terça-feira, 30 de outubro de 2012

Deformidade, Artrose, Carro

                                   

Voltei ao consultório do ortopedista para levar a papelada que ele deveria preencher; deveria.
O doutor achou melhor não ficar enrolando com papeladas e buRRocracia do convênio e laboratório e decidiu fazermos um exame de cada vez; farei a ressonância da coluna lombo sacra, que é mais urgente.
Fiz radiografia do pé esquerdo, tive inflamação no tarso; a dor voltou e às vezes é difícil pisar, acabo mancando.
O exame constatou o que eu, o médico e a torcida do Corinthians sabemos: artrose. Ossos tortos, inflamação, acúmulo de líquidos.
A artrose está espalhada por todo meu corpo, todos meus ossos e ameaça minha mobilidade, meus movimentos e é por isso que o médico tem certa urgência nos exames para tomar a melhor decisão. Agora vai explicar isso para os buRRocratas de plantão!
Há a grande possibilidade de uma nova cirurgia para a descompressão da medula, que é cercada pelos parafusos e pelos ossos que crescem. Se não fosse a Acromegalia, tudo estaria bem, pois os parafusos, pinos e afins estão muito bem colocados. 
Acromegalia, como a odeio!
O doutor disse que precisa dos exames para decidir e que só fará a cirurgia se puder me ajudar, se for para atrapalhar mais ainda ou para apenas operar, ele não faz. Ele disse que tem muito colega que opera por operar, como se o paciente fosse uma mera cobaia.
Perguntou ainda se demorei a descobrir a doença, se não percebi a deformidade em meu rosto e corpo. Achei o termo deformidade meio forte e isso me arrebentou por dentro. Chorei por dentro. Por fora, tudo normal.
Deus está vendo.
Nunca fui exemplo de beleza e a Acromegalia só piorou ainda mais, muito mais, mas dizer deformidade, deformar... Sei não. Machucou, doeu, magou, feriu e desenterrou velhos fantasmas que lutei e luto tanto para mantê-los enterrados e longe de mim.
Artrose, cirurgia, crescimento, ossos deformados... deformidade.
Saí do consultório triste, chorosa por dentro e quando atravessei a rua, permiti que as lágrimas saíssem. Saíram em profusão. 
Sou humana, demasiado humana.
Vou até o carro e tento abri-lo, não abre. A chave entra mas não vira. Tento o porta malas, tento a chave mais uma vez e acho melhor chamar o guincho com chaveiro. Decido dar mais uma volta no carro e percebo que tem um bichinho de pelúcia preso ao espelho retrovisor, penso comigo: "Mas esse carro não é o meu!".
Que mico!
Disfarço, caminho mais um pouco e vejo meu carro há alguns metros do carro que tentei "arrombar".
Uma viatura da polícia passa em frente e graças a Deus não desconfia de nada. Já pensou o que poderia acontecer até eu conseguir explicar que me confundi e que passo por uma fase difícil e delicada da minha vida?
Eita lasquêra!
Mas a viatura passa e eu entro no meu carro e vou até a casa da minha irmã Rosi. Minutos depois chega meu irmão Naldão e vem munido de pães, rosquinhas, salame e Coca Cola. Adoro salame, adoro rosquinhas, mas não posso dizer o mesmo do refrigerante.
Conversamos, lembramos de causos de nossa história antiga e rimos muito. Meu cunhado Pepê cisma que eu devo me lembrar do National Kid e eu digo que não; lembro do Ultraseven, Ultraman e Spectreman.
Pepê diz que sou véia e que finjo que não lembro só para disfarçar. Quem precisa de inimigos com um cunhado desse?
Minha sobrinha Beatriz voltou da escola e fomos fazer arte, pintura com cola colorida. 
Foi uma tarde agradável. Foi uma tarde perfeita, sem deformidades.
É isso.

                                 

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