Participo de alguns grupos de acromegálicos e troco experiências com pacientes do Brasil e do mundo.
Já falei aqui sobre a dificuldade de um diagnóstico rápido e certo; o paciente sofre um bocado até encontrar um médico que conheça a Acromegalia e/ou que pelo menos o ouça e o respeite.
Recebi mensagem de uma moça no Rio Grande do Sul e ela disse que é acromegálica há dezessete anos. Já fez cirurgia de remoção do tumor de hipófise e fez Radiocirurgia.
Observei outro detalhe que me chamou a atenção: mais uma paciente do Rio Grande do Sul.
Falei sobre isso com algumas pessoas e reparamos que em nosso grupo de Acromegálicos de Língua Portuguesa tem gente do Brasil todo, mas a maioria é do Rio Grande do Sul.
Por que será?
Será que está relacionado à forte cultura e colonização europeia, principalmente a colonização italiana/latina?
Sabemos que algumas doenças são mais comuns em determinados grupos sociais e isso faz sentido se compararmos a Acromegalia com os sobrenomes dos pacientes e seus locais de origem.
Fiz uma pesquisa por conta própria e andei comparando, calculando, analisando...
Na nossa família predomina o sobrenome português que por sua vez substituiu os outros sobrenomes também latinos: italiano e espanhol.
Papai adorava dizer que era neto de "intaliano" e sua mãe, a avó Mariana, além de filha de italianos era também acromegálica, conforme os relatos dos familiares que a conheceram e conviveram com ela.
Acho que minha humilde pesquisa faz algum sentido.
Minha pesquisa foi feita apenas para alimentar minha mente inquieta e faminta por conhecimento, não tem fundamento científico, político, médico etc...
Eu gosto de analisar, pesquisar, ler, estudar, descobrir, escrever...
É isso.
Domingo chuvoso; dia lindo.
A maioria das pessoas estranha quando digo que gosto de dias chuvosos, frios e cinzentos. Gosto de dias ensolarados também, só não gosto de muito calor.
Fiquei em casa, li o jornal, ouvi música, fiz café, mimei a gataiada.
Pretendia comer panetone com café mas percebi hoje que comprei o tipo/sabor errado: chocolate.
Adoro chocolate, mas não em panetone. Sou mais o sabor tradicional, de frutas.
Paciência.
Fiz "Danoninho"; gosto muito.
Ficou meio docinho devido ao leite condensado e ao suco em pó; procurei suco sem ser adoçado, mas não encontrei. Ainda coloquei um pote de iogurte natural para "quebrar" o excesso de doçura e até que ficou bom. Ficou bem cremoso, volumoso e com uma textura bonita.
Adoro preparar guloseimas e recentemente ando com vontade de fazer trufas de chocolate. Vou aprender a fazer.
Aprendi também a fazer hamburger de soja. Não sou muito afeita a hamburger, cachorro quente, nuggets e essas coisas industrializadas, rápidas, práticas e com o mesmo sabor de nada que as pessoas tanto gostam.
Confesso que adoro uma boa massa com molho à bolonhesa e muito queijo. Adoro doces, chocolate, salgadinhos de festa e outras delícias e adoro também frutas, legumes e verduras.
Tem que ter equilíbrio, se a gente abusa um pouco/muito o resultado disso fica logo visível no corpinho e nos exames de sangue.
Bom...
E assim foi meu domingo.
Mais um domingo só e na companhia dos meus gatos, da minha música, das minhas leituras...
É isso.
Sexta-feira chuvosa e dez graus a menos na temperatura; gosto assim.
Levei o carro para fazer a inspeção veicular e me perdi na volta. Isso tem acontecido muito, recentemente. Dá uns "apagão" e me desoriento; deve ter algum fio solto, algum curto-circuito no meu cérebro. Sei lá.
Encontrei o caminho de volta, peguei um trânsito danado e fui ao banco para pagar umas contas. Levei comigo o código de barras e o dinheiro mas não puder pagar uma das contas. Me arretei.
E por que não posso pagar uma conta se estou em uma agência bancária?! Só se eu tivesse conta naquele bendito banco e aí sim poderia "estar efetuando o pagamento".
Vai pro inferno!, pensei comigo.
A gente fica um tempão esquentando cadeira pra quando finalmente chega a nossa vez a gente não pode fazer nada! Oxe!
Saí do banco injuriada e deveria ir a outro banco para pagar outra conta vencida, mas era quase quatro da tarde e eu ainda tinha que ir ao supermercado.
Deixei para segunda-feira.
Fiz as compras, encarei mais trânsito e voltei para casa munida de ração seca e molhada entre outras coisas.
Alimentei a gataiada e me deitei no sofá. Adormeci.
Eu estava bem até o início da tarde mas depois o corpo começou a doer: resultado do tombo que levei ontem. Explico.
Era de madrugada e acordo com a briga dos gatos. Boreal cismou com Tutti Frutti, uma gata mais velha que pertencia a um conhecido meu e que veio morar comigo. A gata, não o conhecido, graças a Deus.
Levantei o mais rápido que pude e fui até a cozinha; caí no caminho. Tive alguma dificuldade para me levantar, mas consegui e voltei para a cama sem sentir nada demais.
O "sentimento" veio hoje. Comecei a sentir dores pelo corpo e demorei a relacionar as dores com o tombo de ontem. Ando meio lerda ultimamente.
Mas não é nada demais, logo passará.
Bom...
Já é tarde e vou para a cama; hoje terá bingo na casa da minha irmã Rosi e é sempre divertido, vou preparar bolo e cookies para levar.
Minha sobrinha Maria Julia pediu que eu fizesse cookies e eu farei logo pela manhã.
Farei brownie e cookies.
É isso.

Minha sobrinha Beatriz escreveu cartinha para o Papai Noel e pediu três coisas: patinete, patins e skate.
Minha irmã Rosi não gostou muito da lista de presentes e sugeriu livros, filmes e coisas mais calmas, mas Beatriz percebeu as intenções "calmantes" da mãe.
A lista foi reduzida para apenas um item e a explicação é que Papai Noel tem que atender a muitas crianças pelo mundo todo e pedindo uma coisa só facilitaria a vida do bom velhinho.
Beatriz disse que Papai Noel não compra nada e que os duendes produzem todos os presentes. Ela ficou curiosa e intrigada sobre como o Papai Noel sabe a idade dela, sabe quando ela nasceu e sabe que ela é uma boa menina.
Com a Internet hoje em dia todo mundo sabe tudo!
Papai Noel também tem amigos virtuais nas redes sociais.
Disse a Beatriz que também vou escrever uma cartinha para o Papai Noel e vou fazer dois pedidos: livros para mim e ração para meus gatos.
"Adultos também podem escrever cartinha para o Papai Noel?!", perguntou ela.
Sim, podem sim.
Achei bonitinha a inocência, o acreditar em Papai Noel, a esperança e todas as coisas boas que vêm com essa época natalina.
Que a esperança e as coisas boas estejam presentes nas vidas das pessoas. Não só no Natal, mas o ano todo e a vida toda.
Amem.
A vida é feita de escolhas, já diz o ditado.
Se conhecemos o ditado, sabemos que ele está certo e se sabemos disso, por que fazemos tudo errado?
Outro ditado: A gente colhe aquilo que planta.
Se sabemos disso, por que plantamos discórdia, mentiras, falsidade e tantas outras coisas ruins?
Por que tem gente que gosta de incorrer no erro?
Por que tem gente que não aprende nunca com os próprios erros? Seria burrice, ignorância, comodismo, mal caratismo mesmo ou o quê?
Por que a gente vê o óbvio mas quem deveria vê-lo faz-se de cego?
Medo de encarar a realidade? Comodismo?
Estou preocupada, inquieta, desassossegada... Não gosto de me sentir assim.
Saí rapidamente à tarde, voltei para casa e me deitei no sofá. Dorzinha de cabeça chata que dura uma semana e que começou a se intensificar na sexta-feira.
As coisas estão difíceis. São fases boas e ruins e agora parece que é a vez das fases não muito boas. Meu Deus.
Como diz a canção: "É preciso ter força. É preciso ter raça. É preciso ter gana sempre..."
Não é fácil não.
Segunda-feira lenta.
Dia morno e nublado.
Alguns raios de sol passam por entre as nuvens mais desavisadas.
Segunda-feira lenta, tudo é devagar e a gente se pega a divagar.
Passei na lojinha no meu irmão e vi minha sobrinha Rafaela. Tão linda, tão falante, tão graciosa. Perguntei se ela havia almoçado e ela disse que comeu tudinho.
Encontrei outras pessoas; conhecidos, parentes e até alunos.
Perguntaram se eu ainda faço aquelas "coisas boas" de comer e eu respondi que sim. Lembraram que mamãe estava sempre na cozinha preparando algo e nós a ajudávamos ao passo que também aprendíamos.
Era tão bom.
Às vezes preparo minhas guloseimas e adoro fazer isso. Cozinhar é um dos meus hobbies e passa tempo favoritos. Gosto de experimentar, testar, inventar...
Fiz esses dias um bolo de coco cremoso que mais parece pudim. Fica a camada de coco ralado na base do bolo e na parte de cima fica cremoso igual a pudim.
Ontem deu vontade de comer algo doce e fiz mousse de chocolate.
Mas eu gosto mesmo é do sabor de abacaxi com leite condensado. Lembra mamãe, lembra final de ano, as compras de Natal, os sonhos, as esperanças...
O pudim de Natal, ou "pudinho", como dizia papai, é um clássico e sempre teve presença garantida em todas as reuniões familiares de fim de ano e em outras ocasiões.
Trabalhei com uma moça que reclamava do pudim de leite da avó dela. Em todas as reuniões e eventos familiares lá estava o bendito do pudim. Rimos, mas eu disse a ela que agora ela reclama, mas quando a avó dela não estiver mais aqui e a saudade apertar, ela vai lamentar e vai sentir falta da avó e do pudim.
E estou com vontade de comer abacaxi com leite condensado, com vontade de fazer pudins, sorvetes, pavês...
Preciso comprar novas formas de bolo, as minhas estão todas velhinhas, tortas e amassadas.
Muitas são do tempo de papai e mamãe ainda.
É chegada a época das festas, dos preparos, das guloseimas, da saudade.
Às vezes acho que as coisas têm gosto, têm sabor e a saudade tem gosto de abacaxi com leite condensado, de tomate com açúcar, de farofa de ovo, de bolo de araruta, de mel de engenho com farinha de mandioca, de bolacha "cremi cráqui" com café no xicrão do meu avó Paipreto.
É tanta saudade.
É isso.


Não entendo muito de futebol.
Não entendo os nomes das posições dos jogadores, as cobranças de pênalti, escanteio e essas coisas.
Só sei que são onze jogadores de cada lado; um no gol e dez no campo. A bola tem que ser chutada até balançar a rede do time adversário e aí é gol e pronto.
Simples assim.
Acho curiosos e engraçados os nomes que dão aos gols: gol de placa, gol de bicicleta, gol de cobertura, gol de letra...
Fico imaginando alguém segurando uma placa de qualquer coisa e fazendo o gol. Alguém pedalando uma bicicleta e dando uma paradinha para chutar a bola ao gol.
E o gol de cobertura teria sabor de cobertura de chocolate? Ou de morango, talvez?
E o gol de letra? Como seria? Alguém segurando a letra inicial do próprio nome e chutando a bola? Deve ser.
O que é pequena área, grande área e impedimento?
Por que chamam o juiz de ladrão? Por que xingam a mãe dele? Ela nem está no campo jogando!
Por que jogador de futebol ganha tanto dinheiro? Eles nem sabem falar direito! Sempre falam as mesmas coisas e ainda chamam o técnico de professor!
Professor ganha o mesmo que técnicos de futebol?
Técnicos de futebol são professores de verdade? Eles passam lição de casa? Dão provas, fazem reuniões de pais e mestres?
Técnicos de futebol fazem greve por melhores salários?
Acho que as pessoas confundem as coisas.
Acho que as pessoas dão importância demais às coisas erradas.
Se os jogadores de futebol chamam o técnico de professor então nós alunos podemos chamar a professora de técnica?
Ela ensina a gente, prepara a gente para o futuro, cuida da gente.
A professora faz quase tudo igual ao técnico de futebol, só não ganha o mesmo salário que ele e é professora de verdade.
Essa é a diferença.
Domingo nublado, o tempo mudou mesmo.
Daqui a pouco milhares de carros congestionarão as estradas no caminho de volta para casa. É São Paulo. São Paulo é assim.
Como dizia papai: "Tem jeito não".
Levantei tarde, fiz café, alimentei os gatos, faço uma coisa ou outra pela casa, sentei-me para assistir ao Esquenta, escrevo ao mesmo tempo que afasto os gatinhos que já exploram tudo à volta.
Os danadinhos completaram um mês dia quinze e já estão bem espertinhos. Pétala está se tornando uma gata linda, esperta, inteligente e corajosa.
Aldebarã não fica atrás, mas é mais cauteloso.
Clara Blue é mais observadora, analisa bem a situação e depois parte para a ação.
Boreal, a jovem mãe, está enciumada e me olha com olhos pidões. Dou-lhe carinho e atenção.
Está um dia lindo: cinzento e chuvoso.
Gosto de dias dourados de sol e de dias cinzentos e chuvosos. E por que não?
Nem tudo são flores, nem tudo são cores. Cada dia, cada coisa, cada pessoa é único em seu jeito único de ser.
Estou só. Gosto de ficar só. Só não gosto de me sentir só.
É meio estranho, mas fácil de entender. Talvez...
Comprei terra, vou arrumar meu pinheirinho de Natal.
Meu jardim está tão lindo. Simples e lindo. Não tem plantas caras e/ou da moda, tem apenas plantas.
Galhos e mudas comprados, "roubados", tirados daqui e dali e colocados na terra... Cresceram e se transformaram em belas, simples e viçosas plantas.
Gosto do que é simples e natural.
Boldo, maracujá, bonina, flor de maio, suculentas, palma (cactus), Maria Pretinha, cróton, azaleia, samambaia, avenca...
São algumas das plantas que compõem meu jardim.
Vou cuidar e me preocupar com aquilo que posso cuidar e às vezes mudar.
Cuido do meu jardim e mudo algumas plantas de lugar.
Não posso cuidar das pessoas e mudá-las ou moldá-las ao meu bel prazer, então o melhor e deixá-las seguir seus caminhos como melhor lhes aprouver.
A gente faz o que pode, mas ninguém pode mudar ninguém nem o mundo.
Cada um faz a sua história.
Eu faço a minha.
É isso.
Sábado quente.
Fim de tarde escuro e com bastante vento. O tempo vai mudar.
Milhares de carros presos em congestionamentos monstruosos; oito horas de viagem para chegar ao litoral quando o tempo normal é de menos de duas horas.
Não sei se eu teria ânimo para tanto.
Assisti ao Globo Repórter e falou sobre cidades prósperas pelo Brasil. Deu uma vontade de mudar. Faz tempo que tenho essa vontade.
Mudar para um lugar mais tranquilo, com trânsito menos caótico, com gente menos apressada e estressada.
Um lugar com bons serviços médicos e bons hospitais. Tem que tratar da Acromegalia.
Inferno!
Daria um doce para me livrar de todos os males de saúde e, se a tivesse, já teria me enfiado por algum canto nesse Brasilzão véio.
Às vezes eu tenho vontade de largar tudo, jogar tudo para o alto e sair por esse mundo afora.
Não tenho nada a perder. Não tem quem sinta minha falta. Acho que não.
Levaria meus livros e meus gatos comigo; meus companheiros fieis.
Mas eu penso nas consequências: que raios poderia acontecer comigo se abandonasse o tratamento da Acromegalia, pressão alta e o caramba?
Bom, o tratamento da pressão não abandonaria; bastaria tomar os remédios que tomo diariamente para evitar que a pressão fique hiper-power-plus-ultra alta.
Fazer o quê? É o jeito.
Mas quanto a Acromegalia e seus malefícios pelo meu corpinho acromegálico...
Não seria uma boa. Ficar entrevada, com dores nas articulações, dores de cabeça e outros achaques.
Não, não.
Dá para viver em outro lugar com uma boa qualidade de vida. Aliás, qualidade de vida é um termo que está na moda; todo mundo fala isso, todo mundo quer isso. É...
Bom...
Fiz algumas coisas pela casa. Separei o jornal para dar para os "tios" da carroça, limpei o quintal dos gatos, dobrei a roupa lavada, reguei as plantas.
Fiz arroz e feijão e fritei ovos para o almoço. Arroz, feijão, ovo frito e farofa. Simples mas delicioso.
Preciso comprar mais frutas, legumes e verduras. Nos dias quentes é o que mais gosto de consumir.
Agora deu vontade de tomar um café e comer uma coisinha doce enquanto assisto TV. Ver algo que preste porque essas novelinhas das seis e das sete são muito chatas! Uma é bem inverosímel: viajar para países exóticos dos Himalaias em pleno anos quarenta ou cinquenta e ir e vir como quem faz ponte aérea Rio-São Paulo é demais.
A outra novela, a das sete, parece uma mistura de Malhação com Lost; cheia de atores jovens, uma história sem pé nem cabeça e muitas aventuras malucas.
Melhor ler, escrever, procurar outras opções...
É isso.
Sexta-feira, 15 de novembro, feriado.
Aniversário de mamãe. Nunca me esqueço.
É madrugada já e está tudo tranquilo, graças a Deus.
Apenas os cachorros latem, ônibus e carros passam e algumas pessoas indo ou vindo de/para algum lugar. Mas não há nenhuma festa de aniversário ou de qualquer coisa de algum vizinho. Louvado seja Deus Nosso Senhor Jesus Cristo. Amem.
Veremos amanhã.
Fui ao banco, paguei algumas contas, passei na casa da minha irmã Rosi e tomei café da tarde. Voltei e passei no pet shop do bairro; comprei ração para gatinhos e ração molhada.
Deveria ter ido ao mercado, mas estava sem ânimo e meio cansada. Deixei para ir depois.
Paro o carro e desço para abrir o portão, escuto o miado estridente, carente e desesperado de Cássio. O chamo, ele vem e o cubro de carinhos e muitos beijos.
Cássio apresenta comportamento estranho, arredio e desconfiado. Não sei o que aconteceu enquanto fiquei alguns dias no hospital, mas esse breve período de ausência afetou o comportamento do meu gato.
Mas Cássio está bem. Está sujinho, mas está bem.
Hoje os gatinhos da Boreal completam um mês e experimentaram alimento sólido pela primeira vez. Coloquei ração molhada para eles e Clara Blue foi a primeira a atacar; foi tão bonitinha, ficou tão brava, queria a ração só para ela e fazia aquele som de ataque e defesa para os outros irmãos.
Pétala veio desconfiada, cheirou e depois comeu.
Aldebarã foi mais lento e demorou mais para identificar o cheiro do alimento e comê-lo.
Observei que todos os três filhotinhos têm um defeito congênito na cauda. Todos têm o rabinho torto, em maior ou menor grau. Clara Blue tem as patas de coelho, igual ao Léo Caramelo.
Estão todos grandinhos, espertinhos, muito fofos e lindos.
Foi bom eu ter saído por algumas horas. Mesmo tendo saído para pagar contas e cumprir obrigações. O fato de sair ajudou a quebrar a rotina de solidão e melancolia.
Um vez uma moça novinha e muito linda disse que quando estivermos nos sentindo muito sós e com a alma doendo o melhor a fazer é sair. Mesmo que seja uma simples volta no quarteirão, mas isso já ajuda a quebrar a rotina pesada da solidão e da melancolia.
Estou ensaiando para falar/escrever mais sobre a melancolia e a depressão, mas não é fácil. É como assumir um vício, um erro, uma falha.
Mas somos humanos e não somos máquinas. Não podemos escolher como vamos nos sentir naquele dia, naquele momento. Não temos botões com opções de emoções: "Agora vou apertar a opção 'alegre', 'triste', 'animado'...etc".
Parece que a Sociedade nos obriga a sermos e estarmos sempre alegres, animados, com mil planos na cabeça e com muita energia para fazer de tudo um pouco.
Não é assim na vida real.
Não sei de onde vem essa melancolia, esse desconforto, esse sentir-se só no meio da multidão. Não sei se é algo cerebral, químico, físico, espiritual ou um pouco de tudo.
Sempre fui assim.
Fui sempre assim.
É isso.
Sonhei com o mar. Estava revolto, bravio, espumoso, bonito.
Caminhava por uma rua de ladeira e ia até uma avenida estreita que beirava o mar. Estava tudo fechado pelas autoridades; o mar bravio invadia as ruas e avenidas.
Uma moça caminhava apressadamente, tentava sair logo dali e o mar se aproximava cada vez mais. Logo atrás da moça vinha um jovem e ele não tinha boas intenções. Fiquei preocupada com a moça e reduzi o passo.
Eles passaram e eu fiquei observando. Tudo em paz.
O mar furioso se lançava contra as pedras, as ruas e avenidas. Era um mar tão bonito, tão bravio, tão furioso.
Acordei com uma vontade imensa de ver o mar, com saudades do mar.
Eu irei ver o mar. Vou só, mas irei.
A vida é curta e cheia de problemas. Se for esperar para quando tudo der certo, para quando um dia tudo melhorar, a vida e o tempo terão passado por nós.
Eu quero simplesmente ver o mar e isso não pode ser tão difícil ou complicado assim.
Irei.
É isso.
Reguei as plantas. Estavam murchinhas devido ao forte calor de ontem e hoje.
Sentei-me na cadeira com Rosinha no colo e depois vieram Ébano Nêgo Lindo, Branca Maria e Boreal. É muito gato para pouco colo.
Observei e apreciei o belíssimo fim de tarde e as gotículas de água sobre as folhas das plantas. Pareciam cristais, pedrinhas de brilhante... Tão bonitinhos.
Viajei no tempo e no espaço.
Meio maluco, mas possível. Basta soltar-se das amarras da normalidade e despir-se de vergonhas e preconceitos.
Cristais e pedrinhas de brilhante sobre o pinheirinho de Natal remeteram-me a algum lugar distante onde vivi, onde estive algum dia.
Lembro de quando fomos conhecer a nova casa de um parente nosso em uma cidade da Grande São Paulo. Naquela época começavam a venda de lotes e a formação de novos bairros em localidades mais distantes da capital. Hoje está tudo moderno e civilizado.
Caminhamos por ruas de terra, apreciávamos aquela imensidão vazia e silenciosa.
No quintal dos fundos da casa havia um pequeno córrego. Um regato, arroio, nascente...
A água era clara, límpida, fresca e tinha um gosto de água de coco. A nascente borbulhava e eu achava aquilo um espetáculo fascinante. Parecia que a água estava fervendo.
Coloquei as mãos sobre o borbulhar, queria pegar a água e senti-la. Nosso parente brincou e disse que as águas me puxariam para dentro de seu mundo encantado. Fiquei com medo, mas curiosa.
Voltamos para casa, logo iria escurecer.
Amanheceu o dia e eu fui sozinha até a nascente para brincar com as águas. Havia um quê de melódico no ar e até podia sentir uma música mágica a tocar. Era uma melodia tranquila, calmante e aconchegante.
Voltamos para casa em São Paulo e comentei com minha vizinha e colega de escola. Pra quê?
A abestada contou para os outros coleguinhas e todo mundo começou a me achar mais estranha ainda.
Eles não tinham sensibilidade.
Eu tinha e tenho até demais.
Ver e sentir coisas que nem todo mundo consegue ver. Ser taxada de estranha ou maluca só por ver além da visão, (meio Thundercats, sei).
Cristais e pedras preciosas nas plantas, águas melodiosas...Sei lá.
As pessoas são tão práticas, tão secas, tão frias. Não prestam atenção à sua volta, estão sempre na pressa e na correria, sempre preocupadas com o ter, o possuir, o conseguir.
Acho que sou meio maluca beleza.
É isso.