

Ando com muitas vontades. Acho que falei sobre isso aqui, mas o tempo passou e as vontades continuaram e aumentaram.
Vontade de tomar guaraná, vontade de comer pastel da feira ou o pastel de bacalhau do Mercadão, vontade de tomar caldo de cana, de comer pudim de padaria, de mousse de limão e mousse de maracujá, de bolo de araruta...
Muitas vontades.
Às vezes acordo de madrugada com uma vontade desesperada de comer doce, mas resisto à tentação e tomo água.
Não sei de onde vêm essas vontades, mas não saem da minha cabeça.
Se eu fosse uma pessoa "normal", não acromegálica, jovem e envolvida em um relacionamento amoroso, diria que as vontades teriam um motivo ou origem, mas como não tenho ninguém, eu levo essa vida assim tão só...
Só tenho o amor dos meus gatos e às vezes me sinto tão carente que se fosse à uma churrascaria e o garçom perguntasse: "Coração?", eu diria: "O que foi, amor".
Não, não. É apenas vontade mesmo, ou "bicha", como se dizia antigamente.
Amanhã, depois do sol baixar e antes da chuva despencar, difícil, pretendo procurar uma Casa do Norte no bairro da Vila Sabrina. Disse minha irmã Rosi que lá deve ter araruta; sinto o gosto do bolo na boca só de pensar na dita cuja.
Espero que nessa Casa do Norte eu seja melhor tratada e que as pessoas não se encolham em um canto como se esperando pelo ataque de um animal feroz que acaba de adentrar ao recinto. Sou humana e acromegálica, que culpa tenho eu?
Oxe, vão se lascar bando de ignorantes preconceituosos! Com todo respeito, claro.
E amanhã também preciso comprar o saco grande de ração para os gatos, comprar de quilinho, como dizia mamãe, não rende nada e acaba logo, que o diga meus oito felinos famintos e lindos.
É isso.

Fui hoje à casa da minha irmã Rosi; almoçamos e comemos o delicioso bife preparado por meu cunhado Pepê.
Pepê faz um tempero salgadinho e delicioso e sua farofa é sucesso na família.
Depois de muito tempo sem beber, tomei uma Malzbier, a cerveja preta, e dizem que ela é boa para o fígado. Foi só por esse motivo que tomei, claro.
Minha falecida prima Sônia nos mandava comprar "Malzebier", como ela dizia, e a tomava misturada a ovos crus; que nojo!
A prima Sônia dizia que fazia um bem muito grande para a saúde. Muito obrigada, só a cerveja, sem os ovos, por favor. A não ser que usemos os ovos cozidos ou fritos na farofa, aí sim, dou valor!
Antes de almoçar comi umas batatinhas de festa; sabe aquelas batatas bolinha cozidas com a casca e depois temperadas e curtidas? Delícia.
Mais tarde comi um pedaço de pudim de leite que meu cunhado comprou na padaria; estava muito bom.
Hoje abusei bastante, mas amanhã é granola com leite de soja e arroz integral. É preciso manter o corpinho acromegálico em forma, o excesso de peso piora o problema. Mas a Páscoa está chegando...
No final da tarde minha sobrinha Beatriz volta da escola e fazemos a lição de casa juntas. A ajudo a cortar os numerais de zero a nove para colar na apostila, lição de matemática. Depois pintamos os carrinhos da atividade proposta.
Beatriz disse que os números poderiam ser cortados das revistas velhas da Avon e da Natura, pois nelas têm os preços dos produtos. Menina esperta, puxou à tia.
E foi isso.
Voltei para casa e encontrei a gataiada esfomeada, dei-lhes ração e agora estão todos felizes a correr pra lá e pra cá a bagunçar pela casa.
Às vezes é bom sair de casa por algumas horas, parece que voltamos mais leves, principalmente após brincar com a pequena gataiada da minha irmã e com minha terrível, inteligentíssima e linda sobrinha Beatriz.
É isso.
Assistia ao Canal Discovery Home & Health cuja programação às segundas-feiras é sobre doenças raras e misteriosas.
Falou-se sobre o caso da Tanya Angus, a moça acromegálica que faleceu mês passado.
A história dela é semelhante à minha e a de muitos outros acromegálicos.
No início ela tinha fortes dores de cabeça, foi a vários médicos e todos diziam que ela estava bem, mesmo crescendo oito centímetros em um ano!
Ela foi morar com o namorado em outro estado e os sintomas da Acromegalia se agravaram ainda mais: ganho de peso, crescimento dos pés, mãos e rosto, dores na coluna e nas articulações etc...
Um dia o namorado reclamou que ela estava gorda e disse que ela parecia um homem e ainda perguntou porque ela comprara sapatos masculinos. No trabalho passou pela mesma situação; uma garotinha perguntou à mãe se "aquilo" era menino ou menina. Ser chamada de "aquilo" é perverso.
Ela, Tanya Angus, assim como todos nós acromegálicos não somos "isso ou aquilo", somos humanos tanto quanto quem nos olha e julga.
Finalmente ela rompeu com o namorado e voltou a morar com a família, a irmã e a mãe. Ao desembarcar no aeroporto, não foi reconhecida pela própria irmã.
Após várias tentativas frustrantes com médicos para descobrir qual era o seu problema, Tanya Angus é analisada por uma médica amiga da família e finalmente é diagnosticada com Acromegalia, uma doença rara, estranha, misteriosa e que não se vê por aí, segundo a doutora.
Dias desses participei de uma discussão em nosso grupo de apoio a acromegálicos, o Acromegaly Support Group, e falamos sobre o fato de os médicos, laboratórios e afins tratarem a Acromegalia como doença rara que afeta vários órgãos internos, que causa crescimento e tudo o que já sabemos e sofremos no nosso corpo e na nossa alma.
Deve haver mais informação, mas não é divulgada e ficamos na mesma ladainha que falei acima.
Saber o que já sabemos não nos acalma ou melhora nossa saúde, é preciso saber mais, pesquisar mais para, quem sabe, descobrir a cura para essa doença infame.
Não acredito em tumores benignos. Como algo benigno pode nos fazer tão mal?
O que há de benignidade em ter pés, mãos e rosto grandes?
O que há de benignidade em ter um tumor em nosso cérebro pressionando a hipófise e liberando quantidades absurdas de GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) e prejudicando a saúde?
Isso sem falar nos já ubíquos diabetes, pressão alta, ganho inesperado de peso, dificuldade para comprar sapatos, artrose, dores articulares, cansaço, crescimento do coração, pulmões e outros órgãos internos.
O que há de benigno nisso?
Pessoas nos olhando e nos julgando por nossa aparência acromegálica e ainda perguntando se somos homens e mulheres. Isso é benigno?
Têm dias que volto para casa bem chateada. Algumas vezes as pessoas nem precisam falar nada, o olhar e a expressão de espanto e estranhamento já dizem tudo por si sós.
Não é fácil não.
O mês de janeiro foi frio e cinzento, mas fevereiro está quentíssimo e chuvoso.
Temperaturas acima dos trinta graus; detesto!
Fui ao banco e na saída começou uma chuva forte e pesada com granizo. O vento balançava a Quaresmeira da calçada e o para brisas do carro ficou coberto com folhas amarelas e verdes e pétalas roxas e róseas. Parecia uma tela de pintura. Lindo.
Volto para casa e encontro o piso da cozinha todo molhado, mas não foi a chuva, foi Léo Caramelo que derrubou os dois aquários e fez uma pequena bagunça.
Salvei a vida dos peixinhos e limpei a bagunça.
Ia comprar mais ração, frutas e legumes, mas a forte chuva me impediu; amanhã farei tudo isso.
O céu ficou escuro com muitos raios e trovões; dava até medo. Melhor foi ter ido para casa e ficar em segurança.
Amanhã será outro dia e farei minhas coisas.
É isso.
Paraty é uma cidade histórica que fica no litoral do Rio de Janeiro.
O casario colonial, conhecido como Centro Histórico, é o que dá mais charme e graça ao local.
Tenho muita vontade de conhecer Paraty, principalmente durante FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty. Será a união de várias paixões: livros, mar e cidades históricas.
Zapeava pela TV e vi reportagem sobre Paraty com a forçadamente carioca Angélica, que nunca come a comida preparada pelos entrevistados; só finge que come.
A cidade é simplesmente linda e gostei de saber que tem um vendedor de doces! Angélica comprou um doce de coco que parecia estar divino.
Quero ir e vou a Paraty e a outros lugares. Vou mandar fazer a revisão do possante e dos meus joelhos com artrose. Dirigir com segurança e responsabilidade é preciso.
Não sei ainda quando nem como, mas eu vou.
É isso.
Hoje é o dia mundial do gato.
Parabéns não só aos gatos, mas a todos aqueles que têm gatos, que os amam e os respeitam e que também amam e respeitam todos os animais.
Não entendo e me enraivece estarmos em pleno século XXI (21) e ainda encontrar pessoas que odeiam gatos, que os julgam animais ruins, principalmente os gatos pretos. É muita tolice, ignorância e preconceito besta!
Fiquei indignada ao ler em um grupo de proteção aos animais o absurdo falado pelo pseudo jornalista Geraldo Luís, apresentador do péssimo programa "Balanço Geral" na mega-hiper-super-power-plus evangélica Rede Record.
O jornalistazinho gorducho, boca mole, chato e preconceituoso, entre outros adjetivos, disse que gatos são atraso de vida e que são desgraças.
Absurdo!
De onde essa criatura tirou isso?!
Dito isso na TV e em um programa de grande alcance nacional, infelizmente, só vai fomentar ainda mais o preconceito contra os gatos.
Outra tolice muito difundida é que gato causa asma; isso devido ao ronronar feliz do bichano.
As pessoas podem ter alergia ao pelo do bichano, agora que ele causa asma?!
O ronronar dos gatos são expressões de alegria uma vez que gatos não abanam o rabo e nem latem!
Para quem tem gatos o ronronar é facilmente perceptível quando os felinos estão felizes ou quando recebem carinho. É uma reação natural, pelo amor de Deus!
Eu raramente assisto à programação da TV Record, principalmente programecos apresentados por gente incompetente e que busca desesperadamente a audiência, a qualquer custo.
Assisto apenas ao Câmera Record apresentado pelo competente e experiente Marcos Hummel e programa semelhante apresentado também pelo competente, experiente e às vezes caricato Marcelo Rezende. Só.
Jornalistas experientes, competentes e sérios sabem separar a notícia de sua opinião. Jornalistas devem ser imparciais e não se deixar levar pela emoção barata e depois dizer barbaridades como a dita pelo Geraldo Luís.
É de gentinha preconceituosa e ignorante assim que o país não precisa.
É isso.
Hoje, à meia noite, devemos atrasar o relógio em um hora; acabou o horário de verão. Não gosto!
Eu ia escrever mais, mas acabei me distraindo e atendendo aos chamados dengosos de Léo Caramelo.
Assisti ao Globo de Ouro e adorei ver/ouvir Fagner cantar "Noturno". Lindo.
Adorei ver o Lobão novinho, maluco e agressivo.
Não gostei de ver Paula Toler; muito chatinha e voz fraca, meio Sandy, sabe?
Me diverti com o cabelão da Wanderleia e a roupa de couro justíssima.
Acho que vou me deitar; não dormi bem noite passada. Preocupações, receios, anseios, dúvida, angústia...
Li algumas página de "Crime e Castigo" de Dostoiévski, assisti "Video Collection" do Radiohead e lá pelas quatro horas da manhã comecei a cochilar. Acordo às cinco e meia com as altas vozes dos vizinhos.
Tem que conversar a essa hora da manhã?! Não pode ser mais tarde?
Me arretei, me levantei e fiz minhas coisas.
Como falei em postagem anterior, fui à farmácia, Casa do Norte, barraca de frutas e quando cheguei em casa, fui preparar a carne louca. Ficou boa.
Estou pensando em fazer "pudim de padaria". Acho que vou fazer.
Dirigir por aí, ler, escrever, cozinhar, meu jardim, minha música e meus gatos são o que me deixam ter relativa paz e normalidade, pois sei que, meus gatos, precisam e dependem de mim.
Passei em uma rua para ver os gatinhos abandonados; estão bem e saudáveis, dei-lhes comida. Um conhecido que estava comigo disse: "Começo a desconfiar que você não é normal. Você já tem oito gatos e ainda sai à rua para alimentar gatos abandonados!".
Pode ser. Mas meus gatos não me evitam, não têm vergonha de mim, não deixam de gostar de mim porque tenho esse carão acromegálico, não me julgam por minha aparência.
Sei lá. Essa !@#$%&! de Acromegalia só veio para ferrar mais ainda, !@#$5!!
É isso.
Fui hoje à farmácia para trocar o curativo e comprar meus remédios anti-hipertensivos De lá, fui à barraca do belo adormecido e tomei água de coco geladinha; fazia um calor de mais de trinta graus!
Resolvi parar em frente à Casa do Norte e perguntar se tinham araruta. Estaciono o carro em frente ao estabelecimento comercial e de lá mesmo sou observada, escrutinada e outros "adas".
Todos me olham como se eu fosse um animal feroz e estranho que os fosse atacar. Entrei e aguardei, pois ninguém se dignou a me atender. Resolvi então tomar a iniciativa: "Quem é que trabalha aqui e poderia me atender?"
Estavam todos num cantinho atrás do balcão de carne seca e de lá sai um senhorzinho todo sem graça e pergunta o que eu quero. Araruta.
Não, não tem, só tem polvilho, serve?
Não, obrigada.
Dei as costas e voltei para o carro e continuei sendo observada.
Do jeito que estão as coisas e a reação das pessoas para comigo, temo que qualquer dia desses vão chamar a polícia ou o resgate animal, a antiga carrocinha, e vão me enjaular!
Vôte! Como dizia minha avó Mãevelha.
É isso.
Levantei cedo para por o lixo fora; o caminhão do lixeiro passa entre sete e sete e meia da manhã.
Carrego o saco pesado e de repente sinto uma picada no dedo, deixei pra lá, achei que foi apenas o saco de lixo que encostou no meu pé.
Fecho o portão e volto para dentro e percebo um caminho de pegadas sanguinolentas. Havia cortado o dedinho do pé esquerdo e nem senti!
Tenho pouca sensibilidade nos pés e tenho dificuldade em sentir o pelo fofo de meus gatos quando os toco com os pés.
Tinha sangue do quintal dos fundos até a garagem e era bastante. Como um corte no dedinho do pé pode sangrar tanto?!
Limpei o chão de depois tomei banho para lavar o ferimento que ainda sangrava muito. Fui depois à farmácia do Pedro, nosso velho conhecido, e ele fez um curativo com uma pomada "boa", segundo disse.
Se tiver algum problema nessas vinte e quatro horas, devo ir ao Posto de Saúde para tomar injeção antitetânica. Tomara Deus que nenhum problema surja nas próximas horas nem nas seguintes.
Acho que fui desatenta, pois sabia que havia vidro quebrado no lixo e mesmo o embrulhando tão bem para não machucar o lixeiro.
Acho que a desatenção foi fruto da preocupação e problemas porque passo; não está fácil não.
Mas eu vou sair dessa!
Sou Leão do Norte e já comi toucinho com mais cabelo!
É isso.