segunda-feira, 26 de março de 2012

Lata de lixo

                                              

Hoje é dia de o lixeiro passar.
Sempre separo o lixo e junto o material reciclável para dar às pessoas que puxam carroça e pegam papel, plástico, papelão, lata...
Mas antigamente não tínhamos esse hábito e o lixo era colocado em latas grandes de óleo, de tinta e de outros materiais químicos. 
O lixeiro passava, pegava a lata e despejava o lixo dentro do compartimento do caminhão e colocava a lata de volta na calçada. 
Era meio nojento. As latas ficavam escuras, sujas e com um cheiro horrível e atraiam moscas. Não havia o hábito de se usar sacos plásticos para colocar o lixo e muito menos de reciclar.
Assim que o lixeiro passava íamos lá fora para pegar nossa lata de lixo e a lavávamos na tentativa de amenizar o problema.
Os tempos mudaram, ainda bem, mas o problema é convencer as pessoas a reciclar mais e  a colocar o lixo em um único saco e não em inúmeros saquinhos de supermercado.
Como diria mamãe: "Isso é coisa de gente miserável, tacanha e porca".

                                             

domingo, 25 de março de 2012

Pitomba

                                               


É uma frutinha que dá em cachos e tem até a sua própria festa na cidade de Jaboatão dos Guararapes em Recife, Pernambuco.
O mês de abril é o mês da pitomba e é facilmente encontrada durante a Quaresma.
Adoro pitomba e a maioria das frutas exóticas do Norte-Nordeste do Brasil.
Pitomba, jaca, pinha, seriguela, graviola, tamarindo...
Mas gosto também de manga, mamão, abacaxi, morango, uva...


                                           

Abraço de Mamãe, Fazenda e Família

                                                                          


Choveu muito ontem à noite e demorei a dormir; aproveitei para ler mais um pouco.
Lá pela uma hora da manhã eu adormeço, mas exatamente à uma e meia sou acordada por um grito. Era a vizinha descompensada, neurótica, sem educação, sem "semancol" e que não respeita a hora do sono dos outros.
A família dessa vizinha tem hábitos estranhos: vão dormir às duas ou três da manhã e acordam lá pela uma hora da tarde.
Bom, acordei assustada com o grito e as vozes que discutiam, brigavam e falavam palavrões em plena madrugada.
Essas pessoas não sabem resolver os problemas de casa de uma maneira mais civilizada? Tanta gritaria e baixaria! Nossa!
Levantei, andei pela casa, conversei com meus gatos que também tiveram seu soninho interrompido e voltei para a cama. 
Por volta das três da manhã as vozes calaram e eu pude voltar a dormir. 
Sonhei com mamãe, entre muitas outras coisas e pessoas.
Caminhava com mamãe e chegamos a um determinado local onde deveríamos nos despedir e nos separar. Mamãe precisava voltar e eu não poderia ir com ela.
Mamãe me abraça demoradamente, com força, com muito carinho e com muito amor.
Sinto os braços de mamãe a envolver-me, descanso minha cabeça no peito de mamãe.
É tão bom, meu Deus.
Quero ficar abraçada a mamãe, não quero que ela vá embora. Quero aquele aconchego, aquela proteção, aquele amor...
Mas mamãe precisa ir. Mamãe se afasta lentamente de mim e eu, criança de novo, estico meus braços para alcançar mamãe, choro, grito, chamo por mamãe: "Mãe! Mãe!".
Acordo chorando e gritando por mamãe.
Como dizia meu Paipreto: "Não cai uma folha de mato sem que Deus não queira". Para tudo tem um motivo, uma razão de ser. Nada é à toa.
Esse abraço de mamãe...
E é sempre assim e eu deveria saber e nunca me esquecer que é sempre assim: Caminho de mãos dadas com mamãe, com meu Paipreto...Sou criança de novo e na hora de nos despedir, choro igual a criança. Acordo chorando igual a criança e chamando por mamãe e por meu Paipreto.
Sou criança de novo  quando "visito" a antiga fazenda de chão batido e fogão à lenha.
Sou criança de novo a observar os homens e as mulheres trabalhadores de minha família. As mulheres trabalham na cozinha a preparar os alimentos típicos de nosso sertão pernambucano. 
Mãevelha, tia Anália, Madrinha Quixaba, Tia Nifa e muitas outras mulheres de meu povo antigo a manter o fogo vivo, a descascar o milho, a mandioca, a debulhar o feijão...
Meu avô José com seus belos e tristes olhos verdes, sempre a observar tudo, sem dizer palavra, sempre montado em seu inseparável cavalo. Meu avô José fala com seus olhos.
Bisavô Francisco e bisavó Gina sempre juntos; ele calmo e tranquilo e ela sempre agitada, pra lá e pra cá. Bisavó tem sempre um galhinho de alguma erva em suas mãos: manjericão, alecrim, capim santo, hortelã...
É muita gente a trabalhar; são os mais velhos, os mais jovens, as crianças...
Nessa fazenda não tem descanso, todos trabalham por alguma causa, algum motivo e é sempre em prol de algum de nós daqui desse lado da vida.
Na casa verde azulada onde estão Paipreto, Mãevelha e mamãe há descanso e o trabalho é apenas o de rotina de uma casa comum. Paipreto trabalha com suas ferramentas em uma casinha no quintal dos fundos e mamãe e Mãevelha cuidam da horta com pés de couve e cebolinha sempre verdes, fresquinhos e bonitos.
É hora de voltar de minhas visitas.
É hora de acordar adulta e chorando como se fosse criança. 
Algumas vezes sou visitada por eles, mas é uma visita rápida. Acho que é para evitar a choradeira.
Sou sempre criança porque foi durante minha curtíssima infância que meus pilares de sustentação foram erguidos. Fortes, firmes, resistentes. Às vezes balançam, atingidos pela força dos ventos e da fúria das águas do mar revoltoso: lágrimas...
Mas não se dobram e não caem. São fortes.
Quando deixamos essa vida somos apenas o que de fato somos: uma vida que nasceu, cresceu, cumpriu seu ciclo e é hora de ir. 
Não importam e não valem de nada toda a riqueza, toda a pompa e circunstância.
Fica tudo por aqui.
                                               





Caqui e papinha

                                     


Minha sobrinha Rafaela adora frutas, principalmente melancia, mas a fruta da vez é caqui.
Rafaela tem bom apetite, come toda a papinha e chora por mais e se demorar, faz um escândalo. A pediatra recomendou usar o potinho de papinha da Nestlé como medida, mas não é suficiente para Rafaela; tem que ser dois potinhos mais a mamadeira para arrematar.
Fubá diz: "É minha filha mesmo".
Puxou ao pai, graças a Deus.
Ainda bem.


Rafaela na melhor hora do dia: hora do almoço
                                                   
Vai demorar muito pra sair o rango?

Tô com fominha

sábado, 24 de março de 2012

Obediência

Beatriz, Pepê e Rosi
                                                


Minha sobrinha Beatriz está terrível, Nossa Senhora!
Beatriz é inteligentíssima, lindíssima, espertíssima e muitos outros "íssimas"; e falo tudo isso porque é a mais pura verdade e não porque seja minha sobrinha. Imagina.
Sou uma tia coruja, admito, mas sou muito rigorosa. (Deus tá vendo).
Beatriz termina sua lição antes de todos os coleguinhas e não tem paciência para esperar que terminem suas atividades. Ela vai até a mesa deles, toma-lhes o lápis das mãos e diz: "Está errado! Não é assim não. Deixa que eu faço pra você".
Beatriz chega em casa falando sobre os coleguinhas e sabe quais são os tão espertos e terríveis quanto ela e quais são os mais "devagar".
Beatriz veio para minha festinha de aniversário e brincou bastante; perseguiu os gatos, pegou livros para mostrar à prima Rafaela e depois foi brincar no quintal com minha gataiada.
Rosi falava para Beatriz tomar cuidado, não correr, não subir na escada que serve de playground para os gatos etc e tal.
Beatriz não obedeceu muito e levou uma bronca da mãe. Beatriz ficou emburrada.
No caminho de volta para casa, Rosi explica a situação a Beatriz e diz que ela não é mais uma menina obediente como fora antes. 
Beatriz responde: "É mãe, mas eu não consigo voltar a obedecer".


Rafaela e Beatriz
                                          

sexta-feira, 23 de março de 2012

Orgulho de ser Nordestina... Tolerância e Respeito

                                         




Mudamos para São Paulo quando eu tinha apenas seis anos.
Absorvi os hábitos e costumes paulistanos; não tinha mais o sotaque nordestino; não comia algumas das comidas típicas nordestinas como: sarapatéu, buchada, galinha à cabidela (molho pardo), mas até hoje adoro os queijos de coalho, carne seca, tapioca e as deliciosas frutas exóticas de lá.
Mas apesar de absorver a cultura do Sul, como dizia papai, nunca me esqueci de minhas origens e muito me orgulho disso.
Tenho orgulho de ser nordestina. Tenho lembranças, histórias e memórias que ficaram fortemente marcadas em mim apesar do pouco tempo vivido no meu sertão pernambucano.
Sertão seco e vazio, mas que me preenche com muito orgulho e saudades.
Uma vez minha amiga Azenilda, que mora em Recife, me perguntou como é que mantemos nossa cultura nordestina se viemos tão pequenos para São Paulo.
É que papai e mamãe sempre mantiveram contato com parentes e conhecidos pernambucanos e nossa casa era o portal de entrada para o admirável mundo novo que era São Paulo. Explico: Os nordestinos saíam de lá de Pernambuco e vinham para nossa casa e passavam um temporada até seguir seus próprios caminhos.
Bom...
Já ouvi muita gente dizer que criança não lembra de nada; que criança só quer saber de brincar. Não é bem assim.
Eu não era apenas uma criança que só queria saber de brincar, eu era uma criança "velha" para minha idade e sabia das dificuldades pelas quais passávamos. Sabia do árduo trabalho de mamãe, da fragilidade de Paipreto, da severidade de Mãevelha e da inocência dos meus irmãos pequenos.
A secura da vida nordestina somada à força titânica de mamãe, à doçura de Paipreto e à severidade de Mãevelha incutiram em mim o valor e o respeito à vida, à minhas origens, ao meu Nordeste e ao meu Pernambuco.
Tenho familiares que têm vergonha da vida difícil que passaram em Pernambuco e negam aos filhos as histórias de suas vidas. 
Uma vez mamãe falava sobre as dificuldades que passávamos antes de vir para São Paulo e essa nossa parenta pediu para mamãe parar de falar, pois não queria que suas filhas soubessem da verdade.
Tolice.
Leio no jornal Estadão uma matéria sobre um grupo de bobos racistas que apoiava e incentivava a pedofilia e a violência contra mulheres, gays, negros, nordestinos e judeus.
Como alguém pode ser tão estúpido assim?
Esquecem que somos todos humanos e vamos virar comida de minhoca?
Esquecem que debaixo de nossas peles brancas, negras, vermelhas, amarelas correm sangue vermelho?
Esses abestados nunca foram crianças?
Esses infames não têm mãe, avó, irmã, prima, esposa, namorada?
A escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi daqui de São Paulo recebeu várias ameças por pura e simplesmente fazer homenagem aos nordestinos no Carnaval de 2011.
Esse ano, a Unidos da Tijuca do Rio de Janeiro foi a campeã do Carnaval com uma bela homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. 
Luiz Gonzaga era nordestino!
Eu sempre digo que quando viajamos para fora do país e somos tratados como criminosos e com muito desrespeito (lembram da senhora que viajou à Espanha?), ninguém quer saber se somos nortistas, sulistas, goianos, paulistas, baianos, gaúchos, o cacete. Para os gringos somos apenas brasileiros picaretas, traficantes de drogas e de mulheres (na maioria dos casos, infelizmente).
Os gringos nem sabem o que é ser carioca, gaúcho, paulista, pernambucano...Os gringos querem é se livrar dos brasileiros e ponto final!
E o fato curioso é que esses racistas e homofóbicos abestados de plantão não são tão "puros" quanto imaginam ou sonham em ser; a maioria deles tem antepassados negros, ou nordestinos ou os dois.
E todo o ódio que nutrem aos gays é porque na realidade têm medo e vergonha de se assumirem gays também. A violência é uma válvula de escape para esses pseudo machões que na verdade têm inveja daqueles que têm a coragem de se assumirem gays e assumirem seu amor por outro homem. Isso para mim é ser Homem com H maiúsculo!
Homem não é ser fortão e sair por aí dando porrada.
Ser Homem não apenas pelo que se tem no meio das pernas.
Ser Homem é ter caráter e respeitar a todos: gays, mulheres, negros, judeus...Não importa o rótulo ou a nomenclatura que se dê; somos todos humanos.
Quando será que perceberão isso?!


                                                  

Cofrinho e Jaburu

Jaburu
                                                 


Houve a moda, ridícula, na minha opinião, de calças de cintura baixa. 
O problema é que as pessoas se esquecem que a moda não é para todo mundo e o que se via eram mulheres com excesso de adiposidade enfiadas em calças de cintura baixa. Era a visão do inferno, Deus me perdoe.
E mesmo as pessoas magras não ficavam bem nessas calças, pois por terem cós muito baixo, as calças apertavam os quadris o que fazia as banhas subirem e formarem pneus. Pareciam peras vestidas. Horripilante, como diria papai.
As calças e blusas eram inversamente proporcionais: calça de cintura muito baixa e blusas bem acima da cintura. A mulherada puxava a calça pra cima e a blusa pra baixo numa tentativa vã de cobrir o bucho. Inútil, pois não havia tecido sobrando para ser puxado nem pra cima e nem pra baixo; talvez comprando e usando uma roupa de tamanho normal o puxa puxa não seria necessário.
Trabalhava no bairro de Perus, e lá é bastante frio durante o inverno, e via moças nos pontos de ônibus com os braços cruzados sobre a barriga para tentar protegê-la do frio. As moças usavam jaquetas de inverno com capuz e mangas compridas e faltando o pedaço que deveria cobrir a barriga. 
Sofrer em nome de um modismo? 
Não, obrigada.
Estava na Farmácia Alto Custo e vejo uma balzaquiana gordinha entrar. Ela usava essa maldita calça cintura baixa e a calcinha era mais alta que a calça. A moça sentou-se e ao fazer isso a calcinha apareceu; é esse mesmo o efeito esperado dessa combinação de cós com tamanhos diferentes.
Ave Maria! Pensei comigo. 
Essa moça não vê que não tem idade e nem tipo físico para esse tipo de roupa?
As pessoas têm liberdade para usarem o que quiserem, mas acredito no bom senso e no bom e velho "Semancol"
Os homens também não escapam.
Vi vários homens adultos e pais de família, como diria mamãe, vestidos em calças e bermudas grandonas e largonas cujo fundilhos alcançam os joelhos e deixam a bunda à mostra. Dá nojo ver tanto cofrinho peludo de fora. 
Eles vestem as calças e bermudas e as deixam bem em cima do brinquedinho; aí ficam a barriga - nem sempre tanquinho, mas sim uma máquina de lavar - e a bunda gorda e peluda aparecendo. Jesus!
Se papai e mamãe vissem isso, diriam: "Mas é cada jaburu que a gente é obrigado a ver. Nossa Senhora! Esse povo não tem juízo não, é?"
Parece que não.
Na boa, e com todo respeito.
Falei.


 

                                           



quinta-feira, 22 de março de 2012

Festa de Aniversário

                                              


Tive uma pequena e simples festinha de aniversário hoje;  tudo muito simples, mas de uma riqueza e significado muito importantes para mim.
Minha irmã Rosi, meus irmãos Fubá e Naldão, minha cunhada Preta, meu cunhado Pepê e minhas lindas sobrinhas Beatriz e Rafaela estiveram presentes.
Faltaram apenas minha irmã Renata e meu irmão Rogério.
Rosi trouxe bolo e salgadinhos e Fubá trouxe refrigerante.
Pepê trouxe as velas do bolo e quis fazer piada com minha idade, ele trocou a posição das velinhas: 45 por 54. 
Ganhei de presente o livro do Lobão, "50 Anos A Mil". Estava louca por esse livro.
Ganhei também um desodorante Roll on (rolon), é que em todo bingo que a Rosi faz, eu só ganho o bendito "rolon".
Rosi também me disse que Beatriz não queria vir e o motivo foi: "É que festa de gente velha é chata".
Foi muito bom, foi um presente e não apenas no sentido material.
Dias melhores virão.


Eu e parte da minha linda família

                                            

Time

Maria Julia & Bruno. Palmeirenses lindos
                                                 


Meu irmão Rogério é o único "errado" da família; ele é palmeirense.
Rogério conseguiu convencer os filhos pequenos a virar a casaca e torcer para o Palmeiras.
Eles foram corinthianos por pouco tempo. Que pena.
Bruno, o caçula, torce para todos os times, menos do Corinthians. Ele gosta principalmente dos times cariocas e não sabemos o porquê.
E para ouvir sua voz bonitinha, eu pergunto: 
"Bruno, você torce para que time?"
"Eu sou Botafogo".
"Mas você não é corinthiano?"
"Não. Corinthians é caca. Julia, que time o pai torce?"
"Palmeiras".
"Ah, então eu sou Palmeiras".


                                             

Pode ser

                                        


Minha sobrinha Maria Julia me ligou para desejar feliz aniversário, agradeci e perguntei se estava tudo bem com ela, os pais e os irmãos.
Tudo bem, graças a Deus.
Que Deus guarde aquelas crianças, minha Nossa Senhora.
Maria Julia me diz que quer o ovo de páscoa das Princesas, Vinícius quer do Homem Aranha e Bruno quer do filme Carros.
Maria Julia diz: "Tia Rejane, não precisa ser um ovo muito grande não, viu? Pode ser um ovo pequeno; assim, de uns quatrocentos gramas".


                                            


                                                 

Aniversário... Vida

                                           


Hoje é meu aniversário.
Hoje completo 45 anos, (mas com um corpinho de 44).
Hoje também completo 3 anos de vida. Vida mesmo.
Vida que me foi permitida viver, que me foi permitida ter de novo.
Vida pela qual batalhei muito. Batalhamos muito! Eu, minha família, amigos, conhecidos, até desconhecidos mesmo e, principalmente, os amigos guerreiros do Povo lá de cima.
Agradeço imensamente a todos que pediram por mim, que batalharam por mim, que rezaram, oraram, rogaram ao Criador por minha vida.
Deus é esperto, mano. Ele não ia me querer lá pelas bandas Dele; Ele sabia o quanto eu iria pentelhar. 
Eu seria criança de novo e correria pelas fazendas celestiais, brincaria com as águas dos açudes celestiais e faria muitas artes por lá. Meu Paipreto estaria sempre por perto para me proteger, mimar, me amar. Meu avô José também.
Acho que nós três juntos deixaríamos Deus de cabelos e barbas em pé!
Melhor eu ficar por aqui mais um bom tempo.
Melhor eu ficar por aqui e ver minha família numa boa; meus sobrinhos formados, trabalhando, sempre lindos e de bom caráter. 
Melhor eu ficar por aqui para poder fazer guloseimas para minha gulosa família.
Melhor eu ficar por aqui para poder cuidar dos meus gatos, das minhas plantas, dos meus livros, do meu blog e de todas as coisas que eu gosto.
Eu vou ficar bem. Cada vez melhor para poder viver, fazer, vivenciar e agradecer por tudo isso.
Obrigada por mais um ano de vida.


                                                 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Caminho

                                                  


Gosto de caminhos.
Caminhos de terra, de chão batido.
Caminhos com o capim dourado e queimado pelo sol e pelo pisar dos pés e das caminhadas.
Celebro quando encontro um caminho de terra perdido em meio a tanto cimento e asfalto na nossa Pauliceia desvairada.
Aguardava passagem em um cruzamento complicado e até gostei da demora, assim pude entregar-me às memórias, lembranças e saudades que os caminhos me trazem. Havia um caminho de terra beirando o asfalto da rua e o cimento da construção.
...
Uma amiga minha, a Cleusa, me perguntou se me lembro mesmo de tudo o que escrevo e a resposta foi e é: Sim.
Foi tudo tão curto, tão rápido e tão intenso mas que deixaram as marcas que hoje são os meus pilares de sustentação.
Minha curta e intensa infância no sertão nordestino do meu amado Pernambuco.
Minha infância e adolescência de trabalho, grandes responsabilidades e grandes cobranças aqui em meu querido São Paulo.
Os mimos, manhas e lundus dados a mim e feitos por mim com o apoio, a conivência e o amor do meu avô Paipreto e do meu avô José.
As broncas de mamãe e de Mãevelha.
Foi tudo tão bonito; mesmo sofrido, mesmo dolorido, mesmo esperançoso, mesmo triste algumas vezes, mas sempre bonito.
Os caminhos por onde andava segurando a mão de mamãe entre os pés de feijão.
Os caminhos pelas ruas de Gravatá com uma mão no bolso da minha adorada jardineira e a outra segurando a mão do meu Paipreto.
Os caminhos até a bodega do meu avô José para me deliciar e me lambuzar com bolo de araruta e tubaína.
Os caminhos pelo milharal e pela mata em busca de coquinho catolé com meu Paipreto.
Os caminhos até a casa de tia Antônia para me deliciar com o lambedor feito por tia Anália.
Os caminhos até a casa de tia Nifa e bisavó Gina para me deliciar com a salgada farofa de farinha e ovo.
Os caminhos que meu bisavô Francisco percorreu quando deixou esse lado da vida. Eu o vi caminhar, parar no meio do caminho, tirar o chapéu, me olhar, se despedir de mim e voltar ao caminho. Eu sentada à mesa saboreando minha farofa salgada via Mãevelha e bisavó Gina no quarto sentadas ao lado do corpo do meu bisavô Francisco; bisavó segurava uma vela acesa nas mãos dele e rezava pedindo a Deus e ao Povo lá de cima que recebessem meu educado, elegante, doce e gentil bisavô. Eu olhava aquela cena e olhava para fora e via meu bisavô se afastar pelo caminho; como ele podia estar deitado na cama e andando lá fora ao mesmo tempo? E por que Mãevelha e bisavó choram? Por que mamãe chora? Daqui a pouco bisavô volta. Oxe!
...
Os caminhos pelas ruas do bairro das chácaras e hoje dos caminhões.
Os caminhos ao encontro de mamãe.
Os caminhos de volta da escola para ficar em casa com meus irmãos.
Os caminhos até os hospitais.
Os caminhos para sair do coma e voltar para esse lado da vida.
Os caminhos até aqui.
Você não sabe o quanto eu caminhei...


                                                 









Outono

                                           


O Outono chegou, que bom.
Céu de intenso e belo azul, sol e ventos frios.
Folhas que mudam de cor e caem. Belo espetáculo da Natureza.
Outono, Primavera e Inverno sim, Verão não.
Mas o Outono e as estações frias me dão uma certa melancolia, então...
Verão sim, mas com moderação. Nada de temperaturas ferventes. Deus me livre!
É isso.


As quatro estações