readaptado por motivos psicológicos. É a doença da modernidade.
Entendo e respeito muito esses profissionais do ensino que em determinado momento desistem de sofrer.
Sofrer sim!
Não é fácil encarar salas de aulas lotadas com alunos mal educados, exibidos, desrespeitosos e apoiados incondicionalmente pelo papai e pela mamãe.
Alunas de 5ª série, que ao meu ver ainda são crianças, sexualizadas, usando linguagem verbal e corporal com termos e componentes sexuais, ouvindo músicas vulgares em seus celulares, IPad, IPod, "Num Pod"...
Já falei sobre isso aqui em outras postagens, mas nunca é demais relembrar o  descaso para com a Educação.
Sou da época de fazer fila, cantar o Hino Nacional, hastear a bandeira, respeitar o professor, diretor ou qualquer profissional da escola.
Sou da época em que os pais apoiavam os professores e orientavam os filhos, hoje os pais acreditam nos filhos e duvidam dos professores.
A escola virou um depósito de crianças e adolescentes mal educados que são lá deixados para que os pais tenham algumas horas de sossego; a educação mesmo não importa.
Para onde caminha a Educação? A humanidade?
Sei não.

                                 

domingo, 9 de setembro de 2012

Blog da Criança: Apelidos

                                            

Dia muito quente para o Inverno, aliás, esse ano quase não tivemos frio aqui em São Paulo; dias quentes típicos de verão. 
Imagino como será o Verão, minha Nossa Senhora.
Detesto calor, não me dou-me com o calor, como dizia mamãe. Adoro as agradáveis temperaturas em torno dos quinze e vinte graus, acima disso é insuportável.
Dia quente, chato, sufocante e barulhento: vizinhos lavando carros com WAP; vizinho ouvindo música no carro enquanto a esposa dentro de casa ouvia música também! Somou-se o barulho do aparelho WAP, das músicas sendo tocadas ao mesmo tempo, o calor do caramba e o bebê da vizinha chorando...
E é sobre o bebê que quero falar, já falei sobre vizinhos musicais e barulhentos.
Esse menino é a segunda criança a morar nessa casa e a me causar preocupação e compaixão. Já falei sobre o outro menino cujos pais não se toleravam e o ignoravam, como se o moleque tivesse culpa.
Esse caso é de um bebê de cinco meses que chora muito e a mãe não sabe como lidar com ele, acredito eu. Eu penso que talvez ele esteja agoniado pelo calor, está com roupa "quente", está com sede, com fome, com dor, com qualquer problema. A mãe grita com o ele, manda-lhe calar a boca e ameaça-lhe bater. Pensei comigo: "Se essa desnaturada ousar bater em um bebê inocente, eu pulo esse muro e lhe dou uns cola-brinco!".
Mas ainda bem que não. Esse modo "carinhoso" é o único modo com o qual a mãe sabe lidar com o filho; é gritando, ameaçando, mandando o bebê calar e ficar quieto.
O bebê é bem tratado nos quesitos alimentação, higiene e cuidados médicos; tomas as vacinas direitinho e nisso a mãe faz seu papel. 
Mas acho que o mais importante é amor, paciência, tolerância... Afinal, penso com minhas "inguinóranças", se o cabra não tem paciência nem para criar um bicho, vai colocar filho no mundo pra quê?!"
Outra coisa que detesto e abomino nas pessoas é essa mania besta de colocar apelidos nos filhos e os chamarem por nomes constrangedores; a vizinha dizia para o bebê: "O que é que você quer seu feio?". 
Cresci ouvindo essa @#$%! e até hoje é difícil acreditar quando me dizem o contrário.
Apelidos que podem parecer engraçadinhos para quem os coloca e para quem ri deles mas para a pessoa vítima desse desrespeito, não é nada engraçado!.
Apelidos como: "Cabeção, feioso, zureia, quatro zóio, pezão..." não são engraçados para quem já sofre com o tal do bullying.  Na minha época era provocação o nome dado ao bullying. 
Bom...
Quando o pai do bebê chega a história muda, o bebê sorri mais e o pai faz gracinhas, conversa com o filho e o leva para passear pelas ruas; o pai disse que o bebê sabe quando é hora de dar uma voltinha.
Lembro de um professor de Psicologia que dizia não existir instinto materno e isso fora criado pela igreja para convencer a mulherada de que devem cuidar de seus pimpolhos.
Não sei se concordo ou discordo totalmente, mas sei que vejo muita mãe "seca", insensível, que não demonstra afeto pelo filho, que o deixa com qualquer um ou até mesmo trancado em um carro enquanto ela vai ao Shopping ou ao boteco atrás de um namorado.
Até me lembrei de uma música cantada divinamente por Elis Regina: "Como nossos pais"

"Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."