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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Melancolia

                                  



Segundo os médicos, a Acromegalia também causa distúrbios emocionais/psiquiátricos, além das alterações físicas, claro.
Mais um problema causado/trazido pela Acromegalia. Que legal.
Eu sempre tive esse jeitão meio isolado,meio tímido e muito na minha e muitas pessoas me julgam por isso. Já me chamaram de antissocial, chata, arrogante, estranha...
Parece até que é pecado ser tímido e é lei ser alegre e extrovertido. Onde fica a liberdade de expressão?
No meu caso, creio eu, somaram-se fatores naturais aos ambientais; explico.
Sou naturalmente na minha e o meio onde vivia fornecia situações que incentivavam e intensificavam a timidez, o isolamento e certa melancolia.
Na minha época não tinha toda a parafernália eletrônica que há hoje, graças a Deus, e o que nos restava era assistir aos programas infantis da TV com poucos canais, ouvir o rádio que naqueles tempos só tocava música boa e dedicar-nos à leitura.
Eu devorava livros, revistas, jornais e tudo o que caísse em minhas mãos. Eu tinha uma insaciável sede de/por conhecimento e ainda tenho.
O problema era que eu não tinha com quem conversar sobre tudo o que lia e aprendia. Às vezes eu voltava da escola toda animada e queria contar para mamãe a nova matéria que tínhamos aprendido, mas mamãe estava sempre nervosa e ocupada com os infindáveis afazeres da casa.
Cresci e as meninas adolescentes estavam mais interessadas em exibir sua beleza fresca, seus belos corpos, rostos e cabelos. Eu era uma "Maria Moleque"; compridona, magricela e sem atrativos físicos. 
Ninguém estava interessado em adolescentes CDF  com cérebros pensantes mas sem corpos e rostos atraentes.
Fui me isolando e me trancando em mim.
E mesmo hoje é difícil conversar com alguém sobre os textos, livros e artigos que leio, sobre os filmes que vejo etc e tal.
Gosto de falar sobre esses assuntos e isso não quer dizer que eu seja arrogante e exibida. Não estou chamando ninguém de burro, eu apenas gosto de falar sobre aquilo que aprendo. 
Mas nem todo mundo entende, então, fico na minha.
Sempre assim. Foi sempre assim.
Acho melhor falar apenas sobre amenidades, coisas do cotidiano e afins.
A melancolia e uma certa depressão são companheiras de solidão.
Pretendo falar/escrever sobre depressão.
Falo depois.
Não é fácil.
É isso.


                                      



terça-feira, 2 de abril de 2013

Faltam Professores

                            


Fui à escola ontem para falar com a diretora sobre meu projeto de leitura com os alunos, meu horário e minha readaptação. Consegui a bendita após dois anos de laudos, perícias, funcionários do DPME grossos e mal educados e médicos estúpidos e tão grossos quanto.
Já ouvi inúmeras vezes a fatídica pergunta: "Mas o que é que você tem?".
Por fora, nada, mas por dentro...
Enquanto conversava com a diretora vejo um sobe e desce de alunos e fiquei sabendo que faltaram doze professores. Um caos!
Fui à escola hoje já para trabalhar e fui bem contente; gosto do que faço, apesar dos problemas e do salário ridículo. Como pode um deputado ter um salário de R$ 23 mil, mais ajuda de custo para aluguel, combustível e até terno enquanto o professor se lasca para ganhar R$ 1.500?!
Que porcaria de país é esse?!
A Educação no Brasil está em péssima colocação no ranking mundial e ainda cremos que seremos o país do futuro.
Como?
Faltam professores nas escolas públicas, alunos são mal formados, analfabetos funcionais, universitários que não sabem redigir ou interpretar um texto e fazer cálculos básicos de matemática.
Empresas que entrevistam mil candidatos à uma vaga, mas escolhem uma meia dúzia dos menos piorzinhos e contratam professores para ensinar-lhes o que deveriam saber e ter aprendido durante o período escolar e universitário.
Culpam o governo, o sistema, a sociedade, mas se esquecem de olhar para si próprios: Que tipo de aluno é meu filho? Que tipo de aluno sou eu?
Voltei hoje ao trabalho após dois anos afastada, como disse, e perguntei por alguns colegas que não havia visto na escola ontem e hoje e a resposta foi: "Fulano está afastado por depressão... Fulano vai deixar a escola, o salário é pouco e o trabalho e o stress são grandes..."
Acho que isso explica a falta de professores.
Outro motivo para o desânimo é o comportamento dos alunos que não demonstram o menor interesse em estudar e o não têm respeito pelo professor.
Andam pela sala, gritam, falam palavrões, levam seus malditos celulares e gadgets (parafernália eletrônica), ignoram o professor e agem como se dissessem: "Não estou nem aí".
Há alguns pouquíssimos interessados, mas que são atrapalhados pelos alunos ruins.
Entrei na sala para falar sobre o projeto de leitura e vi e ouvi expressões de desagrado. Tive que levantar a voz para me fazer ser ouvida enquanto gritavam, riam, andavam pela sala, brincavam e ignoravam e desrespeitavam a presença da professora em sala de aula.
Mas quando os pais são chamados para uma reunião com professores ou a diretora, esses mesmos alunos se transformam nas criaturas mais dóceis, meigas e educadas do planeta e os pais acham que a escola é uma vilã e os professores são todos bruxas e bruxos malvados.
Fui depois para outra sala com adolescentes mais velhos e esperei que o comportamento fosse mais maduro e respeitoso que o de uma quinta série, ledo engano.
Conversava com um aluno que lia um livro! Fiquei interessada e me aproximei dele para saber mais; uma aluna se aproxima de onde estamos e puxa conversa com o colega sem pedir licença. Disse-lhe que ela deveria pedir licença antes de puxar conversa com o colega vendo que eu conversava com ele.
Ela desculpou-se.
Alunos de costas para a lousa, o professor e o resto da sala, demonstrando total desrespeito e descaso por todos.
Vi tudo isso hoje no primeiro dia de trabalho após um tempo fora. Decepcionante, para dizer o mínimo.
Entendo o porquê de tanta falta de professores e não culpo meus colegas por isso.
Muitos estão deixando o ensino por outros empregos e ocupações e os entendo bem.
Não é justo termos tantas cobranças para sermos pagos um salário ridículo e sermos desrespeitados pelos alunos em sala de aula!
Cheguei à escola bem animada e alguns colegas e antigos alunos me cumprimentaram e me deram as boas vindas, mas quando encarei a realidade vi que esta não é nada fácil ou bonita.
E por falar em bonita, a professora que está de licença médica por depressão é uma moça jovem que ainda não tem trinta anos. É uma moça bonita com belíssimos traços morenos.
Agora imagina eu com depressão e esse carão acromegálico... Ferrou!
No final do dia a diretora perguntou se eu estava bem e eu estava cansada e dolorida. Acho que isso deve-se exatamente ao primeiro dia de trabalho após um tempo afastada.
Falei com um conhecido que me perguntou como eu estava e se eu teria condições de continuar e, honestamente, estou em dúvida e meu ânimo murchou.
Minha saúde não é das melhores e já passei por muitas internações e cirurgias devido à Acromegalia. Meu médico acha melhor eu não voltar a trabalhar para não piorar meu quadro clínico de artrose e dores crônicas e depois de hoje comecei a mudar de ideia e achar que ele está certo.
Digo isso com dor no coração, mas o Ensino no país está um lixo e os alunos estão pouco se lixando para professor, educação, escola, formação, futuro e os cambau. Só querem ficar em grupinhos, rindo que nem antas alegres, com fones no ouvido escutando musiquinhas infames e tirando fotos no celular.
Fotos com pescocinho e beicinho.
É isso o futuro do país?
Que adultos serão esses jovens?
Que profissionais serão esses jovens?
Acho que as empresas continuarão com falta de profissionais qualificados e tendo que escolher o menos pior e ensiná-lo aquilo o que seu diploma assegura que ele sabe ou deveria saber.
O dia de hoje foi decepcionante e vou até onde puder aguentar. Não vou desgastar minha pouca saúde com inúteis que vão à escola para passar tempo!
É isso. Infelizmente.


                                     


                                   


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Educação

                                             


Educação vem de berço, já diziam os antigos.
Os pais educam, ensinam a respeitar, a cumprimentar as pessoas quando estas vão visitá-los ou são visitadas.
Os pais ensinam os filhos as palavrinhas mágicas e básicas de uma boa educação: "Olá, Com licença, Desculpe, Obrigado/a, Tchau".
Li um artigo na revista Veja onde o autor relata a visita de uma mãe e seu pimpolho ao seu apartamento. O autor tinha um brinquedo de infância guardado na estante e que virou objeto de desejo do pimpolho mal educado.
O menino quis porque quis o brinquedo e a mãe, sem pedir licença e autorização, pegou e deu ao filhinho mimado e sem educação. Na hora de ir embora, o autor esperou que a mãe dissesse para o filho devolver o objeto, mas ela disse: "Quando o fulaninho pega uma coisa, não larga mais!".
Quem está errado, o filho ou a mãe? Quem dá o exemplo? Quem educa? Quem impõe limites?
Fui ao Carrefour da Vila Guilherme/Vila Maria e, pra variar, pouquíssimo caixas abertos, muitos caixas fechados e filas enormes. Só fui ao hipermercado porque estava mesmo na região e precisava comprar ração para meus gatos. A ração acabou e eles se recusaram a comer a ração baratinha que comprei para emergências como essa; ninguém quis comer e todos se uniram e fizeram greve de fome. Quem disse que os animais não têm inteligência?! Os meus são gênios!
Bom...
Estavam na minha frente na fila uma moça com sua filha de sete anos e uma bela moça de nome Renata. A menina me olha, cutuca a mãe, cochicha no ouvido e em seguida ambas se viram em minha direção e me olham demoradamente. Estou absurdamente acostumada com isso, mas igualmente cansada, invocada, de saco cheio mesmo!
Não sou membro de nenhum circo dos horrores (freak show), não sou tão estranha assim. Sou?
Essas pessoas que me devoram com o olhar faminto por defeitos e imperfeições não têm elas mesmas defeitos e imperfeições?!
Que saco!
Sou educada, mas hoje, por alguma razão que só Freud explica, decidi parar de fingir que não percebo os olhares que tanto me incomodam; disse à mãe da menina: "Se você e sua filha quiserem perguntar alguma coisa, perguntem. Ficar olhando não é educado".
A mãe não gostou: "Quem tá olhando? Eu?! Magina! E minha filha só tem sete anos, é uma criança!"
"Pois é, a educação começa cedo".
Não sou de barracos, confusões e afins e procuro me aproximar e falar de uma forma educada e respeitosa, mas as pessoas não pensam e não agem assim antes de me magoarem!
Conheço acromegálicos que se recusam a sair de casa, que ficaram depressivos e com síndrome do pânico. Eu respeito e entendo perfeitamente bem essas pessoas, não é fácil ser celebridade às avessas, ser observado com uma espécie rara de animal.
Eu fico muito triste muitas vezes, mas não vou deixar de sair de casa, resolver meus problemas só porque ignorantes julgam sem se preocupar em conhecer o problema dos outros.
Pânico tenho eu quando não consigo pagar minhas contas no dia do vencimento; os juros são de dar medo!
Pânico me causa a Sociedade consumista, egoísta, autocentrada, fútil e ostensiva que temos hoje. Gente cuja maior preocupação é o status, o exibicionismo, a arrogância e se achar melhor que o outro. São tão vazias.
Como diz o ditado: "Comem mortadela e arrotam caviar".
E eu não gosto de nenhum dos dois.