segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Filme Mary e Max

                                  


Caí sobre as plantas na sexta-feira e ontem tropecei, batendo o dedão do pé no pé da mesa. Eita!
Fiquei com raiva e decidi não fazer mais nada! Que coisa!
Liguei a TV e tudo chato demais. Resolvi navegar pelo Netflix e procurar alguma comédia para assistir, me deparo com a animação feita em barro "Mary e Max". OK. 
O filme começa e logo no início percebo que não tem nada de comédia ali. O que levou o pessoal do/da Netflix a categorizar o filme como comédia? Não tem nada a ver.
O filme aborda temas como alcoolismo, cleptomania, bullying, solidão, obesidade, autismo e outros temas que fazem parte da vida como ela é.
Uma garotinha que vive na Austrália com uma mãe distante, amarga e alcoólatra e um pai que se distanciou de tudo e de todos. Um quarentão obeso e solitário que mora em Nova York. Trocam cartas e aí começa uma longa amizade.
Fiquei triste quando acabou o filme. Confesso.
Seguimos em frente com nossos medos, preconceitos, esperanças...
É isso.


                                      


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Hoje não

                                   


Fui para a cama mais cedo ontem; estava cansada e dolorida.
As dores vêm mais fortes horas depois do tombo, é sempre assim e com todo mundo. Não sentimos muito na hora, mas depois dói até a alma.
Desliguei a TV e estranhei o silêncio inesperado e misturado à uma certa solidão, melancolia e outros sentimentos.
Não tinha bebê se esgoelando para chamar a atenção da mãe fria; não tinha vizinho tagarela, não tinha molecada na rua... Que bom, meu Deus!
Tentei ler, já que ainda era cedo para dormir, mas o cansaço me derrubou.
Noite fria e a gataiada disputado o cantinho mais quente perto de mim. Adormecemos.
Fui acordada por volta das sete horas da manhã com barulho de martelos, máquinas de lavar carros, quintais... Com vizinhos discutindo, falando alto, reclamando um do outro e do que foi ou não foi feito. Humanos, demasiado humanos.
Acordei com a ubíqua dor na nuca e a pressão estava alta, como sempre. Tomei os remédios e dei uma cochilada, mas sou acordada pela campainha que toca, pelos gritos dos vizinhos que ainda discutem e pela cantoria desafinada da outra vizinha. A devota senhora cantava música religiosa. Só Jesus na causa!
Levantei, era o jeito.
Gataiada brincando de pega-pega e esconde-esconde e arranhando o sofá.
Telefone que toca, campainha também: mais um entregador.
Água que acaba e a roupa será lavada amanhã.
Vizinho tagarela falando, falando, falando... Fala mais que o homem da cobra, diria mamãe.
Não, hoje não dá. Dói-me até a alma.
Café, gatos, livros e Rock 'n' Roll.
É isso.



                                   


                                   


                                 



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Manjericão

                              


Levantei para aproveitar enquanto temos água e coloquei roupas na máquina.
Dormir por aqui é meio complicado: insônia, as dores na coluna e pernas, um maluco beleza que puxa uma carroça de madrugada e falava sozinho e os vizinhos da casa ao lado, que conversam até as duas horas da manhã. O povo mora junto e conversa o dia todo! E a noite também. Que tanto assunto é esse?!
Bom... Fiz café e tapioca, alimentei a gataiada e fui estender as roupas no varal; caí.
As pernas fracas não aguentaram e caí com o edredom sobre meu campo de manjericão. Atingi também uma bonita touceira de quebra-pedra.
O sol, a chuva e o tempo juntos desgastam os varais e os gatos também contribuem para com esse desgaste natural.
Agradeci ao manjericão pelo apoio fofo de suas folhas e me desculpei por ter-lhe amassado e machucado; me desculpei com o quebra pedra também.
Levantei com as pernas trêmulas e o coração acelerado. Agora essa.
Deixei as tarefas domésticas para descansar um pouco e até que os batimentos cardíacos desacelerassem.
Estou melhor e vou fazendo as coisas no meu ritmo lento; daqui a pouco a água acaba mesmo.
Estava meio triste e arretada ontem; ouvi Rock 'n' Roll. Hoje estou mais disposta, apesar de o corpinho acromegálico não cooperar muito. Ouvi canções de ninar africanas, belíssimas.
Tem tanto o que fazer... Casa grande, pouca água, pouca saúde...
Mas estamos na luta. 
Desistir nunca, retroceder jamais! Ou é ao contrário?
Sei lá.
É isso.


                                      

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pódio

                               


Desde criança ouço as pessoas dizendo essa frase: "O que é para ser, será. E ninguém pode mudar o destino".
Eu não entendia muito e com o decorrer do tempo criei o hábito de questionar, de querer saber o porquê das coisas. Eu e esses meus hábitos.
Se as coisas, fatos, acontecimentos estão mesmo destinados a ser e acontecer, por que de repente a vida nos dá uma rasteira e nos deixa doloridos, frustrados, desolados e querendo entender o que foi que aconteceu e por que aconteceu?
"Vida longa com muita saúde"; está meio difícil ultimamente.
"Sucesso profissional"; se eu estivesse trabalhando, se eu pudesse trabalhar, se eu tivesse saúde.
E outras certezas que estavam marcadas pelo Destino, mas que Deus, a Vida e/ou alguém muito filho duma égua não permitiram que fosse, que acontecesse. Por que então nos iludem? É para ter o prazer de nos ver sofrer? Se assim for, Deus, a Vida e o filho duma égua são sádicos e egoístas. Na boa.
O que está marcado e decido, por mim, é que vou seguir em frente mesmo com todas as dificuldades e só contar vitória depois de subir ao pódio para receber a medalha de ouro.
Vida e Destino mais sacanas!
É isso.


                                   




American Horror Story: Freak Show - Circo dos Horrores

                              


Assisti a dois episódios do seriado American Horror Story cujo tema era o Freak Show - Circo dos Horrores.
Já falei sobre o assunto aqui.
O seriado americano é bom e fala sobre histórias de horror da cultura daquele país. O que me incomoda são as fortes cenas de violência, morte, sangue, essas coisas.
As histórias passam-se nos anos cinquenta, quando ainda era muito comum a exibição de pessoas com deformidade física em circos, o Freak Show.
Pessoas baixas demais, altas demais, com membros deformados, com membros a mais, gêmeos siameses, mulher barbada etc...
As pessoas daquele tempo, nem os próprios "freaks -bizarros", entendiam que as deformidades eram causadas por alguma má formação genética e não por um castigo de Deus, ou porque a mãe teve desejos alimentícios não realizados durante a gravidez, ou porque alguém lançou algum feitiço e uma série de motivos estranhos.
A ganância desumana dos donos desses circos em ganhar dinheiro às custas do sofrimento humano. O preconceito que essas pessoas sofriam. O isolamento, a angústia, solidão, tristeza, dor.
Não concordo com o nome "circo dos horrores". Por que horror? Por que pessoas deformadas ou com alguma condição física que as torne diferentes seriam um horror?
Se recebo olhares de estranhamento e ouço comentários desagradáveis devido à minha aparência acromegálica, imagine essas pessoas naquela época!
As pessoas "perfeitas" se esquecem que os "imperfeitos" têm sentimentos também.
Não sei se hoje terá um novo episódio, mas se tiver, verei. O tema me atrai e, se vivesse naquela época, eu certamente seria personagem desse circo de horrores. Eu seria uma "freak - bizarra".
Em um desses circos tinha a exibição de uma acromegálica e o título da atração era: "A mulher mais feia do mundo". Ela ficava sentada em um banco no palco enquanto a plateia a observava e tecia comentários obviamente maldosos. Essa moça se casou e teve filhos, mas morreu ainda jovem devido às fortíssimas dores de cabeça causadas pelo tumor em seu cérebro.
A Acromegalia altera a aparência, entre outros males, e deixa o rosto mais bruto e nada atrativo. Desde que o mundo é mundo as pessoas têm que seguir certos padrões de beleza e quem não for pelo menos bonitinho, sofre.
E assim caminha a humanidade. Desde que o mundo é mundo.
É isso.


                                   

Desperdício

                                


Enquanto aguardava ser chamada pelo médico perito e de ter o "piripaqui", observava tudo ao redor, velho hábito meu.
Reparei que em todas as salas tinha um ventilador ligado e na recepção tinha um ar condicionado que deixava o ambiente muito gelado.
E nem estava tão calor assim; era ainda cedo e a temperatura estava em vinte e três graus.
Apenas uma sala era usada pelos periciados e as outras estavam vazias, mas com ventiladores ligados; que desperdício!
Finalizada a perícia, fui para a recepção aguardar o táxi e me incomodei com aquele ar gelado que me dá dor de cabeça e piora a sinusite.
Pedi para recepcionista reduzir a intensidade ou desligar o ar condicionado, estava frio demais!
Como dizia mamãe: "E tem precisão disso tudo?!"
A recepcionista disse que um dos médicos liga todos os aparelhos assim que chega ao local. Será que ele faz o mesmo em casa?
Saí de lá indignada com o desperdício, ainda mais em tempos de crise hídrica.
É isso.


                                    

Solar Amarelo

                                 


Uma noite tranquila, graças a Deus.
Como sempre, não consigo dormir uma noite inteira e tive que lidar com as dores nas pernas e coluna, mas não tive sonhos ruins. Que bom.
Sonhei que estava em um prédio alto e tive que descer para pegar alguns gatinhos cinzentos que estavam abandonados. 
Vi minha Aurora também, ela protegia os gatinhos.
Desci, fui para a rua e na hora de voltar não sabia qual era meu prédio. Andava pela rua de areia e que ao longe ficava o mar. Ao lado do prédio tinha um solar, casarão antigo, amarelo e que parecia ser um lugar de descanso para pessoas. Algumas pareciam estar em outro mundo, desligadas, alienadas...Todos me olhavam como se eu fosse maluca também. 
Deve ser porque estou lendo o livro "O Capa Branca".
Acordei mais leve e com a gataiada faminta e bagunceira à minha volta.
É isso.


                                  

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Contragosto

                                


As aulas começaram e eu queria tanto estar em sala de aula com a molecada, principalmente os pequeninos da quinta-série com aquelas carinhas assustadas, preocupadas e curiosas.
Responder às mesmas velhas perguntas que já fazem parte dos Anais da História: "A senhora é brava? A senhora tem filho? É a lápis ou caneta? Pode usar caneta colorida? A senhora trabalha ou só da aula?".
Foi uma coisa boa que eu quis tanto e durou tão pouco, mas é preciso se afastar. Muito a contragosto, mas é preciso. Infelizmente.
É isso.



                                      

Patinha de Bellatrix

                                 


Tenho tido sonhos fortes e assustadores nessas semanas que passam.
Quase todo dia é assim: Não consigo dormir direito por causa das dores, me levanto, ligo a TV, me deito no sofá e lá adormeço.
Acordo com esses benditos pesadelos.
Acordei cedo hoje porque tinha médico, mas como ainda era muito cedo, fiquei na cama e dei cochilada. Meu Deus!
Adolescentes de novo e dessa vez não queriam assaltar, queriam que eu fosse com eles.
Me seguiam por toda a parte e o que mais me incomodava e incomoda, é o sorriso cínico, dissimulado e o olhar de quem se acha superior e faz o outro se sentir inferior. Aquela expressão facial de quem está mentindo, seduzindo e querendo convencer a sua vítima. Conheço muitos vivos assim.
Não! Não vou!
Muitos adolescentes me seguiam, mas esse rapaz até bonito, conversava comigo: " Por que você não desiste? Por que você luta pra ficar? Vem com a gente; volta para... ". E ele dizia um nome que eu não conheço e não sei se é o nome de uma pessoa ou um lugar.
Têm sempre detalhes nos sonhos que chamam mais a atenção e esse rapaz não tinha língua e só aparecia sua traqueia.
Será que esse rapaz faz parte do grupo que me atormentou durante o coma? Por que querem que eu desista de lutar, de viver e vá com eles? Nunca!
Deus é mais.
Acordo com Bellatrix deitada ao meu lado e com a patinha em minha mão. Ela quis demonstrar e dizer: "Não tenha medo, eu estou aqui. Eu te protejo".
Que Deus proteja a todos os animais. Amem.
Em hospitais, principalmente nas U.T.I,  morreram e morrem muitas pessoas e, segundo os mais sábios, nem todas aceitaram ou aceitam essa passagem e ficam presas no local perturbando quem está entre a vida e a morte e lutando pela vida.
Conheço pessoas muito frias e práticas que dizem que "morreu, acabou", mas não é assim não. Se fosse assim, que sentido teria a vida?
Nascer, crescer, multiplicar e morrer? Simples assim? Não, não.
Vou lutar sim, vou continuar com as peregrinações a médicos, laboratórios etc... E vou de táxi!
Haja dinheiro. Mas tem sido melhor assim, por enquanto, e até eu melhorar.
Vou fazer café.
É isso.


                                        

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Beija-flores

                              


Vi beija-flores. Coloridos, rápidos e lindos.
Dizem que beija-flor traz sorte e quando um aparece em nossa casa, é alguém que virá nos visitar.
Vi um beija-flor quando saí do consultório médico e depois vi outro entre as árvores do prédio da pericia.
Tenho um jardim lindo, grande e viçoso, mas tenho gatos curiosos, danados e terríveis.
Gosto dessas coisas simples: beija-flores, gatos e meu jardim.
Bom...
Vou fazer uma sopa de jerimum (abóbora).
Estou sentido falta de frutas. 
É isso.