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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Estorvo

                             



Estou me sentindo meio mal. 
Não apenas fisicamente. São públicos e notórios meus relatos sobres dores, entrevamento, pressão alta e afins.
Para esses existem remédios, tratamentos, outras opções naturais etc...
Estava pensando aqui, só, cá com meus botões e reparei que todas as pessoas solitárias em filmes, novelas, literatura etc..., são percebidas e apresentadas como meio malucas, estranhas, intelectuais, antissociais...
Geralmente moram sós ou apenas na companhia de pais ou algum empregado de infância e o detalhe que sempre chama a atenção: são cercados por inúmeros livros e gatos.
Li em algum lugar ou ouvi alguém dizer que pessoas solitárias gostam de gatos e pessoas mais extrovertidas preferem cães. Pode ser.
Mas eu também amo cães; só não posso tê-los porque já tenho muitos gatos e moro em casa alugada. Já andei procurando outras casas, mas o preço do aluguel está impossível!
Sou criticada por ter muitos gatos e por gastar muito com eles.
Sou criticada por ter muitos livros.
Sou criticada por ter muitas plantas no quintal.
Só faltam me criticar por ser acromegálica!
Falar é fácil. Não custa nada, não dói e não cansa porque a língua não tem osso.
E ouvir? Quanto custa?
E não ser ouvida? E ser esquecida? Ignorada? Evitada? Quanto custa tudo isso?
Ser apenas mais uma. Sem importância. Sem nada interessante a oferecer...
Ser um estorvo. 
Aliás, li "Estorvo" de Chico Buarque e achei meio maluquinho.
Acho que é isso. Devo ser um estorvo chato que deve ser evitado sempre que possível e tolerado quando não tiver outro jeito.
Vou para a cama. Dormi tão mal noite passada. Tanto barulho.
Meus gatos me esperam, principalmente a meiga e carinhosa Branca Maria, que me acorda com o fofo toque de suas patinhas todas as manhãs.
Para ela e para outros sou necessária, sou querida e sou importante; com ou sem Acromegalia, com ou sem limitações.
Apenas sou.
É isso.


                                   

domingo, 12 de agosto de 2012

Zé Ramalho

Eu desço dessa solidão e cuido das minhas coisas mais favoritas: minhas plantas, meus gatos, meus livros e minha música.
Ouço Zé Ramalho; adoro sua voz máscula, poderosa, forte e bonita. Adoro Zé Ramalho.
Músicas lindas com muita poesia e romantismo sem cair no brega. 
Zé Ramalho, Djavan, Caetano, Gil, Chico Buarque falam de amor de uma maneira inteligente, sem precisar usar os batidos e repetitivos "Eu te amo, não vivo sem você, meu amor, minha vida, blá, blá, blá".
Lembro quando comprei o CD de Zé Ramalho e os sobrinhos Marcos Paulo e Demétrius eram pequenos. Ouvimos o CD e eles adoraram a versão de "Knocking on heaven´s door" de Bob Dylan, ficou "Bate bate na porta do céu".
Eu gosto de "Chão de Giz, Jardim das Acácias, Beira-mar, Eternas Ondas, Admirável gado novo..."
Os sobrinhos ouviam o CD e sempre pediam para tocar de novo a música "Bate bate na porta do céu".
Mas eis que levei o CD comigo e um dia eles procuraram e não o encontraram; pediram à minha irmã Rosi para me ligar: "Tia Rejane, você por acaso pegou o CD do Zé Romário?"
Hoje os "negão" estão enormes, lindos e muito danadinhos, mas infelizmente seus gostos musicais mudaram radicalmente para pior; agora eles gostam de cantores com nomes no diminutivo: fulaninho, coisinho, bestinha, rebolativinho, e por aí vai... Gostam também de músicas que até mudos podem cantar: Aê, Aô, Aêeee ooooo... Deus me perdoe.
Bom,
Volto às minhas arrumações.
É isso.

                                             


sábado, 28 de julho de 2012

Sem lenço nem documento, Cálice, Na linha do horizonte

                                               


Chegamos a São Paulo e ficamos pouco mais de um mês na casa do nosso tio Manoel Gomes, irmão de mamãe.
O tio morava no Jardim Popular ou Vila Ré, dizia que os dois bairros eram próximos e a correspondência chegava do mesmo jeito. São bairros da minha querida ZL (zona leste) e próximos ao meu querido bairro da Penha.
Mamãe ficava em casa ajudando a esposa do tio e Mãevelha cuidava de nós, que na época éramos apenas três: eu, Naldão e Rogério. Papai trabalhava e só voltava à noite.
A casa do tio Manoel Gomes era ampla, bonita, azul, com muros baixos, jardim florido e um piso de caquinhos cor de telha. Não sei o nome desse piso, mas era muito usado antigamente e lembrava um mosaico. No quintal dos fundos tinha uma faixa de terra com algumas bananeiras, muito legal.
Havia chovido e  logo em seguida abrira um sol quente e bonito. Acho lindo quando chove e depois vem o sol seguido por arco-iris. A luminosidade, o cheiro de terra molhada...
As minhas primas sempre ligavam o rádio enquanto ajudavam a mãe com os afazeres domésticos. E no rádio tocava: "Caminhando contra o vento, sem lenço nem documento..."
Eu ouvia, analisava e tentava entender aquela canção. Quem cantava? Como alguém pode sair sem documento? E se a polícia parar a pessoa? Ela pensa em casamento e ele toma uma Coca Cola! E eu seguia elucubrando...
Dali a pouco a música termina e inicia outra com uma voz grave e monótona que canta: "Pai, afasta de mim esse cálice... De vinho tinto de sangue". Era Chico Buarque. Eu gosto mais do Chico como compositor a cantor.
"O que é cálice? É o mesmo cálice sagrado que o padre fala nas missas? Mais elucubrações.
Anos depois vim entender que o "cálice" da música era na verdade um "cale-se"; vivíamos em plena ditadura militar e muitos artistas tiveram que deixar o Brasil: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque de Hollanda e outros.
Tempos de música boa.
Hoje, até os comerciais foram contaminados com esse lixo atual a que chamam de música!
Bom...
O volume do rádio é abaixado e escuto a voz de uma de minhas primas: "Manhê, o moleque da Marlene fez xixi no quintal!".
Correm a mãe as meninas com balde cheio de água com sabão e água sanitária; esfregam o chão e depois passam um pano com o desinfetante Pinho Sol.
Mamãe não gostou de ter o filho chamado de "moleque" e achou um exagero toda aquela limpeza neurótica; para ela, era apenas a urina de uma criança e ele não tinha nenhuma doença contagiosa.
Aos poucos mamãe e nós fomos nos habituando aos choques culturais e aprendendo hábitos e comportamentos novos para nós. Fomos nos civilizando gradativamente.
Quintal limpo, bronca dada, conselhos também: "Se quiser fazer xixi é só falar que a gente te leva ao banheiro. Lavar as mãos sempre que usar o banheiro. Não fazer xixi em qualquer lugar, só no banheiro..."
Rádio ligado e tocando a boa e velha MPB e agora tocava uma música que eu achava linda, melódica e melancólica: "Eu vou pro ar, no azul mais lindo eu vou morar..." de uma banda chamada Azymuth (nós dizíamos "Azambuja").
Nos mudamos depois para nossa primeira casa, um barraquinho simples de madeira, e o rádio sempre junto.
O rádio e a música fazem parte da nossa História.
É isso.
                
                                              
                                             


                                               







quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mulheres de Atenas... João & Maria

Ânfora Grega
                                                 
Ouvia "Mulheres de Atenas" de Chico Buarque e imaginava um grupo de mulheres vestidas em trajes típicos das deusas gregas caminhando até uma vila e carregando ânforas cheias com água e vinho e todas elas tinham antenas.
Achava que a música era "Mulheres de Antenas"
Ouvia "João e Maria" nas vozes de Chico Buarque e Nara Leão e achava estranho eles cantarem "Agora eu era o rei e o meu cavalo só falava inglês...E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz".
Imaginava reinos, princesas, cavalos falantes, pessoas felizes...
Cavalo falando? E ainda em inglês?!
Eu e minha rica imaginação.
Gostava da voz frágil e pequena de Nara Leão.
Gosto das composições inteligentíssimas de Chico Buarque.




Chico Buarque & Nara Leão
                                          





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ainda sobre comerciais de cerveja

Contrataram um cara que entende de mulher (Hugh Hefner, o tiozinho da mansão Playboy) para ser o novo garoto (?!) propaganda da cerveja Devassa (que nome horrendo e ridículo!).
Entende de mulher? Por acaso ele é ginecologista? Pai de Santo? Cabeleireiro? Estilista? Maquiador? Ricardão? Chico Buarque? Fábio Jr.? Melhor amiga?
Se ele for uma dessas pessoas supra citadas aí sim ele pode até dizer que entende de mulher, e olhe lá!
Ninguém entende as mulheres, meu.
É cada coisa que aparece.