Feriado prolongado e em casa. Às vezes é até melhor que ficar oito horas na estrada para percorrer um percurso que normalmente se faz em pouco mais de uma hora.
Bom...
Mas tem hora que cansa e fica chato ficar em casa: a programação da TV é muito chata, na maioria das vezes; ouvir música nem sempre é possível, os vizinhos tiveram a mesma ideia antes e tocam suas tranqueiras de mal gosto.
Ler, escrever, cozinhar e cuidar das plantas são outras opções de lazer e ajudam a passar o tempo.
Mas eu estava exausta ontem; passei a madrugada inteira acordada ao som de bombas, explosões, gente rindo e falando alto, carros e motos barulhentos passando pela rua. O que fizeram com a Educação e o Respeito?!
Ainda tentei dar uma cochilada durante o dia, mas não foi possível: barulho.
Eu quero uma casa no campo, numa ilha, em algum lugar silencioso!
Assisti a alguns filmes e estou curiosa para assistir um que fala sobre depressão. O tema é forte e eu preferi assistir a filmes mais leves, bobos até.
Já ando numa fase tão difícil, melhor não. Agora não.
Assisti a filmes que parodiam outros filmes, mas infelizmente, o humor atual tem se resumido a sexo, piadas sobre sexo, corpos femininos seminus e outras baixarias.
Assisti ao simples e belíssimo Tomboy; uma menina de dez anos que se comporta e se veste como menino.
Ontem teve bingo na casa da minha irmã e minhas sobrinhas me ensinaram como baixar música de graça e como definir o toque do celular; me senti um ser das cavernas.
Levantei tarde, fiz café e comi bolacha recheada sabor açaí; tinha gosto de chiclete.
Vou cozinhar mandioca e fazer suco de maçã.
É isso.
Domingo. Frio.
Domingo não é o meu dia favorito, definitivamente.
Minha cunhada passou rapidamente por aqui e trouxe a nova cadeira de rodas que conseguiram comprar pra mim; agradeci.
Facilita quando sair, já que andar com andador não é muito ágil, fácil ou agradável.
Eu estava pensando e me lembrando que quando eu era criança, por volta dos dez anos, passava na TV a novela Pai Heroi e a mocinha sofria um acidente e não podia mais ser bailarina.
A mocinha era a Elisabeth Savalla e o mocinho era o Tony Ramos. Muito drama, muita maldade, muita choradeira para no fim o mal ser punido e vencido pelo bem e o amor prevalecer. Que lindo.
A mocinha, que não podia mais bailar, mancava e usava bengala e eu achava isso tudo lindo e fascinante.
Mas em contrapartida, eu tinha um certo medo e asco de cadeira de rodas. Quando eu via uma pessoa em cadeira de rodas eu sentia um misto de receio, curiosidade, temor, respeito...
Já adulta, precisei ir à emergência do hospital e a enfermeira perguntou se eu queria ir na cadeira de rodas; recusei. Agradeci e disse que poderia ir andando, eu já me sentia melhor, disse eu.
O tempo passa e sinto dores nas costas, dificuldade para andar, pernas fracas e todos os problemas de uma coluna doente. Tudo ainda mais piorado e intensificado pela Acromegalia. Ironia do destino.
Que desejo infantil mais perverso para ser transformado em realidade!
Mas é temporário. Depois da tão esperada consulta saberei o que me aguarda.
Espero e quero que essa minha coluna complicada seja consertada mais uma vez e que me dê uma folga de alguns bons anos, pelo amor de Deus.
Quero tanto caminhar livremente, dirigir, fazer as coisas que gosto e que sempre fiz sem depender da ajuda constante de pessoas e/ou objetos.
É chato incomodar os outros e eu não gosto.
E vou tentar lembrar de algum outro desejo bom de criança; tomara que se realize.
Assistia a um programa mostrando cidades no interior paulista, o turismo da região, a cultura e todas essas coisas. Muita gente deixando para trás o asfalto, o cimento, o trânsito caótico, a correria e toda loucura da vida em grandes cidades.
Queria tanto me embrenhar pelo mato, viver em uma casa simples, ter muitas plantas e animais e cuidar deles em paz e sem ninguém enchendo a paciência.
Um bom lugar para os meus livros, um belo e bem cuidado jardim, uma cadeira confortável para sentar, tomar um bom café, ler meus preciosos livros com gatos no colo e simplesmente apreciar a vida.
É isso.
Quinta-feira com cara de sábado; feriado de Corpus Christi.
Um país dito laico e com tantos feriados religiosos.
Fiquei e estou em casa, óbvio. Cuidei dos gatos, fiz café e tomei com bolo de macaxeira; muito bom. Meu irmão me trouxe bolo e bolachas típicos do Nordeste; deliciosos.
Terminei a manta de crochê que fiz para os gatos; não sou muito experta no assunto, mas fiz o básico e deu certo.
Peguei dois livros infantis para ler e passar o tempo, gosto muito.
Começa a anoitecer.
Tanta coisa para escrever, falar, botar pra fora numa boa, mas agora não.
Sinto-me cansada e vou dedicar o dia às coisas simples que me fazem bem: café, gatos e livros.
É isso.
Quando alguém falava muito, mamãe dizia: "Eita que fulano fala mais que o homem da cobra". Achávamos engraçado.
Madrugada de domingo para segunda, uma hora da manhã, e o "telelei" não parava: era o vizinho tagarela falando pelos cotovelos em seu monólogo de sempre.
O cabra fala, fala e fala e por alguns minutos muda o rumo da conversa para reclamar com seus interlocutores: "Estou falando sozinho! Todo mundo finge que está me ouvindo, mas ninguém liga para o que eu estou falando!". Einstein!
Depois volta a falar, falar e falar.
Teve o dia todinho para conversar, mas prefere tagarelar de noite. Pelo amor de Deus!
E como dizia mamãe: "Bota um maxixe quente na boca desse homem!"
É isso.
Sábado frio e cinzento.
O frio intensifica as dores articulares e os joelhos doem, principalmente o direito.
Música de madrugada, vizinhos tagarelas pela manhã e gatos famintos o tempo todo; levantei.
Tomei os remédios, alimentei a gataiada, fiz meu café e agora vou fazer suco de laranja.
Parei para ver as redes sociais, e como sempre, não tinha nada demais. É mais para passar o tempo.
Gente postando mensagens fofas, bonitinhas e altruístas, mas que não pratica nada daquilo que prega.
Auto intitulada bispa que vai vender perfume com o cheiro de Jesus. Como era o cheiro de Jesus? Como ela sabe? Ela já não é e está rica o suficiente?!
Bom...
Estava me sentindo só, mas depois lembrei que sempre fui só e que gosto de ficar só. Mas também lembrei que é bom ficar só quando estamos numa boa, e não é o caso, atualmente.
Fase ruim, bem zika mesmo. Vai passar.
Mas coisas ruins e fases ruins são boas para nos mostrar com quem podemos contar quando não estamos bem. É na fase ruim que vemos quem é bom de verdade.
Bom...
Muita coisa para ler, muita vontade de pintar, crochê quase terminando... Já cuidei das plantas e fiquei feliz ao ver uma folhinha bem pequena e verdinha brotando no meu hibisco.
Nem tudo é bom ou ruim para sempre, a vida é feita de fases. Peço a Deus que essa fase ruim vá embora logo, pois já durou o bastante.
O dia está escurecendo mais cedo e é preciso acender as luzes.
É isso.
Quer ser bom? Morra ou se mude!.
A gente só sabe quem é amigo de verdade e quem se importa com a gente, quando estamos passando por uma situação difícil.
É, parece que sim.
E são aqueles a quem mais estendemos a mão, quando um dia precisaram, que hoje nos ignoram, se afastam de nós e ainda usam motivos sórdidos para justificar sua tacanheza de espírito e caráter.
A gente não sabe o dia de amanhã.
A gente se esquece que ninguém é imbatível, invencível, imune a problemas, doenças etc... Agir com soberba, arrogância e a mais absoluta certeza de que é melhor que outros, está numa situação melhor que os outros e não precisa de ninguém hoje...
E amanhã? Amanhã a Deus pertence.
Não, não estou rogando praga, "secando" ou coisa do tipo; isso não é do meu caráter, graças a Deus.
Estou apenas cansada e os problemas, frustrações, decepções e mágoas se acumulam.
Vai passar... Nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio.
Vai passar... Também sou filha de Deus.
É isso.
Mais uma noite insone. Às duas da manhã estava batendo papo com outra conhecida também insone. "É nóis!".
Demoro uma eternidade a pegar no sono; ando pela casa, me viro e reviro na cama e tudo incomoda.
Levantei de manhã e cuidei dos gatos; fiz meu café e cismei de fazer bolo de banana com calda de caramelo. Assisto aos programas de culinária, gosto muito, e depois tento fazer as receitas.
Gosto do Rodrigo Hilbert, Rita Lobo, Olivier e do "Marravilha" e me pergunto se alguém consegue, mesmo, comer aquelas gororobas naturebas em excesso e estranhas que a Bela Gil e a Neka Menna Barreto preparam.
Acho que temos que consumir tudo com moderação, nada de exageros, mas também não precisamos exagerar no sentido oposto!
Sem café/cafeína, sem açúcar, sal, álcool... Não, não dá!
Bom...
Fiz bolo de banana com calda de caramelo, receita que vi ontem no programa "Cozinha Prática" com a Rita Lobo, moça bonita e simpática.
Tinha algumas bananas já bem maduras e que iriam estragar, uma pena, mas eu fiz o bolo e deu certo. Ficou bom.
Cozinhar é uma das coisas que mais gosto e é uma pena que a situação esteja "periquitante, papagaiante, urubuzante...", pois adoro ver a despensa completa e repleta com os ingredientes mais variados para as mais variadas preparações.
Essa fase ruim vai passar, "não será Deus impussivi", diria papai.
Falei com uma amiga querida hoje e falamos sobre Espiritualidade, vidas passadas e afins; ela acha que não mereço passar tudo o que estou passando: saúde complicada, sem andar direito, dores, entrevamento, remédios e muito descaso de quem não deveria agir assim. Paciência.
Mas eu sou uma pessoa de muita fé e acredito que vou sair dessa situação difícil.
Vou ver meu bolo de banana.
Fiquei muito tempo de pé lavando louça, fazendo bolo, café e outras coisas, agora o joelho direito dói pra valer.
Eita meu Deus!
É isso.
Mais uma tarde cinzenta e fria.
Mais um dia que passa.
Estou cansada dessa vida chata, sempre trancada dentro de casa.
Os gatos me fazem companhia e eu falo com eles, brigo, dou broncas, mimos, carinhos...
São terríveis e estão acabando com o que restou das plantas após a poda radical feita pelo amigo do meu cunhado. Fi duma égua!
Toda quarta-feira eu ia ao Carrefour da Vila Maria/Vila Guilherme; é um hipermercado bastante caro, mas a facilidade e conveniência compensavam a carestia.
É tudo térreo, tem a loteca onde eu pagava algumas contas e ainda fazia uma fezinha. Toda quarta-feira é dia de ofertas e de produtos mais frescos e eu adorava comprar minhas frutas, verduras e legumes.
Comprava também algumas plantinhas em oferta: flores miúdas, folhagens e até belíssimas orquídeas.
Mas agora...
Voltarei a fazer tudo isso e mais um pouco, tenho fé.
Tantos problemas, tanta gente ruim, tacanha, fria, desumana...
O mundo não é complicado, as pessoas são.
É isso.
Estou tão cansada hoje.
Passei longas e agradáveis horas sentada lá fora cuidando das plantas, uma das coisas que mais adoro, mas a coluna e os joelhos reclamam. E como!
Não dormi bem, pra variar, acordei sobressaltada, agitada e a cabeça pulsando: pressão alta.
Nível de stress subindo desde logo cedo, graças a Deus, mas que à tarde começou a baixar: apenas 98%.
Sinto falta do tempo em que tinha tanta energia, era tão ativa e podia bater os quatro cantos do mundo, como dizia mamãe.
Que doença mais besta, meu Deus do céu!
Jardim com uma cadeira azul em meio às plantas. Sentar, apreciar, ler um bom livro e tomar uma boa xícara de café.
Vontades também... maçã verde, melão, melancia, caqui, mamão, cuscuz com leite...
É isso.
Estou bem melhor e mais forte, graças a Deus.
As dores brutais foram controladas com potentíssimos e caríssimos remédios, era necessário.
Ando melhor, com o andador ainda, e arrisco algumas artes pela casa.
Hoje sentei-me lá fora e cuidei das plantas, adoro.
Podei, transplantei, afofei a terra, cuidei de tudo.
Gosto de coisas simples e isso o povo que adora ostentar não entende.
Amanhã é sexta-feira e será mais um dia dentro de casa. Estou parecendo aquelas princesas dos contos de fada que ficam presas na torre do castelo.
Eu era tão ativa...
Voltarei a ser, tenho fé, e mesmo contra todos os prognósticos mais pessimistas: estou viva! Não morri ainda!
Por que me entregaria?
Não é fácil não.
Bom...
E por falar em princesas... Minha sobrinha Beatriz ficou indignada com o uso equivocado do termo "boa noite, Cinderela" e disse: "Quando vão aprender a falar direito? É boa noite, Bela Adormecida!".
É isso.
Garotinho encantador e seu amor pelos livros...
Adoro gente que ama livros e que entende esse amor, esse apego pelas páginas ora brancas de novidade, ora amareladas pelo tempo.
Não entendo gente que parece se sentir agoniada e incomodada pelos livros e que tem um prazer enorme em se desfazer deles.
Não, não entendo.
Me chamam de acumuladora de livros, mas como dizia meu avô: "O conhecimento é a maior riqueza do mundo e ninguém pode tirá-lo de você".
Gente que não gosta de livros, mas que acumula tantas outras coisas supérfluas, inúteis, prejudiciais até.
Bom...
Cada um, cada um. Eu não incomodo ninguém por conta de seus gostos ou "acúmulos", então deixem a mim e meus livros em nossa paz.
Amem.
Domingo frio...
Ando meio cansada, desanimada, chateada também.
Problemas, doenças, contas chegando e o dinheiro saindo.
Estou meio mole, meio sonolenta, mas consigo andar com o andador; antes só ficava na cama e gritava de dor a cada tentativa de mudar de posição. Foram duas semanas difíceis.
É mais uma fase que vou passar e superar, mas às vezes acho que as pessoas me vêem como uma idosa inútil, entrevada e teimosa.
Vou voltar a andar, mesmo que com a ajuda de uma bengala. O andador dá mais estabilidade, mas ocupa mais espaço e atrapalha quando quero abrir portas, pegar objetos etc...
Estou meio afastada das coisas que mais gosto: cozinhar, me sentar no chão cercada por livros e folheá-los... sei lá, coisas bobas e simples que me fazem tão bem.
É preciso voltar. Voltarei.
Mudanças causadas por problemas de saúde que eu acreditava serem coisas do passado. Me enganei. Acho que fui enganada.
Presa dentro de casa, dependendo da boa vontade dos outros...Não, não, quero isso não.
Quero ser livre para caminhar com minhas próprias pernas. Quero fazer as coisas que mais gosto. Quero apenas ser a pessoa ativa que sempre fui, eu não morri ainda!
Estou meio mole; esses remédios ajudam de um lado e atrapalham do outro. É o mesmo que descobrir um santo para cobrir outro.
Tudo tão chato na TV. Quase nada me atrai.
É isso.
Faz tempo que não escrevo.
Faz muito frio também.
Estive bem doente nessas duas semanas que passaram. Dores, vômitos, nada parava no estômago, dores incapacitantes e precisei ser levada ao hospital do Servidor Público Estadual.
Fui domingo passado e achando que tudo seria rápido por exatamente ser domingos, me enganei.
Estava muito cheio, enfermeiros grosseiros e em cada canto, um aparelho de TV. Todos ligados em volume muito alto e isso incomodava muito.
Pedi inúmeras para alguém tomar uma providência e só ouvi desculpas. A filha de uma senhorinha desligou o aparelho da tomada e assim tivemos algum sossego.
Fiquei na "sala dos esquecidos". Raramente alguém ia lá e precisávamos implorar para que nos atendessem e medicassem. Permita Deus eu nunca mais precisar voltar para aquele terror barulhento.
As coisas não estão bem e isso me incomoda, me revolta e me assusta.
Sempre problemas, sim, mas quem não os têm?
Todos nós temos.
Mas cada um sabe o peso da cruz que carrega e a minha está bem pesada.
Tão pesada que minha coluna já está doente de novo e dói muito e entreva. Travou tudo e eu não podia me mexer sem gritar de dor.
Joelhos com artrose; inchados, doloridos, gorduchos.
Já passei por tanto. Quando isso tudo vai acabar? Quando poderei andar de novo com minhas próprias pernas? Quando poderei viver minha vida simples e sem frescuras cercada por aquilo e aqueles que mais gosto?
Um dia sem dor é uma dádiva, uma benção, uma raridade.
Remédios caros, muito caros, absurdamente caros. Acabou o dinheiro, graças a Deus.
Faltou pagar a conta de luz e o plano de saúde; e agora, José?
Quando a gente tem saúde é tudo mais fácil: vida, família, amigos...
Quando a gente fica doente a gente incomoda, sem querer, a todos. As pessoas têm suas próprias vidas, seus próprios problemas...
E eu prefiro ficar no meu canto, me juntar às pessoas nos momentos de alegria e diversão. Ir ao cinema em grupo é muito divertido. Ir às festas italianas que acontecem todo inverno também é muito bom.
Mas sem andar?
Nem todo mundo tem paciência para esperar, para perguntar se o local tem cadeira de rodas, acesso para cadeirantes etc...
Nem todo mundo é igual a todo mundo.
Pensei que depois de tudo o que passei e de todos os procedimentos que fiz, estaria agora livre, leve, solta e saudável para viver bem pelo resto da minha vida... Mas não aconteceu, ainda.
Às vezes penso que teria sido melhor não ter resistido ao coma e todos esses problemas não estariam acontecendo agora, mas fugir à luta nunca fez parte do meu show.
Acho que é isso. Estou cansada de lutas e batalhas, quero descansar.
É isso.