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sábado, 4 de janeiro de 2014

Inferno

                                     


"O inferno é aqui...", diz uma canção de Lulu Santos, "A Cura".
"O inferno são os outros", disse Jean-Paul Sartre, filósofo francês.
"O inferno são meus vizinhos", digo eu, essa humilde pessoa que vos fala/escreve.
"Gentalha, gentalha, gentalha", diz a personagem Kiko do ultra repetido Chaves.
Bom...
Limpo a estante, tiro o pó dos livros, folheio páginas aleatoriamente e deparo-me com frases e textos que representam bem aquele momento.
Sou meio egoísta, (99.99% egoísta, é verdade), não gosto de doar ou emprestar meus livros, principalmente os grandes clássicos da Literatura, meus favoritos. Mas até que de vez em quando doo alguns poucos best-sellers que estão ou estiveram na moda.
Não sou muito afeita a best sellers, depende muito do texto, da trama, do autor...
É difícil viajar nas páginas dos livros com esse barulho infernal, esse tum tum do cão.
Vou fazer um suco gelado, o calor está demais, e tentar concluir minha limpeza. 
Bem que podia ter uma apagão agora!
É isso.




                                    


                                 





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Certas Coisas

                               


É uma das canções de Lulu Santos que mais gosto.
Lembro que era tema de uma personagem da novela das sete e, se não me engano, a novela era "Vereda Tropical".
Mas eu lembrei da música porque estava pensando em algumas coisas, em algumas certas coisas que eu não sei dizer. Talvez o saiba, mas acho melhor não dizer.
Sei lá, entende?
Dizem os evoluídos que a vida é cíclica, tudo é retornável, reciclável, e não apenas garrafas de refrigerante e cerveja.
Bom...
Interessante como mudamos, apesar de que quando vivemos o momento, as situações e as coisas tão intensamente, nos recusamos terminantemente a acreditar e a aceitar que as coisas mudam e que nós mudamos também.
Éramos tão jovens e acreditávamos que podíamos mudar o mundo, que nossos sentimentos seriam eternos, que nossas ideologias eram as mais corretas, que tudo seria para sempre.
Meio doido isso.
Crescemos, amadurecemos, envelhecemos e vemos nossas paixões que um dia foram tão intensas e avassaladoras seguindo outro rumo, acabando, mudando... O que parecia nunca ter fim, teve. Acabou.
Passa o tempo e lembramos com saudosismo aquilo que passou, aquilo que foi, aquilo que deveria ter sido mas não foi. Já passou.
Mais eis que de repente e por algum motivo que escapa ao nosso entendimento e normalidade, essas paixões voltam, ou tentam voltar. Tarde demais. Não adianta desenterrar os fantasmas de nossas desilusões, são apenas fantasmas daquilo que quiséramos tanto. Estão agora mortos e enterrados e apenas lembrados com saudade. Ilusões perdidas.
Mortos não voltam, não ressuscitam, ficam vivos apenas na memória e na saudade.
Não dá para ressuscitar aquilo que morreu, se tentarmos fazer isso, criaremos monstros de Frankeinstein que não estão vivos nem mortos, apenas estão.
Monstros de nossa criação que nos perseguirão até o fim.
Não, não. Quero isso não. Deixa quieto. Deixa pra lá.
A vida segue e novas paixões surgirão; com suas alegrias, medos, inseguranças, esperança...
Minhas paixões de agora são meu trabalho, meus livros, meus gatos e, principalmente, ter minha boa e velha de saúde de volta para poder viver intensamente todas elas. Minha eterna paixão foi, é e sempre será o Corinthians.
Eu quero ver todo mundo bem.
Eu quero ficar e estar bem.
O tempo das paixões impetuosas já passou e agora estou "véia" para isso.
Agora é tempo de paixões mais normais, reais, alcançáveis.
Agora é tempo de ir ao pet shop comprar mais ração para minhas oito paixões que ficam mais famintas no tempo frio; comem igual a tigres e leões.
Têm certas coisas que eu sei dizer.
É isso.


                                   





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Músicas de Beatriz

                              


Minha sobrinha Beatriz é muito esperta, danada, inteligente e linda,claro.
Graças a Deus, minha irmã Rosi apresenta a boa a velha MPB à pequena e ela já gosta de Seu Jorge, Maria Rita e agora Lulu Santos.
Rosi pediu emprestado um dos meus CD´s de Lulu Santos e a música favorita de Beatriz é "Tempos Modernos". É uma das minhas favoritas também, assim como "Certas coisas" e "A Cura".
Já emprestei livros, CD´s e até um Papai Noel grandão, gordão e bonitão.
Beatriz finge que esquece se eu emprestei ou dei para ela os objetos meus e diz para a mãe: "Quando a Tia Rejane traz para você, é emprestado, mas quando ela traz para mim, é dado"
Menina danada de esperta!
Eu até fiz um pedido aos céus: "Deus, permita que minha sobrinha siga em frente com esse bom gosto musical e a afaste, assim como nós, do tecno brega, sertanojo universitário, tche re tche, oi, oi, oi, versões do Latino e afins. Amém".
Preciso apresentar à minha sobrinha o bom e velho Rock n´Roll, que a mãe dela não me ouça. 
É isso.

                           

                           

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Lulu Santos


                                   

Terminei o ensino fundamental (antigo ginásio) e fui matriculada em outra escola para fazer o ensino médio (colegial), às vezes ia de ônibus e outras vezes ia e vinha a pés mesmo. Naquele tempo a caminhada era agradável e não tinha o excesso de veículos e poluição que temos hoje.
Quando vinha de ônibus, parava em uma lojinha que ficava na praça Nippon enquanto aguardava a condução. Eu ia com uma colega minha que também adorava olhar as coisas vendidas no pequeno estabelecimento comercial. Nós dizíamos que juntaríamos dinheiro e voltaríamos à lojinha para comprar algo, não importava o quê, mas compraríamos algo.
Essa minha colega se chamava Angela e tinha uma história triste: Os pais eram alcoólatras e ela e o irmão foram criados pelos tios.
A tia adorava o sobrinho mas ignorava e desdenhava a sobrinha.
O tio era neutro.
Eu adorava o cabelo lisinho de Angela, bem diferente dos meus cachos rebeldes.
Certa vez saímos bem mais cedo da escola e decidimos caminhar pelo bairro. Passamos pela lojinha da Praça Nippon e seguimos pela Avenida das Cerejeiras; paramos em outra praça enorme perto do clube Thomas Mazzoni e nos sentamos na grama para conversar. Falamos sobre nossas famílias, nossos medos, sonhos, tristezas e alegrias. Falamos sobre como nos magoava o tratamento preferencial dado a algumas pessoas da família enquanto nós éramos tratadas apenas como mais alguém da casa. É muito @!#% isso.
Enquanto conversávamos ouvíamos Lulu Santos cantando "Tempos Modernos", a música vinha de alguma das casas próximas e marcou esse dia. Era uma bela tarde de sol.
Sempre que ouço essa música de Lulu Santos lembro de minha colega de história e semblante tristes e da bela tarde de sol.
Permita Deus que ela esteja bem e que tenha tido forças para se manter de pé. Amém.

                                               

domingo, 15 de julho de 2012

Pelas ruas que andei

                                       


Detesto fins de semana, principalmente os domingos.
Para mim representam lentidão, solidão, esquecimento, abandono... sei lá.
Eu antes tinha o hábito de andar pelas ruas do bairro nos fins de tarde; adorava.
Hoje não dá para fazer mais isso, meus joelhos inchados e gorduchos e minha coluna cheia de parafusos dificultam minha mobilidade, que ficou reduzida após tudo isso.
Deitei no sofá e liguei a TV, mas estava difícil ouvir, os vizinhos disputavam a potência de seus aparelhos de som: um tocando sertanejo-romântico-de-dor-de-corno e outro tocando pseudo forró. Sou radical nesse ponto, assumo. Forró para mim é Dominguinhos, é Luiz Gonzaga e não esse povo entalado que se esgoela sobre o som irritante, repetitivo e imutável do sintetizador. 
Levantei-me, coloquei a gataiada para dentro e saí sem destino.
Era uma tarde belíssima; céu azul, sol, nuvens branquinhas.
Gosto de fazer isso, gosto de dirigir sem destino.
Subi a ponte Aricanduva, entrei na Assis Ribeiro e fui até o fim dela, beirando a linha de trem; romântico, melódico, coisa simples e antiga. As casas simples, umas em cima das outras, a urbanização sem projeto, feita ao sabor da necessidade e sem nenhuma preocupação com o trânsito, a segurança, nada. 
Alguns trechos me lembraram cidades do Nordeste. Saudades.
Termina a Avenida Assis Ribeiro e começa a Avenida São Miguel, depois a Avenida Amador Bueno da Veiga, na minha querida Penha. Dei um rolê pela ZL (zona leste).
Voltei para a ZN (zona norte) e subi as íngremes ruas da Vila Medeiros e do Loretto. Fui a um mercadinho de uns portugueses velhos e comprei vinho português, claro, queijo, pão e azeitonas. 
Voltei para casa e no caminho encontro meu irmão Rogério; levei-o ao trabalho, no Mercadão da Penha.
Voltei para casa com meus joelhos doloridos e as pernas adormecidas: "Parei por hoje".
Tomei um banho e depois saboreei as delícias portuguesas com certeza.
Assisti depois ao Globo de Ouro e me diverti com a breguice das roupas e dos cabelões da época. Angélica gorducha e cabeluda, Lulu Santos com as calças debaixo do peito e acima dos tornozelos, outros cantores e grupos que eu nem lembrava que um dia existiram.
Fui para a cama. Dormi. Acordei com cor de cabeça e de estômago; haja água de coco até o dia dois de agosto quando finalmente passarei em consulta. Amém.
Amanheceu um domingo frio e cinzento. 
Fiquei em casa. Fiquei mais tempo na cama com meus gatos encolhidos e aconchegados sobre e sob os cobertores.
Amanhã a correria recomeça e é disso que eu gosto.
Estou cansada.