Fez calor hoje, vinte e oito graus, mas começou a esfriar no começo da tarde, graças a Deus.
Fiz algumas coisas que precisava fazer, resolvi pequenas pendências e amanhã tem mais.
Gosto da correria, da vida ativa, do sempre estar fazendo algo e só parar para descansar quando realmente precisar.
Sinto-me viva, útil, animada, e até mais feliz, quem sabe.
Tenho tido sonhos bons e em todos eles eu ando, subo e desço escadas, abro portas e saio livre, leve e solta por belíssimos caminhos de terra cercados por belíssimas flores. Adoro caminhos.
Sonhei bailando como uma cigana. Bailando ao som de violinos, em volta do fogo com um animado grupo de ciganos. Povo bonito e misterioso e que também sofre preconceito.
Acordei meio que rebolando, foi engraçado. Acendi a luz, vi que ainda era de madrugada e tentei voltar a dormir; quem sabe os ciganos ainda estariam ali para me ver bailar?
Estou um pouco mais aliviada hoje; consegui pagar as contas, comprar meus remédios, a ração dos gatos e ainda sobrou uns cinquenta reais na conta. Uau! Dá para comprar uma pizza! Agora é torcer que ração e remédios durem até o próximo pagamento. Amem.
Mas é tão bom mesmo cumprir com nossas obrigações; pelo menos isso eu consigo.
Difícil é lidar com sentimentos, mágoas, angústias, sentimentos de injustiça, ingratidão e tantos outros que nos fazem humanos, demasiado humanos.
Lidar com essas dores, esse entrevamento, essas articulações duras, a pressão sempre alta...
Mas também sei que não podemos mudar as pessoas, fazê-las agir e ser como gostaríamos que agissem e fossem. Fazer o quê?
Sigo em frente.
As contas foram pagas e um peso imenso foi tirado dos meus ombros; até o mês que vem quando começa tudo de novo.
Agora é me estressar com a demora, a burocracia e o lenga-lenga para marcar exames e retorno com o médico. Mais fácil ganhar na Mega Sena.
Seria bom, minha TV e meu fogão já deram o que tinham que dar e eu realizaria meu sonho de consumo: fogão de cinco bocas e geladeira inox.
Por enquanto vou me virando com o que tenho.
Quero também fazer um terrário.
Quero fazer tanta coisa.
Vou conseguir; aos poucos, mas vou.
Ando devagar porque já tive pressa...
É isso.
Muito, muito frio.
Levantei tarde; porque hoje é sábado. Os gatos adoram quando fico mais tempo na cama.
Sono agoniado, interrompido, entrecortado, reiniciado...
Preocupações, angústias, temores...
A pressão que se mantem alta há dias, as dores articulares, a agonia em ter que esperar por autorizações, liberações e por uma vaga em meio à multidão que lota os consultórios do IAMSPE.
Sentimentos outros, tantos, muitos.
Levantei tarde e segui a rotina: cuidar dos gatos, fazer café, ligar a TV, reclamar da programação chata, deitar no sofá e ser cercada pelos bichanos que disputam meu colo quentinho nesse Inverno gelado.
Estou com muitos problemas, muitas vontades, muita esperança, tudo muito...
Queria encontrar um motivo pelo qual valesse mesmo a pena viver trancada em casa, com dores e dependo dos outros para tudo. Carro na garagem acumulando poeira e eu tendo que usar serviço de táxi, apertando ainda mais o orçamento.
Remédios para comprar, contas para pagar, sentimentos a incomodar.
Vontade de ir ao Carrefour para comprar minhas frutas, principalmente melão e maçã verde, e comprar também muitas daquelas plantinhas pequenininhas que, quando transplantadas para um vaso maior, ficam exuberantes.
Usei muitas reticências hoje.
É isso.
Tarde bonita de sol; frio.
Noites mal dormidas, música alta madrugada adentro, vizinhos tagarelas e pressão alta. Combinação incômoda.
Antes a pressão desembestava uma vez por semana ou a cada quinze dias, mas ultimamente tem estado alta todos os dias. Tontura, mal estar, o habitual soco na nuca e as luzes piscantes.
Fui para a cama ontem por volta das sete e meia da noite; sentia-me muito mal. Tomei os remédios e dormi pesadamente até as dez; acordei com a tagarelice do vizinho. Teve o dia todo para falar, tem que ser agora?!
Era quase uma manhã e esse homem não calava a boca de jeito nenhum!
Levantei, fui ao banheiro, coloquei mais ração para os gatos e voltei para a cama. Senti fome, mas tive receio de comer e depois passar mal de novo: tive dores fortes no estômago e doía mesmo!
No início da semana tive uma dor de cabeça meio estranha; me deitei e quando fui me levantar para pegar a garrafa d'água, senti uma dor absurda e brutal: era como se a pele, carne e músculos da minha cabeça e rosto fossem arrancados, deixando só os ossos. Que sensação horrível!
Medi a pressão e lá estava: 186x125 (18x12).
Duas horas da manhã: Funk de um lado, forró do outro; vizinho tagarelando e a cabeça explodindo. Na manhã seguinte, tocam música religiosa falando de amor, perdão, o cacete. "Si ferrá!".
Mas, para honra e glória do Senhor, um transformador explode e ficamos sem energia elétrica, graças a Deus. Uma trégua nas musiquinhas religiosas, infantis, sertanejo universitário, pagode, rap e afins. Silêncio!
Sentei-me lá fora com minha Rosinha no colo e um livro nas mãos; belíssima tarde dourada e fria.
Começa a escurecer e procuro velas e fósforos, mas a energia voltou e a vida barulhenta voltou ao normal.
É isso.
Choveu bastante e o frio continua.
Acho a chuva tão bonita.
Fui trocar o botijão de gás e estava muito duro; acabei quebrando um dos bracinhos do registro. Foi preciso comprar outro, pois além de quebrado, já estava perto do fim da garantia de cinco anos.
O simpático funcionário da distribuidora de gás fez um comentário interessante: disse que as coisas têm um tempo de vida útil e quando quebram ou começam dar trabalho, é melhor se desfazer. Às vezes não vale a pena tentar arrumar, concertar ou dar um jeito; é pior.
Penso que o mesmo vale para relacionamentos de todo tipo.
O simpático e falante funcionário ainda fez outro comentário, na verdade, uma pergunta: "A senhora é professora?". Respondi afirmativamente e perguntei o que o levou a fazer a pergunta:"É que a senhora fala direitinho, fala bonito".
Puxa, que legal!
Foi muito bacana e inusitado uma pessoa perceber isso, já que vivemos em uma época de abusos contra a inculta e bela Língua Portuguesa. São tantos absurdos: " pra mim fazer, com migo, concerteza, mim falaram, falo (falou), ela vai fala (falar)".
Não, não sou esnobe ou algo assim, apenas procuro respeitar minha língua pátria.
É tarde. Já é um novo dia, uma nova data.
Vou para a cama, me virar de um lado para o outro até o sono chegar. O dia vai amanhecer e a rotina acontecer.
Tenho mais pequenas coisas para resolver e vou aos poucos. Sou só e esses ossos e articulações doloridos não me dão uma trégua.
É isso.
Tem feito muito frio e isso afeta minhas articulações; doem mais.
Levantei cedo e mesmo bem agasalhada, sentia muito frio e dor nas pernas.
Fui lá fora para esquentar um sol, como dizia minha avó Mãevelha, e vi o movimento da rua. Sinto falta da liberdade de poder ir e vir.
Apreciei o belo e gélido fim de tarde na companhia dos gatos.
Liguei para uma amiga querida e falamos sobre os mais variados assuntos; de animais a gastronomia.
Estou vivendo uma temporada light, diet, mas quando ficar boa, matarei minhas vontades: salame, linguiça, bacon, queijos, doces e outras guloseimas..
Falei para minha amiga que sempre sonho andando livremente, em paz e me sentindo tão bem. Isso vai acontecer, tenho fé.
O chato é aguentar a demora, a espera, a burocracia. Tem tanta gente com problemas ortopédicos, principalmente de coluna.
Tempos difíceis.
Pretendia falar/escrever mais, mas vou deixar para depois.
É isso.
Mamãe tinha seu linguajar próprio para definir coisas indefiníveis. Como definir uma emoção, uma dor, esperança, medo, felicidade?
Mamãe dizia que tinha uma coisa trancada dentro dela, uma agonia, um incômodo. Uma sensação desconfortável que surgia de repente e não se sabia o porquê.
Tenho lido, escrito, assistido a filmes, programas de culinária e às vezes, simplesmente sento-me na cadeira lá fora com Rosinha no colo e aprecio o dia. A luz, as cores e suas tonalidades... um luar tão bonito hoje.
O som do silêncio interrompido pelo canto meio exagerado das maritacas que pousam no paredão, pelo miar dengoso dos gatos, pelos ventos brincalhões que balançam o mensageiro dos ventos (sic) e derrubam os vasos, pelo barulho dos carros que passam na Marginal Tietê...
Mas tem essa coisa trancada dentro de mim. Essa revolta, frustração, tristeza, sonhos e planos despedaçados...
Mas têm também esperança, força e fé, ou eu já teria sucumbido.
Quando tinha minha vida corrida, agitada e batia os quatro cantos do mundo, como dizia mamãe, eu não via a hora de chegar o fim de semana ou feriado só para eu poder ficar em casa e fazer o que mais gosto: arrumar e folhear meus preciosos livros ao som de Rock 'n' Roll e com meu xicrão de café. Gatos bagunçando, miando, querendo colo e atenção.
Se eu estivesse inspirada, ainda cuidaria das plantas e depois faria um bolo, pudim, torta, mousse ou uma guloseima qualquer. Adoro cozinhar.
Estou em casa, de licença médica, e bem que podia fazer tudo o que gosto porque estou com tempo livre, mas não tenho ânimo; não é assim que quero e gosto. Minha vontade não está livre.
Sinto-me como um animal enjaulado, como uma árvore podada.
Gosto de ficar só, mas gosto depois de ter feito todas as obrigações e correrias do dia, da vida. Ficar só assim é meio doloroso.
Têm os gatos, são muitos, eu sei, mas eles me ajudam a manter a sanidade, a manter o foco, como está em voga falar. Tudo é foco e foca. Vamos focar...
Dou bronca, tiro fotos deles, me preocupo quando não querem comer, fico brava quando não se entendem, fico preocupada quando a ração está acabando... É uma família.
O autor do livro "O Capa Branca", Daniel Navarro Sonim (é, eu estou muito chique), leu algumas postagens desse meu blog e disse que escrevo com sinceridade. Acho que é meu jeito de ser: honesto, sincero, simples e sem rodeios ou floreios.
Gostei do que ele disse.
Eu tinha dúvidas, receio e até certo medo de escrever sobre meus sentimentos, revoltas, frustrações, medos, fé, esperança e tudo o que nos faz humanos, demasiado humanos. Pensei comigo mesma: "Será correto falar sobre esses temas? Falar sobre as mudanças e problemas que a Acromegalia trouxe e causou no meu corpo e na minha alma? Será que as pessoas entenderiam? Me julgariam?".
Resolvi arriscar e escrevo sinceramente desde então.
Por coincidência, não existem coincidências, dizem, peguei o"Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, e me vi refletida em alguns temores, pensamentos e sentimentos do autor. Poxa vida, eu não sou a única a se sentir só no meio da multidão! Clichê, mas verdadeiro.
Já me vi em tantos textos angustiados de Fernando Pessoa, Kafka, Goethe, Nietzsche... Não, não sou chique, sou leitora voraz, sou apaixonada por livros.
Eu queria um café, mas dizem que tira o sono. Mas com ou sem café o sono só chega lá para de madrugada, depois que o peso trancado torna-se insustentável e corpo e alma se cansam e adormecem.
É isso.
Aguardava ser chamada pelo médico e uma senhora inicia conversa comigo. Outra senhora se aproxima e a tagarelice continua; interessante.
Todas as três distintas senhoras, inclusive eu, têm problemas ortopédicos: coluna, joelhos, ombros... É a vida, que vai ficando dolorida à medida que envelhecemos.
A primeira senhora, de olhos claros e cabelos oxigenados, me pergunta como faço para lidar com as dores, o entrevamento e a parte emocional também; afinal, corpo e mente são afetados quando não estamos bem de saúde.
Ela me pergunta qual minha religião, se tenho fé e se frequento algum templo, igreja, loja, sinagoga, mesquita, terreiro...
Eu respondo que tenho fé, mas não tenho e nem sigo nenhuma religião específica e gosto muito do Espiritismo Kardecista, das religiões Afro-brasileiras e toda essa coisa mística, bonita...
A outra senhora, vestida no modo padrão de sua religião: cabelos presos em um coque, saia comprida em um dia de muito frio em São Paulo, arregala os olhos e diz: "Tá repreendido!"
Por quê?!
Não temos, cada um de nós, o direito de buscar conforto espiritual onde e com quem temos mais afinidade?
Somos obrigados a seguir à uma única e exclusiva fé?
Temos o direito de diminuir e até destruir os símbolos de outras fés, machucar pessoas só porque consideramos NOSSA fé a mais correta?
O que tenho visto e ouvido muito, além do "tá repreendido", é o substantivo "benção", usado para se referir aos objetos, coisas e valores materiais conquistados, ganhos ou presentados.
Desde pequena aprendi que benção, ou bênção, é uma coisa divina, uma dádiva, um alívio em momentos difíceis, um alento nas horas mais pesadas.
É aquela esperança que surge não se sabe de onde; a fé e a esperança, o acreditar que tudo vai dar certo e com isso seguir em frente acreditando que a fase ruim vai passar. Isso, para mim é benção.
Mas os tempos mudaram, religião hoje é comércio e vende-se de tudo: de fronhas a menorah (candelabro judaico), com seu significado real deturpado para servir ao propósito de se ganhar dinheiro às custas daqueles que foram convencidos a acreditar.
Querem a cura gay, como se ser gay fosse doença.
Muitos pastores, ditos ex gays, pregam a cura gay, mas não deixam para trás seus trejeitos e modo de falar.
Têm ex marido, ex amigo, ex colega, mas ex gay não.
Sei que toco em um assunto delicado, mas por que não posso falar sobre esse mesmo assunto? Que direito têm uns de diminuir o outro, seja na sua fé ou na sua opção sexual, por exemplo?
Tanta soberba e arrogância...
Será que leram a bíblia direitinho? Soberba é um dos sete pecados capitais: gula, luxúria, preguiça, avareza, ira, inveja e soberba.
Meu Deus do céu, que frio é esse?
Tá repreendido!
É isso.
Quando chegamos a São Paulo, vindos de Pernambuco, estranhamos o falar dos habitantes da terra da garoa, mas com o tempo fomos nos adaptando. Já falei sobre isso aqui.
Mas lembro que eu tinha muita dificuldade para entender o que a professora, os colegas e as outras pessoas diziam e eu achava que eles falavam "errado"; a "nossa língua" era a correta.
Além do sotaque pernambucano, meus pais e minha avó usavam muito espanholismo, termos e expressões africanas e do Tupi-Guarani. Mamãe falava muito "oye", uma expressão judaica (hebraica) usada para representar dor, preocupação e sentimentos afins.
Esses falares todos me deixavam confusa e eu às vezes tinha receio de falar com as pessoas porque tinha medo de não ser entendida e de que rissem de mim. Eu falava pouco, me afastava e me encolhia no meu cantinho e observava ao redor.
Lembrei desse fato hoje após ter observado como algumas pessoas, crianças e adultos, pronunciam as palavras e como o modo de falar dos pais e familiares mais velhos influenciam, e até confundem, o falar dos pequenos.
Os filhos imitam os pais por amá-los e considerá-los seus heróis e por serem seu maior exemplo de vida e conduta.
A criança que começa a falar aprende repetindo o que ouve e se ela escuta "bicicreta, predero, crasse, vrido, fazi, coisar", por exemplo, ela vai pensar que é correto falar assim, falará assim e terá problemas quando for à escola e no convívio social.
É normal a troca da letra "R" pela letra "L", ou a falta delas nas palavras, nos primeiros anos da criança e é até bonitinho ouvir "Basil/Brasil, fango/frango", por exemplo, mas é preocupante quando esse modo de falar infantil continua na pré adolescência, adolescência e vida adulta.
Conheço muitas pessoas, algumas bem próximas, que falam "errado", os filhos também falam "errado", mas nenhuma providência é tomada; acham normal.
A questão não é falar "certo" ou "errado", não vamos falar como linguistas, filólogos, professores ou doutores, mas devemos falar respeitando certas normas da língua, acredito.
Os pais deveriam tomar o cuidado de não falar termos chulos, palavrões e gírias perto dos filhos. Não chamar conhecidos e familiares por nomes vulgares e/ou que os denigram; a criança pensará que essas atitudes são normais e as repetirão.
Mas o que se vê hoje em dia são pais cada vez mais jovens, sem experiência, sem noção e sem a preocupação em educar e participar da vida do filho.
É isso.
O Inverno chegou.
Dias frios, cinzentos e chuvosos. Tristonhos também.
Sentei um pouco para fazer algumas ligações, fiz. Liguei a TV e deixei sem volume; só para fazer companhia mesmo.
Gatos friorentos dormindo em cantinhos mais quentes; tenho muitas coisas para fazer.
Faço o que posso, sou apenas uma humana com muitos defeitos. Ainda não atingi o grau de evolução máxima; sou bicho gente não muito evoluído nos quesitos mais práticos da vida.
Não lamento.
Sinto as coisas, as percebo de um modo mais intenso e até sofrido às vezes.
O som melancólico do mensageiro dos ventos, o dourado bonito dos fins de tarde, o céu tão azul, pedaços do reboco do muro... Tom de voz, expressões faciais, olhares...
Anos atrás, durante um sonho intenso, uma voz horrenda disse: "Você é só".
Acordei agoniada, com a cabeça latejando e muito assustada: Que voz feia!
Já falei sobre isso.
É difícil deixar pra lá, esquecer, seguir em frente como se nada tivesse acontecido; sou humana, demasiado humana. Sou passional, sinto intensamente e talvez essa seja a maior das minhas qualidades ou o maior dos meus defeitos. Não sei.
Pessoas postando "odeio as segunda-feiras"; acho isso tão bobo. A vida e o tempo seguem, segunda-feira ou não.
Muito frio. Minhas articulações doem tanto.
Vou fazer café.
É isso.
Sábado.
Fui me deitar ontem logo após o término do Globo Repórter, que falou sobre a Sérbia, ex república Iugoslava.
Não me sentia muito bem; o corpo e a cabeça doíam tanto.
Tomei os remédios, fiz minhas orações e depois me deitei mais pro cantinho da cama; Bellatrix & Cia invadiram e se apoderaram do meu lugar.
O frio intenso fez com que os gatos procurassem um lugar mais quentinho e Alice e Nêgo Lindo têm a mania de deitar em cima de mim.
Bellatrix, muito sacana, me abraçou, como que para se desculpar da invasão perpetrada por ela. Tão bonitinha.
O frio, as dores e o cansaço me derrubaram e adormeci. Dormi por cinco horas seguidas e fiquei feliz por isso; há tempos que não dormia bem assim. Agradeci pela boa noite de sono.
O dia amanhece, o barulho da rua começa e o vizinho tagarela desembesta a falar. O homem fala por horas!
Quando ia me levantar, eis que vem minha Branca Maria e me abraça, decidi ficar mais um pouco na cama.
Fiquei ali, naquele abraço gostoso e tão bom.
Quer saber? Vou ficar na cama com os gatos até a hora que eu quiser e achar que tenho que levantar!
Não devo nada a ninguém (devo sim), e ninguém tem nada a ver com minha vida!
Estou pouco me importando para críticas, achismos e gente dona da verdade.
"Eu acho isso, eu acho aquilo... Você deveria fazer isso ou aquilo..."
Meus livros incomodam, meus gatos incomodam, minhas plantas incomodam. O que mais?
É sina, destino, gente chata mesmo?
Levantei quando achei que devia, cuidei dos gatos, fiz meu café e tomei com bolacha do Nordeste. Adoro.
Sei lá...
Se nos preocuparmos com o que pensam e dizem de nós e com os comportamentos de ingratidão, descaso, desrespeito e arrogância de alguns para conosco, viveremos em função de tristezas e mágoas e não viveremos nossas vidas.
Não é fácil, claro, mas é o melhor a fazer. Seguir em frente.
Meu dia hoje foi sem compromisso e eu estou bem, obrigada.
É isso.
Chove agora.
Fez um dia bonito, morno e ensolarado.
Acordei hoje com dores pelo corpo e há dias que estou com dor no ombro direito. São dores por temporada, parece.
Doem as articulações e são aquelas dores persistentes e incômodas. Mas que dor não é incômoda?!
Lavei minhas bonecas e bichinhos de pelúcia. Adoro bonecas de pano.
Deitei um pouco, mas decidi levantar e me movimentar.
Depois de lavar as bonecas, sentei com Rosinha no colo e apreciei a beleza da tarde dourada; como estava bonita!
O muro descascando e os tijolos aparecendo; achei tão bonito e nostálgico.
O sol atrás das nuvens as deixava tão bonitas.
Sim, sou normal. Apenas aprecio o simples e o belo.
Tive sonhos estranhos, entrecortados e até divertidos. Sonhei que estávamos naquelas ilhas paradisíacas de países exóticos como Tailândia, Camboja, Laos e Vietnã. Legal.
Viajamos pelo tempo e pelo espaço quando dormimos.
Minha irmã e meu cunhado passaram rapidamente por aqui; é sempre tudo tão rápido. Ela trouxe pão, bolo de cenoura e filé de peixe frito. Reguei o peixe com azeite de oliva e fiz um sanduba; ficou bom.
Gosto de fazer sanduíches diferentes: pão com tomate e alface, pão com banana, pão com o que der na telha.
Tomei café com bolacha coquinho, típica do Nordeste. É levemente adocicada e é bem gostosinha.
Queria algum suco bem gelado; tomar leite nem pensar!
Minha irmã e meu cunhado passaram rapidamente por aqui, meu irmão mais velho também. Eu gosto disso.
Estava lendo algo sobre o amor e sinto na pele, alma e coração como é triste ver morrer o amor que sentimos por alguém. Amamos ou amávamos tanto a alguém, mas por algum motivo triste, temos que matar esse amor.
Não, não me refiro apenas ao amor homem-mulher ou homem-homem, mulher-mulher. Respeito e acho válida toda forma de amor.
Refiro-me ao amor de família, de irmão.
Bom...
A chuva foi rápida e dizem que vai esfriar.
É isso.
Sou ativa, sempre fui.
Começar o dia junto com as primeiras horas da manhã e seguir até o entardecer. Gosto assim.
Depois o descanso, uma pausa para um café, um chá ou simplesmente sentar no sofá com um livro nas mãos e ser cercada por gatos mimados e ciumentos.
Tardes bonitas, cadeira lá fora, Rosinha no colo e apreciar a luz, os ventos, o céu, as nuvens... toda sinfonia natural.
Levantei bem ontem e fiz algumas artes: lavei roupa, cuidei dos gatos, organizei algumas coisas. Gosto de ser ativa, útil, viva!
A Acromegalia me tirou muito disso e às vezes fico triste por ser nem metade do que fui: uma pessoa ativa, com muita energia e disposição. Não tem tempo ruim pra mim, como dizia mamãe.
Dores, muitas dores. Às vezes brutais, às vezes pequenas, constantes e incômodas.
Dores nas articulações: pés, mãos, joelhos, ombros, coluna.
E já ouvi tantas vezes: "Mas o que é que você tem?"
Tenho vontade de ser como era antes; de ter saúde, trabalhar, dirigir, viver minha vida simples do meu jeito simples com as coisas simples que gosto.
É isso.
O de sempre; fiz algumas pequenas artes no sábado e ontem fiquei dolorida. Normal.
Mas eu gosto de ser ativa e fazer as coisas.
O tempo mudou; os ventos arteiros e brincalhões que balançavam os vasos, as folhas das plantas e as roupas no varal trouxeram o frio e a chuva.
Os ventos e as dores nos ossos anunciaram a mudança no tempo.
Achei tão bonito aquele bailar de vasos pelo chão, dos ventos brincando com o pelo dos gatos.
Agora chove e está bem escuro, faz frio também.
É isso.
Percebi que quanto mais trabalho e faço as coisas pela casa, melhor de ânimo e humor eu fico; pena que meu corpinho acromegálico não sinta o mesmo.
Se fico muito tempo parada, sentada ou deitada, o meu humor fica ruim, o corpo entrevado e as dores mais intensas.
Levantei e fiz algumas coisas pela casa. O movimentar-se aquece, anima, ajuda, acredito eu. Difícil e complicado é fazer as coisas com o andador.
Não está tudo perfeito, mas eu faço o que posso e dentro das minhas possibilidades físicas. Não sou perfeita e não tenho nenhuma pretensão em ser.
Bom...
Liguei o rádio, coisa que não fazia há muito tempo, e trabalhei pela casa ao som de boa música. É bom.
Estava, na boa, de saco cheio de ter que ouvir sempre as mesmíssimas músicas dos vizinhos: música religiosa, infantil, esse tal de sertanejo universitário... Deus é mais!
Ouvi Caetano, Titãs, Alceu Valença, Seu Jorge, Skank e o bom e velho Rock 'n' Roll. Metallica, Led Zeppelin, Ramones, Motörhead, The Smiths... e esse povo todo.
A tarde começa a esfriar...
Ouvia "Anunciação", de Alceu Valença, que me trouxe boas lembranças. Eu imaginava uma menina chegando ao meu quintal montada em um cavalo e essa menina seria Mariana, a filha que sempre quis ter, mas não tive. Eu a colocaria para dormir e cantaria essa música para ela...
Gosto desse nome, Mariana, nome da minha avó paterna.
É...
Vontade de comer doce de abóbora, gnocchi, essas comidas italianas, pudim de leite condensado, petit gateau... Vontade de ir ao restaurante nordestino que ficou famosinho e bem carinho.
Tantas vontades...
Eu vou ficar boa e irei.
Tarde nostálgica. O frio deixa tudo mais triste, saudoso, melancólico, solitário. Gosto do frio.
É isso.
O dia ontem não foi fácil e a noite também não.
Abusei do leite, o que não devia, e me dei mal. Tenho certas manias e hábitos alimentares e quase sempre as consequências não são boas.
Raramente tomo leite, não gosto, mas gosto de cuscuz nordestino com leite; vai entender...
Fiz cuscuz, fervi o leite e me deliciei. E como se não bastasse, inventei de bater manga com leite e foi aí que o "bicho" pegou.
Tudo bem até a hora de deitar. Fui para a cama cedo, a programação da TV estava muito chata e pegajosamente romântica; não, não é pra mim.
Li um pouco e depois o sono chegou. Acordei com uma tosse seca e depois vômito. Levantei e tive que trocar pijama e os lençóis da cama; trabalhão de madrugada.
Fiquei naquele dorme e acorda e com o sono entrecortado por sonhos que continuavam quando eu voltava a dormir. Muito doido.
Pessoas, situações, tantas coisas...
Passarinhos coloridos que vinham ao meu jardim para beijar as flores; eram tão bonitinhos. Mas acordo e lembro que meu viçoso e frondoso jardim não existe mais; sobraram algumas poucas plantinhas raquíticas que lutam para sobreviver.
Eu vou ficar boa e meu jardim vai voltar a ser florido e frondoso, ah vai!
Levantei, cuidei dos gatos, fiz café. Espero a água chegar para eu botar as roupas na máquina.
Estômago ainda irritado, "cheio", incomodado. Vou fazer um chá.
Sábado de céu azul, ventos mornos e bagunceiros. Será que anunciam chuva ou só vieram fazer bagunça mesmo? Vieram ajudar os gatos na bagunça?
Sempre lembro da minha bisavó e de sua "briga" com os elementos da Mãe Natureza. Os ventos levavam as roupas do varal e as deixavam espalhadas pelo mato. Os ventos empurravam a porta da casa e derrubavam potes e panelas tão cuidadosamente areados por ela.
Era uma bagunça só e bisavó reclamava, brigava e bisavô Francisco balançava a cabeça e sorria: "Oxe, Maria, e tu tá falando sozinha, é?".
"Tô não, Francisco. Tu não tá vendo as artes que esses ventos estão fazendo?"
Acho que herdei da minha bisavó, avó e mãe o gosto pelas plantas, pela Mãe Natureza, por falar com os ventos, por ver e entender o que os práticos e normais não conseguem ver.
Acho que somos uma geração de malucas beleza, graças a Deus.
É isso.
Frio. Cinza. Garoa. A cara de São Paulo.
Levantei cedo; gosto de assistir aos telejornais matinais. O barulho da rua: carros, caminhões, pessoas...
Adormeci.
Acordo com o habitual "soco" na nuca: pressão alta. A cabeça latejava tanto.
Tomei os remédios, fiz café e pensei em fazer as pequenas coisas que faço pela casa, mas não deu. Os remédios me "derrubam" e achei melhor voltar para a cama. Voltei.
Adormeci e acordei com tanta fome. Tomei um banho antes; eu estava encharcada de suor.
Preparei algo para comer e depois liguei a TV. Dia dos namorados hoje e amanhã é dia de Santo Antonio. O santo sofre!
Acho que deveria ser o Dia dos Enamorados, combina mais.
Estou meio mole; efeito dos remédios, das noites mal dormidas, das preocupações, frustrações... coisas da vida.
Quero algo doce. Sempre quero, principalmente depois de comer algo salgado.
Dia dos enamorados...
É isso.
Bati manga com leite e cozinhei mandioca. Tomates picadinhos com arroz branquinho. Muito bom.
Mas eu queria mesmo era um pão da padaria, talvez mais, com queijo provolone, salame, fatias finas de tomate e um copão de guaraná bem gelado.
Nessa minha vida reclusa, tenho me alimentado muito "natureba" e sinto falta de um pequeno exagero de vez em quando.
Estava meio triste e sei que a tristeza atrai coisas ruins; melhor pensar em coisas boas. Pensei.
Volto no tempo e me entrego às memórias e lembranças da minha curtíssima infância em Pernambuco, ao lado dos meus dois avôs que me amavam tanto.
As pessoas, principalmente os jovens, não têm paciência para ouvir os causos e histórias dos avós e parentes mais antigos; não sabem o que estão perdendo.
Cultura, História e conhecimento de mundo.
Bom...
Tristeza atrai coisas ruins, assim como mágoas e frustrações. Melhor deixar pra lá e seguir em frente. Sigo.
Não podemos mudar o caráter e o coração das pessoas, felizmente ou infelizmente. Melhor mesmo deixar pra lá e seguir em frente, o que é ruim se destrói por si mesmo, diziam meus antigos.
Acho que vou comer um docinho, só pra variar.
É isso.
Esperando dar uma hora da tarde para poder ligar para clínicas veterinárias e o CCZ - Centro de Controle de Zoonoses. Hora do almoço.
Gatos machos são mais barulhentos e escandalosos que as fêmeas e eu achava que era ao contrário.
Um dos machos tem miado muito durante o dia e a noite e isso tem incomodado os vizinhos e a mim também.
Quando o assunto fica só entre os vizinhos, é uma coisa, mas quando os próprios vizinhos fazem o drama e o contam para colegas de trabalho, familiares, amigos, entregador de gás, carteiro, lixeiro etc..., aí coisa complica.
Se eu estive em boas condições físicas, já o teria levado para castrar, e a maioria das clínicas que liguei não busca o animal em casa, temos que levá-lo.
Preciso castrar pelo menos o mais barulhento e os outros vou tentar fazer o cadastro no CCZ. São dez animais por pessoa e o custo é zero.
As pessoas jogam os gatos na minha garagem, mas não jogam ração ou dinheiro junto; bem que podiam.
E essas mesmas pessoas que jogam os gatos são as mesmíssimas que depois ficam reclamando, comentando, criticando.
Tudo seria diferente se eu tivesse saúde.
É isso.
Finalmente o tão esperado quinto dia útil do mês. É, mas alegria de pobre dura pouco e o salário desse mês não vai ser suficiente, também, para pagar todas as contas.
É tanta coisa junta... Haja saúde física e emocional para aguentar o tranco. Se eu ainda tivesse saúde boa, eu trabalharia e isso aliviaria os problemas.
Estou cansada de ficar trancada dentro de casa por dias e dias e só sair quando vou ao médico ou à casa da minha irmã, e olhe lá.
Tenho pensando tanto, filosofado e buscado respostas nas mais variadas filosofias, crenças, religiões etc... Todas têm algo útil e bom a dizer, mas não respondem à todas as perguntas, infelizmente.
Umas dizem que fiz algo de muito errado em outra vida e estou pagando nessa porque não deu tempo de pagar tudo na primeira. Caramba! O que foi que eu fiz?! Matei alguém?!
Não posso pensar em algo mais grave, sério, desumano e cruel que tirar a vida de outra criatura, seja ela humana ou animal.
E na boa, se eu fiz algo de errado, foi na outra vida, não nessa! Sempre fui honesta, trabalhadora, quieta no meu canto, nunca prejudiquei ninguém e nunca peguei nada do que não me pertencesse. Por que então?!
Outras dizem que é um processo evolutivo e que é necessário passar por isso. Caramba de novo! Tenho me que lascar tanto para evoluir? Tenho que me converter à uma determinada religião para ser salva? Salva do quê? Dos meus problemas?
Só quero ter o direito de ir e vir, de ter uma saúde boa, de trabalhar, de viver minha vida, de não ser tratada e julgada como inútil, inválida e incapaz.
Não sou.
Me dediquei tanto aos outros, sempre tratei a todos como frágeis e extremamente carentes e dependentes de mim. Sempre me achei a grande mãe de meus irmãos e de todos que uma vez outra precisaram de mim. Sempre coloquei a vida e os problemas dos outros à frente dos meus; eu não era tão importante assim e poderia viver minha vida depois, sempre depois.
Tento escapar da tristeza profunda, da melancolia sedutora e da depressão devastadora e elas me cercam.
Mágoas, decepções, injustiça, ingratidão, dificuldades...
Será que não teria sido melhor se eu não tivesse voltado do coma?
Mas dizem que dias melhores virão, que toda essa fase ruim vai passar, que coisas boas estão a caminho. Tomara meu Deus, tomara. Acho que tu me deve essa.
Gregor Samsa, Tântalo e Sísifo me representam. Nesse momento, sim.
É bobagem a gente esperar que os outros façam e ajam de acordo com nossos princípios, crenças e vontades. Cada cabeça, uma sentença, já dizia mamãe.
Decepções, mágoas e tristeza disputando meu coração com colesterol alto e triglicérides. Eita!
Será que o coração acromegálico vai aguentar?
"Guenta sim! Eu já comi toucinho com mais cabelo!", diria mamãe.
Mas o toucinho estão tão cabeludo!
É isso.