segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Coluna

                                  Resultado de imagem para flores de cactus



Ando tão cansada e dolorida ultimamente. As pernas estão sempre geladas e pesam tanto; é como se estivessem presas àquelas bolas de aço que os presos usam nos desenhos animados antigos.
Os exames ficaram prontos e os levarei ao médico para que ele veja e tome a melhor decisão. Do ponto de vista da minha história, perspectiva, dores, entrevamentos e afins, acredito que uma nova cirurgia seja necessária sim. Minha coluna está torta como antes da primeira cirurgia e a parte onde estão fixados os parafusos parece lutar para se manter reta enquanto o restante pende para o lado.
A coluna cervical está bem arqueada, cifose, e eu não vejo a hora de mostrar esses exames ao médico e ter esse problema resolvido.
Tudo, tudo vai dar certo.
Andar com fé eu vou que a fé não costuma falhar.
É isso.



                                      Resultado de imagem para flores de cactus

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Sobrinha

                              Resultado de imagem para sobrinha



Finalmente choveu e aquela secura incômoda deu uma trégua.
E o tempo está assim, um solzinho tímido, nuvens cinzentas... E o dia segue.
Fui domingo à casa da minha irmã para me deliciar com o maravilhoso churrasco que meu cunhado sabe fazer; cabra bom!
Vi minha lindíssima sobrinha Beatriz e ouvimos Rock 'n' Roll; ela gosta do AC/DC porque ouviu os acordes da música "Back in black" no filme "Escola de Rock". Multiplica Senhor!
Rock e MPB, sempre, e livrai-nos das musiquinhas horrendas das "duplecas" de calça justa e cabelo ninho de pombo. Livrai-nos também de outras coisas ruins. Amem.
Ganhei um livro da minha sobrinha; um livro sobre a filosofia de Nietzsche, meu filósofo favorito e tema do meu segundo TCC (trabalho de conclusão de curso).
Adorei! Adoro ganhar livros. Adoro livros, é público e notório.
Eu estava há dois meses sem ver minha sobrinha e só falava com ela por telefone. Eu ainda estou me recuperando do efeito sanfona dessa minha doença, a Acromegalia. São tempos bons e outros nem tanto.
Estou no segundo tempo, digamos assim. Tempo de dores, entrevamento e a pressão sempre alta e desembestada:23x18 essa madrugada.
Acordo com o habitual "soco" na nuca, mas ultimamente os socos têm sido mais fortes e intensos.
Conto os dias e as horas para voltar ao médico e levar os exames; que uma solução seja encontrada, meu Deus.
Bom...
Vou descascar meu legumes e frutas e aproveitar a água que está chegando. Antes chegava ao meio dia, agora chega às três da tarde.
Meu Santo São Paulo sofre.
É isso.





                                  Resultado de imagem para jardim

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Forte

                                Resultado de imagem para chateado



Minha bisavó, a galega, pequena e bocuda Maria Higinia Salles, Dona Gina, dizia: "Engulo um boi com as pontas (chifres) e não me entalo, já um mosquito me entala".
Sempre lembro e menciono as frases fortes dessa mulher pequena, porém fortíssima em seu caráter e determinação. Tinha que ser mesmo muito forte para encarar uma sociedade racista e machista para fugir com um escravo negro recém liberto pela Lei Áurea.
Eram lindos, Dona Gina e o Seu Francisco.
Lembrei deles porque ainda estou entalada com essa história toda da humilhação vivida no Banco do Brasil.
Reclamei, fiz todo o procedimento de praxe e hoje recebo um e-mail pedindo desculpas, mas indiretamente me culpando pelo ocorrido. É como se eu fosse culpada por ter necessidades especiais, pela péssima educação do guardinha e pela má vontade e preguiça dos gerentes que não tiveram a dignidade de abrir a porta lateral para eu passar.
Ainda estou chateada com isso tudo.
Bom...
Amanhã será outro dia e será melhor.
É isso.



                                      Resultado de imagem para flores

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Atendimento

                               Resultado de imagem para flor azul



Voltei ao Banco do Brasil, mas dessa vez foi na agência da Vila Romana, Zona Oeste de São Paulo. 
Cumprimentei o segurança e me dirigi à porta giratória para mais um malabarismo e me surpreendi quando ele fez sinal para eu esperar; perguntou se eu havia retirado a senha e disse que a gerente iria abrir a porta lateral para eu passar. Não acreditei!
Sim, precisei tirar celular, chaves e afins da bolsa, mas tudo feito e pedido com muito respeito e paciência.
A funcionária abriu a porta lateral e eu agradeci; ela estranhou o fato de eu agradecer por uma atitude que deveria ser praxe em todos os bancos e outros locais frequentados por pessoas com necessidades especiais.
Fiz o que precisei fazer e depois deixei a agência pensando na diferença de tratamento, na decoração do local e na localização do banco.
A agência do Parque Novo Mundo foi mal planejada, pois é preciso subir escadas para ir aos caixas. A decoração não é aconchegante. Os gerentes são dois senhores lentos e mal ajambrados. A mocinha que ajuda as pessoas logo na entrada da agência é muito fraca, atrapalhada e inexperiente. A clientela é, na sua maioria, de pessoas simples que vivem nas comunidades próximas.
A agência da Vila Romana é decorada com elegantes e bonitos assentos em tecido azul claro. Têm caixas no térreo, mas um elevador será instalado em breve. A gerente é uma jovem discretamente vestida e muito simpática. Os funcionários são educados e prestativos. A clientela, na sua maioria, é de pessoas com melhor poder aquisitivo, boa Educação e que moram nos elegantes prédios da região.
Mas será que essas diferenças justificam o péssimo atendimento em uma agência e o ótimo atendimento na outra?
O problema estaria nos funcionários, nos guardinhas, nos clientes, na decoração, nos bairros?
Educação e respeito deveriam estar presentes em todas as ocasiões, independente de qualquer coisa.
Eu penso assim.
É isso.




                                         Resultado de imagem para flor azul

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Humilhação

                                               Resultado de imagem para humilhaçao



Estou indignada com o desrespeito e humilhação pelos quais passei na agência do Banco do Brasil no Parque Novo Mundo, Zona Norte da capital.
Tive que deixar o andador com minha irmã, fazer um malabarismo para poder me equilibrar e passar pela porta giratória e isso porque tem uma porta ao lado destinada a deficientes físicos e/ou pessoas com mobilidade reduzida.
Quando questionado sobre o porquê de não abrir a dita cuja, o guardinha disse que não tinha a chave.
Sabemos muito bem que os seguranças/guardinhas controlam as portas giratórias e esse estúpido me atormentou o quanto pode.
Depois de todo o malabarismo para poder entrar na agência, sou tratada com frieza, preguiça e desconfiança pelos gerentes que mais pareciam senhores dispostos à uma boa pescaria do que ao trabalho.
Em vez de gastar milhões contratando celebridades para fazer comerciais, o Banco do Brasil assim como os outros, deveriam usar esse dinheiro para treinar melhor seus funcionários, terceirizados ou não!

Pior que o esforço feito para me equilibrar e me apoiar na porta para ficar de pé e o risco de cair e me machucar, foi a humilhação, o sentimento de invalidez, injustiça e preconceito.
E se eu fosse uma dessas moçoilas saudáveis e bonitas, eu seria tratada com mais respeito? Será que a porta giratória travaria tantas vezes como travou, me fazendo esvaziar a bolsa e mostrar o que carregava comigo? Só faltou eu tirar a roupa, porque não tinha mais o que tirar e mostrar para o guardinha grosseiro e estúpido.
Que risco uma pessoa como eu poderia oferecer ao banco ou a qualquer estabelecimento?
Normas de segurança do banco? Estava cumprindo ordens?
Que normas e ordens são essas? Desrespeitar e humilhar pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida?
Fiquei com esse gosto ruim na boca, esse peso na alma e voltei para casa carregada, triste e indignada.
Fiz café, deitei no sofá e adormeci. Sentia-me tão cansada, pesada e dolorida. E triste.
É isso.




                                                     Resultado de imagem para volta por cima

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Nascente

                                  Resultado de imagem para nascente



O tempo está seco demais e não chove há mais de dez dias; fica difícil respirar.
O ar seco incomoda nariz e garganta e piora ainda mais a situação para quem tem sinusite e rinite alérgica.
O nível do Sistema Cantareira contínua crítico e temo pelo futuro da água em São Paulo, no país e no mundo.
Irônico, São Paulo das águas está secando e se tornando São Paulo da seca, da poluição e do desperdício. Tantos córregos poluídos, rios, riachos e nascentes; uma pena.
Adoro água, todas as águas, e ficava horas brincando com as águas de uma pequena nascente cercada por avencas, Maria-sem-vergonha e outras plantas graciosas. Essa nascente não existe mais, foi canalizada, cimentada, calada em seu canto aquático e infantil. Era tão bonitinha. Uma pena.
Faz um friozinho leve; acho que vou para a cama.
É isso.



                              Resultado de imagem para nascente


                                      

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Vulgar

                            Resultado de imagem para humor



Não consegui assistir ao CQC ontem à noite, está muito vulgar.
O uso excessivo de termos chulos, exposição da vida íntima de pessoas que se propõem a passar por situações vexatórias, entrevistas com famosidades que também abusam de palavrões, videos expondo crianças nuas...
O que que aconteceu com o programa? Era tão bom antes!
Muitos atribuem a decadência à saída de alguns membros como Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Danilo Gentili, mas eu discordo. Marcelo está sendo muito bem substituído por Dan Stulbach e o arrogante e grosseiro Mauricio Meirelles substitui à altura os igualmente arrogantes e grosseiros Danilo Gentili e Rafinha Bastos.
Os programas de humor confundem humor com vulgaridade; acham que falar palavrões e usar outras baixarias é engraçado, eu não.
Foi mostrado ontem dois videos de garotinhos nus e isso é prato cheio para pedófilos nojentos e, como se não bastasse, ao final da apresentação dos videos, o insuportável Mauricio Meirelles disse: "Semana que vem vou mostrar minha r...". Pelo amor de Deus! Isso é humor?!
Esse moço ganhou muita liberdade após a saída dos outros membros e está se achando melhor que todos os outros que fazem o programa; quem ele pensa que é?! Humorista? Engraçado? Divertido?
As entrevistas também são chatas, monótonas e percebe-se o desconforto do entrevistado, principalmente estrangeiros. São perguntas bobas, de duplo sentido e em um inglês sofrível. Dá até vergonha só de imaginar o que o entrevistado pensa e que não vê a hora daquilo acabar.
O CQC está se nivelando ao antigo formato do Zorra Total e ao Pânico, lixo vulgar ao extremo.
Não tinha nada mais interessante na TV, então o jeito foi desligar e ir para a cama. Tela Quente com aquele rapper americano, 50 Cent, que fala com a boca fechada igual a um boneco de ventríloquo, nem pensar!
Cama, gatos e livros, são a melhor companhia.
É isso.




                                Resultado de imagem para humor mal

Vento frio

                                  Resultado de imagem para vento frio


Como era de se esperar, levantei mais cansada e moída hoje. É sempre assim, um dia bem e animada e no dia seguinte fico um caco. 
Mas abusar é preciso; fazer as coisas é preciso.
Vou só fazer o básico: cuidar dos gatos, fazer meu café e depois bater o feijão no liquidificador; fica tão bom. Vou fazer um purê de mandioca, já que estou sem batatas, para acompanhar o caldinho grosso de feião.
Mamãe picava cebola, tomate, pimentão, cebolinha verde e coentro e adicionava ao caldo de feijão; estive lembrando esses dias. Depois ela fazia bolinhos de feijão com farinha e molhávamos nesse caldo; era tão bom.
Quando estou cansada e dolorida, tanto de corpo como de alma, me vêm essas lembranças e memórias e depois tudo começa a ficar bem.
O tempo vai mudar, não está tão quente e ensolarado como ontem. Um vento frio anuncia a mudança.
Estou melhor, mas ainda tenho aquele gosto ruim na boca e uma tosse chata.
Vou fazer meu café e talvez um mingau de aveia; é gostosinho e dá sustança.
É isso.



                                  Resultado de imagem para caldo de feijão

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Torta de Maçã

                                 Resultado de imagem para maçãs



Fui sábado ao laboratório para fazer mais exames; ficarão prontos em uma semana .
Mês que vem os levarei ao médico e torço para que uma solução seja encontrada. Liberdade, liberdade, abre as asas sobre mim...
Voltei cansada e dolorida, pois tive que fazer todas as radiografias de pé. O médico quer ver como a coluna se comporta nessa situação, como o peso do corpo afeta, postura etc...
Voltei para casa e resolvi descansar, mas não consegui, a cabeça não "desligava". 
Tomei banho e fui para a cama mais cedo e a dor de cabeça já avisava que a pressão estava subindo, subindo...
Começo a adormecer, mas sou interrompida pelos filhos do vizinho que decidem jogar bola às onze da noite! A mãe das criaturas os manda parar e entrar, pois já é tarde e eles reclamam: "Mas amanhã é domingo!".
As pessoas também precisam dormir e descansar aos domingos, feriados, dias santos...
A bola parou e o vizinho tagarela desembestou a falar; como fala! Esse homem falou, falou e falou até as cinco da manhã! Não fica nem rouco!
Perdi o sono, fiquei p da vida e o jeito foi ouvir o monólogo do vizinho tagarela.
Deus do céu!
Sou meio difícil para muitas coisas e dormir é uma delas. Qualquer barulho me tira o sono e eu não consigo simplesmente virar para o lado e continuar no país dos sonhos. Fui dormir com o dia amanhecido e acordei perto do meio dia. Levantei de mal humor, cansada e dolorida. Detesto ter o sono interrompido.
Cuidei dos gatos, fiz meu café e liguei a TV; acabei dormindo pesadamente no sofá. Eu estava tão cansada!
Fez um dia muito bonito hoje e levantei bem disposta. Fiz o que é possível fazer com a ajuda do andador e até que fiz bastante coisa. Cozinhei arroz, feijão e mandioca e estou louca por frutas e mais beterrabas, cenouras... Quero também fazer torta de maçã ao estilo americano, "apple pie", e preciso comprar os ingredientes entre outras coisas. Minha sobrinha Beatriz pediu para eu fazer a torta e quando ela pede, é uma ordem!
Estou também com tantas vontades.
É isso.





                                  Resultado de imagem para apple pie



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Brinde

                                Resultado de imagem para idoso trabalhando



Meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos difíceis. 
Existência difícil.
Mais uma noite mal dormida devido a uma dor de cabeça brutal. Tomei remédios, procurei uma posição para ajeitar melhor o corpo e a cabeça e poder dormir por pelos algumas horas em paz e sem tanta dor.
Dormi um pouco e acordei achando que já era de dia, mas ainda era madrugada.
Amanhece.
Levanto, cuido dos gatos, faço algumas poucas coisas pela casa e me canso. Deito no sofá, mas tocam a campainha e lá vem ofertas dos mais variados produtos; declinei educadamente.
Papai detestava quando mamãe comprava essas coisas "de pé de porta". Se ainda vendessem frutas... Amo frutas.
Coloquei água para ferver e escuto palmas e vozes; é hoje! 
Era o entregador de ração, um senhorzinho bem magrinho que muito lembrava papai. Perguntei pelos entregadores habituais e soube que um saiu mais cedo e outro tirou férias. Por isso o senhorzinho teve certa dificuldade; os outros "meninos" vêm pra cá de olhos fechados.
Fiquei com dó do senhorzinho meio atrapalhado, mas muito educado, simpático e gentil. Fico preocupada, e até incomodada, quando vejo idosos trabalhando e pegando peso e isso tudo porque não dá para viver apenas da aposentaria e/ou para sustentar filho, neto, bisneto folgado.
Bom...
Ganhei um brinde da casa de ração, uma dessas casinhas de tecido para gatos. Parece uma tenda. Liguei para agradecer.
É bom às vezes uma pequena surpresa, uma prenda, um mimo, um xodó só para aliviar um pouco o peso da vida.
E no fim das contas, nem fiz meu café. Eita!
É isso.



                                Resultado de imagem para flores

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Baque

                            Resultado de imagem para convalescer


Dois meses depois de me recuperar de um baque, levo outro. 
Fiquei doente, me recuperei, fiquei doente de novo e quando começo a me recuperar, lá vem uma gripe braba que me derrubou.
Haja resistência, imunidade, saúde.
Levantei, nem café fiz, e voltei para a cama. Dormi pesadamente e estava tão cansada.
Consultas e exames agendados; alguns serão pagos, já que não tem vaga e a espera é longa. E não vejo a hora de voltar ao médico, entregar-lhe os exames e saber qual será o próximo passo e me livrar de tudo isso.
Ainda têm consulta e exames de outras especialidades médicas: endocrinologia, cardiologia, neurocirurgia, oftalmologia...
Tenho estado meio tristonha e com minhas revoltas e questionamentos habituais.
Liguei a TV, assisti aos programas de culinária e fiquei com vontade de experimentar um fettuccine com molho de sobras de strogonoff. Parecia tão delicioso, além de fugir do molho de tomate tradicional e do molho branco.
Eu gostava quando mamãe misturava molho de carne ao molho de tomate, o spaghetti ficava delicioso.
Levantei, cozinhei legumes e fiz sopa de feijão; dá sustança. Bati beterraba com cenoura e fiz um suco de cor bonita. Tomo sucos sem coar, a parte boa está exatamente no bagaço, que é jogado fora.
Friozinho e vai esfriar ainda mais.
Queria tanto andar e dirigir para poder fazer minhas coisas.
É isso.



                                   Resultado de imagem para dirigir

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Transbordar

                             Resultado de imagem para transbordar em lágrimas



Uma semana sem escrever.
Dores incapacitantes, entrevamento, vômitos, desânimo, medo, solidão...
Lembrei da médica maluca que certa vez disse: "Se você não se cuidar, não vai chegar aos cinquenta!". Eu ainda não tinha quarenta anos.
Cheguei a pensar, sozinha numa madrugada fria e com muita dor: "Tomara que ela esteja certa e que não demore muito; que seja breve".
Tantos tratamentos, internações e cirurgias; tanto vai e vem a laboratórios e consultórios, tanto remédio para quê? Do que adiantou tudo isso se continuo a sofrer, a doer e a ter minha vida e liberdade roubadas pela Acromegalia e suas consequências e uma coluna doente? Táxi pra lá e pra cá; haja dinheiro.
Não é fácil não.
Madrugada gélida, pernas e pés gelados que não esquentavam nem mesmo com camadas de cobertores e edredons; até ficou meio pesado. Viro para todos os lados, procuro uma posição confortável e que acomode joelhos que doem, coluna que dói, ouvidos que doem, cabeça que dói, alma que dói...
Por que, meu Deus do céu?! Que castigo é esse?! Tu tá de mal comigo? Qual é, meu irmão?!
A dor me segurou, me invadiu e transbordei em lágrimas. Sou humana, demasiado humana.
Peraí! Tristeza, por favor, vá embora. Saia desse corpo que não te pertence!
Dia amanhecendo, cachorrada latindo, motores dos caminhões sendo aquecidos, as vozes dando bom dia, o poc poc dos sapatos de salto alto das moças trabalhoras e vaidosas. Adorava salto alto.
Levanto, faço café, mas não consigo tomar tudo; estou há alguns dias assim: comendo pouco, colocando pra fora a maior parte, sofrendo com as dores.
Comecei a melhorar depois do transbordamento lacrimal; chorar é preciso.
E o dia seguiu bonito e gelado.
É isso.



                                      Resultado de imagem para orvalho

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Terras Distantes

                                 Resultado de imagem para vento formando cavalo


Ventos frios, terras distantes e frias.
Ventos quentes, terras distantes e ensolaradas.
Viajava pelo tempo, pelo espaço e por mundos próximos e distantes; voava por entre eles.
Ventos frios...
Dor de cabeça, marteladas, sangue quente, fervente e borbulhante: pressão alta, sempre alta.
Sinto que um dia esse sangue todo não será mais controlado pelos remédios e explodirá, extravasará e me matará. A base do meu problema está na minha cabeça, literalmente. Tumor cerebral e pressão alta que atormentam minha saúde.
Mas quando essa explosão sanguínea acontecer, que seja daqui a cinquenta anos, pelo menos, e que me leve de uma vez. Sem ter que ficar presa a aparelhos e sofrer toda a agonia que já sofri; quero isso não.
Não quero sofrer e nem causar sofrimento, quero ir de uma vez: explodiu, partiu.  Morreu, enterrou, acabou-se o que era doce. 
Dia bonito, ensolarado e frio. Vai chover mais tarde e esfriar mais ainda.
Levantei cedo e cismei que não queria ficar mais na cama; os gatos reclamaram.
Alimentei minhas feras peludas e sempre famintas e fiz meu café. Fui para a sala e liguei a TV, não tinha noção do tempo e não sabia que horas eram. Estava no final do Bom Dia Brasil e logo em seguida começaria o programa da Ana Maria Braga que mostrou uma reportagem muito tocante: o amor entre avó e neta. Domingo é dia dos avós.
A avó sofreu um AVC - acidente vascular cerebral/derrame, e ficou internada por um tempo e sem poder ver a neta. Quando voltou para casa, a menina chorou de emoção e abraçou muito a avó; achei aquilo tocante e lindo.
Lembrei dos meus avós. 
Da minha avó Mãevelha, sempre trabalhadora, séria e com muitos cuidados para com suas amadas cravinas.
Do meu avó paterno José, sempre montado em seu cavalo, sempre com uma tristeza profunda em seus belos olhos verdes transparentes. Eram olhos tão lindos. O pedaço enorme de bolo de araruta com um copão de cajuína que ele me dava sempre que íamos à sua bodega. Eu adorava.
Do meu avô materno João Gomes, meu Paipreto, sempre me protegendo, me "apunindo"nas minhas artes e "danadices" que deixavam mamãe e Mãevelha doidas comigo e com ele.
Avó Mariana, mãe de papai, partiu cedo e eu não a conheci. Mas era uma mulher alta, forte e trabalhadora, como todas as mulheres que vivem no Nordeste; sejam nascidas ou chegadas de algum lugar distante.
Assistia e adormecia lentamente e lentamente a dor de cabeça dominava, martelava, incomodava. A dor me acordou e tomei os remédios, que controlam a pressão desembestada como cavalo brabo que não se deixa dominar porque é livre em sua natureza.
Os remédios me fazem adormecer enquanto controlam a pressão. 
Viajei, voei e caminhei por terras distantes, de ventos quentes e ventos frios.
Cavalos livres.
É isso.


                                     Resultado de imagem para vento formando cavalo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Se fosse...

                                    Resultado de imagem para frustrações



Eita que esses ossos "véios" tiraram o dia para doer, dizia mamãe, sempre que sentia dores nas articulações. Acho que é chaga (doença) de família.
Minha avó Mãevelha, mãe de mamãe, tinha os joelhos inchados, quentes, avermelhados e doloridos. Mamãe fazia massagem com um medicamento popular chamado de "doutorzinho" e que até hoje é usado e conhecido.
O "doutorzinho" era um óleo com forte cheiro de arnica e cânfora e dava certo alívio.
Gosto do frio, mas as dores pioram nessa época. Meu joelho direito dói muito e é acompanhado pelos ombros, coluna que estala e mãos que doem como se algum objeto pontiagudo as estivesse perfurando. Dor desgraçada!
Tudo estala; sou crocante.
Queria dar um rolê por aí; passar no açougue, no tiozinho das frutas, na padaria... Gosto do pão da padaria, o pão francês, principalmente com manteiga verdadeira, queijo e salame. Faz muito tempo que não me entrego ao pecado da gula.
Queria passar no açougue e comprar bife e carne moída, faz tempo que comi carne e essa vida de arroz com legumes todo santo dia já está se transformando em castigo.
Queria comprar goiabas, pêras, caqui, mangas, mamão...Adoro frutas.
Mas pesei bem e, infelizmente, não deu. Sair e entrar no carro a cada lugar que eu fosse; fechar e abrir andador; o cansaço e as dores e o preço do táxi, que poderia ser usado para comprar mais frutas, por exemplo. Não está fácil não. Que pena.
Vou tentar fazer tudo isso amanhã; veremos.
Essa mobilidade reduzida, essas dores, esse impedimento, essas coisas que me roubam a liberdade de executar a mais simples das ações: dirigir e fazer minhas coisas.
Se fosse só o tumorzinho básico enfiado no cérebro, estaria bom. Se não afetasse meus ossos e minhas articulações, estaria bom. Se não tirasse minha liberdade, estaria bom.
Mas não, tudo tem que ser complicado, difícil e dolorido.
Dói-me o corpo, e a alma também.
É isso.


                               Resultado de imagem para flores no vaso sobre cadeira

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Acolhedora

                            Resultado de imagem para onírico




Muito frio.
Fiz algumas coisas pela casa e lavei roupa; a diarista não veio.
Comecei cuidando dos gatos, como sempre faço, depois fiz meu café e botei a roupa na máquina; esperei a água chegar.
Tirei os lençóis da cama assim que me levantei, contando com a presença da diarista, e pensei que quando ela chegasse, ela colocaria lençóis limpos. Troquei a cama e foi difícil para mim. Empurrar, puxar, arrumar... tudo é mais complicado para mim com essas articulações duras e doloridas, mas eu consegui.
Deitei um pouco para descansar antes de colocar o restante dos lençóis, edredons, cobertores... faz muito frio mesmo!
Blue me vê deitada e me chama, faz um miado diferente como quem pergunta se estou bem. Faço carinho em seu pelo cinzento e macio.
Levanto.
Dor de cabeça forte, marteladas borbulhantes... pressão alta. Tomei os remédios e o cansaço aumentou, junto com uma sonolência. 
Sentei-me na cadeira ao lado do tanque e sempre com minha Rosinha no colo; tinha que esperar a máquina terminar de torcer para eu fechar a torneira, que continua puxando água mesmo com a máquina desligada.
Fazia uma tarde gelada, cinzenta, céu carregado e carrancudo. Um típico dia de inverno paulistano.
Mas tinha uma luminosidade bonita, uma claridade diferente, uma luz onírica. Quem estaria ali?
Fiquei olhando para aquela presença invisível e bonita, acolhedora também.
A máquina terminou de centrifugar. Fechei a torneira, coloquei Rosinha no chão e entrei em casa; era uma boa hora para começar a preparar a janta.
Legumes e arroz cozidos, tudo pronto.
Janto cedo para evitar o refluxo e o ácido que queima a garganta quando janto tarde ou cometo alguns abusos de vez em quando. 
Agora estou com vontade de comer uma coisinha doce.
Gatos no meu colo e espalhados à minha volta; está muito frio.
É isso.



                             Resultado de imagem para onírico

terça-feira, 21 de julho de 2015

Glória

                               Resultado de imagem para respeito as religioes


Gostei do laboratório onde fui fazer o exame; lugar novo, ainda meio vazio e sem aquela super lotação que costumo ver e vivenciar nos outros laboratórios.
Não gostei da "rampa de skate" na entrada do local; é muito íngreme e perigosa para quem, como eu, usa andador.
Outra coisa que não gostei foi da sala de espera, que fica bem em frente à gigantesca porta da sala de ressonância. Acredito que deveria ser um pouco mais afastado; ver aquele aparelho imenso e assustador causa estranheza e medo em algumas pessoas e pacientes. E ver o paciente deitado ali também causa certo desconforto além de lhe tirar a privacidade.
Já fiz vários exames de imagem e confesso que deitar naquela cama fria e estreita é meio assustador e sufocante. Uma das máquinas tem um braço que circula e gira em volta do paciente e aquela coisa me assusta mesmo! Já pensou se esse troço de meia tonelada cai em cima de mim?!
Uma moça levou a filha pequena e a menina começou a chorar quando viu a mãe deitada no aparelho; tentei conversar com ela, perguntei-lhe o nome e ela aos poucos foi se acalmando.
Uma senhora idosa estava muito nervosa e começou a cantar hinos religiosos. 
Fiz o exame tranquilamente e precisei da ajuda dos enfermeiros para me instalar no aparelho e para depois sair de lá.
A enfermeira colocou um fone de ouvido em mim, mas mesmo assim o barulho da máquina é muito alto e até parece essas músicas bate-estaca de balada; já falei sobre isso aqui.
É um " tum, tum tum, putz, putz, pow, pow, muitas plantas, muitas plantas, nem a pau, nem a pau..." Interessante como nossa percepção desses sons formam palavras diferentes e até engraçadas.
Voltei para casa depois e estava dolorida e faminta; o exame tem que ser feito em jejum. Estava com vontade de tomar café e coloquei a água para ferver, mas o gás acabara. Fui trocar o botijão e começou a fazer um barulho e a vazar gás.
Liguei para a distribuidora e pedi que mandassem alguém para verificar e o simpático funcionário identificou o vazamento causado por um defeito no botijão e o trocou por outro. Fiz meu café e depois preparei minha janta.
Assisti ao CQC e depois fui me deitar; eu estava exausta e dolorida, mas meu descanso foi interrompido por uma gritaria, um barulho em uníssono, cachorros latindo e um glória, glória repetido à exaustão. Era uma hora da manhã!
Catarse. Assustador.
O tom de voz das pessoas muda quando começam com o glória, glória, aleluia e essas vozes também me assustam. Parece coisa de sociedade secreta de filme de terror. Na boa.
Domingo, e agora diariamente, alguém da vizinhança começa com a gritaria e/ou toca músicas religiosas, e o pior, cantam/gritam junto.
Deus não é surdo, nem os vizinhos.
Procuro respeitar as pessoas e suas opções, sejam elas religiosas, sexuais, políticas etc., mas também acredito que o respeito tem dois caminhos:ida e volta.
Respeito para ser respeitada, simples assim, mas parece que as pessoas perderam a noção do tempo, não respeitam mais o espaço do outro e o sagrado direito ao descanso que esse outro tem.
Pessoas que trabalham ou estudam e levantam cedo. Idosos, crianças e doentes. Todos têm direito ao descanso e ao silêncio, principalmente à uma hora da manhã.
Louvar a Deus, Buda, Krishna, Javé, Jeová ou a qualquer Entidade Superior é um direito de quem tem sua fé ou crença, mas acredito que tem hora para tudo.
Para tudo mesmo!
É isso.


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